18/12/2002 - 16:33
Você não odeia…
…empresas “da antiga”, que tem medo de e-mail até hoje e obrigam seus funcionários a estampar como assinatura um disclaimer de página inteira, dizendo que a empresa não se responsabiliza pelo que o autor da mensagem escreveu e que se você não é o destinatário original deve apagar o e-mail imediatamente?
…webdesigners que reclamam que um determinado site não funciona no Opera ou em outro browser/plataforma que responde por menos de 1% das visitas?
…webdesigners que acham que um html bem feito não deve ter tabelas, mas desrespeitam uns 500 RFCs e jogam no lixo a especificação HTML do W3C?
…webdevelopers que não sabem html?
Obs.1: Usar bem o dreamweaver não é sinônimo de conhecer html!
Obs.2: Ao contrário da crença popular, um bom webdesigner não precisa conhecer bem html.
…pseudo-webdevelopers que não sabem o significado da expressão “rotina de quebra”?
…webdesigners e “arquitetos de informação” que nunca ouviram falar de usabilidade?
…”arquitetos de informação” que acreditam que o perfil do usuário é sempre o mesmo, não importando o público do site?
…gerentes de sistemas que esquecem que você pediu determinada funcionalidade e entregam um sistema pela metade, que não faz o mínimo que se esperava dele?
…gerentes de sistemas que enunciam com desenvoltura a teoria de várias metodologias fashion de desenvolvimento, vomitando termos técnicos e jargão de e-business, mas que não sabem fazer um bom levantamento para descobrir antes o que o usuário precisa, e não depois?
…entrevistadores/selecionadores que se preocupam apenas se o candidato é formado nessa ou naquela faculdade e se tem certificação Microsoft, sem imaginar que isso não é nem de longe um indicador de competência ou adequação ao cargo?
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): Sem categoria
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12/12/2002 - 14:56
Já dá para usar o Speedy sem provedor
Um juiz da cidade de Bauru proibiu a Telefônica de vincular o uso do Speedy (o acesso ADSL da Telefônica aqui no estado de São Paulo) à contratação de um provedor de acesso. A liminar que é válida em todo o estado.
Se não me engano, a ação é sustentada na afirmação de que não é tencicamente necessário assinar um provedor para poder ter acesso ao serviço Speedy (o que é realmente verdade, o provedor só faz a autenticação) e que, por isso, a obrigatoriedade de se contratar um provedor constitui venda casada.
Você tem que ligar no telefone 0800-121520 e pedir um usuário e senha. Eu liguei lá, expliquei que estava sabendo da liminar e que queria o usuário e a senha para poder usar o Speedy sem provedor. Me pediram o número do telefone para o qual eu contratei o serviço, um telefone para contato e disseram que entrariam em contato em três dias para me passar o usuário e senha. Sem perguntas, sem dor de cabeça (ao menos por enquanto).
Para quem quer ter um provedor pelo conteúdo ou serviços que ele oferece, muito bem, continue com ele, mas eu não preciso e vou cancelar. Assim que eu tiver usuário e senha em mãos, testar e ver que funciona, eu ligo para o provedor na hora e cancelo. A Telefônica vai recorrer, mas se eles por acaso conseguirem reverter essa decisão eu assino o provedor de novo e pronto.
Quando eu estiver conseguindo usar o Speedy sem provedor eu coloco uma nova nota aqui avisando.
Saiba mais: Info online – Consultor Jurídico – ABUSAR
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): Sem categoria
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11/12/2002 - 19:05
COMO DIMINUIR O MORAL DA TROPA
Desde o começo do mês estou realizando um trabalho dentro de uma empresa que tem uma rígida política de segurança. O acesso à web é feito através de um proxy, que é um servidor que lê todos os pedidos de “coisas” da internet (sejam páginas, e-mails, arquivos, vídeos streaming ou qualquer coisa) e é responsável por buscar lá e entregar para quem pediu.
A maioria das empresas não tem um proxy, tem só um firewall, o que em tese já lhe dá o controle de segurança suficiente para ninguém de fora acessar o que não deve. Uma das vantagens de um proxy é que ele pode fazer um cache de tudo que é acessado na internet, para que uma segunda pessoa que tente acessar a mesma página a receba desse cache, diminuindo assim a banda utilizada. Outra vantagem é que, como o proxy é quem recebe os pedidos de acesso à internet, ele pode recusá-los de acordo com a política estabelecida pelo administrador da rede.
Nessa empresa onde estou alocado durante esse mês e pelo menos os próximos dois, fizeram um bom uso dessa capacidade de bloquear acessos seletivamente. Veja algumas coisas que somos proibidos de fazer daqui de dentro:
Usar ICQ ou qualquer outro instant messenger
Tentei convencer a pessoa responsável pela rede de que eu uso o ICQ como ferramenta de trabalho, argumentando que tenho que entrar em contato com outras equipes de trabalho e que um messenger é bem mais rápido que o e-mail e mais útil que o telefone, mas o argumento que eu tive que engolir é que o e-mail é “igualmente rápido e mais seguro”.
Um motivo oficial bonito (garantir a segurança), mas um motivo real que mostra o despreparo de quem tomou essa decisão: diminuir a dispersão dos funcionários. Acham que o ICQ só serve para ficar batendo papo com amigos. Isso eu também posso fazer por e-mail, por telefone, virando pro lado ou ficando meia hora no fumódromo, que fica cinco andares abaixo. Leia o artigo que escrevi sobre esse assunto em setembro.
Ler qualquer e-mail que não seja o do servidor da empresa
As “portas” usadas para configurar e-mails no outlook estão todas bloqueadas. Não dá para configurar nenhum e-mail de fora, seja profissional ou pessoal. Os endereços dos webmails mais comuns, como iG, Terra, Globo, Yahoo, Hotmail, etc. também estão todos bloqueados. A orientação que nos dão é de que redirecionemos nossos outros e-mails para cá.
Como sempre, a desculpa é muito bonita e ética, mas não convence quem tem conhecimento técnico e capacidade de discernimento. Dizem que com isso nos protegem contra vírus, mas temos em todas as máquinas um dos melhores anti-vírus do mercado, com atualizações automáticas e diárias pela rede. Esse anti-vírus tem o mesmo efeito do que roda no servidor de e-mails.
Tenho certeza de que é passado um filtro nos e-mails para caçar coisas como piadinhas e pornografia. Não duvido que alguém dê uma olhada geral de vez em quando (ou mesmo uma olhada detalhada em alguém suspeito) vendo se ninguém está divulgando informação confidencial por e-mail ou “costurando para fora” (fazendo frilas). Assim como tenho certeza de que juntam uma relação com as URLs acessadas para saber se alguém está acessando “conteúdo subversivo” e bloquear mais uma ou outra de vez em quando.
Eu me recuso a passar para cá meus e-mails pessoais e os de outros projetos da empresa que paga meu salário. Também não posso ficar sem recebê-los. Como não houve acordo quanto a isso, direcionei todos para meu e-mail da mandic, que é um webmail que não foi travado (se bem que eu desconfio que vão travar logo, porque vão ver no relatório mensal que é um dos sites mais acessados e vão fechar o acesso, mas aí eu vejo o que eu faço).
Ouvir música enquanto trabalhamos
Essa é uma regra implícita. Os drivers da placa de som não são instalados, ou seja, ela está lá mas você não consegue usá-la.
O objetivo é, novamente, diminuir a dispersividade. Mas eu trabalho muito melhor ouvindo música (com fones, claro) do que ouvindo a conversa que não pára o dia todo ao redor de mim e que é natural em uma sala onde cabem 50 pessoas. Cada vez que toca um telefone, eu me desconcentro. Cada vez que alguém conta uma piada, faz uma gracinha, discute algum assunto em voz alta, eu perco minha linha de raciocínio.
Programadores que atingem um alto nível de concentração produzem muito mais e ficam menos estressados em ambientes silenciosos. Alguns, como eu, produzem mais ainda se ficarem isolados do mundo exterior pela música em seus fones de ouvido em vez do sonífero silêncio.
Claro que já contornei esse problema.
Acessar vídeos streaming, baixar MP3, etc.
Algumas extensões de arquivos são bloqueadas pelo proxy, entre elas mp3, asx, asf, etc. Essa norma quase pode ser considerada justificável e não me afetou em nada até que eu precisei ver uma demo de um produto com o qual vou trabalhar: a demo era um vídeo streaming.
Ter acesso a conteúdos em CD-ROM
Também é uma regra implícita. Há um único leitor de CDs em todo o andar. Um único leitor de CDs para umas 50 pessoas. Claro que podemos colocar um CD nessa máquina e compartilhá-lo, mas como a única desculpa aqui é o custo (não que não seja parte do motivo real), a técnica utilizada é a do constrangimento: tenho que entrar numa salinha à parte, onde trabalham pessoas com a qual não tenho contato, e pedir gentilmente para compartilhar o CD. Ontem instalei um software que vem em 8 CDs, tive que passear um bocado. Mas esse é o menor dos problemas, se fosse só isso eu estaria contente…
Mudar o papel de parede
Eu passo mais de um terço do meu dia na frente do micro em que eu trabalho. Quero colocar um pôr-do-sol bonito no fundo, para me lembrar que existe um mundo lá fora. Ou uma foto de ciclismo, para me lembrar que o final de semana me espera. Ou uma foto do meu filho… Mas não posso: tenho que ficar com o logotipo da empresa ali no fundo. Parece lavagem cerebral. O logotipo da empresa e a “missão”. Como se a missão da empresa valesse alguma coisa para o funcionário!
A missão de uma empresa que não seja uma estatal ou uma ONG, todos sabem, é ganhar dinheiro. A missão de uma empresa não passa de uma frase bonita para vender austeridade para os clientes, ou (teoricamente, mas muito teoricamente mesmo) para nortear as decisões de grande porte, tomadas pelos diretores e pelo presidente. Que bem faz para o funcionário ficar olhando o logotipo da empresa e a “missão”, o dia todo? Não sei como não proibiram nosso webdesigner de colocar um homem-aranha e um dexter em cima do micro dele.
Mudar a resolução da tela
Também não temos permissão de fazer isso. Precisei abrir um chamado no help-desk e explicar por que eu precisava disso. Em pouco tempo nosso webdesigner vai precisar mudar a resolução de tela algumas vezes por dia para produzir em 1024 e testar em 800×600. Vamos ver como eles vão lidar com isso. Pretendo seguir rigidamente as regras quanto a isso.
Não entendi porque bloqueiam isso, se alguém souber me explique. Seria para não diminuir o tamanho e o impacto do logotipo da empresa que é usado como papel de parede?
Acessar arquivos por FTP
Acho que conteúdo subversivo também pode ser obtido por FTP… Tive que fazer uma solicitação ao administrador de rede, detalhando por que eu precisaria fazer acesso FTP.
Acessar portas “esotéricas”
Qualquer porta que eu for usar para acessar coisas lá fora, eu preciso não só solicitar (o que seria normal), mas provar que eu preciso mesmo dela! Precisamos acessar um banco de dados Oracle em um servidor fora daqui e quando eu solicitei dizendo que era para isso, me pediram para explicar “qual a real necessidade disso”. Nessas horas meu instinto animal vêm à tona e precisa ser refreado com um copo de água e um passeio na rua lá embaixo, para que eu não escreva um e-mail carregado de impropérios.
Em vez de escrever um e-mail dizendo que “preciso disso para trabalhar”, eu me contive e expliquei qual era o projeto, porque o servidor ficava no cliente e o que eu pretendia fazer nesse servidor que justificasse minha necessidade de acessá-lo.
Ainda bem que meus superiores não são desta empresa e não têm essa visão de senhor de engenho, apesar de nada poderem fazer quanto à política desta senzala. Se eu tivesse que me reportar a alguém com uma posição assim escravagista, não ficaria nesse emprego nem mais uma semana.
Autor: Willian Cruz - Categoria(s): Sem categoria
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