19/04/2008 - 10:01
Que falta que o seu mundo me faz! Me sinto uma ilha!
Que falta que mãos, deitar junto, comer pipoca e falar de comunicação, de Deus e do estado do homem, me faz!
Que falta me faz deitar na grama e dormir ou não.
Faz falta ter uma lugar para onde voltar!
Que falta me faz estar de bem com meus irmãos, não me irritar com qualquer coisa, não sentir falta de nada.
Que falta me faz ser feliz de verdade. Apesar das circustâncias. Apesar dos apesares.
Que falta me faz ouvir Elis, Erik, Lake & Palmer, Beatles, Mozart, e fazer almoços demorados. Que falta me faz caminhar na reta, carregar a mochila, ter para onde ir daqui a 50 minutos. Que falta me faz saber o que tenho que fazer.
Sinto falta até de ter uma vida cheia, mesmo que eu estivesse cheia dela. Que falta me faz ter vida!
Tudo me faz falta! Não é um momento específico. Um tempo específico. Qualquer coisa me parece mais atraente do que o que eu estou vivendo agora. Minha vida está um saco!
Vira e mexe tento fugir dela. Já pedi pra Deus me levar, mas ele não quis me ouvir. Talvez tenha sido um pedido egoísta.
Onde está a sua esperança?
Minha esperança está no fato de Deus existir, Cristo ter morrido pelos meus pecados e o Espírito Santo ser meu guia. Mas, minha fé é falha, por vezes ela mata minha esperança.
Sinto falta de mim mesma que a cada dia se esconde mais e mais profundamente dentro de mim, dentro do meu corpo, dentro daquilo que sou e só conheço plenamente em sonhos. Sinto falta de ser mais feliz! De falar mais a verdade, de rir verdadeiramente, de contestar e falar o que acredito que as pessoas precisam ouvir. Sinto falta que querer, falta de comer, de beber, de correr, de nadar, de escrever, de trabalhar, de sentir, de amar, de chorar, de estar, de ausentar, de cortar, de coser, de cozinhar, de assistir, de assistir a, de ir e de voltar, de me arrepender. Sinto falta de estar viva! Simplesmente, falta-me!
Tábata Mori, ao vivo???
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Ex-pressão
Tags: Lágrima, Pressa, Saudade, Vida, Você
19/04/2008 - 09:43
Olá leitor,
Você me acha feliz?
Pois eu sou feliz, mas está difícil me manter nesse estado, isto é, por muitas vezes estou infeliz. Tento lutar contra esse sentimento, mas… ele me invade, me contamina… quase que me seduz!
Não que a infelicidade seja sedutora, mas… não consigo fugir dela.
Por que não tristeza? Porque não estou triste, estou infeliz… um estado de ausência de felicidade. Ausência, essa é a palavra chave.
Estou sofrendo de ausências. Ausência de amigos também. Isso está muito complicado. Fazer novos grandes amigos depois da universidade não é a coisa mais fácil que existe.
Sinto falta do Dani, mas ele está em outro mundo… quase que literamente. Faz mestrado e mora nos EUA, namora, faz outras coisas, tem coisas mais importantes para ser do que meu amigo… é assim que as coisas caminham, eu acho!
O quinteto blá, blá, blá se desfez. E-mail a galera não manda mais. Todos trabalhando, com outras vidas, com outro ritmo. Faz parte.
Minha melhor amiga virou minha colega de república. Isso tem sido um pouco complicado. Amizade é amizade, morar junto é outra coisa! E ainda, não dá pra conversar com ela sobre isso como se ela fosse uma pessoa neutra.
Ou seja, estou ausente de amigos e até meus conselheiros estão ocupados demais. Sempre que eu procuro um amigo, ele está precisando falar e ser ouvido. Ouvir um pouco de conselhos e se distrair.
Meu psicólogo só me ouve por 45 minutos uma vez por semana.
Ou seja, estou ausente de ouvidos. Ahhhhhhhhhh! Preciso gritar, falar e dançar.
Por vezes me dá vontade de beber também. Mas, como o alcoolismo é algo bem presente na minha família, eu tento evitar.
Meu blog ajuda. Mas, sinto que estou em um monólogo. Não consigo chorar ao escrever no meu blog, nem me sinto ouvida. É isso. É assim que estou hoje.
Arrivederci,
Tábata Mori, ao vivo,
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Ex-pressão
Tags: Alma, Ausência, Felicidade, Saudade
05/04/2008 - 20:44
Esses dias estive num posto de saúde. Na verdade, um Posto de Saúde da Família. Há muito tempo eu não comparecia a um, infelizmente não pelo motivo de não ficar doente, mas porque eu era atendida pelo sistema de saúde da universidade. É um posto, porém só com estudantes e alguns funcionários da UFV… um público meio restrito.
Eu gostei muito de estar lá. Gosto de conhecer a realidade. Vê-la, senti-la, cheirá-la. Só assim consigo quebrantar meu coração com aquilo que quebranta o coração de Deus.
Eu conheço muitas pessoas que se dedicam a diminuir as necessidades de outros e/ou trabalhar por uma sociedade mais justa e igualitária. Conheço até mesmo bons escritores que pregam a igualdade ou a missão integral, a responsablidade da igreja ou as formas de desenvolvimento comunitáro. Eu mesma, recentemente, escrevi sobre este último.
Conheço muitos teóricos, mas conheço poucos teóricos que sobem morros, pegam filas, têm filhos em escolas públicas, que usam o Sistema Único de Saúde. Acho que não sei de nenhum que já passou fome, frio ou desabrigamento.
Malinowisk estava certo: o trabalho de campo é essencial! (desculpem-me pela viagem) O que isso significa? Sem a prática a teoria é rasa, superficial.
Um dia minha mãe me disse que nós [três filhas mais velhas - isso quando éramos crianças] só iríamos aprender a não jogar tanta comida fora quando passássemos fome. Quando eu passei fome, quando detectei o vazio da fome em mim, a primeira coisa de que eu me lembrei foram as palavras dela. Como se fora uma maldição. É importante informar, contudo, que enquanto eu tive fome, ela chorou por não poder me ajudar.
Mas, Deus faz a coisas do jeito certo! Das três, somente eu passei fome de verdade. Outras vezes comemos só arroz, às vezes até sem óleo. Outras vezes: arroz e sardinha. Mas, não ter o que comer, não ter emprego, não ter dinheiro, muito menos esperança, somente eu.
Na época, ou não, acho que de todas as sensações e momentos que eu já vivi, esse foi o pior. Recentemente eu pensei sobre ele e cheguei a conclusão de que o pior não foi a fome, mas sim, a falta de esperança. Ainda assim, considero a fome a pior coisa do mundo. Pior do que a dor!
Bom, falei tudo isso porque fui ao posto de saúde essa semana e vi a burocracia da saúde ser vencida por pessoas dispostas a servir. Elas me serviram, inclusive. Eu fiquei feliz. Fui pensando em encontrar uma razão pela qual deveria lutar, na minha cabeça, a primeira seria por um bom atendimento, está já está vencida.
Foi uma terça-feira. Você tem que ir na quinta para marcar a consulta em algum dos dias da semana. Era minha primeira vez. Não tinha cadastro e o agente de saúde nunca tinha me visto em casa, mas, consegui ser encaixada. Eu perdi meus óculos e a dor de cabeça me obrigou a ir logo ao médico. Eu deveria passar no clínico geral que me encaminharia para o oftalmologista… o que demora um outro tanto para acontecer, é verdade!
Enquanto esperava. Vi um senhor chegar com um exame e pedir para ser atendido, sem ter marcado. Vi uma mulher chegar com um bebê de colo e uma linda menina, peraltinha de tudo. O bebê é quem seria atendido. Vi uma mulher chegar já por volta de 9:30h, com seu filho de uns cinco anos. Ela precisava de um médico pois tinha sido chamada na creche porque ele estava com crise de asma.
Comecei a imaginar aquelas vidas. Tantas e tantas histórias reais, diárias. Imaginei que aquela recepcionista do posto, todos os dias, tinha que encaixar pessoas que, como eu, precisavam ser atendidas.
De repente eu fiquei muito feliz por estar lá. Feliz por passar quase três horas no posto de saúde e dedicar aquele tempo para ver a realidade. A vida como ela é.
A vida brasileira não é de planos de saúde, escolas particulares, etc. É de pessoas que saem do trabalho para levar seus filhos no médico. De mães que perdem o dia para conseguir um injeção que a filha tem que tomar até hoje. De senhores que precisam mostrar seus exames para os médicos. De mulheres grávidas, de crianças peraltas, de boas recepcionistas.
Gostei de perceber que a realidade é mais humana do que me lembrava. Fiquei feliz sim. É verdade que minha consulta foi mais bem sucedida do que eu esperava. Mas, meu dia foi muito bom!
Tábata Mori, ao vivo
Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Ao vivo, Saúde Crônica
Tags: Antropologia, Realidade, Sociedade