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15/02/2005 - 23:48

Tipos de bicicleta para cada uso (e o que levar na pedalada)

Já que eu preciso publicar alguma coisa aqui senão o iG cancela o blog por inatividade, vou postar uma resposta de um e-mail que recebi pedindo umas dicas de ciclismo. Vai acabar sendo útil pra alguém que cair aqui.

Se alguém que estiver lendo quiser me perguntar alguma coisa, mande um comentário. O que eu souber eu respondo! :)

Se você ler isso aí e discordar, deixe também um comentário que a gente discute o assunto. ;)

Mais pra frente eu posto uns outros textos de ciclismo que eu escrevi e estão aqui na manga, só precisam de uma revisão antes de ir pro ar. No fim era pra isso aqui ser sobre TI, gestão, etc, mas tá virando site de ciclismo…

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> Mas vou pedir mais umas dicas: De como onde e que tipo de
> bike para trilha e passeio no asfalto, uma bike pode servir
> para os dois passeios??

Não entendi o “como e onde”, mas quanto ao tipo de bike para cada coisa, depende do tipo trilha, depende da distância e/ou ritmo que você pretende ter no asfalto.

As mountain-bikes são bicicletas que a priori atendem a todo tipo de terreno (tanto que em portugal em nos países hispânicos são chamadas de BTT – Bicicletas Todo Terreno). Mas se você for fazer um percurso longo, é melhor pelo menos trocar os pneus por pneus slick (lisos e, de preferência, finos), porque isso vai deixar a bicicleta mais “leve” por ter menos atrito com o solo.

Seria mais ou menos isso:

- Para andar dentro da cidade, apenas em ruas asfaltadas: qualquer tipo de bicicleta, seja estradeira, mountain-bike, bicicletas de passeio, comfort-bikes, reclinadas, etc., etc. Com uma ressalva: se o asfalto for muito ruim e esburacado, ou se parte do percurso é de paralelepípedos ou outro tipo de piso baseado em blocos de pedra/concreto/etc., fica ruim para uma bicicleta de estrada.

- Para pegar estrada de asfalto, o ideal é uma estradeira, que o pessoal geralmente chama de speed, aquelas bicicletas que têm um conjunto mais leve, que colocam o ciclista em uma postura mais aerodinâmica, tem pneus finos, etc. Reclinadas também se dão muito bem nesse tipo de terreno, principalmente se a distância é longa. Dá pra usar mountain-bike também, mas é bom trocar os pneus por pneus slick, que são mais finos e sem cravos (senão haja perna) e quem estiver em uma MTB não vai conseguir acompanhar o ritmo dos speedeiros, não só porque a bike é mais pesada mas também pela aerodinâmica do conjunto e pela relação de marchas. Se o grupo todo estiver de MTB, beleza, mas de speed você iria mais longe.

- Para fazer uma cicloviagem (uma viagem de vários dias usando como meio de transporte principal a bicicleta) você precisa de uma bicicleta diferente, que não é uma mountain-bike e nem uma estradeira, que tenha bagageiros para pendurar alforges e etc. Para isso é preciso preparo (psicológico e físico) e planejamento, se um dia você for querer fazer isso posso te indicar umas boas fontes de consulta.

- Para fazer trilhas leves (basicamente estradas de terra sem muitas pedras nem buracos), você precisa de uma mountain-bike, que pode ser até essas bicicletas de supermercado que chamam de mountain-bike mas que pra mim não são, são bicicletas de passeio. Outros tipos de bicicleta estão fora de questão (com exceção de alguns tipos de reclinadas).

- Para fazer trilhas de nível técnico médio e alto (estradas de terra muito esburacadas, com pedras, “costelas” e valetas, single-tracks, barro, etc.) você precisa de uma mountain-bike de verdade (as de supermercado não aguentam). Essa bike não precisa necessariamente ter suspensão atrás, mas tem que ter quadro e rodas resistentes, pneus adequados e uma suspensão razoável na frente, além de um conjunto de peças que não coloquem em risco a sua segurança. Comprar uma bicicleta de 100 reais e ir pra uma trilha de verdade com ela é ter que deixá-la por lá (e talvez deixar alguns dentes junto com ela).

- Para fazer Downhill (que a grosso modo é descer ladeira), você precisa de uma bicicleta especializada e cara, além de muita técnica. No downhill o ciclista precisa saltar obstáculos em meio à descida, literalmente “cair” no que chamamos de drops e enfrentar situações de risco e perigosas. Quem pratica isso a sério o considera, junto com o Freeride, como “o lado extremo do ciclismo” (embora pra mim isso seja uma definição mais egocêntrica do que descritiva, porque passar dias viajando de bicicleta sozinho no meio do nada tanbém é um tanto “extremo”). De qualquer forma, é preciso uma bicicleta muito boa, equipamento de proteção adicional (capacete fechado, colete, joelheira, etc.) e uma boa dose de coragem. Talvez até um pouco de falta de instinto de auto-preservação, hehe.

Quanto a uma bike servir para os dois tipos de passeio, dá pra subentender do texto acima, mas é mais ou menos o seguinte: se você tem uma estradeira, você consegue fazer estrada e passeios no asfalto (mas cuidado com buracos e valetas, podem estragar as rodas). Se você tem uma mountain-bike, consegue fazer tudo, mas se for pegar estrada recomendo trocar o tipo de pneu.

Se você tiver uma bicicleta de baixo custo, dessas de supermercado, consegue fazer passeios no asfalto, trilhas leves e até um pouco de estrada, mas com algumas ressalvas: em trilhas leves ela pode quebrar ou entortar a roda e te deixar na mão; em estrada, ela pode dar algum problema e também te deixar na mão no meio do nada. Em ambas as situações, você pode ter que voltar quilômetros empurrando ela (caso ainda dê para empurrar).

Em qualquer passeio que você for fazer, principalmente se fora do perímetro urbano, é bom todo mundo levar:

- Água: essencial

- Comida: não precisa levar marmita, pode ser barrinha energética, biscoito ou um sanduíche pequeno de pão com geléia, por exemplo. Você não vai querer ficar de barriga cheia, mas também não pode passar fome. Se o passeio for na cidade, você pode fazer uma parada em algum lugar para comer alguma coisa e tomar um suco. Recomendo que não tome refrigerante e prefira água, suco ou isotônico, porque refrigerante mata a sede mas não hidrata o corpo.

- Ferramentas: você pode precisar apertar algum parafuso no meio do caminho. Se sua bike é boa, você só precisa de chaves allen, que são vendidas em forma de um “canivete” que em vez de lâminas tem diversos tamanhos de chave. Chave de corrente também é bom ter, se ela quebrar você tira o elo ruim e emenda de novo, pra poder pedalar até em casa (depois compre outra corrente!).

- Câmara reserva: se furar o pneu, você troca a câmara e continua. Não esqueça as espátulas para tirar o pneu e, se a bicicleta não tiver blocagem, da ferramenta para tirar a roda. Se o percurso for longo, leve duas câmaras.

- Kit de remendo: se todas as câmaras furarem, você vai precisar remendar alguma delas para prosseguir. Um kit de remendo custa 2 ou 3 reais e quase não ocupa espaço, não custa levar. Consiste em cola, lixa e pedaços de borracha especiais para fazer o remendo (antigamente chamados de manchões), que devem ser previamente cortados em círculos do tamanho de uma moeda.

- Um documento (pode ser uma xerox do RG) e um papel com o telefone de um parente em caso de emergência e seu tipo sangüíneo, para poderem te ajudar se for necessário. A gente torce pra nunca precisar, mas também não custa nada levar. Isso pode ajudar a salvar sua vida.

Acho que deu pra dar uma geral, se tiver mais dúvidas é só perguntar de forma mais específica, que no que eu souber ajudar, eu te ajudo.

Meio que por acaso eu acabei citando nessa mensagem algumas modalidades de ciclismo, mas ainda existem outras, como BMX e Trial, que não se aplicam ao contexto do nosso papo (até agora). Trial é algo muito bonito de se ver e muito difícil de se fazer. Se tiver oportunidade de assistir a alguma apresentação, vá.

—–

Autor: Willian Cruz - Categoria(s): - mais dicas - Tags: , , ,


5 comentários para “Tipos de bicicleta para cada uso (e o que levar na pedalada)”

  1. wilma disse:

    Você discorreu sobre as modalidades de ciclismo. Mas não comentou sobre a cicloviagem. Qual a melhor bike para isso? Tem outros comentários a fazer nesse sentido?
    Wilma

  2. Daniel disse:

    pow mandou bem nas técnicas. mas as marchas costumam fikar desreguladas em longos percursos?

  3. Willian Cruz disse:

    Esses comentários acabaram ficando perdidos aqui sem que eu respondesse porque o sistema antigo do blog não me avisava por e-mail da chegada de novos comentários. O novo sistema avisa, portanto podem comentar que agora eu respondo.

    Mas respondendo: sobre a cicloviagem, eu comentei meio por alto ali, mas vou detalhar mais um pouco. Eu já fiz cicloviagem com a minha mountain bike mesmo, mas com um bagageiro e alforges. Mas com uma bicicleta dessas cansa mais. O ideal é ter uma bicicleta com aro 700 (aro maior que o 26″ das MTB) e pneus mais finos. Algumas pessoas dizem que a bicicleta para cicloviagem deve ter um quadro de cromo-molibdênio em vez de alumínio, pois fica mais confortável (afinal, a pedalada é longa). Visite o site do Clube de Cicloturismo, tem muitas dicas por lá. Para ver o que já publiquei aqui sobre cicloturismo, clique aqui.

    Quanto às marchas desregularem “em longos percursos”, a melhor resposta seria: o tempo que as marchas levam para desregular depende da qualidade do câmbio. Modelos mais baratos de bicicletas vêm com modelos mais baratos de câmbio, que desregulam muito rápido (alguns são tão vagabundos que nem ao menos ficam regulados corretamente). Modelos de câmbio mais caro ficam bastante tempo sem desregular. E os modelos melhores têm um ajuste fino próximo aos passadores, onde sai o cabo, para que você possa fazer pequenos acertos conforme a regulagem ficar menos precisa.

  4. apolo disse:

    quais as melhores marcas de mountain bike para comprar? vale pena comprar nos estados unidos e trazer durante uma viajem?

  5. Willian Cruz disse:

    Apolo, a melhor mountain bike vai depender fundamentalmente de quanto você pode gastar. Senão eu poderia apontar uma e dizer “essa é excelente!” e você acharia que ela tem o preço de um carro usado.

    O importante é a bicicleta ser adequada ao uso que você fará dela. É sempre bom ter um câmbio de qualidade. E não basta ser da marca X, tem que ser de um modelo adequado, que não vai perder a regulagem facilmente nem ficar escapando. Freios bons também são importantes e me refiro mais ao material que ao modelo: vale mais a pena um bom v-brake do que um freio a disco mecânico de baixa qualidade. Boas rodas, de parede dupla, para não amassarem facilmente. Boa suspensão caso você queira fazer trilhas, e não necessariamente na frente e atrás, vai depender do quanto você vai abusar dela na terra. No asfalto não há necessidade NENHUMA de suspensão traseira, só serve para roubar potência da pedalada e deixar o conjunto mais pesado, a não ser que você pretenda fazer freeride.

    O melhor é ir numa boa loja e conversar com um vendedor confiável, explicando o que quer fazer com a bike e quanto pretende gastar.

    Trazer uma do exterior pode ser interessante, desde que você tenha as mesmas preocupações citadas acima. O problema é que você corre o risco de exceder o limite de bagagem. Atente também para o limite de valor para entrar no país sem pagar imposto, que atualmente é de US$ 500.

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