*** comentário do episódio Strange Love (Pilot) da série True Blood - sem spoilers ***

Só há três criadores/roteiristas de séries, que me fazem ficar ansioso por novos projetos: Joss Whedon (Buffy, Firefly), Ronald D. Moore (Battlestar Galactica) e Alan Ball (Six Feet Under). Então fiquei extremamente entusiasmado quando ouvi os primeiros rumores sobre a série, mesmo sendo sobre vampiros, um assunto que não acho tão interessante quando filmado (prefiro em livros), mas sabia que podia confiar no Ball.
E eu estava certo. O público não respondeu bem a série (a audiência foi pouquíssima), nem a crítica que achou tudo “caricato e sem propósito”, mas mesmo assim eu gostei.
Alan Ball cria um universo extremamente crível em sua série, e apresenta os personagens e situações como se fossem novos capítulos e não novas páginas, o que faz com que os personagens sejam desenvolvidos de uma maneira diferente do que estamos acostumados, pois não entramos no mérito de conhecer o passado deles, apenas o que são agora.
Como sempre, Alan Ball apresenta um roteiro extremamente eficaz ao misturar um assunto fantasioso e até certo ponto ridículo, em um mundo real, onde a aceitação de um vampiro é no mesmo nível que uma aceitação de um homossexual, ou alguém que tenha gostos considerados “estranhos” perante a moral da sociedade puritana e clichê.
Além do roteiro, Ball acerta em cheio no uso da câmera, todos os encontros da personagem principal Sookie (Anna Paquin), com o vampiro Bill (Stephen Moyer) são de uma beleza única, além de usar as luzes e o cenário ao seu favor, Alan Ball aproveita o clichê de cidade do interior para criar um clima sempre sombrio, mesmo quando a situação é alegre.
Por fim, o único problema que encontrei foi em algumas atuações, principalmente pelo sotaque sulista, mas creio que com o tempo isso se resolva.