Perdida na memória

Era uma vez um menina. Eu não me lembro muito dela, mas eu a conhecia bem.
Estou tentando me lebrar de como ela vivia, o que pensava, o que sentia. Estou tentando me lembrar o que ela sentia pela sua mãe: segura, bem, feliz? Não sei. Não me lembro.
Era uma vez uma menina que não existe mais. Em lugar algum da minha memória eu consigo vê-la, contemplá-la, conhecê-la. Ela simplesmente sumiu.
Era uma vez e hoje já é outra menina. E, teoricamente, uma não tem nada a ver com a outra. Mas não sei, não me lembro. É como se um vazio preenchesse aquilo que chamamos de infância.
Eu não me lembro nada de sua mãe. Nada. Sei que ela existia, mas não me lembro se ela era brava, carinhosa – isso eu acho que não -, se era alegre e feliz. Se era triste. Não me lembro que comidas sua mãe fazia, nem de que coisas ela gostava.
Não me lembro do seu riso, nem me lembro dos seu choro. Tento me lembrar, mas não me lembro dessa menina, nem de sua mãe.
Às vezes eu também tento esquecer, mas não consigo.
Um dia essa menina ou essa mãe vão deixar de existir. Então estará tudo perdido… em algum lugar da memória de alguém.
Tábata Mori, ao vivo
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Expressão Tags: Infância, Mãe