O clipe da música Kings and Queens, da banda 30 Seconds To Mars, mostra uma Critical Mass, conhecida por aqui como Bicicletada. Para quem já pedalou numa bicicletada com centenas de pessoas, é emocionante. Para quem ainda não teve esse prazer… assista e se imagine ali no meio! Quem sabe você não se anima a participar de uma Bicicletada, ou organizar uma na sua cidade?
Alguns pontos interessantes nesse video:
Tem um cara vestido de índio com uma bicicleta maior que a do Gallo (quem o conhece sabe do que eu estou falando).
Aos 2:30, uma cena que lembra muito a visão que se tem na Praça do Ciclista aqui de São Paulo, na Av. Paulista.
Mais adiante, aos 3:47, uma situação que assusta qualquer ciclista. Mesmo assim, tem gente nos comentários do vídeo, lá no Youtube, dizendo que riu quando viu isso! É mole?
Esse video sensacional foi enviado pelo Bruno Gellert, irmão de pedal que, junto com o Denny Sachtleben, me deu uma cicloviagem inesquecível pela Serra Catarinense como presente de despedida quando voltei de Florianópolis. Valeu pela lembrança, irmão. Cada um foi para um lado, mas as memórias ficam pra sempre. Life is a cycle.
Um videoclipe com bicicleta que me emociona toda vez que eu assisto é esse aqui, que faz lembrar da sensação boa de uma cicloviagem. E não é à toa: uma cicloviagem muda nossa percepção do mundo.
Desde o começo dessa semana, tenho um motivo a mais para sorrir quando saio na rua de bicicleta. Agora todos os dias eu uso a “Love Lane”:
Essa bicicletinha foi pintada no asfalto na minha rua e suspeito que o local não foi escolhido a esmo. Valeu CETB, eu e a Pri adoramos!
Continuem o trabalho de “humanizar pelas bordas”. E não desanimem quando a CET dos automóveis apagar a arte e as intervenções de segurança que eles alegam atrapalhar os carros: eles são azedos e não entendem.
Os paraciclos que ficam do lado de fora do Pão de Acúcar “verde” continuam sendo chamados de bicicletário e de gentileza.
LEI Nº 14.266, DE 6 DE FEVEREIRO DE 2007
(…) Art. 8º Os terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios, parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.
Além de ser Lei, o mercado tem sim que se responsabilizar pela segurança do veículo estacionado, do mesmo modo que se responsabiliza pelos carros e motos que ficam no estacionamento.
Colocar um paraciclo do lado de fora com uma plaquinha dizendo que é apenas uma gentileza não os exime da responsabilidade de reparar o veículo furtado. E bicicleta é sim um veículo, definido como tal pela Lei nº 9.503, de 23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro).
Portanto, não acredite quando vir uma plaquinha dessas. E se tiver a infelicidade de ter a bicicleta furtada num paraciclo de supermercado, siga as dicas que estão no final deste texto.
Atualizado em 28/06/10 21h50: acabo de passar nesse mercado e a placa “gentileza” foi retirada.
Algumas semanas atrás, a Priscila estava em uma padaria quando viu chegar uma menina numa bicicleta com alforges, com aquele jeito de quem adotou a bicicleta como estilo de vida. Puxou assunto e a conversa fluiu naturalmente, como sempre acontece com quem usa a bicicleta.
Marici é bibliotecária e usa a bicicleta para tudo, principalmente para ir ao trabalho. Há algum tempo, ela registrou em um blog sua experiência em usar a bicicleta para se deslocar de sua casa, na Aclimação, a bibliotecas de diversos bairros.
O mais interessante desse registro são as fotos, que mostram uma cidade que o paulistano “médio” não repara. Visões de quem tem tempo para parar, admirar, fotografar, conversar. Enfim, coisas que motorista não vê.
Não, isso não é na Europa. É a Igreja do Pari, em São Paulo Foto: Marici Slavec
Cicloviagem
Marici está agora fazendo uma cicloviagem pela Europa, ao longo do Rio Danúbio. A viagem está sendo publicada neste blog.
Sim, isso é na Europa. É um castelo em Sigmaringen, na Alemanha. Foto: Marici Slavec
No texto anterior, comentei que ainda voltaria ao “Pão de Açúcar Verde”, a loja da V. Clementino, em São Paulo, em busca do bicicletário perdido, já que na visita anterior não havia conseguido encontrar a plaquinha bonita que o site deles mostra, tampouco a área do estacionamento reservada para bicicletas.
Pois bem, achei o bicicletário. Ou melhor: não achei não. Nem o bicicletário nem a plaquinha bonita, que pelo jeito colocaram no site só para vender a imagem verde da loja.
O que encontrei foram esses paraciclos, quase escondidos atrás de um cavalete publicitário, do lado de fora da loja, sem segurança alguma. E com uma placa pequena, mas bastante antipática, que diz que a segurança da bicicleta ali estacionada é “de única e exclusiva responsabilidade do usuário”. Usuário, porque cliente é quem chega de carro.
O Pão de Açúcar diz no site que o bicicletário é “para incentivar as atitudes ecologicamente corretas”. Mas por que eu iria de bicicleta num lugar que me diz isso aí que eu li na placa? É um desincentivo! Se a pessoa está cogitando deixar o carro em casa para ir ao mercado de bicicleta, quando ler essa placa vai resolver continuar indo de carro mesmo, porque a bicicleta fica ali desprotegida e alguém pode roubar… O carro fica protegidinho ali na garagem. E, se por uma infelicidade improvável for roubado, o estacionamento tem seguro. Pra quê ir de bicicleta?
Paraciclos assim largados, do lado de fora, com uma placa “se roubarem o problema é teu”, oferecem praticamente a mesma segurança do poste em frente à loja. Um bicicletário precisa ser um estacionamento de bicicletas com algum nível de restrição de acesso, com alguma garantia mínima de segurança. Do modo como estão esses paraciclos, é fácil alguém passando na rua “se interessar” por uma das bicicletas e ir até lá tentar a sorte com a tranca.
Para os automóveis que estacionam no subsolo, há seguro, um ticket para liberar a cancela e um segurança na porta do estacionamento, garantindo a tranquilidade dos clientes durante as compras. Já os usuários, que se virem se o seu veículo for roubado. Veículo? Não, ‘magina, é só uma bicicleta mesmo…
Lei nº 14.266, de 6 de fevereiro de 2007
Art. 8º Os terminais e estações de transferência do SITP, os edifícios públicos, as indústrias, escolas, centros de compras, condomínios, parques e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos como parte da infra-estrutura de apoio a esse modal de transporte.
Outa coisa que chama bastante atenção nesse cartaz é a frase “gentileza Pão de Açúcar a seus clientes”. Mas como assim, gentileza? Disponibilizar um bicicletário não é nenhuma gentileza, é lei!
E não encontrei mesmo a placa bonitinha e verde que vi no site. Também não encontrei um mercado com ação tão ecológica quanto a do discurso, no que diz respeito ao incentivo ao uso de veículos não poluentes. Até aí não seria nenhuma surpresa, se não anunciassem isso no site como um dos pontos fortes da “loja verde”, dando a impressão de ter uma infraestrutura diferenciada para quem chega à loja de bicicleta.
É bonito uma empresa dizer que apóia a bicicleta. Fica bem na imprensa, melhora a imagem, gera comentários positivos de quem acha bicicleta bonitinho mas não se aventura a utilizá-la. Mas a prática tem que bater com o discurso: ciclista não é idiota e sabe quando está sendo levado a sério e quando está só sendo usado para agregar valor à imagem da marca.
Sugestão ao Pão de Açúcar
Façam um bicicletário como o do Extra Itaim, hipermercado do mesmo grupo, que possui uma área separada para bicicletas dentro do estacionamento, com um vigia que entrega/recolhe um ticket de estacionamento. Conheçam o bicicletário do Shopping Ibirapuera, que pede RG e dá uma senha. Vejam como é simples o processo para estacionar nos bicicletários do Use Bike.
Não deixem que a concorrência passe a frente de vocês, tratando o ciclista como cliente e não como usuário de paraciclo. Eu vou no mercado fazer compras, não vou para usar um paraciclo! E se o lugar não quer me receber, eu procuro outro lugar e pronto. Nem que seja um que pelo menos não tente me iludir.
Entendam melhor o que é um bicicletário antes de sairem dizendo que têm um e vendendo isso como um diferencial verde da loja. O diferencial pode acabar se mostrando negativo se não for implementado de verdade. Se querem dizer que incentivam o uso de um meio de transporte não poluente e sustentável, que o façam de verdade. Senão pega mal.
Ponto a favor
Para não dizerem que eu só reclamo, uma coisa tenho que reconhecer: o modelo do paraciclo é ótimo. Não é aquele que oferece risco de entortar roda e câmbio. Nesse, você apóia a bicicleta e tranca da maneira que achar mais adequada. E com esse modelo dá para colocar seis bicicletas num espaço bem pequeno. Prendendo várias juntas com a mesma tranca, cabem bem mais. Tudo usando um espaço equivalente a uma única vaga de automóvel.
Podia estar no subsolo, com a mesma segurança oferecida aos automóveis. E não ocuparia muito espaço.
Como continuidade ao assunto anterior aqui do Vá de Bike, que tratava do roubo de uma bicicleta dentro do estacionamento de um supermercado e da falta de tato (para dizer o mínimo) com que a cliente foi tratada pelos funcionários, publico a resposta que recebi do grupo Pão de Açúcar:
O Pão de Açúcar se desculpa pelo ocorrido e informa que já está aprovada a instalação de um bicicletário. Em contato com a cliente, a gerencia da loja se desculpou e irá atendê-la em sua solicitação.
31/05/2010
Apesar da resposta curta e sem detalhamento algum, soube através da Luciana, a cliente, que na sexta-feira mesmo uma funcionária da Casa do Cliente – uma espécie de departamento de ombudsman do Grupo Pão de Açúcar – entrou em contato prometendo resolver o problema o mais rápido possível. A funcionária disse que conversou com a gerência da loja, falando inclusive sobre o comportamento dos funcionários frente ao caso. A empresa vai repor a perda da Luciana, dando a ela uma bicicleta igualzinha à que foi furtada.
Espero sobretudo que tenham esclarecido aos funcionários que um cliente que chega de bicicleta tem o mesmo valor que quem chega de carro. Da maneira que Luciana foi tratada, ela poderia muito bem processar a empresa por danos morais.
Bicicletário
Prometeram instalar um bicicletário na loja onde ocorreu o problema. Só espero que esse bicicletário seja de verdade.
Foto: Divulgação
Quando tratei do assunto no post anterior, ilustrei a matéria com a foto de uma placa indicativa de bicicletário, que você pode ver novamente ao lado. Essa foto está no site “Pão de Açúcar Verde”. Pois bem: passei hoje na tal “loja verde” da Vila Clementino e procurei por essa placa.
Não encontrei nenhum bicicletário nos dois andares de garagem. Perguntei a um funcionário do estacionamento que, muito simpático, me disse que o lugar para parar bicicletas seria junto com as motos, no estacionamento de baixo.
Sem nenhuma indicação e sem motos estacionadas naquele momento, demorei um pouco para encontrar o lugar. Quando encontrei, vi que não havia nenhum suporte para apoiar ou prender uma bicicleta, só uma parede nua e as faixas estreitas no chão demarcando as vagas das motos.
Perguntei ao segurança que estava junto à cancela de saída se não havia um local apropriado para estacionar a bicicleta. Também muito solícito, ele respondeu havia um local lá fora, mas que eu poderia deixar a bicicleta por ali mesmo que ele daria uma olhada para mim. Ao sair, não vi nenhum bicicletário do lado de fora. E, mesmo que houvesse, o lado de fora da loja ofereceria a mesma segurança que prender a bicicleta num poste.
Me recuso a acreditar que tenham publicado no site uma foto de algo que não existe. Não é possível que tenham tamanha cara de pau, que o falso apoio à bicicleta para demonstrar “sintonia com os novos tempos” ou seja lá o que for possa chegar nesse nível. Por isso, pretendo voltar lá em algum momento, em busca do bicicletário perdido.
Sim, sou um otimista incorrigível. E se alguém resolver passar por lá nesse meio tempo, conte aqui como foi.
Uma das grandes dificuldades para o uso da bicicleta em uma cidade como São Paulo, que privilegia o uso do automóvel em detrimento de todas as outras formas de locomoção, é ter um lugar seguro para estacionar a bicicleta. Quando muito, conseguimos um cantinho escondido, onde não ocupe em hipótese alguma o espaço de quem chega de carro, muitas vezes atrapalhando quem passa a pé. E temos que torcer para a bicicleta estar ali quando voltarmos.
Luciana estava tão habituada a ir de bicicleta a uma mesma loja do supermercado Pão de Açúcar que já nem se preocupava. Por prender sua bicicleta sempre ao lado da guarita dos seguranças, ficava tranquila, acreditando que ela estaria segura ali. Cliente assídua da loja, fez isso diariamente por dois anos, até que um dia sua bicicleta novinha foi levada. Simplesmente evaporou. Ninguém sabe, ninguém viu e ainda tentaram convencê-la de que ela estaria “confusa” e não teria ido de bicicleta naquele dia.
Cadê o bicicletário?
Bicicletário no Pão de Açúcar da V. Clementino, em São Paulo. Infelizmente, ainda uma exceção.
Foto: Divulgação
O supermercado que diz ter “responsabilidade socioambiental” e “respeito e entendimento ao próximo” não se esforça muito em entender os clientes que usam a bicicleta para ir ao supermercado. Apesar do discurso verde e social, raras são as lojas que disponibilizam local adequado para estacionar e prender uma bicicleta. A impressão que nós ciclistas temos é que a rede tem interesse apenas em receber cilentes que cheguem de carro.
A Lei Municipal 14.266 da cidade de São Paulo diz, em seu artigo 8o, que “centros de compras e outros locais de grande afluxo de pessoas deverão possuir locais para estacionamento de bicicletas, bicicletários e paraciclos”. Essa lei, dificilmente cumprida nessa cidade, também é ignorada pela rede de supermercados Pão de Açúcar, mesmo com seu posicionamento “socioambiental”.
Seguro
Como agravante, a lei que obriga seguro em estacionamentos contempla apenas veículos de passeio. Bicicletas, motos e até mesmo utilitários ficam de fora. Com isso, um furto de algum desses veículos se torna um transtorno enorme para o proprietário, que é obrigado a entrar na justiça para conseguir seu direito de ressarcimento do bem. E se o bem é uma bicicleta, relativamente barata, as custas do processo e o aconselhamento de um advogado podem custar mais do que o prejuízo causado pelo ladrão.
Mas cabe aqui um parênteses para uma boa notícia, que merecia até uma matéria à parte mas vou contar aqui mesmo: foi aprovado na Câmara Municipal de São Paulo um Projeto de Lei que prevê a ampliação da cobertura de seguro contra roubos em estacionamentos, cobrindo também as bicicletas. Falta apenas a sanção da Prefeitura.
Disso derivam dois resultados positivos: casos como o da Luciana passam a ter solução mais rápida e, ao menos em tese, estacionamentos comuns passarão a se interessar em receber bicicletas, pois o maior impedimento alegado pelos proprietários de estacionamentos seria a falta de cobertura do seguro, implicando para o proprietário o risco de arcar integralmente com o prejuízo de um furto.
Desdobramentos
Durante a produção desta matéria, procurei a empresa para obter um posicionamento quanto ao caso. Encaminhei a eles o depoimento da Luciana, que depois disso certamente circulou dentro da empresa. No final da tarde de hoje me pediram um contato da cliente, para conversar diretamente com ela sobre o assunto. Quando consegui receber um e-mail da Luciana, soube através dela mesma que nesse meio tempo a empresa já havia entrado em contato para negociar uma solução.
Luciana, que usa a bicicleta para levar o filho na escola, fazer compras, atender clientes de suas aulas de inglês e se deslocar para onde mais for preciso, estava bastante indignada e frustrada com a maneira como a empresa vinha tratando o caso, como vocês podem acompanhar no depoimento dela em seu blog. Depois do contato de hoje, está mais otimista.
Diferentemente da mídia tradicional, o Vá de Bike vai acompanhar essa história e contar a vocês como ela termina. Esperamos que acabe bem, para que a ciclista tenha de volta a parte de sua vida que lhe foi subtraída e para que a empresa consiga reverter essa situação constrangedora para sua imagem de marca. Este site mantém aberto o espaço para a resposta da empresa, entendendo que a melhor resposta até o momento foi a ação de contato com a cliente.
E que o Grupo Pão de Açúcar finalmente perceba que ciclistas também são clientes, consomem, gastam seu dinheiro nas lojas da rede e merecem o mesmo respeito do cidadão que chega com sua SUV importada, ocupando sozinho uma área de estacionamento onde caberiam dez outros que usem a bicicleta.
Numa cidade onde ainda poucas empresas recebem bem quem chega de bicicleta, esse pode ser um belo diferencial para a empresa, fidelizando clientes que seriam conquistados pela emoção ao serem bem recebidos. Mas é preciso se aproveitar o timing. Fica a dica.
Ghost Bikes são bicicletas brancas instaladas em locais de acidentes fatais com ciclistas, como um memorial em homenagem a quem perdeu a vida para a pressa de alguém. Também têm o objetivo de lembrar o que aconteceu ali para que a morte não caia no esquecimento e não seja considerada apenas um inconveniente temporário ao trânsito de uma tarde qualquer.
As Ghost Bikes servem como um alerta aos donos de veículos automotores, para que tomem mais cuidado com as vidas que pedalam bicicletas pelas ruas. A ação é realizada em várias cidades de todo o mundo e também no Brasil. Aqui em São Paulo, já foram instaladas quatro Ghost Bikes (veja quadro no final da página). Pude participar da instalação de três delas, uma das quais em homenagem a uma amiga, a Márcia Prado.
Com esse mesmo espírito, uma equipe de Nova Iorque está preparando um documentário sobre as Bicicletas Brancas ao redor do mundo, para sensibilizar sobre a consequência da falta de infraestrutura e de apoio ao uso da bicicleta nas grandes cidades. A equipe já passou esse ano por São Paulo e pedalou com a Bicicletada daqui. Também coletarão imagens de San Francisco, Chicago, Seattle, Portland e Londres. Assista ao trailer.
Apoio
Produções independentes como essa, feitas com a cara e a coragem de quem tem um ideal de mundo melhor, costumam ter dificuldade em captar recursos. Por isso, os autores criaram uma página na internet para arrecadar fundos para pagar os custos com equipamento, equipe e gastos de viagem.
Qualquer pessoa pode colaborar, com um valor mínimo de UM DÓLAR. Basta ter um cartão de crédito internacional. A transação é segura, garantida pela Amazon. Claro que se você doar mais de um dólar eles não vão reclamar. Pelo contrário: doando US$ 5 você tem acesso a uma área restrita do site para acompanhar a produção de perto e ver trechos dos vídeos que serão editados. Com US$15 você recebe uma cópia do documentário por download quando estiver pronto, com US$25 um DVD e, dependendo do valor da doação, pode até aparecer nos créditos do filme. Mas a maior recompensa é, sem dúvida, ter ajudado a divulgar essa mensagem pelo mundo afora.
As Ghost Bikes de São Paulo
A primeira Ghost Bike foi instalada no final de 2007, na Av. Luis Carlos Berrini, um dos principais eixos comerciais e de negócios da cidade. Foi retirada em poucos dias (acredito que tenha sido retirada até no dia seguinte). Ficava em um bairro nobre, em frente a um banco de luxo e não foi bem compreendida. Era feia, ruim para os negócios. Sumiu rapidamente.
A segunda Ghost Bike foi instalada em homenagem à nossa amiga Márcia Prado, assassinada por um motorista de ônibus em janeiro de 2009. A bicicleta branca encontra-se até hoje na Av. Paulista, no que se tornou um memorial onde ciclistas frequentemente ainda prestam suas homenagens. Márcia era muito querida na Bicicletada e é sempre lembrada por todos nós.
Márcia Prado foi homenageada com a criação de uma Rota Cicloturística com seu nome, ligando São Paulo e o litoral. Essa rota teve uma abertura experimental no início desse ano e está em vias de ser tornar oficial, aberta permanentemente. Hoje os ciclistas não têm nenhuma opção para chegar ao litoral, são totalmente proibidos, uma violação de direitos flagrante e impune. A Ecovias, concessionária que se acha dona das rodovias que levam à baixada santista, não permite o tráfego de bicicletas, impedindo a passagem de ciclistas com apoio da Polícia Rodoviária e até, pasmem, da Artesp, justificando que “não é seguro”. Não é, mas deveria ser. E a Ecovias não faz nada para torná-lo seguro. Afinal, ciclista não paga pedágio, que se danem seus direitos.
A terceira Ghost Bike foi instalada em novembro de 2009, em homenagem ao ciclista Fernando Martins Couto e ao gari Antônio Ribeiro. Para incluir o gari na homenagem, foi afixada uma vassoura de varrição de rua junto à bicicleta. Ambos estavam conversando na calçada, aguardando para realizar a travessia, quando foram “colhidos” por um ônibus em alta velocidade. Na instalação dessa Ghost Bike / Ghost Broom, estavam presentes ciclistas, garis, familiares da vítima e bastante gente que passava pelo local. Essa bicicleta branca também continua lá até hoje.
A quarta Ghost Bike, em homenagem a Manoel Pereira Torres, foi instalada em março de 2010. Seu Manoel, um senhor de 53 anos que usava a bicicleta para ir ao trabalho, atravessava na faixa, com o sinal aberto para os pedestres. Um motociclista vindo em alta velocidade pela pista do ônibus, com o sinal fechado para ele, atingiu Seu Manoel e o arremessou contra o semáforo, a três metros de altura. Sua bicicleta foi lançada contra o poste de aço e dobrou ao meio, tal a força da colisão. Os familiares não foram encontrados a tempo para a homenagem, que foi realizada por vários ciclistas. Um deles carregou a bicicleta branca nas costas por todo o percurso da Praça do Ciclista até a Av. Vereador José Diniz, onde ela foi instalada e ainda permanece, em local alto e visível.
Ônibus com suporte para
bicicletas em São Paulo
Foto: Luis F. Gallo,
via Flickr do CBNSP
Em Bagé, serviço já entrou em operação
Na cidade de Bagé (RS), um ônibus com um rack dianteiro para carregar duas bicicletas por vez já está em operação desde o início dessa semana. A reportagem diz que leva apenas 15 segundos para prender a bicicleta no rack.
O gerente da empresa acha que o ciclista vai embarcar nesse ônibus para ir passear na ciclovia: “de repente, as pessoas querem ir pedalar na ciclovia e pegam o ônibus para chegar até lá”. Afinal, é pra isso que serve ciclovia, né? E é pra isso que as pessoas usam bicicleta: pra passear na ciclovia… Apesar de bem intencionado, ele ainda vê a questão por detrás do parabrisa do carro.
Já o trabalhador que usa a bicicleta foi mais realista: “O pneu da minha bicicleta fura muito. Agora, é só botar no suporte do ônibus, não preciso ir empurrando até em casa.”
Em São Paulo, testes no próximo fim de semana
Na capital paulista, sistema semelhante começará a ser testado no dia 17. Segundo a SPTrans, prender a bicicleta no rack é uma operação que deve levar cerca de um minuto. Ela será então travada pelo motorista, para evitar roubos.
As linhas que participarão do teste não foram divulgadas. O serviço funcionará “apenas aos finais de semana e em poucas linhas que passem por parques”. Claro, afinal é para isso que serve bicicleta: para pedalar dentro de parque no final de semana…
Uso maior da bicicleta é para trabalho
Segundo dados da Abraciclo, cerca de 77% das bicicletas utilizadas por adultos são usadas como meio de transporte. Sem contar que as que são utilizadas para lazer muitas vezes passam meses encostadas sem circular.
E a pesquisa Origem/Destino realizada pelo Metrô-SP em 2007 mostrou que 70% das 304 mil viagens diárias de bicicleta eram para ir ao trabalho. O uso para lazer foi declarado em apenas 4% das respostas.
Por isso é mais do que pertinente a frase do André Pasqualini, do Instituto CicloBR, na matéria do Estadão: “os testes deveriam ser feitos com quem utiliza as bicicletas para trabalhar, que é a maioria dos deslocamentos”.
Hoje foi instalada mais uma Ghost Bike na cidade de São Paulo.
A Ghost Bike foi carregada bravamente nas costas, da Praça do Ciclista até a Av. Vereador José Diniz, pelo nosso amigo “Bike Urbanity”.
Quando chegamos ao local, vi essa pixação em um muro bem perto de onde seria colocada a Ghost Bike. Ela parece já estar ali faz algum tempo, mas é extremamente pertinente: um dos questionamentos propostos com esse tipo de ação é o conformismo e a indiferença em relação à vida humana, que se tornou bem menos importante que fazer o tráfego dessa cidade fluir.
A faixa de pedestres onde foi morto o “seu” Manoel agora também é um conjunto de velas em sua memória. Ao fundo, vê-se a Ghost Bike pendurada no poste.
Depois de pendurada a Ghost Bike, teve início a sinalização de solo. Tudo foi feito rapidamente, de forma segura. Houve até a preocupação de não impactar muito a sagrada fluidez da manhã do sábado. Os motoristas nem chamaram a polícia, vejam só…
Ao término da pintura em uma faixa de rolamento, o fluxo de automotores era liberado por vários minutos para que tudo fluísse normalmente. Depois que a maré de carros baixava, os trabalhos eram reiniciados, já na faixa seguinte.
“Devagar, Vidas” – ou “Vidas, Devagar”, como queiram. Ao fundo, a Ghost Bike pendurada bem no alto, bem visível. Espero que a subprefeitura de Santo Amaro tenha a decência de permitir que ela continue ali.
E assim foi colocada mais uma Ghost Bike nessa cidade, em memória do Sr. Manoel Pereira Torres. Bem visível, flutuando aos céus, essa Ghost Bike vai estimular a curiosidade de quem não sabe o que aconteceu e a memória de quem soube do ocorrido.
O motociclista que causou a morte (porque chamar de acidente seria muito eufemismo), passou em alta velocidade pela pista do ônibus, com o sinal fechado para ele, em uma travessia de pedestres. Seu Manoel, que atravessava na faixa com sua bicicleta, com o sinal aberto para os pedestres, foi arremessado contra o semáforo, a três metros de altura. Sua bicicleta foi lançada contra o poste de aço e dobrou ao meio, tal a força da colisão.
Segundo o relato de uma testemunha com quem pude conversar hoje, seu Manoel teve óbito imediato. Já o motociclista foi relativamente protegido pelo peso e velocidade de sua motocicleta. Ficou desorientado, sentado no chão por um bom tempo. O veículo do resgate chegou, mas só pôde levar o motociclista: seu Manoel foi levado pelo rabecão, que chegou bem mais tarde, depois do trabalho da perícia.
Mesmo com o local parcialmente interditado por horas, não encontrei uma única notícia nos jornais, muito menos na tevê. Afinal, seu Manoel era apenas um porteiro, que ia para o trabalho de bicicleta e morava em uma favela. Ninguém com quem a classe média se preocupe. Ninguém com quem a CET se preocupe.
Quando levado pelo resgate, o motociclista foi acompanhado pela Polícia Militar. De acordo com uma segunda fonte, ele será indiciado por homicídio culposo, ou seja, sem intenção de matar. Para mim, alguém que passa em alta velocidade em um sinal fechado com pedestres atravessando tem (ou deveria ter) consciência do risco que está assumindo; portanto o homicídio deveria ser considerado doloso.
A travessia de pedestres no local
Depois de vários minutos para os automóveis passarem, o sinal de pedestres abre e fecha rapidamente. Isso não acontece apenas nesse local, mas em praticamente todas as travessias de pedestre semaforizadas da cidade de São Paulo. Para piorar, em algumas avenidas o pedestre é obrigado a fazer TRÊS travessias, cada qual com uma longa espera até nova abertura de semáforo. Em casos extremos, o tempo para atravessar uma avenida pode chegar a 10 minutos.
Uma pessoa com restrição de mobilidade terá que fazer a travessia dessa avenida em duas etapas. E ainda corre o risco de ser atropelada por um veículo furando o sinal vermelho e em alta velocidade.
As outras Ghost Bikes de São Paulo
A primeira Ghost Bike foi instalada no final de 2007, na Av. Luis Carlos Berrini, um dos principais eixos comerciais e de negócios da cidade. Foi retirada em poucos dias (acredito que tenha sido retirada até no dia seguinte). Ficava em um bairro nobre, em frente a um banco de luxo e não foi bem compreendida. Era feia, ruim para os negócios. Sumiu rapidamente.
A segunda Ghost Bike foi instalada em homenagem à nossa amiga Márcia Prado, assassinada por um motorista de ônibus em janeiro de 2009. A bicicleta branca encontra-se até hoje na Av. Paulista, no que se tornou um memorial onde ciclistas frequentemente ainda prestam suas homenagens. Márcia era muito querida na Bicicletada e é sempre lembrada por todos nós.
Márcia Prado foi homenageada com a criação de uma Rota Cicloturística com seu nome, ligando São Paulo e o litoral. Essa rota teve uma abertura experimental no início desse ano e está em vias de ser tornar oficial, aberta permanentemente. Hoje os ciclistas não têm nenhuma opção para chegar ao litoral, são totalmente proibidos, uma violação de direitos flagrante e impune. A Ecovias, concessionária que se acha dona das rodovias que levam à baixada santista, não permite o tráfego de bicicletas, impedindo a passagem de ciclistas com apoio da Polícia Rodoviária e até, pasmem, da Artesp, justificando que “não é seguro”. Não é, mas deveria ser. E a Ecovias não faz nada para torná-lo seguro. Afinal, ciclista não paga pedágio, que se danem seus direitos.
A terceira Ghost Bike foi instalada em novembro de 2009, em homenagem ao ciclista Fernando Martins Couto e ao gari Antônio Ribeiro. Para incluir o gari na homenagem, foi afixada uma vassoura de varrição de rua junto à bicicleta. Ambos estavam conversando na calçada, aguardando para realizar a travessia, quando foram “colhidos” por um ônibus em alta velocidade. Na instalação dessa Ghost Bike / Ghost Broom, estavam presentes ciclistas, garis, familiares da vítima e bastante gente que passava pelo local. Essa bicicleta branca também continua lá até hoje.
Que não sejam necessárias mais Ghost Bikes! Mas, enquanto forem, faremos o possível para que essas mortes lamentáveis não sejam em vão. É necessária uma conscientização urgente do poder público, especialmente da CET, da SIURB, da Secretaria de Transportes do Município. Não adianta fazer vista grossa: o ciclista existe, faz parte do trânsito, trafega por todas as regiões da cidade o dia todo, tem o mesmo direito de se deslocar que os donos de automóveis e motocicletas. E o mesmo direito de chegar vivo em casa no final do dia.
Era pra ter uma ciclovia!
Na Av. Vereador José Diniz circulam muitos ciclistas. Como as avenidas Águas Espraiadas Roberto Marinho e Vicente Rao ficam em vales profundos, a José Diniz torna-se a melhor opção. Principalmente no trecho onde ocorreu o acidente, pois atravessar a avenida que passa ali por baixo usando ruas alternativas resulta em uma volta enorme. Enquanto estávamos lá hoje pudemos ver vários ciclistas passando, de todos os tipos: adolescentes passeando, gente simples com roupa de trabalho, bicicletas cargueiras e até esportistas com suas bicicletas caras.
Quando a avenida foi reformada, o projeto da “Nova Avenida Vereador José Diniz” contemplava uma ciclovia. Segundo Cleber Ricci Anderson, ciclista e cicloativista que possui uma loja na região, a ciclovia foi simplesmente “esquecida” pelas autoridades da época. Quando cobrados, garantiram a construção de outra, como “compensação”, em uma rua paralela à avenida nova.
Agora pergunto: onde está a ciclovia de “compensação”. E, como bem colocou o Cleber, quem vai “compensar” a morte do Sr. Manoel? E o risco que outros ciclistas correm sem a ciclovia prometida?
Ignorar a presença do ciclista nas ruas é condenar muitos deles à morte
Matar indiretamente, sem ter que olhar nos olhos da vítima, não pesa na consciência e permite dormir à noite. A política de priorizar o fluxo de veículos motorizados em relação à vida, relegando a segurança de pedestres e ciclistas a um segundo plano (talvez terceiro, quarto, décimo) resulta em mortes. Um ciclista por semana e um pedestre por dia são mortos por máquinas em movimento, que têm sua sagrada fluidez como prioridade total nessa cidade.