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Arquivo de julho, 2008

09/07/2008 - 00:55

As azeitonas

Um ex-namorado meu – que por acaso não gostava de azeitonas – me contou a teoria das azeitonas. Essa teoria defende que pessoas que gostam de azeitona encontram-se com pessoas que não gostam de azeitonas. Ou, mais ainda, nos quer fazer acreditar que as pessoas no mundo são divididas em duas categorias: as que gostam de azeitonas e as que não gostam de azeitonas. E, em algum momento, essas pessoas se encontram e são felizes.

Eu sou do tipo que gosta, e muito, de azeitonas e descobri que sempre procurei alguém que não gostasse. Recentemente estive pensando no porquê de uma pessoa tão legal como eu ainda estar sozinha. Descobri então que a culpa é das azeitonas!

Em algum período – longo – eu me lembro de ter pedido a Deus um cara que não gostasse de azeitonas e, também, que atendesse a “alguns” outros pré-requisitos. Certo dia, ouvi uma exposição viajante da carta de Paulo a Timóteo, feita pelo presidente na ABUB, Miranda, onde ele relacionou amor e serviço.

Miranda nos perguntou repetidas vezes o que buscávamos em nosso cônjuge. Que tipo de esposa ou esposo nós estávamos procurando? Em minha cabeça, embora eu não quisesse confessar, eu respondia “Um que não goste de azeitonas e atenda a aquelas poucas exigências do meu ego”. Ele perguntou mais uma vez: Vocês procuram alguém para servi-los ou alguém a quem vocês possam amar? Alguém que atenda a sua lista de exigências ou alguém a quem servir com o seu amor?

Aquilo me incomodou. Logo “eu” que digo amar com facilidade, ser cheia de amor para dar, carregava comigo um desejo utilitarista. Queria alguém que contemplasse meu desejo, que me servisse com as suas virtudes. Negro, alto, que não seja magro. Inteligente, que converse sobre teatro, música e livros. Músico! Essas e muitas outras azeitonas me separavam das muitas pessoas interessantes que eu conheci.

Mas, ao contrário do que possa parecer, as palavras do Miranda não vieram condenar ou pesar e sim, aliviar, tirar de mim um peso que não sabia que carregava. As palavras tinham sabor de descanso. Meu desejo devia ser alguém para amar. Para dar todo o amor que eu tinha e ainda não completamente explorado, experimentado.

Senhor, quero alguém para amar. Que mudança de foco! Desde então, tento me desfazer da pequena lista de pré-requisitos. Procuro um loiro ou negro, poeta ou engenheiro, músico ou não. Procuro alguém a quem eu possa servir com o meu amor. Alguém para, simplesmente, amar. E, caso a teoria esteja certa, ele não vai gostar de azeitonas.

Tábata Mori, 08/07/2008 – primeira e segunda versão.

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Expressão Tags: , ,
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