iG
iBest BrTurbo

Arquivo de junho, 2009

27/06/2009 - 19:07

Linhas no offset

São apenas linhas que correm pelo offset. Não são sonhos, não são mãos. Não são pessoas com significado, desejos, medos e carências. Nem sei quem são.

Do outro lado – na outra página – já não sou eu. Sinto sua falta! Sinto falta de algo. Queria ter dito e quem sabe te beijado mais uma vez.

Fotografias coloridas com memórias em pretoebranco. Jornal da Praça com Café Expresso. Rápida lembrança… breve. Quem quer saber.

E-mail não lido. Olhos fechados. Tudo que não foi dito. Tudo que ainda vive dentro de mim.

Agora eu corro. Minhas mãos às vezes tremem. Vez ou outra eu penso em você. Nada que está no offset pode mudar o que não foi.

Que bom que foi diferente. Que foi sem você e você sem mim. Que bom que você se foi. Não vou ter que dizer mais nada. Se necessário, palavras correrão pelo offset.

Primeira prova. Revisão. Impressão em standart. Capa colorida. Fotografia de capa. Produção. ArteDiversãoAmorPoesiaCoisasQueSempreQuisSaberMasNãoTinhaCoragemDePerguntar.

Blow. Me sinto Up eu já dizia.

Na praça. Na cama. Na rua. Com ou sem você. É algo que eu já não quero mais.

Fugi de casa. Não olhei pra trás. Me esqueci de você. Fui embora! Não disse adeus. Sentei na calçada e chorei quase um dia inteiro. Nunca mais voltarei.

Um dia quem sabe sentarei na praça de novo. Contarei história. Comerei um doce. Ouvirei uma música e me lembrarei de você.

Um dia quem sabe a gente se vê. Eu tiro um retrato seu e você sorri para mim. Sem beijo. Sem palavras. Sem medo. Sem mágoa.

Linhas no offset não vão mudar nada agora. Não vou imprimir como está. Não até sangrar tudo. Não enquanto o acabamento for péssimo. Não até indicar que é petroebrancoemcores. Não até terminar a arte, pensar nos custos e fechar o arquivo. Ainda que hoje em dia seja muito mais fácil fechá-lo.

Não ainda não. Ainda não posso. Ainda não consigo.

Quem sabe… as linhas no offset ficarão registradas apenas na memória de um diagramador.

Tábata Mori, 26 de junho de 2009, 22h33

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ex-pressão, Expressão Tags: , ,
18/06/2009 - 23:31

Tempo demais

Apagarei todas as pegadas do que foi até aqui.
Sentarei e chorarei!
Sim, chorarei!

Uma vez e mais uma!
Choraria agora, mas agora escrevo.
Choraria agora!

Apagarei mais uma vez.
Mais um engano.
Mais um tez nua no inverno de Viçosa.
Esta também apagarei. E então…
Nunca mais chorarei pelo mesmo motivo.

Cansei!
Nunca mais esperarei.
Nunca mais crerei.
Sim, nunca mais.

Nunca mais ouvirei músicas felizes
e ficarei feliz com elas.
Apenas fingirei.
Talvez eu erre nesse caminho.

Talvez… provável demais!

Talvez eu volte.
Talvez, nunca mais outra vez!

Nunca mais irei ao cinema e sentarei ao seu lado!
Nunca mais talvez!
Nunca mais atenderei o telefone
e ficarei ofegante
e tremerei
e rirei.

Nunca mais!
Nunca mais provável demais!

Cansei de esperar.
Nunca mais esperarei.
Nunca mais confiarei.
Nunca mais talvez não dure tanto assim.

Tábata Mori, ao vivo

 

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Expressão Tags: , ,
04/06/2009 - 23:22

im_positiva_mente

Quase todas as minhas negações são impositivas.
Quase tudo que imponho é negativo.
Não sei porquê sempre quero não querer. Sei dos meus medos e, às vezes, não vivo.

Tudo que imponho a mim é um tanto quanto estrangulativo.
Percebo vontades erradas. Percebo as boas. Mas nego.

Nego-me o direito de ter. Sim, tenho medo de perder
de não querer… por inteiro. De não merecer… de fato.

Eu olho eu vejo. E corro. Eu quase morro todas as vezes que eu não te tenho.
Morro um pouco a cada pensamento, a cada censura,
a cada medo, a cada beijo que não dei, a cada abraço perdido.

Morro… um tanto quanto impropriamente.
Morro… um pouco de corpo, um pouco de mente… até mentir para o meu coração.
Corro
até restar pensamento algum… completamente.

Eu choro também. Mas em silêncio…
A “dor vai fechar esses cortes”.
Meu silêncio dura a noite inteira
e de manhã eu esqueço. Um pensamento ou outro vem durante o dia,
mas nego… novamente.

E assim vou.
E assim fico.
Por isso estou… um tanto impositivamente
sem você.
Um tanto quanto incompletamente
talvez até ausente… plenamente ausente!

De vez em quando eu lamento. E o silêncio às vezes dura a noite inteira.
Às vezes eu te vejo. E o silêncio dura um pensamento.

Vez ou outra o silêncio volta durante o dia… e será assim até eu ser
Plenamente.
Completamente.
Talvez, quem sabe… impositivamente.

Tábata Mori, 03 de junho de 2009.
Shopping Calçãdão, aguardando os amigos para irmos ao cinema.
Querendo um choconhaque e ouvindo música ao vivo.

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Expressão Tags: , , , ,
Voltar ao topo