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Arquivo de julho, 2009

31/07/2009 - 15:37

Prazeres: azeites da Provence

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Você tem de conhecer. No 12eme, pertinho da Place de la Bastille, há uma pequena rua, de um quarteirão, a Antoine Vollon. Ela margeia a Square Trousseau, uma praça cheia de crianças brincando. A atração especial ali fica no número 3: uma loja que vende azeites da Provence, com amostras de diversos produtores da região, todos devidamente especificados, e com descrição bem precisa de aromas. São mais de 20 opções divididas em frutados, feito com azeitonas verdes, com azeitonas pretas e com azeitonas maduras. Os preços variam entre 7 e 8 euros.

Alguns dos azeites tem AOC, ou seja, definição de origem controlada. A vendedora é uma mulher muito linda e simpática, sempre disposta a dar boas explicações. Mas as opções são tantas e tão tentadoras que o aconselhável é pegar um folheto e refletir sobre as escolhas. Nada melhor para isso que ir ao Le Bar à Thé, ali ao lado. Sentar nas mesinhas da calçada, escolher entre as diversas opções de chás, quentes ou frios, que podem ser degustados com uma salada, um sanduíche ou pequenas gulodices, como brioches ou pain au chocolat.

azeites-da-provence_tanya_volpe

Bom, vamos aos azeites! Sempre acabo por escolher pelo menos um de cada tipo de azeitona (verde, madura e preta). As descrições são deliciosas! Um AOC Vallée des Baux, por exemplo, tem um sabor que remete a amêndoas, avelãs e manteiga fresca! Quero um. De um outro produtor, o azeite tem aromas de alcachofra, baunilha e avelãs. Ai, que viagem! Não consigo parar de me imaginar no coração da Provence, andando por campos de lavanda sob aquela luminosidade solar de uma tela do Van Gogh. Sem dispersão, vai!

 

 
 
Os azeites estão acondicionados em embalagens de 250ml, que os conservam bem protegidos da umidade e da luz. É o que permite arriscar a provar e comprar vários, pois adoro esses azeites também para presentear os amigos. E um detalhe genial é um bico de plástico para ser acoplado à latinha do azeite depois de aberto. Essa pecinha, muito simples, é ótima porque não deixa pingar e faz com que o azeite escorra em um fio levinho (além de servir, depois, em outras latas daqui).

 

azeites da Provence_Tanya Volpe

Para conhecer melhor os azeites escolhidos, quando chego em casa cozinho batatas e, com elas ainda quentes, rego com o azeite, tempero com flor de sal e pronto. É comer, relembrar a viagem e começar a imaginar com o que mais aquelas maravilhas podem combinar.

Tanya Volpe

Tanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar… 

Première Pression – Huilles d’Olive Provence
3 rue Antoine Vollon – 12 eme
Tel : 01 53 33 03 59
Metro : Ledru-Rollin 
Ouvert :Mardi / Vendredi : 11h-14h30 / 15h30-19h00 Samedi : 10h30-19h00

Autor: tanspin@ig.com.br - Categoria(s): Prazeres Tags: , , , ,
29/07/2009 - 19:58

Dia de chorar

//www.flickr.com/photos/misocrazy/142562470/

Tem dias que a gente acorda triste.
Por nada, por pouca coisa ou por tudo. Mas qualquer que seja o motivo, neste dia choramos. Muito.
 
Não poderia ser diferente, afinal aproveitamos a permissão dada às lagrimas e abrimos todas as gavetas que arduamente mantivemos fechadas.
De lá saem muitos e muitos episódios, que de comum o que trazem é o choro preso na garganta, aquele sorriso meio amarelo que tão bem disfarça nossas dores, pigarros que imitam começo de gripe e aquele sufoco no peito.
 
Às vezes é por conta daquela topada gigante que demos na cadeira do escritório, lugar que nem sempre cabem palavrões e dores “tão infantis”. Então erguemos a cabeça, ajeitamos o cabelo e retomamos o passo. É bobo, é pequeno, fica guardado, mas lateja.
 
Outras gavetas agora abertas nos fazem rever partidas de tanta gente querida. E como elas doem… Deixam o peito em carne viva. Para estas a saída é fingir que esquecemos. Aprendemos a nos desviar da memória, a nos atirar no presente, a não mais esperar que a encontremos no futuro. O nunca mais se instala e toca um alarme alto e forte, liberando água fria caso o calor daqueles afetos insista em voltar. Dessas memórias saem lembranças abaixo de zero.
 
De outras nos chegam frustrações, pelas mais diversas razões. O dinheiro que acabou antes que pudéssemos comprar aquilo que queríamos tanto. A viagem sonhada que teve que ser adiada. A noite da sexta-feira passada na mais completa solidão. O encontro desmarcado quando já estávamos prontas, com a chave de casa na mão.
 
A lembrança daquela pessoa caída na calçada, para quem nós não paramos por pressa, por temor, por preguiça, sai amarrotada da gaveta. E dói. Junto dela, presas no mesmo clipe, lembranças de tanta crueldade vista ao vivo e em cores e que a gente aprendeu tão bem a olhar e não ver.
 
Às vezes as dores não são nossas, mas daqueles que, por amarmos tanto, transformam as dores deles em nossas, de papel passado e tudo. Estas vêm em dose dupla, choramos por eles e por nós.
 
Gavetas abertas porque acordamos tristes. Dia da alma faxinar.
Dias de chuva, dias de choro.
Hoje está chovendo muito lá fora…

 

A foto é do stencil em um muro de São Francisco, tirada por Miss O’Crazy, do Flickr. Lá, como aqui, é permitido chorar…

Autor: re.i@ig.com.br - Categoria(s): Inspiração Tags: , ,
29/07/2009 - 09:33

Twittando

twitter

Adoro o Twitter! Nem sei bem por que, mas desde que a Marcela, a Capitu do mundo web, me falou pela primeira vez dos “microbloggings, Adília, tem que prestar atenção nisto“, virei fã.

É a idéia que fascina! “Twitter” é uma onomatopéia para o piado do passarinho, por extensão, qualquer som trêmulo e curtinho. Também fala de palavras bobas, de provocações e diz de um estado de ligeira excitação sobre qualquer coisa. O símbolo do Twitter, você até já adivinhou, é um passarinho.

Não um pássaro qualquer, inocente. Esse convoca: onde você está agora, fazendo o quê, caminhando, rindo, pensando na vida, vagando por aí…E convida: falas, idéias, sonhos, informações, palavras, siglas, cifras, bobagens, besteiras, e o que mais a gente conseguir imaginar de birutices humanas…

O que você está fazendo agora? A pergunta expressa o ritmo maluco e desconexo da vida. What are you doing right now? Quem quer que você seja, bem-nascido ou joão ninguém, pé-rapado, maria vai com as outras, pedro bó, zé mané, zé ruela, celebridade A, B, C…X, intelectualóide, analfabeto funcional, a rede convida todos, sem distinção, a olhar para dentro e twittar seu instante. Não é coisa de ontem, nem é projeto para amanhã, é o agora cuspido, às pressas, compartilhado, ufa, quem se importa se jamais for lido?

Meio engano. Como todos os fenômenos da internet, o twitter é cheio de meios tons. Quantas pessoas estão seguindo você é uma forma de introduzir a mais humana das variáveis no universo dos microbloggings: a vaidade. E decidir quem seguir, de fato, é a primeira atitude a tomar, depois de se logar no site, evidente! As opções, como já vimos são infindáveis. Um amigo me conta que, por não saber por quem começar, decidiu seguir o próprio inventor do Twitter! Os três fundadores, Jack Dorsey, Evan Williams e Biz Stone, obviamente, estão twitando…

Uma vez lá dentro, e dependendo sabe-se lá do que, você vai observar que tem gente te seguindo. No início, isso me fazia sentir desconfortávelmente responsável. Foi aí que resolvi oferecer a essas gentis e incompreensíveis criaturas doses diárias de carinhosos absurdos, em geral extraídos dos clássicos da imaginação humana, Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, por exemplo, meus favoritos. Nunca cumpri minha meta aliciana de twittar cinco coisas impossíveis antes do café da manhã…mas chego lá…

Algum cuidado, no entanto, é necessário, porque o que surge na tela como o mais democrático e livre de todos os espaços humanos, numa guinada do mouse, revela-se o mais poderoso mecanismo de controle jamais imaginado…ou você duvida que sempre existe alguém que espia tudo e todos, todo tempo? Brrrr…..

OK, devo estar viajando, não é bem assim, ao menos, não ainda.

Mas se você quiser experimentar, venha twittar também. É melhor do que tomar chá com o Chapeleiro Louco de Alice, garanto!

Para entrar no site do Twitter, pode clicar bem aqui. Faça o login e seja-benvindo à twittagem planetária. E já que falamos de Alice no País das Maravilhas, Jonny Depp de Chapeleiro Louco no filme de Tim Burton. Irresistível! O trailer está bem aqui.

Imperdoável: esqueci de compartilhar o meu Twitter com vocês. É http://twitter.com/adilia

 

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Boas idéias Tags: , , ,
27/07/2009 - 13:57

Desafiando Barbarella

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Depois, bem depois dos 50, Jane Fonda continua ótima, mas na pele de Barbarella, a heroína erótica e divertida daquela ficção científica dos anos 60, ela será sempre divina. Não lembrava, mas leio agora num espaço virtual fashion que os modelos que ela usava no filme foram criados pelo espanhol Paco Rabanne. O estilista das roupas futuristas a decorou de metais e plásticos e fez história.

A Jane Barbarella me faz lembrar de uma amiga querida, que tem a mesma marca do erotismo divertido. Sabe dar um toque bem-humorado a qualquer história de sexo, descola vídeos aparentemente inocentes com boas surpresas picantes. Recordo um deles, no contexto da notícia de uma gravidez, que ela enviou para a futura avó. Delicado, bonito, falava dos recém-nascidos, fases da vida, lembranças marcantes. No final, uma imagem se encaixava nas tais lembranças que não podiam deixar de ser registradas no percurso do futuro bebê: estirado numa cama, o belo Reynaldo Gianecchini, peladíssimo. Congratulações assim, só dela.

E seu humor erótico deu as caras, totalmente às claras, na sua festa de 50 anos. Ela recebeu os amigos fantasiada de Barbarella — deliciosamente hilária, com uma enorme peruca loira e seios em cones pontudíssimos de plástico imitando metal . Provavelmente se fantasiou na 25 de Março, onde Paco Rabanne nunca deu expediente. Mas estava, como Jane Fonda, perfeita!

Elas têm mais em comum. Talentos de sobra como artistas, apenas em palcos diferentes. Jane estimula a imaginação nas telas do cinema. A Barbarella minha amiga cuida das fantasias dos outros no divã e faz das suas pura diversão.  Além de bruxa sábia nas questões da alma, ela é autora de livro, canta, dança, toca violão, venceria qualquer um naquele programa de música em que Blota Jr desafiava: “A palavra é…”

Ter gente assim ao lado, que curte vestir ou viver as fantasias, sempre faz sair no lucro aqueles que fogem delas, que nunca acharam graça nem em rodar de caipira na quadrilha junina.  Com uma amiga que adora dar festas encantadas, uma hora você cede, não quer ser a “espírito de porco”: põe um treco na cabeça, joga uma rede em cima da roupa e diz que está de aranha, até enfrenta um karaokê…  E, claro, acaba se divertindo muito, no mínimo sacando como as fantasias se encaixam bem ou não se encaixam nos outros convivas, como alguns resistem o quanto podem para, de repente, surpreenderem improvisando uma letra para um som japonês: Sushiiii kerê suchimiii ni Hiroshima… Ki ki kissoba…  E tem mais graça quando os melhores momentos dessas ocasiões chegam embrulhados de presente e, diante dos seus olhos, surge um velho amigo simplesmente trajando um boi. Só mugindo…

Se você não tem amigos como Barbarella, talvez uma rainha má, um escravo romano, uma havaiana ou cigana, um cawboy ou mesmo o boi ou leão, arranje. Quem prefere ver a vida do lado do avesso, precisa, de vez em quando, se envolver com as fantasias.

E deixo à Barbarella desafios para comemorações aos 60, 70, 80 e muito mais:

Úrsula Andrews saindo do mar com a faca pendurada no biquíni (oportunidade para descobrir um James Bond no pedaço); Dona Marta (não a Suplicy, a dos quadrinhos do Glauco); Furacão Katrina (para detonar!); Pata selvagem (ou voando com a própria natureza); Azeitona na empada ( o eu na globalização); Blota Jr em “a palavra é…” (muita moleza!); Ronaldo, o fenômeno (dominando todas …); Vitória de Samotracia (para quando perder a cabeça); e Sustentabilidade (que cairá bem aos 90).

 A foto é do poster do filme de 1968, dirigido por Roger Vadin, com Jane Fonda no papel inesquecível de Barbarella. Para saber mais sobre o filme, navegue pelo IMDb. Para assistir a um trecho do filme e relembrar,  clique aqui e vá para o Youtube.

 

Autor: Lélia.A - Categoria(s): Boas idéias, Inspiração Tags: , , , , , , , ,
26/07/2009 - 21:17

Valeu!

reuters_dylan-martinez 

Qual de nós não acordou no meio da noite com a seguinte pergunta escancarando nossos olhos feito farolete em noite escura: Valeu?

 

E quantas de nós será que podem dizer sim, a vida valeu até aqui?
E aquelas que dizem sim, para onde olham, qual pedaço do vivido as fazem sorrir e reafirmar que sim?

Talvez olhem lá para trás, e se revejam crianças. Ainda meninas, rodeadas por bonecas, balas, chicletes. As tardes quentes das férias de verão, pés no chão, olho na bola, sujas e despreocupadas. Caras borradas de batons roubados, cheias de pintas feitas a lápis, andar solto sobre saltos altos. Mas também as broncas, os beliscões, os nãos.

A tudo isto dizem sim, valeu.  Talvez olhem para trás e se vejam ainda jovens, recém-saídas da infância. Cheias de medos e desejos de conhecerem mais de mundo, dos outros e de si próprias. Se relembrem daqueles corpos em transformação, pernas longas, vozes mudando de tom. Seios se arredondando, a primeira menstruação.

O primeiro beijo de boca fechada e olhos abertos. E os beijos seguintes já de boca aberta e olhos fechados. As primeiras carícias, aprendizado do prazer.

Mas também o medo, os impedimentos.

A tudo isto dizem sim, valeu.

Talvez lembrem-se de todos os planos traçados e todos os desvios dos planos traçados. Das escolhas profissionais precipitadas e das escolhas profissionais amadurecidas e realizadoras. 

Outras sentirão que valeu por todos os amores vividos. Mas também por toda a dor vinda dos amores findados.

Por todos os momentos de horror e desespero, porque junto com eles sempre vem a certeza de se estar maior, mais gente, mais humana.

Por todas as mortes, porque a cada uma delas aprofundou-se o saber de que a vida é curta e única e que nada é eterno.

Outras dirão que sim, valeu, olhando para seus companheiros de vida, porque ali verão alguém que as ama por inteiro e a quem amam por inteiro. Não metade. Por saberem que disseram sim a mulher e ao homem que são e não a mulher e ao homem que um dia sonharam.

Outras ainda dirão que sim, valeu, pelos filhos gestados e paridos, ou pelos filhos escolhidos. Pela emoção de vê-los na vida, caçadores de sonhos e realizadores de muitos.

Muitas olharão para amigos queridos e a alegria em estar com eles, por tudo deles recebido. E principalmente por reconhecerem que da matéria, resíduo destes encontros, é que são o que hoje são. Dirão ainda sim, valeu, diante da memória de seus pés nus na terra úmida, de seus olhos pousados em tantos horizontes alaranjados, de seus corpos mergulhados nas águas dos rios, cachoeiras, mares azuis. Diante da imagem de cavalos soltos e livres, correndo por descampados com seus corpos fortes, brilhantes de suor.

Pelas noites estreladas, por todas as luas cheias, pelo mistério das luas novas. Por todas as garrafas de vinho, por todos os brindes. Por todas as conversas à toa, pelo gosto das frutas frescas.

Saberão que valeu por terem vivido do direito e do avesso, na mão e na contramão.

E saberão que valeu principalmente por terem apaziguado a menina que sonhou uma vida para si, e por poderem congratular-se com a mulher que aceitou a vida como ela é. Por tudo isto é que podem dizer sim, valeu!

 

A foto é o registro do momento em que Lashinda Demus, dos EUA, levanta os braços para celebrar sua vitória na corrida de 400 metros no Grand Prix de Londres, dia 26 de julho, no Cristal Palace. REUTERS/Dylan Martinez (BRITAIN SPORT ATHLETICS)

Autor: re.i@ig.com.br - Categoria(s): Inspiração Tags: , ,
24/07/2009 - 14:57

Prazeres…

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Quando eu era menina adorava brincar de pular corda. E eu era boa nisso. Quando pulava sozinha. Quando brincava com os outros, era mais complicado. Sabe quando duas pessoas batem a corda e você tem de entrar no momento certo para pular? Pois é, me lembro ainda do frio na barriga que eu sentia frente a esse ‘grande ‘ desafio. A cabeça planejando, contando tempos, avaliando, escolhendo. Daí vinha a coragem e jáááááá! Eu começava a pular e instantaneamente esquecia o medo, era só prazer, um dos meus pequenos prazeres.

Pois é, resolvi entrar aqui. Para falar de tantos outros pequenos prazeres. Como Paris, cidade de infinitas viagens. Quer coisa mais deliciosa do que passear por lá? Conto os meus passeios.
Nesta temporada de verão parisiense, fui ao Parc Monceau , no 8eme. A história do parque é legal. Inicialmente, a área foi comprada pelo Duque d’Orléans, no dia seguinte ao seu casamento com a princesa de Penthièvre. Era 1769. Sua intenção era criar ali um lugar de prazer, para encontros e festas, um ‘país de ilusões’ como ele dizia . E assim foi feito. Muito tempo depois, em 1860, o parque foi comprado pela prefeitura de Paris e se tornou público.

O Barão Haussmann, que é o responsável pelo desenho de Paris que conhecemos hoje, resolveu dividir o parque Monceau em duas partes. Vendeu a metade para uma família de banqueiros (os Pereires), para que ali fizessem um loteamento de alto padrão. Haussmann queria valorizar a região. Na outra metade da área, foi mantido o jardim. As lindas casas que foram construídas no loteamento são as que existem no fundo do parque. Seus moradores têm o privilégio de usá-lo nos horários em que o parque se encontra fechado. Nada mal como quintal, hein?

Adoro o jardim do Monceau, que tem características de um jardim inglês, meio bagunçado e cheio de árvores do mundo todo. Há um Cedro do Líbano que deve ter uns 900 anos (na verdade, acho que são 200). É de uma majestade, com seus galhos enormes e pensos, emocionante. Outra árvore sensacional é um plátano, também com energias de milênios. Tem uma outra, japonesa…. E descobri lá uma Amoreira negra, que tem exatamente a minha idade. Foi plantada no dia em que eu nasci!

Outra coisa legal do parque é ser pouco visitado por turistas. É a turma do bairro, suas crianças, velhos e bichos que o freqüentam, o que o torna mais especial. 

 

Tanya Volpe Tanya Volpe é cozinheira. Já fui e fiz muitas coisas. Hoje leio, penso e escrevo sobre comida. Filosofia: Viver não é preciso, mas cozinhar e viajar…

A foto é minha, dos matinhos coloridos do parque Monceau: Parc Monceau, Bd Corcelles,  8ème, Paris (aberto das 7 h às 22 h no verão) Métro Monceau

Autor: tanspin@ig.com.br - Categoria(s): Prazeres Tags: , , ,
23/07/2009 - 13:53

Mães maduras, filhos imaturos

//www.flickr.com/photos/27558334@N00/3533974932/

Outro dia uma cena me levou à Louise Brown, o primeiro bebê gerado por reprodução assistida, na Inglaterra, em 1978. Era um casal maduro com um filho pequeno, não sei se a criança fabricada por um encontro natural de óvulo e espermatozóides no corpo da mãe ou produto de um arranjo tecnológico, cujos avanços, em 30 anos, já ajudaram casais a produzir cerca de 3,5 milhões de criaturinhas nascidas saudáveis em todo o mundo. No Brasil, considerado um dos centros de excelência na área, são cerca de 4 mil nascimentos ao ano. E o número só cresce.

 

O noticiário da época do nascimento de Louise diz que seus pais esperaram nove anos por uma concepção natural até buscar a ajuda da ciência. Uma espera impensável para quem enfrenta hoje dificuldades para engravidar (de 10% a 15% dos casais). E nem precisa haver dificuldades, problemas de infertilidade. Em muitos casos, é a praticidade no planejamento da vida, a ansiedade, a insanidade ou as onipotências mil que levam casais saudáveis às clínicas de fertilização assistida. O desejo de um filho parece ter saído do plano dos sonhos para entrar no de planejamento de metas. Quando surge, vira ordem imperiosa com pouco espaço para tentativas, falhas e frustrações.  A ciência comparece e resolve a questão. Como tudo, tem lado bom e ruim.

 

O fato é que as técnicas de reprodução assistida mudaram a paisagem da maternidade, permitindo apreciar uma combinação que pode ser hilária: a da mãe madura com o filho pequeno. Dizem que, por serem mais velhas, elas tendem a ser excessivamente protetoras, criando filhos medrosos e exageradamente manhosos. Minha experiência de observadora diz o contrário. Mães maduras, quarentonas até bem passadas, me parecem saudavelmente desencanadas.

 

Volto à cena que me chamou a atenção outro dia. Na praia, a poucos metros da minha cadeira, uma dessas mães tentava tirar o filho, de uns 4, 5 anos, do mar. “Tá cheio de siri aí, vão morder o teu pé, venha agora, Francisco”, arriscava ela. “Onde, mãe, onde você viu?”, respondia o garoto se aproximando para, em seguida, mergulhar e se afastar novamente, talvez atrás dos siris.

 

O pai maduro, reunido com amigos em sua barraca, só ria. Mais ainda quando ouviu o aviso gritado da mulher: “Se eu não conseguir tirar o cara da água em 5 minutos, vou sentar aí e o problema é seu.”

 

Terrésssa, como o marido pronunciava num sotaque espanhol o nome da esposa, continuou com as tentativas: “Franciiiisco, agora chega, sai já, não agüento mais ficar aqui nessa água gelada”. “Mãe, a pessoa mais corajosa dessa praia é a Nanda, ela entra na água gelada”. “Mas a Nanda foi passear e eu não entro. Você é que sai. Frannncissscô, já!” Mais aproximações, fugas, mergulhos.

 

“Francisco, agora é sério. Tô vendo um tubarão vindo, vai te pegar, é perigosíssimo!! Sai, rápido, rápido…” “Onde mãe, quero ver, quero ver…” “Corra já pra cá, ele tem uma barbatana enorme pra fora, e deve ter uma boca enorme pra te engolir num segundo…” “Onde, onde mãe?” Tchibum, tchibum…

 

Pausa para um foco no marido. Um olhar furioso? Não, um olhar matreiro, zombeteiro. “Vou simular um afogamento e você chama o salva-vidas, tá?”, propôs ela ao parceiro. “Terrésssa, vê se ele não quer sorvétes, milho, una empadita…”

 

“Francisco, vem cá no rasinho, quero te contar uma coisa”, chamou Terrréssa. “Você sabia que uma onda pode ficar gigante e invadir toda a praia, e com uma força gigante que pode até levar a gente pra cima daquelas árvores lá?” Tchibum, tchibum… “Vem Francisco, já cansei, tô com frio…”

 

Tchibum, tchibum… “Mããe, olha a Nanda!” “Oi, mãe, quer que eu olhe o Francisco um pouco?” “Ah, é tudo o que eu quero, tô gelada, tudo bem mesmo?” “Deixa comigo.” Tchibum, tchibum… “Nanda, vai ter uma onda gigante até o céu e tem um tubarão grande, mas não vi.” “E você acredita seu bobão, o tubarão grande sou eu que vou te pegar, já!!” Tchibum, tchibum… “Mããnhêê, olha a Nanda!” 

 

Foi o espetáculo mais engraçado do politicamente incorreto que já vi. Saboreado de camarote. Maravilha! Essas Teréssas maduras podem levar a maternidade assim: amam, reclamam, inventam, divertem-se, simplesmente desencanam.

 

A foto não é o máximo? É do photostream de Morgana Meggie no Flickr. Ela é uma  campineira, que, pelo visto adora bichos porque também assina o site: Anjos abandonados, central de adoção de animais abandonados em Campinas. O nome da foto é Maternidade. 

Autor: Lélia.A - Categoria(s): Boas idéias Tags: , , , ,
20/07/2009 - 13:29

Amor bem brega

//www.flickr.com/photos/raftwetjewell/3025997748/

Parece piada, soa piegas, mas é isso que eu quero: aos cinqüenta e dois anos, ainda quero um amor, mais um.

Não um amorzinho qualquer, nem caso, nem casamento, nem paixonite. Nem precisa ser para sempre. Mas não vale amor comprado. Nem quero nada escondido, furtivo, apressado. Não me convêm as sombras, nem o outro lado da história.

Um amor para amar, já sem filhos para criar, sem casas para construir, sem dinheiro para juntar. Um amor de só viver. Feito de aconchego e tesão e distâncias que não sejam abismos, intimidade que não seja diluição, afinidade que não seja anulação. Um amor de mistérios sutis, fantasias libertas e silêncios solenes, comoventes. Ah!, precisa ser amor de espaços preservados.

Não quero ser dona nem serva. Muito menos cara-metade: quero inteiro, de igual para igual, lado a lado, olho no olho. Amor de compartilhar, sem compartimentos. Só não pode invasão. Não quero clandestinidade, nem mesquinhez, não quero as sobras, quero o banquete. Quero plenitude nesse amor maduro e bem-vindo.

Quero viagens, tardes chuvosas, estradas, hotéis. Quero soltura. Beijo na praça, no cinema,na sala, no beco. Público e privado. Às claras.  Deve ser, um amor ousado e cheio de besteiras íntimas.

Aos cinqüenta e dois anos me surpreendo, me pego sonhando, ainda querendo. Que mania, meu Deus! Que nem menina, que nem mocinha, que nem qualquer mulher, (duvido que todas não queiram…), ainda desejo aquelas velhas sensações risíveis: perna bamba, coração aos pulos, beatitude, frio na barriga, sexo molhado. Sossega, mãe! – posso ouvir filha dizer. Desculpa, filha, não dá.

Não tenho o menor pudor em rimar paixão com coração, amor com dor, sonho com Tonho, se esse for o nome amado, porque o amor é brega e quase ridículo, é lindo e quase impossível, é fugaz e quase sempre atroz. E ainda assim, eu quero. 

Sei que o amor é exibido, gosta de se pavonear, se estampa na cara da gente, muda nosso olhar, sobe em palanques, púlpitos; é tão eloqüente esse tal de amor que nos deixa gagos, atônicos. Às vezes, fica de longe, tímido e platônico. O amor nos faz de bobos, zomba de nós para depois nos fazer sentir heróis. O amor é complexo na sua gramática: para alguns é verbo intransitivo, tem sujeito composto de outrem, é adverbial nos modos e tempos e também muito sintático. Prolixo, profético, profilático, pródigo. Às vezes, promíscuo. Adora ser um paradoxo e, apesar de gostar das proparoxítonas, pois é trágico, patético, democrático e poético, o amor é também gutural, ditongal, cheio de ais e uis, repleto de mins e tus.

Muito cortês e fidalgo, coisa de fino trato é também hormonal, cheio de humores, temperamental. Pode ser casca grossa, desastrado, bruto até, um coitado. Matreiro e engenhoso, o amor é safado, malandro, desabusado. Se mal criado, fica vulgar, violento. Se bem tratado, é meloso e delicado, vem com flores e fala mansa. O amor é dengoso, sorrateiro. Esgueira-se sem cerimônia nas alcovas, sob as saias, nos banhos, debaixo da pele, atrás dos sonhos. Pode ser distraído e isso às vezes é fatal porque irrita. É guloso, come chocolate. Quando selvagem, arranca pedaço. Quando domesticado, enjoa. É maroto, o famigerado, é astuto, o danado. Não dá trégua, é teimoso, não sossega enquanto não nos faz arquejar, arfar, arder. Ah, como eu quero, um amor assanhado, descarado, louco para ser feliz e rir alto! Daqueles feitos de valsa e tango. De príncipe e de raptor. Estado de graça e cio. Verbo e carne. Amor explícito, melado. Xodó.

E por não parar de pensar no maldito bendito, eu digo rendida e inconformada, que aos cinqüenta e dois anos, ainda quero um amor feito de tudo e de nada, de fogo e de paz.

Anacrônica e bobinha lá vou eu, sem medo de ser nem ridícula nem feliz. Não abro mão. Insisto, sigo querendo, totalmente apaixonada pela idéia de amar.

 

 A foto lá em cima vem do portfolio de Rafeejewell, que se apresenta como o avatar Raftwet no Second Life, o mundo virtual onde todos são personagens de si mesmos. Surreal, certo? Mas a imagem é de um amor brega que nasce num ambiente de fantasia e floresce nos nossos sonhos… Para conhecer um pouco mais destas estranhesas virtuais, pode visitar Raftwet in Second Life

Hilda Lucas Hilda Lucas é escritora de palavras quentes e generosas. Autora de Memórias líquidas, um livro sobre uma família assombrada pela morte, ela escreve também uma coluna semanal para o portal M de Mulher, da Abril. Esse artigo é de 7 de janeiro de 2009. A Hilda aí ao lado é obra à moda de Andy Warhol de Maria Cristaldi

 

 

Autor: hildalucas@ig.com.br - Categoria(s): Crônicas Tags: , ,
19/07/2009 - 11:45

A Partida, mais viva do que nunca

 

“… Que eu esteja vivo na hora da minha morte.” A frase é do pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott, com obra bem viva passados mais de 30 anos de sua morte. Consta que ele deixou o registro numa espécie de diário que se encaminhava para uma autobiografia, num momento de reconhecimento da proximidade da morte. Não conheço o texto e seu contexto, que podem ter querido expressar o desejo de não querer estar morto antes de morrer de verdade. Mas a frase tem serventia perfeita para resumir, a meu ver, um dos mais belos filmes dos últimos tempos: a produção japonesa Okuribito, em cartaz entre nós como “A Partida”.

A história do violoncelista desempregado que volta à cidade natal e começa a trabalhar como preparador de mortos para funerais é deslumbrante em todos os sentidos. Um filme completamente bonito — no visual, no roteiro, no conteúdo, na música… E justamente reconhecido – levou o Oscar de melhor filme estrangeiro em 2009.

Andei pensando no filme. O tema da morte, já disse por aqui, se impõe na vida de quem entra nos cinqüenta. Fica mais próxima a percepção de que você pode partir a qualquer momento, e mais próxima ainda se circunstâncias colocam a partida como parte do jogo — quando você ouve, por exemplo: “Então boa sorte, que tudo dê certo”. Se vai pegar um avião ou fazer uma cirurgia, são palavras de esfriar a espinha, soam mais “urubúticas” que acolhedoras. E mesmo assim vamos lá, dar a cara para o futuro…

Melhor é se voltar para “A Partida”, o filme, onde a morte é acolhedora porque tem vida, onde o corpo não é cadáver, mas uma pessoa em estado de passagem nas mãos delicadas de um violoncelista. Ele, aprendiz no ofício, comanda o delicado ritual na presença da família. A morte se expressa, solene. Não se cala, não se esconde. Aos familiares e amigos é dado espaço e tempo especiais para sentir a partida: com sofrimento, remorso, culpas, acertos de contas, preces, gestos, boas lembranças. Ali o morto está mais vivo do que nunca. A morte não é fim. Ao contrário, tem potencial para muito reencontro.

Quando acontecer, quero assim “passar meu ponto” no planeta. Como Winnicott, quero estar viva na hora da minha morte para instigar e renovar nas pessoas queridas o desejo de alcançarem seus próximos passos, de continuarem firmes e bem vivas no caminho. Mas aviso a esses peregrinos: prometo infernizar a vida de todos, se me deixarem trancada sozinha num velório para evitar assaltos.

A Partida (Okuribito). 2008. Japão. Direção: Yôjirô Takita. Elenco: Masahiro Motoki (Daigo Kobayashi), Tsutomu Yamazaki (Ikuei Sasaki), Ryoko Hirosue (Mika Kobayashi), Kazuko Yoshiyuki (Tsuyako Yamashita), Kimiko Yo (Yuriko Kamimura), Takashi Sasano (Shokichi Hirata). Gênero: Drama. Duração: 130 minutos.

Outras resenhas interessantes de “A Partida” nos blogs: Plano sequência / Cinema é minha praia / Crítica (non)sense da 7arte

Autor: Lélia.A - Categoria(s): Em vídeo Tags: , , , , ,
17/07/2009 - 10:04

Anatomia da paixão

http://www.flickr.com/photos/_zahira_/2481399866/
Esta é “A gota”, foto de Zahira, uma espanhola, de Madrid, orgulhosa no Flickr de sua primeira foto de movimento.

 

“Da vida, eu quero tudo!”, ela diz, num desafio. “Tudo?” Ela ri, como se adivinhando… “Bom, só os melhores momentos”. Eu afasto o cabelo que cisma em esconder o olhar despudorado dela, e tento lembrar em que momento da vida a gente realmente descobre que a paixão tem esse rosto inocente, selvagem, amoral…

“Essa coisa morna de melhores momentos, não tem nada a ver com o ‘tudo da vida’, você sabe”. Eu digo. Sabe?  Há que se tirar o ponto final da frase, substituir por uma pausa-vírgula-respira-engole e acrescentar o fundamental ao desejo da menina. “Da vida, eu quero tudo, até a última lágrima, até o último riso”.  Ouse imaginar isso, ouse dizer em voz alta, ouse, ainda, repetir: “Da vida, eu quero tudo, até a última lágrima, até o último riso”. E você vai saber o que é ‘paixão’…

Os gregos costumavam transformar nossas humanidades em abstrações visuais, e dotá-las de carne, sangue e suor. Abstrações vivas e cheias de cores, deuses, daimons, seres feitos de insights e de sonhos. Por isso, sempre é tão fascinante começar qualquer reflexão sobre nós com um mergulho na mitologia grega.

E contam os mitos que quando Afrodite, a deusa da Beleza, filha de Uranos, o senhor do Tempo, nasceu na espuma do mar, um cortejo de criaturas aladas veio recebê-la. Eros, o deus do Amor, e seus irmãos, os jovens filhos do Vento: Anteros, Himeros e Pothos …

Eros, o Amor, a gente já conhece porque é dele o grande impulso inicial e foram suas as flechas que fertilizaram o universo. Mas junto com ele, nas cerâmicas e na imaginação, surgem outras faces do amor: Anteros, o amor compartilhado, Himeros, o desejo físico, e Pothos, a paixão ou aquele tipo de amor que jamais se realiza completamente.

Filho de Zéfiro, o vento, e de Iris, o arco colorido que enfeita os céus de chuva, Pothos era puro desejo. Os gregos falavam de “anseio por aquilo que nunca está lá”,  impulso em direção ao que está sempre nos escapando, saudade de um “não sei o quê” que nos falta…

ISSO seria a paixão… Apaixonados nós estamos quando o horizonte lá longe faz a gente sonhar com mundos extraordinários, quando as nuvens escrevem versos de amor no céu, quando somos tocados pela beleza de todas as formas, quando acreditamos em impossíveis, quando, de repente, do nada, um dia assim de manhãzinha, a gente consegue enxergar pela fresta do universo a dança das possibilidades infinitas…..

Apaixonada é a bailarina que sempre dança sua última dança, o artista que pinta para não morrer, o atleta que se equilibra no abismo, o músico à caça de harmonias, o sonhador que persegue a paz…

O caminho dos apaixonados, como os gregos sabiam e nós já começávamos a suspeitar, está longe de ser fácil ou “bonitinho”. A paixão tem cores fortes, e cheira a sangue. Não é morna. Ao contrário, ensinaria Garcia Lorca, falando do “duende”, a paixão com as cores da Espanha: “Só se sabe que queima no sangue, feito ácido, que esgota, que recusa toda a doce geometria aprendida, que rompe com os estilos”.

Ou seja, apaixonados, então, somos nós, quando dizemos: da vida, eu quero tudo, mesmo sabendo que esse tudo é pura saudade!

Esses gregos eram ou não eram grandes anatomistas da alma?

 

Este artigo foi publicado originalmente na revista Top Magazine

Autor: Adília Belotti - Categoria(s): Inspiração Tags: , , , , ,
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