Nem Speedy nem Giro: fiquei com o AJato
Andei comentando aqui sobre Speedy e Giro, porque estava procurando alternativas para o acesso banda larga. Para os visitantes de outros estados, Speedy é o ADSL da telefônica e Giro é um link de rádio da Vésper.
Há umas duas semanas apareceu um panfleto debaixo da minha porta lá em casa, oferecendo o AJato no condomínio. Eu já torci o nariz, porque sempre tive a idéia de que o AJato era via linha discada para upload e cabo apenas no download, porque o cabeamento da TVA seria one-way. Mas uma informação específica me chamou a atenção no texto: o custo. R$ 59,00 por mês.
Mas consultando alguns amigos, um deles me disse que usou na empresa por algum tempo. Disse que em boa parte de SP o cabeamento já é bidirecional e que era bem rápido e estável. Disse também que um amigo dele, jogador compulsivo de Quake, conseguia pings ótimos e também achava o link bem estável, tanto que já tinha usado Speedy e Virtua (da Net, outra operadora de TV a cabo) e sempre recomendava o AJato.
Esse depoimento me fez dar uma chance ao vendedor e resolvi comparecer à tal “reunião de demonstração”, mas preparei antes um belo interrogatório. Não porque eu goste de espinafrar vendedores (embora não negue que às vezes isso dá uma sensação agradável), mas porque eu não queria ser enganado de jeito algum.
O cara que estava vendendo é da Abril mesmo (especificamente da TVA), não é um terceiro que vende soluções para condomínios. E, para minha surpresa, estava muito bem preparado tecnicamente, respondeu quase tudo.
Abaixo relaciono as perguntas e o que ele respondeu. As respostas não são com as palavras dele, claro, são uma síntese do que ele respondeu acrescidas de comentários e informações minhas.
- Ainda é upload por linha discada e só o download pelo cabo ou é bidirecional?
É cabo ida e volta. Em algumas regiões é upload por rádio e em outras ainda é discado, mas na cidade de São Paulo a maior parte é cabo ida e volta.
- Qual a velocidade de upload?
256k (download é 512k).
- Esses 512k costumam ser compartilhados para todo o condomínio por um roteador/gateway/whatever ou é 512k para cada usuário?
Tem um modem/hub que divide o link entre 5 a 10 usuários. Como fecharam 10 assinaturas lá no prédio, estão colocando dois modems.
Talvez fechem mais algumas nos próximos dias, mas segundo ele nunca deixam chegar em 10 porque se mais alguém pedir eles precisam alocar instalador, então preferem instalar o modem/link antes para poder ter tempo para fazer isso e não entupir o agendamento.
Isso parece ser ruim, mas para ficar ruim mesmo precisaria estar todo mundo fazendo download pesado ao mesmo tempo. Mesmo um usuário “comum” de Kazaa (que não seja extremamente compulsivo) não fica o tempo todo usando o máximo de banda, porque uma boa parte do tempo o programa está procurando fontes para download em vez de baixar dados pesados… Se estivermos eu e mais dois usando a banda no talo ao mesmo tempo, vai dar uns 25k/s, que é o que o Speedy me dá, então já to feliz.
E outra, se você usar um download manager daqueles que quebra a transferência em pedaços, você tem várias conexões simultâneas para o mesmo arquivo, o que te faz concorrer deslealmente com seus vizinhos e aumentar sua velocidade total para aquele download.
- Tem que comprar/alugar modem?
Não, existe um modem para cada 5 a 10 usuários. Esse modem fica em alguma parte da instalação de telefonia do prédio e o cabo que sai dele sobe até o apartamento do usuário. O custo desse modem já está embutido na taxa de instalação (que varia de R$60 a R$120, dependendo da quantidade de usuários – para nós saiu a R$60 por ap.)
- Tem limite de tráfego?
Não. E, segundo o vendedor, eles não têm interesse em impor limite algum. Ele disse isso com a clara intenção de mostrar um diferencial em relação ao Speedy, intenção essa reforçada com a frase “ao contrário do Speedy”.
- É PPPOE ou é como se fosse em rede direto, ligou o micro tá conectado?
Não é PPPOE, é rede direto. O PPPOE só existe no Speedy para poder autenticar o usuário no provedor e garantir que você não está usando sem pagar provedor.
- Tem algum tipo de autenticação que precise ser feita antes de conectar na internet? Alguma página de login, esquema de autenticação, algum software cliente?
Não, nada. Ligou o micro, tá dentro.
- É IP dinâmico? Qual a freqüência de troca?
(A freqüência de troca ele teve que me responder no dia seguinte, hehe) O IP é alterado a cada 4 horas de inatividade (DHCP). Cada usuário tem um IP válido para fora, não um “IP da rede interna” (os populares 192.168.0.*).
- Latência: ele nem sabia o que era isso. Perguntei para saber sobre ping e lag em jogos, mas não era uma pergunta muito importante porque confio mais naquele depoimento lá em cima. Perguntei mais pra ver se ele sabia mesmo (é, eu não perdôo vendedores).
Acabei fechando negócio com ele. Vai me sair a R$60 por mês contra uns 110 que eu gasto com o Speedy. E usuário de outros sistemas de banda larga não pagam a primeira mensalidade (tudo bem que eu vou pagar R$60 de instalação, mas tá valendo).
Perguntei se tinha como eu mesmo instalar no meu micro e ele disse que não, porque “existe um processo interno para que a conta seja cadastrada e baixada no nosso sistema”. Quando o instalador foi lá em casa eu vi que procedimento é esse: o instalador vê o número da minha placa de rede e informa por telefone a alguém, que configura o servidor DHCP (ou algo parecido) para fornecer o IP para a minha máquina.
Ainda bem que eu estava com o instalador quando ele foi em casa, porque ele não era lá muito bom na parte lógica da configuração (ele manjava de cabeamento, hub, a parte física). O primeiro problema foi que eu não tinha o protocolo tcp/ip instalado, eu desinstalei porque o PPPOE do Speedy não precisava (ele só usa o PPP). O técnico ficou meio perdido e eu instalei rapidinho.
O segundo problema foi meu firewall, que bloqueava alguma coisa quando o técnico tentava dar um ipconfig /renew na linha de comando. Eu não perdi tempo tentando descobrir o que era e desliguei o firewall (Norton Personal Firewall) para ele fazer isso, mas depois pude ligar de volta e está ligado até agora. Mas ele não ia pensar nisso e ia empacar na instalação, tendo que voltar outro dia.
O outro foi mais difícil de resolver, apesar de ser um problema meio bobo. O modem/hub só me dava um IP interno, não chegava a liberar o IP externo, nem depois que liberaram minha placa de rede não-sei-onde. Eu conseguia pingar alguém na rede interna (não sei se o modem ou o servidor dhcp do outro lado), mas não conseguia um ip válido, um servidor dns, um acesso para fora, nada. Ninguém sabia o que fazer.
O técnico então ligou para um outro, dizendo “se esse não souber resolver eu não sei mais o que fazer”. Esse outro conferiu com o técnico o que ele tinha feito, pediu alguns boots, falou com quem ficava do outro lado para liberar minha placa e constatou que estava tudo certo. Então disse ao técnico que, antes de desistir, ele devia fazer uma tentativa meio idiota: tirar o modem da tomada, esperar alguns segundos e ligar de novo. Quando ele fez isso, funcionou.
Em resumo, a configuração é muito simples, pelo menos no XP: passar o cabo até a casa do usuário, ligar na placa de rede, conferir se as opções de tcp/ip estão todas no “automático”, liberar a placa de rede no dhcp, dar um ipconfig /renew na linha de comando e está feito. Ah, e desligar o modem da tomada para dar um refresh se o ipconfig não funcionar.
Pelo que eu percebi de quem compareceu à reunião, os usuários de Speedy estão todos extremamente revoltados com aquela tela de autenticação que pergunta se o usuário quer acessar a Internet ou entrar na “Speedyzone” (que oferece alguns serviços bobos e a opção de comprar banda adicional por tempo determinado). Não imaginei que isso fosse tão irritante para pessoas que costumam usar a internet só para web mesmo. Era a pergunta que todo mundo fazia: “não tem que clicar em internet que nem o speedy não, né? entra direto…” Aí faziam mais uma ou duas perguntas, geralmente sobre a velocidade ou sobre aluguel de modem, contratavam o serviço e iam embora com um sorriso do tipo “me vinguei do Speedy”.
Parece que a impressão que dá nos usuários é que toda vez que tentam acessar a internet alguém vem perguntar: “você quer acessar a internet mesmo ou quer comprar esse serviço aqui, que até agora eu não consegui te explicar direito o que é?”
