26/10/2009 - 23:04

Não. Foi o que me disse ao se calar.
Não…
foi o que me transformou em grão… de saudade e de tristeza em vão.
Foi
o que me trouxe a solidão. Não. Mesmo que eu queira um sim só direi não,
mesmo que eu deseje e já não possa mais… dizer que outra vez irei tentar sorrir…
por ter alguém tão perto que me fez sentir…
como um grão de alegria a substituir,
aquele grão de saudade que por tempos persistiu… aquele grão de tristeza que a todas as lágrimas resistiu.
Não…
outra vez não vou sonhar.
Com sua voz ao meu ouvido sussurrando amor.
Nem vou sonhar com suas mãos a me abraçar…
nem vou contar como naquela noite eu… te beijaria. Não.
A minha força foi em vão.
Por que abrir meu coração?
Por que sonhar de novo, então?
Por que chorei de novo…? Por que perdi meu sorriso nessa contramão?
Não…
o medo voltou a fazer parte de mim… Não.
Tarde demais para mudar meu coração.
Vão
Tábata Mori, agorinha de pouco.
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ex-pressão
Tags: Eu?, Saudades, Solidão, Você
18/09/2009 - 00:25

Tem vezes que que me sinto uma molécula. Um tanto quanto pequena e insignificante… assim como abundante e necessária. Talvez menos um ou outro.
Meu número é a-tômico, minha massa incorpórea é próxima de um. Nas CNTP sou incolor, inodora, insípida, insolúvel em água – a qual inclusive eu componho. Já na TPM, pareço ser outro elemento, mas só muda minha forma molecular, sou diatômica e, consequentemente, inflamável…
Convivo então em ligação covalente comigo mesma. Sem dar… sem receber…
Apesar de abundante e presente em tantos lugares… até nas estrelas, me sinto só. Sinto que não me enquadro em nenhum grupo. Como se não fosse elementar, como se não tivesse família, como se ocupasse o topo apenas por não haver outro lugar.
E de cima, a vida é solitária. Sem muito calor específico, paradoxalamente, com eletronegatividade ligeiramente positiva. É difícil de explicar, mas me sinto meio neutrôn… embora também não tenha nenhum.
Sinto que não sou muita coisa sozinha e mesmo quando faço pontes, meus elos são fracos e sei qualquer chuva de outono os dissolveria. Fujo. Não aguento mais formações, cliclos e fusões. Quero escapar da gravidade da terra, deixar a atmosfera e permanecer nas galáxias longe dos olhares terrenos.
O estado de tal matéria não é lá dos melhores. Mantenho a aparência… sempre. Torno frágil metais dos mais transitórios até que me dissolvo em Terras-raras e em metais amorfos. Então já não sou eu quem sigo, minha estrutura é outra.
Prefiro ser rara a ser quântica. Prefiro ser filha se bactérias e algas… a ser uma princezinha de plasma vivendo só em auroras polares. Prefiro que meu corpo e alma sejam dicotomicos a diatômicos. Cansei de reformações catalíticas, quero reações catastróficas, aristotélicas e excessivas.
Cansei de ser só uma. Quero ser prata ou ouro. Quero ser índio. Quero ao menos ser nobre. Quero maior potencial de ionização e melhor condutividade térmica. Quero causar impacto ambiental.
Quero deixar de ser hidrogênio.
Tábata Mori, ao vivo
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Ex-pressão
Tags: Química, Significado, Solidão
04/06/2009 - 23:22
Quase todas as minhas negações são impositivas.
Quase tudo que imponho é negativo.
Não sei porquê sempre quero não querer. Sei dos meus medos e, às vezes, não vivo.
Tudo que imponho a mim é um tanto quanto estrangulativo.
Percebo vontades erradas. Percebo as boas. Mas nego.
Nego-me o direito de ter. Sim, tenho medo de perder
de não querer… por inteiro. De não merecer… de fato.
Eu olho eu vejo. E corro. Eu quase morro todas as vezes que eu não te tenho.
Morro um pouco a cada pensamento, a cada censura,
a cada medo, a cada beijo que não dei, a cada abraço perdido.
Morro… um tanto quanto impropriamente.
Morro… um pouco de corpo, um pouco de mente… até mentir para o meu coração.
Corro
até restar pensamento algum… completamente.
Eu choro também. Mas em silêncio…
A “dor vai fechar esses cortes”.
Meu silêncio dura a noite inteira
e de manhã eu esqueço. Um pensamento ou outro vem durante o dia,
mas nego… novamente.
E assim vou.
E assim fico.
Por isso estou… um tanto impositivamente
sem você.
Um tanto quanto incompletamente
talvez até ausente… plenamente ausente!
De vez em quando eu lamento. E o silêncio às vezes dura a noite inteira.
Às vezes eu te vejo. E o silêncio dura um pensamento.
Vez ou outra o silêncio volta durante o dia… e será assim até eu ser
Plenamente.
Completamente.
Talvez, quem sabe… impositivamente.
Tábata Mori, 03 de junho de 2009.
Shopping Calçãdão, aguardando os amigos para irmos ao cinema.
Querendo um choconhaque e ouvindo música ao vivo.
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Expressão
Tags: Amor, Eu?, Medo, Solidão, Você
04/05/2009 - 21:07
Hoje eu vi o seu sorriso,
Sorri, mas você não me viu…
A verdade é que você não me vê!
Hoje senti sua mão,
Mas não te abracei, nem senti seu cheiro
A verdade é que você não sente como eu!
Hoje eu reparei na sua beleza,
Olhei próximo dos seus olhos,
E tive vontade de lhe abraçar.
Quis sentir o seu cheiro
Quis lhe tocar mais de uma vez
Quis sentar e conversar…
Mas a verdade é que sou eu quero
A verdade é que não é assim com você
A verdade é que vou me desaparixonar mais uma vez!
E na verdade, nem sei o que é ou não mentira
Nem sei o que vale ou não a pena
E nem faço a mínima idéia do que se passa pela sua cabeça
A verdade é que eu sou uma e você é outro
E nunca seremos nós, nunca seremos um
A verdade é que eu deveria desistir, mas
não sei porquê,
Não páro de pensar em você!
A verdade?
Eu preferia não sabê-la!
Tábata Mori, ao vivo
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Expressão
Tags: Amor, Solidão, Você
13/06/2008 - 00:24

Ela vagava pelas calçadas da reta. Era tarde da noite e seus olhos mareados encaravam os faróis.
Ela sentia na pele o frescor de início de inverno. A braços nus e coração encarcerado ela chamava atenção de um ou outro que a ouvia soluçar.
Nessa época ela ainda chorava. Lágrimas corriam assim como o coração batia. Hoje? Hoje não. Hoje as lágrimas são consumidas pelo medo de serem vistas, soluços são controlados pelas aparências.
Não, ela já não chora mais. Sua vil força, vã força, fútil e dissimulada força a protege de ser identificada. Já ninguém a percebe.
O inverno continua a chegar, mas seus braços não estão mais nus. Seu coração porém, permanece encarcerado.
Tábata Mori, ao vivo
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Expressão
Tags: Lágrima, Solidão