29/07/2009 - 22:45
O que há par ao resto de nossas vidas?
O que há para haver? Resto é resto. É isso.
Se o Sol* fosse eterno, não teríamos a lua, nem as estrelas, nem o Café Expresso.*
Por que alguém quer algo por tanto tempo?
Esta edição poderia ser: “que seja eterno enquanto dure”, mas esse chavão é tão piegas. Está como a primeira edição de Bundas – guardando com os devidos cuidados, o charme do Café – todo mundo quer falar da mesma coisa. Eu também.
Não, não vou falar de Café Expresso, vou falar de “para o resto de nossas vidas…”.
Estou pensando. Poderia ser: “até que chegue a morte”, mas acho que não é uma boa para chamar a atenção do leitor.
Sabe quem deu essa idéia? O nosso editor, numa terça-feira no Teatro do Sesi [Paulista, em SP].
Eu fico aqui escrevendo bobagem quando tenho que escrever meu texto sobre o tema. Ahhh, o tema. Vou confessar. Escrevi um texto sobre “dezoito anos, diferente do resto de nossas vidas”. A concordância é legal, mas o texto nem tanto. No final é tudo igual mesmo, aprendemos coisas novas, sempre temos o novo momento mais feliz de nossas vidas, ou o mais triste. É assim mesmo.
A questão é que é o prazo final e eu não entreguei meu texto, sinceramente acho que o editor nem quer mais.
Eu continuo achando que resto é resto, não importa. Já “nossas vidas” é interessante: Nascemos, crescemos, reproduzimos e morremos. Pelo menos é o que diz o professor de biologia. Às vezes penso se a vida dele é tão chata assim.
A vida deve ser mais ou menos assim: Nascemos. Brincamos, sorrimos, choramos, evoluímos. Conhecemos pessoas, amamos, brigamos, dizemos adeus. Fazemos, sorrimos e choramos novamente, brincamos, descobrimos, nos transformamos. Crescemos. Fugimos, voltamos, nos perdemos, caímos e levantamos. Crescemos de novo. Reproduzimos. Amamos, corremos… Envelhecemos. Brincamos novamente, dizemos novo adeus, pintamos e rasgamos. Costuramos, rejuvenescemos e cantamos…
Amar, chorar e sorrir, é um ciclo. E será assim para o resto de nossas vidas.
p.s.: Na verdade, acho que alguém se enganou, é mais que um resto.
Tábata Mori – Café Expresso: Para o resto de nossas vidas. Julho de 1999 – São Paulo – SP
* O Café Expresso foi um jornal publicado por mim, Barrox e Lílian Alves durante o ano de 1999. Ele teve duas edições como revista e depois fechou. O Café Expresso substituiu o Sol, um outro jornal também da Blow-Up Comunicação. A edição de julho de 99 foi a primeria a ser temática, com o tema: par ao resto de nossas vidas.
Eu escrevi “18 anos: diferente do resto de nossas vidas”, um texto horrível e cafona. Tranquei-me no quarto enquanto o Barrox fazia a diagramação. Meu texto foi o último a ser entregue, mas até que ficou bom.
Não tenho nenhuma edição completa do Café Expressso, pois minha mãe jogou todos os exemplares fora.
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ex-pressão, Expressão
Tags: Morte, Significado, Tempo, Vida
15/07/2009 - 07:44
Quatro horas e quarenta e cinco minutos. O celular despertou. Durante os 15 minutos seguintes eu pensei se valia pena essa coisa de ser contra a privatização da saúde e não ter plano médico. Não porque eu acordo pensando em política ou se hoje a sociedade será melhor atendida, não! Eu gosto de dormir. É isso. eu confesso, pensei em deixar minha ideologia de lado por “mais cinco minutinhos”.
Como eu já tinha acordado e ficaria com a consciência pesada de dormir menos de duas horas e ter que esperar mais uma semana para marcar o clínico geral, decidi levantar.
Às 5 horas eu tomei um banho rápido, coloquei roupa de frio, peguei a chave do Chico Bento – o fusca da minha amiga Luiza – e segui para a Policlínica. Tive medo de chegar e ter que esperar do lado de fora de um portão fechado, talvez sozinha. Mas, se eu fui cedo porque a fila era grande, na verdade, essa preocupação eu não deveria ter.
Para minha surpresa o portão estava aberto. Inclusive, o funcionário público já estava lá distribuindo fichas. Mas, a primeira coisa que me chamou a atenção não foi a luz acesa e alguém na recepção, mas sim uma fogueira com pouca madeira e muito papelão que esquentava as mãos frias de alguns cidadão viçosenses, que, assim como eu, só queria marcar uma consulta.
Eu acho que algumas coisas no atendimento não são práticas como poderiam. No posto de saúde, eu tinha que chegar 6 ou 6h30 para ficar na fila. Eles só entregavam as senhas (número de vagas) às 7h30 e as consultas só eram marcadas a partir das 8, 8h10. Eu achava isso ruim, pois perdíamos muito tempo, sem garantia de sermos atendido. Na Policlínica não. Assim que cheguei eles me entregaram a senha. Ufa! vaga garantida. Por volta de 6h10 eles colocaram duas mesas embaixo das placas com os nomes dos cinco médicos que iriam atender nessa semana. Cada paciente foi para a sua fila, 10 minutos depois, começaram a marcar. Até 6h40, todos já tinham sido atendidos e poderiam ir trabalhar, levar o filho para a escola ou qualquer outra atividade do seu dia normal.
Quando chegou a minha vez, descobri que estava sem qualquer dos meus documentos, inclusive a carteira de motorista. Infelizmente, tive que voltar para casa para buscar meu RG. Graças ao Chico Bento, isso não demorou mais que 20 minutos. A princípio eu achei que o recepcionista não tinha porque me fazer voltar, pois não sabia a que distância eu morava, se estava a pé, de bicicleta ou de carro, nem nada sobre mim. Mas, as coisas estavam indo tão bem que decidi manter o dia agradável. Quando voltei com o documento, ele tinha acabado de atender a todos e me recepcionou de novo. Ao final, com um sorriso, disse: “‘Não esquece mais o documento não hein!”. Eu, igualmente com um sorriso, respondi: “Pode deixar!”
Essas três horas desse meu dia que promete ser longo já renovaram minha esperança no serviço de saúde pública e reforçaram o meu desejo de fazer algo mais além de não ter plano de saúde. Uma das idéias é entrar no Conselho Municipal de Saúde, formado, também, por cidadãos viçosenses. Esse é meu próximo desafio e qualquer novidade, eu aviso!
Tenho outras coisas para falar, mas vai ficar para a próxima Saúde Crônica.
Tábata Mori, ao vivo
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Saúde Crônica
Tags: Realidade, Sociedade, Viçosa