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Arquivo de agosto, 2009

31/08/2009 - 23:25

Spoiler: Vitus, na vida como ela é

vitus

Bem, como “spoiler” de plantão, não consigo deixar passar qualquer oportunidade de oferecer uma percepção diferente aos filmes aqui comentados. Dessa vez trata-se de Vitus, a história de um garoto prodígio, que muitos insistem em classificar como comédia dramática ou filme família perfeita. Para muitos, o entendimento é de que Vitus quer ser tratado como uma criança comum e daí se rebela constantemente como uma criancinha comum.

Ledo engano. Vitus é um garoto mimado, egoísta, que só quer fazer coisas que tem vontade, quando tem vontade. Gosta e tem talento raro para a música, mas como seus pais querem obrigá-lo a virar músico, resolve ser do contra e, para tanto, ultrapassa, como veremos, qualquer limite razoável.

Vitus é de fato um superdotado, tanto de inteligência como de saco, pois aguenta a aporrinhação de seus pais que estão loucos para que ele se torne um novo Mozart, fadado ao sucesso, e que naturalmente os pais exibiriam mundo afora (deve ser só Hemisfério Norte, na visão alemã). Sucesso também significaria uma vida massacrante para o pequeno gênio, mas dinheiro e mais dinheiro para os gananciosos pais do garoto. Tanto é verdade, que o pai diante da potencial mina de ouro, abandona seus negócios na promissora empresa em que é sócio e  transforma a vida familiar em um monte de contas a pagar. Não fosse pelo nível cultural que esses pais têm, poderiam perfeitamente ser comparados aos inúmeros pais de craques de futebol que largam tudo o que fazem, quando fazem algo, apenas para grudarem nos seus pintinhos e não precisarem fazer mais nada na vida.

Vitus é inteligente o suficiente para perceber essa armação e luta para escapar dela. Tem no avô, este sim um desinteressado por dinheiro, apesar de suas grandes dívidas, um verdadeiro pai. E é com ele que divide suas preocupações, anseios e dúvidas. O avô é louco, com escassos momentos de lucidez, mas respeita o neto, o escuta e fala frases quase sem sentido, como Peter Sellers em Being There (Muito Além do Jardim). Vitus, inteligente que é, entende as palavras do avô do jeito que quer e assim toca a vida.

Tenta aproximação de uma garota, por quem se apaixona, não sexualmente, mas por uma razão muito simples: suprir a presença e afeto feminino que lhe foram negados desde criança. Sua mãe ou estava ausente ou perseguindo-o para estudar e estudar música.

Nas ausências da mãe, Vitus tinha a companhia de uma garotinha cerca de 7 anos mais velha que ele. Brincavam como se ambos tivessem 12 anos. E é essa garota que Vitus, aos 13, reencontra e tenta fazer dela sua amiga, confidente e parceira. Mas ela não está preparada e confunde tudo, pois embora com 20 aninhos continua com uma cabecinha de 12 e é incapaz de sacar o espaço que Vitus lhe abre em sua vida.

Azar no amor, sorte no jogo. Vitus passa a especular na bolsa de valores. Consegue amealhar uma pequena fortuna para si e o avô, que quita as dívidas e enlouquece de vez, comprando um simulador de voo e logo em seguida um avião de verdade. É claro que o louco do avô vai acabar se dando mal. Um dia sai voando em direção ao sol e antes de derreter o avião sofre um acidente cujas sequelas vão levá-lo à morte.

Com o dinheiro ganho na bolsa, Vitus também socorre o pai (que está sendo escorraçado da empresa em que é sócio) e arquiteta a compra do controle acionário.

Como não tem mais nada pra fazer, Vitus volta a se dedicar à música. Ainda é um gênio e passa a dar concertos, quando quer e onde quer. Enfim, um garoto mimado, mas um gênio.

C.Q.D. (Clássica abreviatura de Conforme Queríamos Demonstrar).

 Alberto Lyra                         

Nosso blogueiro convidado é Beto L, administrador de empresas, generalista sem ser superficial e objetivo sem ser detalhista. Filosofia: há muito humor no mau humor.

Autor: Beto Lyra - Categoria(s): Humor de mau-humor Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
31/08/2009 - 14:10

Vitus: o salto pelo avesso

vitus

Aos 50, vejo mais filmes e leio mais livros do que antes. Mais tempo, mais organização ou mais interesse? Um pouco de tudo, talvez. Os focos também são outros, o que me faz aproveitar os filmes e livros de maneira diferente.

Como em Vitus, filme de 2006, que passou por mim somente agora. Classificado de comédia dramática, foi diagnosticado como filme-família perfeito. Acho que é mesmo. Simples, engraçado, inspirado, dramático, meloso como qualquer família. Gostei e recomendo porque “pegou”. A mim, porque é uma ótima história sobre dar um vôo pelo avesso, terreno das minhas preferências.

Começo a história pelo fim, mas sem entregar o ouro. Antes de morrer, um avô que todos gostaríamos de ter deixa uma carta à família. Depois de contar um segredo a respeito do neto, afirma: “O que fazer para fugir do mundo, senão usar a inteligência”.

Quem se vale da inteligência para não ser “engolido” pelo mundo é Vitus, o neto, um pequeno Mozart. Garoto superdotado, ele recusa ser vitrine das vaidades alheias. O menino gênio quer ser tratado como normal, com direitos, deveres e vontades próprios da infância. E é aí que o filme vai pelo avesso das histórias tradicionais de heróis que superam suas limitações para vencer.

Vitus não renega o talento especial, mas quer estar no comando desse talento, decidindo como usá-lo na medida das suas necessidades e interesses e não na hora em que os outros querem. O garoto mostra a força que tem para tomar essa decisão e é por isso bem-sucedido na sua estratégia para driblar a situação.

Esse ponto, de conseguir fazer valer um querer, é sério. Freud e seus discípulos devem explicar com mais propriedade por que muitos de nós escolhem, ao longo da vida, continuar atendendo “o que mamãe/papai mandou”. Por que pode ser difícil seguir por um caminho próprio e apenas tomar os pais e as referências que os vão substituindo como modelos a recriar, desafiar ou mesmo afastar?

Antes de tudo, é bom ressaltar que de certa maneira não se escolhe atuar no mundo desse jeito. A questão vem do berço como uma espécie de marca forjada por uma articulação complexa de elementos que dão partida à formação de nossa estrutura psíquica. Estrutura que é instalada pelo modo de o mundo nos apreender e nós apreendermos o mundo.

Numa tradução e entendimento leigos do assunto, a coisa tem início naquela fase em que mãe e bebê se misturam tanto, que ninguém sabe quem (de)manda quem. Aí o pai entra no jogo e clareia o meio de campo colocando também suas demandas. Elas obrigam a “escolhas” e por isso geram conflitos. É a hora em que o indivíduo topa entrar na “briga” ou, de antemão, dá a batalha por perdida.

As ações, é importante frisar, não se dão no plano consciente e, evidentemente, carregam complicadas nuances. Mas na essência é o que está presente para dar formatos mais para um lado ou mais para o outro aos jeitos de cada um de nós. Nessa hora não há regras a indicar certo ou errado, por aqui ou por ali. Aliás, entendo que o processo está mais para aquele “se ficar, o bicho come; se correr, o bicho pega”. 

A melhor decisão? Aposto que é “correr”. Quer dizer, peitar o conflito. Pelo menos parece óbvio que assim se tem mais chance de continuar fazendo escolhas. Se, no entanto, nos deixamos comer pelo bicho, engolidos estaremos. A vontade dos outros, em vez da sua, estará no comando. Para sempre? Dizem que não, mas deve dar um trabalho danado mudar esse script. Menos complicado será fazer ajustes no outro.

Trata-se de uma “saia-justa” e, simbolicamente, os primeiros a passar por ela foram Adão e Eva. Decidiram desobedecer, desafiar a lei do “Pai”. Caíram no mundo. Talvez tenham tido a intuição de que mais dia menos dia aquele paraíso já estava mesmo perdido, eram favas contadas. Mas não se acovardaram. Apostaram no prazer de conhecer, arriscar, errar, acertar, gostar, não gostar e principalmente escolher o que estava por vir.

Mas tudo isso não livra ninguém de ter suas escolhas sempre submetidas a algo: às demandas públicas e/ou privadas da família, da sociedade, da cultura, das crenças. É por isso que Vitus, o garoto do filme, acaba fazendo o que “papai-e-mamãe” esperavam e queriam. Mas faz diferença atender a uma demanda no seu tempo e do seu jeito, e não nos moldes do outro. Acho que significa deixar o “paraíso” numa boa!

E os últimos detalhes: Vitus é interpretado por dois atores mirins. Frabrizio Borsani, que o faz aos seis anos, dono de lindos e curiosos olhos. E Teo Gheorghiu, aos 12, que é uma criança prodígio de verdade, talentoso pianista. O avô é o ator Bruno Ganz, veterano das telas que já viveu Hitler no filme “A Queda”.

Vitus, Suíça, 2006, diretor Fredi M. Murer

 

Autor: Lélia.A - Categoria(s): Em vídeo Tags: , , , , , , , , ,
28/08/2009 - 13:54

Entre amigos

Memphis Belle 

Existe coisa melhor do que ter amigos? Pra mim, não há. Não tenho ainda amigos há 50 anos, mas são muitos com mais de 50 anos. Às vezes mais distante, outras mais próximo, amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito, como diz Milton Nascimento.

Embora muitas vezes não demonstre, gosto demais dos amigos que tenho, das amizades que algumas vezes nem busco, mas que afortunadamente para mim são cultivadas pelo meu verdadeiro amigo.

Outro dia, olhando a pequena coleção de DVDs em casa, entre eles, Antes de Partir (Bucket List), Perfume de Mulher, O Grande Lebowski, Memphis Belle, Os Intocáveis, as séries Boston Legal e Cheers, caiu a ficha: a amizade é o traço em comum da maioria dos filmes que possuo.

Ao mesmo tempo, me vieram à mente algumas das expressões sobre amizade. Algumas tradicionalíssimas como: “Amigo do peito”, “Amigo é pra essas coisas” e “Amigo das horas incertas”. Outra, muito em voga em Brasília, “Aos amigos tudo, aos inimigos a lei”. Ou, ainda, uma quase celibatária, “Mulher de amigo meu, pra mim, usa calça”. E, por fim, uma expressão bem do dia-a-dia, “Amigos, amigos, negócios à parte”.

Sobre esta última, reconheço que não é qualquer um que consegue separar claramente a amizade de negócios. É preciso ter coragem e habilidade para dizer não, e se safar de inesperadas saias-justas.

Imagine, por exemplo, aquela colega do escritório que começa a contar coisas pessoais, dificuldades familiares, forçando uma aproximação maior, vá lá, uma amizade mesmo. A partir daí, tenta usar essa aproximação para sair mais cedo, entregar trabalho atrasado ou incompleto e faz cara de sofrimento para fugir das críticas. Para evitar essas artimanhas, o melhor é ser direto, sem rodeios. Diga logo no início “Pela demora, este relatório deve ter ficado excelente”… Para, poucos minutos depois, acrescentar: “Pensei que fosse impossível, mas ficou uma m…!”

E tem aquele amigo meio distante, apresentado em algum fim de semana no clube e encontrado eventualmente. Mas aí você vai trabalhar numa empresa grande, melhor ainda, em um alto cargo. Pronto, o cara se aproxima tão rapidamente que você pensa até que vai haver uma colisão, um abalroamento. Começam os convites de almoços, cinemas e jantares com respectivas acompanhantes e você fica em dúvida se não é melhor mudar de clube (pedir demissão do emprego não vale a pena) para evitar tanto assédio.

Ou tem o tipo que passa a impressão de que os amigos estão virando, sempre que possível, um negócio a fazer, um target. Trata-se de um profissional 24/7, sempre em busca de business. Chega em happy hours e acha que continua no office ainda em um meeting com clientes. Em volta da mesa do bar, todos para ele são painelistas, o que em si não é ruim, exceto pelo fato de que todos receberão comentários do tipo: “isso que v. está falando é bullshit” ou “muito bem, welcome to the game”. É o coordenador em tempo integral.

Um quarto tipo, o negociador em pessoa, não só não separa amizade de negócios como, na verdade, mistura tudo completamente e, pior, envolve a família. Assim, não perde oportunidade para ensinar negociação para filhos e mulher. Tanto, que não há mais conversa mole nos jantares em casa. A todo comentário ou assunto levantado, coloca sempre como provocação se haveria uma alternativa melhor, ou então consulta a todos se o que um dos filhos está fazendo é ou não a melhor maneira de lidar com determinada questão. A família vira um curso de extensão universitária.

Mas amigo, quando é amigo mesmo, pode ser de qualquer tipo. No meu caso, não tenho muitos, mas também não são poucos. E, se pudesse escolher de novo, seriam os mesmos. Pra eles posso dizer, parafraseando o grande Vinicius de Moraes, em Samba da Bênção: “é melhor ter amigos que ser triste, a amizade é a melhor coisa que existe…”.

Alberto Lyra                         

Nosso blogueiro convidado é Beto L, administrador de empresas, generalista sem ser superficial e objetivo sem ser detalhista. Filosofia: há muito humor no mau humor.

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26/08/2009 - 14:24

Essas fifties tão comuns

broad-brim-with-lips_steve punter 

O comentário da Maria Silva em cima do post sobre as Mais Belas Damas do Huffington Post lança, ainda que sem querer, um desafio: beleza será que rima com pobreza? Essas fifties celebridades, milionárias ou, pelo menos, com acesso ilimitado a todos aqueles recursos de sonho, cremes e tecnologias capazes de tornar qualquer mulher linda, como podem ser referências para nós, fifties comuns?  Ou, refazendo a rima e abrindo o leque: o que é que torna uma mulher realmente bela em qualquer idade? Seriam só aqueles luxos que o dinheiro compra? Fiquei tentadíssima e comecei a procurar fotos de fifties comuns e que fossem belas…bom, ao menos quando vistas através desses meus óculos!

Maria diz (imagino que com ligeira irritação):

Olá! Acho que beleza não tem e nem nunca teve idade, entretanto, nessa galeria de belas damas, estão mulheres ricas e famosas. É fácil ser bonita aos 50 anos tendo dinheiro para inventir em toda a gama de opções para ficar bonita. Tenho certeza que dessa galeria poucas ou nenhuma estão contando apenas com um herança genética generosa. Essa galeria não reflete a realidade de uma população que consegue no máximo comprar uns creminhos no catálogo de produtos de beleza da vizinha (sabia que muitas fazem até consórcio para comprar um certo rejuvenecedor de uma marca famosa de produtos de beleza vendidos por catálago??). Definitivamente, pra mulher pobre, é difícil chegar nos 50 e entrar pra galeria das fifties…

Vamos lá Maria, primeira coisa que achei no Flickr, um fotógrafo e jornalista britânico, um fifty, apaixonado pelos humanos, Steve Punter: “eu realmente acredito que algumas imagens podem roubar almas”, ele diz. E sai pela rua capturando instantes mágicos, momentos em que os humanos se aproximam dos deuses, roubou algumas almas, sim…

Essa mulher, por exemplo, as rugas, o cabelo despenteado, a curva perfeita do nariz…e o entusiasmo com que ela está falando, seja lá do quê…

The Rt Hon Yvette Cooper MP_Steve Punter

O olhar altivo, preservado, inteiro nas memórias…

amothershistory_steve-punte

A alegria de brincar de menina…

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Não são lindas as mulheres deste Steve Punter caçador de almas? 

Quando comecei a conversa com a Maria, meu medo era ter que concluir que não existe beleza possível de ser vivida a vida inteira, como queria Sharon Stone, naquela entrevista para a revista Paris Match .

Detesto quando sou obrigada a chegar perto demais das fronteiras humanas, minha amiga Re, já me alertou para essa deficiência da minha visão de mundo um sem número de vezes… e estou convencida de que o DNA não explica a maioria das coisas que chamamos “belas”. Cigarro, TV, baixa auto-estima e falta de alegria, sim, esses são cúmplices cínicos do rosto e da alma envelhecidos…
Gosto de imaginar que beleza rima mais com atitude do que com juventude e que Coco Chanel é que estava certa, “a natureza nos dá o rosto que temos aos 20 anos, mas temos que merecer o rosto que teremos aos 50″. Construir esse rosto de 50 não é tarefa fácil, mas tampouco é coisa que se compre no mercado. E suspeito que a gente só chega lá fazendo as pazes com a mulher que nos olha do espelho, essa que somos e seremos nós…

A fotógrafa, Dawn, nasceu no dia 7 de dezembro de 1958, tem 50 anos. Na legenda da foto, cujo título é “Cada mulher tem a idade que merece”, um manifesto pessoal: Eu mereço, Eu ganhei, Eu acolhi, Eu amei

 a-woman-has-the-age-she-deserves_Dawn

No dia da celebração de Porto Rico, o fotógrafo capturou o orgulho da cor, do jeito, das marcas no rosto, do lenço na cabeça…

national-puerto-rican-day-Kevin Tyson

 O que será que está ouvindo a mulher que olha para frente com tal determinação?

balzac-woman-hearing-bach_pedrosimoes

Belas essas fifties comuns, mas a última da nossa seleção, essa me fez rir e lembrar da “Mulher Fenomenal”, de de Maya Angelou (traduzo uma das estrofes para você Maria):

Os homens se perguntaram

O que eles viam em mim

Tentaram

Mas não conseguiram

Capturar meu mistério

(…) está no arco das minhas costas

Na curva dos meus seios

Na graça do meu estilo

Fenomenalmente

Mulher Fenomenal

Essa sou eu 

 

mulher-sp_authenticportrait

Essa somos nós…

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As fotos têm links que levam para os respectivos portfolios dos fotógrafos no Flickr.

Em todo caso, seguem os nomes:

Steve Punter’s photostream

Kevin Tyson’s photostream  

Dawn’s photostream

Pedro Simão’s photostream  

E o blog Authentic Portrait, da fotógrafa Bia Ferrer, autora da foto-delícia que encerra este post!

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Fifties em fotos Tags: , , , , , ,
25/08/2009 - 14:07

O tempo feito a mão

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Já faz um tempo que estou querendo escrever um post sobre o tempo da vertigem, tempo dos dias atuais, da velocidade dos trens-bala que parece não deixar rastro sobre rastro, apenas vestígios de experiências que não tiveram tempo de ser experimentadas.

Com o esboço pronto, pretendia terminar nesta manhã. Mas a vida cria seus caminhos e não nos pergunta se é de nosso agrado ou não vermos nossa rota se transformar.

Hoje acordei com o meu itinerário pronto. Agenda apertada como a de todos aqueles que vivem em São Paulo. Às sete da manhã já me encontrava contando em voz baixa o número de abdominais “sugerido” pelo personal. Contagem intercalada com resmungos e pedidos de clemência.

Quando já se encontrava próximo o fim da aula, minha filha vira para mim e diz que dali sairia para fazer sua aula de Yoga. Sentada em posição de lótus começa a alongar o pescoço, movimento acompanhado de profunda respiração. Ao mesmo tempo vai me explicando calmamente como fazer para conseguir um bom resultado neste alongamento e como quem não quer nada me pergunta: quer ir comigo fazer uma aula experimental?

Minha resposta imediata foi NÃO, já estou exausta o suficiente! Mas ela insistiu e foi disparando os possíveis benefícios. Não sei se ainda me encontrava sonada, se foi o tom de voz usado por ela, só sei que me ouvi dizendo: Vamos lá, vou experimentar.

Foi assim que me vi dentro de uma sala enevoada pela fumaça de incenso, repleta de alunos embalados por uma música suave ao fundo. Minha filha indicou-me um lugar logo atrás dela. Sentou-se compenetrada e já absorvida pela calma que reinava no local. Tratei de me sentar como todos e decidi que, estando em Roma, faria como os romanos.

Fui me deixando conduzir pelo clima de tranqüilidade e concentração. E a aula começou. Acompanhando a fala do professor, ia experimentando os efeitos da proposta. Ironicamente, o tempo da vertigem ficou de fora da minha cabeça e do meu corpo. Agora eu podia experimentar o prazer de senti-lo passar lentamente.

Assim foi caminhando a aula até que um mantra encheu a sala com uma só palavra. E eu ali, repetindo-a com todos, me flagrei profundamente emocionada.  Embora fosse bom que os pensamentos ficassem de fora, não pude deixar de pensar que estava vivendo um daqueles momentos em que a gente percebe a vida bem vivida no corpo e na alma. Que amanhã a gente se vai, mas que nosso lugar não ficará vazio porque alguém já se sentou nele, carregando os mesmo genes, garantindo a eternidade! 

Em vez do tempo da vertigem registro aqui o eterno do tempo. Tempo dos bons encontros, tempo feito a mão, que não é marcado pelo relógio, mas sim pelas batidas do coração.

Filha, pode me puxar pela mão outra vez?

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A foto foi tirada no Musée d’Orsay, em Paris, o título é Life is short (A vida é Curta) e o fotógrafo, André Cortes, vive na Bélgica

Autor: re.i@ig.com.br - Categoria(s): Inspiração Tags: , , , , ,
22/08/2009 - 20:02

Prazeres: o Louvre e seus visitantes

alecio-de-andrade2_o-louvre e seus visitantes

Você já teve o prazer de visitar o museu do Louvre, em Paris? Eu tive, mas um prazer muito, muito especial. Por intermédio de amigos, fiz parte de um grupo privilegiado convidado para uma visita ao museu no dia em que ele fica fechado ao público, às terças-feiras. Coloco a experiência entre as coisas mais emocionantes da minha vida!

Nosso guia, com grande conhecimento do acervo, escolhia algumas peças que considerava marcos fundamentais da arte para conduzir a visita — que não foi longa, mas de uma beleza e densidade infinitas.

Passávamos de uma pequena máscara grega, que talvez sozinha eu jamais tivesse prestado atenção, para uma escultura romana e depois uma pintura do século 16. As pontuações se sucediam, enquanto caminhávamos pelos prédios e alas, acompanhando a história das obras e também do museu. Claro que pedimos para ver a Mona Lisa, e a sensação de estar na frente daquele ícone, no silêncio das galerias vazias foi uma emoção inesquecível, que beira o sublime.

A lembrança dessa visita veio à tona recentemente em outra visita, desta vez à exposição O Louvre e seus Visitantes, que se encontra no Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro e exibe coleção de fotos de Alécio de Andrade (1938-2003), carioca, poeta, músico e fotógrafo profissional, que viveu em Paris.

Na capital francesa, Alécio trabalhou para diversos veículos nacionais e internacionais, foi correspondente da revista Manchete e também associado por um tempo à agência Magnum-Photos, fundada em 1947 por um grupo integrado por Henri Cartier-Bresson. A agência abrigou, e abriga, grandes fotógrafos do mundo.

A exposição O Louvre e seus Visitantes, e o livro que a acompanha, foram idealizados pela viúva de Alécio, Patrícia Newcomer, com base em mais de 12 000 fotos feitas, apaixonadamente, ao longo de quase 40 anos de visitas do fotógrafo ao museu.

“O traço comum das fotografias que apresento talvez seja devolver a esse lugar tão visitado a presença e a intimidade do olhar daquele ou daqueles que, tendo vindo admirar quadros ou esculturas, muitas vezes só enxergam pouca coisa mas, de um momento para o outro, podem viver o encontro com uma obra ou mesmo um detalhe que irá comovê-los mais que qualquer coisa”, escreve Alécio de Andrade na apresentação do livro.

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 alecio-de-andrade_o-louvre e seus visitantes

O acervo de 88 fotografias pertence ao Instituto Moreira Salles, doado por Patricia Newcomer, Florencio e Balthazar de Andrade, com a curadoria de Hélène Lassalle e Jean Marchetti.
Alécio foi amigo de vários intelectuais, como o poeta Drummond, que lhe dedicou este poema:

O que Alécio vê

A voz lhe disse (uma secreta voz):
- Vai, Alécio, ver.
Vê e reflete o visto, e todos captem
por seu olhar o sentimento das formas
que é o sentimento primeiro – e último – da vida.

(Carlos Drummond de Andrade inAmar se Aprende Amando”)

Exposição: O Louvre e seus Visitantes
Museu Nacional de Belas Artes, Av. Rio Branco, 199
Tel: (21) 2240-0068
de 10 de julho a 13 de setembro de 2009
de terça a sexta-feira, das 10h às 18h
Sábados, domingos e feriados, das 12h às 17h

Para saber mais sobre a exposição, navegue pelo site da Confoto

E para comprar o livro O Louvre e seus Visitantes, de Alécio de Andrade, Edgar Morin e Adrian Harding

No blog da fotógrafa Luciaadverse’s você passeia por algumas da fotos da exposição 

Autor: tanspin@ig.com.br - Categoria(s): Prazeres Tags: , , , , , , , , , ,
20/08/2009 - 13:51

O verdadeiro plano de Irina Palm

irina-palm_Marianne Faithfull

Quando ousamos convidar nosso blogueiro fifty, o Beto, que vem a ser inclusive, como vocês bem devem já ter percebido, aquela ave migratória do gênero masculino retratada no post GPS: Guia para Patos (não) Selvagens, nós sabíamos que a convivência traria certos…desafios. Mas jamais adivinharíamos o quanto essa visão mais, digamos, masculina, ampliaria nossa percepção do universo fifties! Com vocês, diretamente do lado avesso do feminino, O Verdadeiro Lado B de Irina Palm, por Beto Lyra.

Em tempo, não continue a ler se quiser se surpreender com o filme. O post do blogueiro (por que será que isso não me surpreende?), estraga toda a surpresa!!!

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Percebo, ao contrário do entendimento comum do filme, que Irina Palm não era a pessoa delicada e sensível, capaz de fazer coisas que jamais imaginou fazer apenas para conseguir dinheiro para o pagamento de caríssimo tratamento médico, último fio de esperança para a sobrevivência de seu neto, Ollie.

Maggie, o verdadeiro nome de Irina Palm, era somente uma mulher procurando suprir suas carências afetivas e sexuais.

Não concorda? Então me acompanhe.

Maggie casou cedo, com o único homem que diz ter conhecido, e enviuvou logo. Nunca mais se aproximou de outro homem.

Ora, inglês nunca foi famoso por ser bom amante. Inglês quer beber e, quando chegar em casa, jantar e continuar bebendo. Por consequencia, inglesa que quer vida sexual boa tem que atravessar o Canal ou dar uma esticada até a Grécia, como fez Shirley Valentine, outra inglesinha insatisfeita com seu casamento, no filme homônimo de 1989.

Mesmo após ficar viúva, Maggie não saiu da Inglaterra, assim como também não se aventurou com o fotógrafo Robert Kincald/Clint Eastwood, de Pontes de Madison, nem com o pilantra Mike, de Caminho das Indias. Ora, chupou o dedo, literalmente, esse tempo todo.

Assim, quando surge uma notícia ruim, como a de que seu neto não reage ao tratamento até então feito, Maggie pira e, inconscientemente (?) vai parar num porno-shop. Aí, na entrevista de emprego, faz cara de surpresa, de indignação, mas já estava “caidassa” pelo gigolô Mikki, que acariciou suas mãos e, o melhor de tudo, não pediu para ela cozinhar, como o ex-marido fazia.

Pronto, rapidamente ela se adaptou às novas funções e em nenhum momento deixou transparecer nojo ou raiva, pelo contrário, logo levou porta-retratos, garrafa térmica e caneca para o chá, além de um creme, que todo o mundo que assiste ao filme fica tentando ler o nome para depois comprar na farmácia. Em resumo, amava o que fazia. Pelo dinheiro? Não, é claro, pois se fosse pelo vil metal necessário para salvar seu neto, ela teria aceitado a proposta do concorrente de Mikki que quis roubá-la para seus quadros profissionais.

Maggie era uma devassa enrustida, com um certo olhar inocente, que dava a suas mãos a liberdade criativa de movimentos. Daí seu sucesso.

Agora, lembrando de meus tempos e escola, devo finalizar com a clássica abreviatura “C.Q.D.”, que significa “Conforme Queremos Demonstrar”.

Em tempo: só inglês para gostar de buraquear em sex-shop.

 Alberto Lyra                         

Nosso blogueiro convidado é Beto L, administrador de empresas, generalista sem ser superficial e objetivo sem ser detalhista. Filosofia: há muito humor no mau humor.

Autor: Beto Lyra - Categoria(s): Humor de mau-humor Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
19/08/2009 - 18:57

Inspirando a Globo: Cinquentinhas

Parece que os cinquentões estão com tudo, sem nenhuma inveja da juventude.

Rola na internet que a Globo está produzindo um novo seriado para o início de outubro. Qual? Uma versão fifties:  Cinquentinhas, série com nove capítulos, que Aguinaldo Silva está produzindo e Wolf Maya vai dirigir. 

Cinquentinhas contará a história de quatro fifties: lemas, dramas familiares e emocionais interpretados por belas senhoras.

Susana Vieira viverá uma mulher infeliz no casamento e terá um caso com o motorista.

Marília Gabriela terá um romance com um garotão de 20 anos e será assediada por uma bissexual.

Marília Pêra estará no papel de uma hippie voltada à vida alternativa.

E sobre a quarta cinquentona, interrogações mil! Dessa fifty não se sabe nada. A emissora ainda não definiu. Um temperinho especial rondará a história das fifties: aquele “horroroso” Reynaldo Gianecchini no papel de um gay malvadão. Filho de uma das protagonistas, vai fazer artes e manhas com Marília Gabriela.

Se vai rolar, não se sabe, mas está na rede!

Autor: Lélia.A - Categoria(s): Boas idéias Tags: , , , , ,
19/08/2009 - 14:47

O plano B de Irina Palm

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Maggie, uma viúva nos fifties, precisa encontrar uma saída para ajudar o neto a se recuperar de uma doença. Esse é o resumo do resumo de Irina Palm, filme do diretor alemão Sam Garsbarski (Inglaterra, 2007). Mais não conto para não estragar o prazer da descoberta de quem ainda não viu ou nada ouviu sobre a trama. A história oferece conteúdo para comentários variados, mas um aspecto cai muito bem a cinquentões: a busca de alternativas na profissão ou na vida – aquele conhecido plano B. 

Com planos A já bem vividos, não há fifty que já não tenha sonhado “n” vezes com planos B. Eles ficam ali na manga, em stand by, e um dia podem mesmo nos fazer “largar o osso” para abraçar outras possibilidades. 

Leio que um estudo, da H2R Pesquisas Avançadas, de São Paulo, ouviu 140 profissionais de todo o Brasil sobre o tema, homens e mulheres ocupando cargos de gerentes para cima, e 60% declararam pensar em rotas alternativas para suas carreiras.

Mas a carreira não precisa ser o foco da procura por rotas alternativas, muito menos crises vocacionais, especialmente aos 50. Nessa fase da vida, mesmo que não se tenha descoberto o gosto para determinada atuação profissional, já se revelaram ao menos incompatibilidades para muitas outras. 

E aos 50, a gente percebe, ser inteligente, talentoso, descolado, esperto, bem apessoado e bem relacionado pode até garantir sucesso profissional, mas esse será outro plano A destinado a deixar na gaveta o plano B, aquele que pode ser a chave para o sucesso que interessa, o pessoal. 

Tenha você exercido bem ou mal seu plano A como poeta, escritor, médico, músico, dentista, bailarina, advogado, engenheiro, cozinheiro, psicólogo, economista ou cientista, o que “pega” agora na fase fifties da vida e dá impulso aos planos B é a busca de prazer, de algo que “toca”, como descobriu literalmente a Irina Palm do filme. É a idéia ou o projeto que mobiliza por estar em sintonia com o desejo, com o coração, com a sua vitalidade, e por isso interessa e faz sentido. 

Um plano B, às vezes, pode ser apenas a descoberta de um viés mais criativo e menos automático de continuar realizando o plano A. Porque rotinas e mesmices continuadas minam a energia vital e tiram o sentido de qualquer projeto, na vida pessoal ou profissional.

Eu sinto que o ponto chave de um verdadeiro plano B é demitir o patrão. Real ou imaginário, é aquele ou aquilo que tem o poder de nos manter em uma rota, enquanto vamos arquivando, sem dar muita atenção, desenhos e desenhos de planos B. Demitir o patrão seria se colocar num estado de prontidão para a vida, aberto e atento ao que vier, às sementes de possibilidades. Claro, num primeiro momento pode dar até um certo pânico viver sem essa chefia, mas é a chance de descobrir outra em novos termos ou de se ver como chefe-revelação do seu próprio nariz, seguindo seus poderes, ritmos e intuições. 

IIrina Palm perambulou pelas ruas dos desesperados, suportou humilhações ao bater nas portas das seleções, e onde menos esperava (mas secretamente onde mais queria) encontrou a chefia capaz de revelar suas habilidades e seu capital pessoal para atuar com novo contrato na vida. Tudo por um pequeno buraco na parede…

 Navegue pelo site oficial do filme Irina Palm

Autor: Lélia.A - Categoria(s): Inspiração Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , ,
17/08/2009 - 10:35

Tremores, apetites e amores

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Ainda não deu certo, mas uma amiga está para me levar à Casa dos Cariris, na capital paulista, onde diz que é feita a verdadeira comida mexicana. Não se trata de restaurante comum, mas a própria casa dos fifties Lourdes Hernández e seu marido Felipe, que recebem em dias previamente agendados. Lourdes envia e-mails especiais avisando sobre as datas. Especiais porque o cardápio oferecido vem com o tempero de histórias da anfitriã. Enquanto não degusto seus pratos, saboreio seus ótimos relatos. Num dos últimos, ela conta sobre tremores (temblores), a vida e seus amores.

Os tremores são terremotos que mandam para o espaço a vida segura e cheia de regras. Como diz Lourdes, que viveu a experiência no México em 1985, “…mudam o rosto da cidade e o espírito de seus cidadãos. Para mim, desvelaram a urgência da fome e da vida irreprimível”.

Poucas horas antes dos tremores, ela disse adeus a um namorado que já não “balançava” sua vida. Um apetite surgiu. “Não chorei, só comi, comi e comi.” Após os estragos feitos pelos abalos, deu-se conta também da fome dos sobreviventes, do apetite que os faz descobrir que ainda estão com vida, apesar do coração quebrado e vazio. Ao mesmo tempo, em outro canto da cidade, Felipe também desfazia um amor. Mais tarde acabaram se encontrando: “… mortos de fome. Vivos”.

É uma bela história. Se não fosse cozinheira das boas, Lourdes poderia estar na vida como escritora de romances ou roteirista de cinema. Aliás são eles, também os livros e filmes, que nos lembram do apetite pela vida nos momentos de coração quebrado. Ou perna quebrada, como aconteceu comigo.

No limbo que o acidente me colocou por longo período, fui mantendo a “fome” com A Louca da Casa, de Rosa Montero, conheci Mia Couto em Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, passei pelas fragilidades de espírito do beat generation John Fante com seu Espere a primavera, Bandini, viajei pela Beleza e Tristeza de Yasunari Kawabata, acompanhei o tenso jantar de gala num castelo húngaro nas Brasas de Sándor Márai, maravilhei-me com o jovem Jonathan, autor de Extremamente alto, incrivelmente perto.

Quanto aos filmes, tomo a liberdade de reproduzir o e-mail que enviei a uma amiga envolvida em tristezas: Ok, então fique quietinha, com um chocolate quente, uma mantinha no sofá e pegue um filme para secar lágrimas: não é comédia, ao contrário, daqueles de soluçar mesmo.Tem um que não resisto por causa de uma cena. Chama-se Regras da Vida, com aquele Michael Caine que eu adoro. Ele cuida de um orfanato e, na hora que põe as crianças para dormir, diz, solene, algo como: Goodnight, you princes of Maine. You kings of New England. E aquelas criaturinhas “abandonadas” viram reis e rainhas de respeito. É lindo de chorar… E pode fazer você virar “rainha” … E despertar o apetite.

Por fim fica aqui mais uma dica, esta dada por cientistas que também entendem de terremotos e sabem que eles são provocados pela Terra e não pela fúria de deuses gregos como Poseidon, que com seu tridente espalhava tempestades e turbulências. 

Os cientistas da Terra conhecem como o planeta funcionou no passado e como poderá funcionar no futuro. Por isso afirmam, num informe recente, que convém a todos nós, que vivemos sobre placas que flutuam e que causam terremotos quando se mexem demais, ter alguns conhecimentos básicos para tomarmos decisões bem informadas — sobre qualquer coisa, como ir ou não à Casa dos Cariris encher a vida de apetites mexicanos…

E se pisamos na Lua há 40 anos, não é mesmo o caso de ficar um pouco por dentro do que rola na Terra?

Para saber mais:

Comidinhas na Casa dos Cariris

Informe da Fundação Nacional para a Ciência (NSF, na sigla em inglês) e outras instituições, de junho de 2009

A Louca da Casa. Rosa Montero, Ediouro

Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra. Mia Couto, Companhia das Letras

Espere a primavera, Bandini. John Fante, José Olympio

Beleza e Tristeza. Yasunari Kawabata, Globo

As Brasas. Sándor Márai, Cia das Letras  

Extremamente alto & incrivelmente perto. Jonathan Safran Foer, Rocco
Regras da Vida (The Cider House Rules), EUA, 1999, direção de Lasse Hallstrom, com Michael Caine, Tobey Maguire, Charlize Theron, entre outros. 

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A foto é de um árabe, Hamed Saber, Happy Eid ul-Adha , e aparentemente, não poderia ser mais distante do post da Lélia e dos tremores da Cocinera Atrevida, Lourdes. Mas estava eu à caça da foto para ilustrar o post quando dei com esta e era perfeita porque fala desta “fome”…e, querem saber, Eid ul-ulAdha é uma celebração islâmica meio que aparentada com nosso Natal. Acontece depois do longo mês de jejum, o Ramadã. E é uma celebração da vida, com direito a trocas de presentes, muita comida e muitos doces distribuídos para as crianças. Ou seja, no final, aqui ou ali, tem tudo a ver…

Autor: Lélia.A - Categoria(s): Boas idéias, Sem categoria Tags: , , , , , , , , , , , , , , ,
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