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Arquivo de junho, 2007

29/06/2007 - 18:49

Conto crônico

Mais uma quinta-feira

Ela saiu devagar. Não queria acordar ninguém. Pegou sua bolsa cheia de cacarecos, sua mente cheia de coisas para fazer e alma pesada pelo processo que passava.

Quando chegou ao ponto viu um rapaz de olhos verde-bonito, casaco
preto… “é está frio!”, lembrou ela. O calor do olhar não se sustentou além do décimo segundo, até o ônibus chegar.

Ela sentou-se do lado direito de onde via o sol nascer. Era manhã! Mais um dia! Mais um… apenas mais um! Nada de diferente iria acontecer ou desacontecer. Seria tudo normal. Mais uma quinta-feira.

Às vezes a gente se engana, mas ela não se enganou. O trajeto foi feito e alma pesada foi deixada de lado e a mente cheia de coisas para fazer tomou conta: pedir para o chefe assinar antes de sair, ligar para
transportadora e confirmar… almoço às 13, passar na lavanderia…

(sinal)
tok, tok, tok, tok, tok, tok

- Bom dia!
- Bom dia senhorita!

Sim, ela era solteira! Caminhou para a sua sala. O chefe assinou, a
transportadora concordou, o almoço aconteceu e a roupa secou! Mais uma quinta-feira!

Saiu. Esqueceu um pouco da mente, encheu-se de alma. De repente,
chorou! O ônibus parou, as pessoas olharam, ninguém se aproximou! “Ela precisa ficar só”, todos pensavam.

“Não!”, ela pensava. Estava cansada de ficar só. Mas nada poderia
mudar. Era só mais uma quinta-feira. Coberta de soluços, porém uma
quinta-feira.

tok, tok, tok…

Chegou em casa. Acendeu a luz. Tirou a roupa, andou nua pela casa como se procurasse algo, deu-se por vencida. Tomou um banho demorado. As lágrimas se foram com a ducha!

Faltava alguém. Não se sabe quem, não se sabe de onde. Mas, não faz
diferença. Só lhe restava dormir, pois amanhã… amanhã será apenas
mais uma sexta-feira.

Tábata Mori, ao vivo

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Sem categoria Tags:
28/06/2007 - 12:14

Expressão

Eu

Senti o interior do meu interior,
conheci-me do avesso!
Percebi-me…
É impossível!

sentir-me
sem sentir sua falta!
Ah, saudades! sai de mim!
Desapaixona-me!

Entrei e permaneci,
tão dentro, tão íntimo
que nãoo consegui sair!
Ainda estou lá…

Pensando em voc~e!

Mas vou esquecer!
desapaixanor-me!
Preciso!
Ou não, já¡ nem sei…

Se preciso de mim por inteira
ou se preciso ser metade você!

É difícil!
Não consigo te ler!
Saber o que você diz com as mãos,
com os olhos, com a boca!
Nem mesmo com a voz!

Você se esconde entre-linhas
Não me deixar saber!
Se proteje com metáforas!
Não me faz entender!

Você é tão desconhecido!
Tão… poéticamente desconhecido!
ao mesmo tempo em que foi empiricamente apropriado
por todo o meu ser!

É, talvez você me faça saber…

Ou não, já nem sei…

Tábata Mori, ao vivo.

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/06/2007 - 15:10

Oração

Bênção Franciscana

Que Deus te abençoe com um desconforto inquietante sobre as respostas fáceis, as meias verdades e as relações superficiais, para que possas buscar a verdade corajosa e viver profundamente em teu coração.

Que Deus te abençoe com sagrada raiva à injustiça, à opressão e à exploração de pessoas para que possas trabalhar incansavelmente pela justiça, liberdade e paz entre todas as pessoas.

Que Deus te abençoe com o Dom de lágrimas para derramá-las com aqueles que sofrem de dor, rejeição, fome ou a perda de tudo aquilo que eles amam, para que possas estender a mão para lhes dar conforto e transformar a sua dor em alegria.

Que Deus te abençoe com a tolice suficiente para que creias que realmente podes fazer diferença neste mundo, para que possas com a graça de Deus, fazer aquilo que os demais insistem ser impossível.

E que a benção de Deus, Suprema Majestade e nosso Criador, Jesus Cristo, a Palavra encarnada que é o nosso irmão e Redentor, e o Espírito Santo, o nosso Advogado e Guia, seja contigo e permaneça contigo e com todos, hoje e para sempre. Amém.

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/06/2007 - 15:07

Expressão

Jeito Tábata de ser!

Um jeito toda assim, como dizer…
Tábata de ser!

Sincera… esse é meu forte!
Nem sempre sou bem recebida, mas, fazer o quê!

Sou assim, gosto de assado, falo mesmo e não me calo!
Dou gargalhada, gosto de dançar,
faço palhaçada até a festa acabar.

Acabar… acabando, sempre estou lá…
Ficar ficando, deixo tristeza para trás
Dançar ou dançando, fazer o quê!
Esse é o MEU jeito Tábata de ser!

Tábata Mori, hoje

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/06/2007 - 10:13

Poesia

Perpetua-me

Faz-me perpetuar
Cobre-me com teu ser
Faz-me viver
Eternamente e internamente…

E quando coberta apenas por rósea cor
Perpetua-me!

Interna-me em sua mente…

Quero existir em seus braços
Conhecer-me em sua pele
Sentir-me em você
Perpetua-me!

Não posso desaparecer…
deixar… des-existir…
Vem perpetuar-me com seu ser

Eternamente!

Perpetua-me!

Tábata Mori, ao vivo

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/06/2007 - 08:51

Poesia

Recomeçar
Uma homenagem ao meu amigo
Sebastião Júnior

Já era tempo de voltar!
Tempo de recomeçar
Já era e ainda é…
Sempre é tempo

Sempre, contudo,
É muito tempo
Para se voltar atrás
Mas já era e ainda é

Recomeçar!

Voltar é mais difícil
Mas ainda há tempo
Voltar atrás é pleonasmo
Ainda assim é necessário

Ainda que difícil… recomeçar!

Pleonasmo ou não,
É tempo de olhar
Já se faz tarde
Muito tarde para voltar

Atrasado ou pontual
O ponto não é esse
Recomeçar é preciso
Navegar também

Ainda que para trás!
Voltar…
Sempre…
Recomeçar!

Mais e mais,
Uma vez, duas ou três!
Recomeçar!
Tarde ou mais tarde!

Recomeçar!

Tábata Mori, ao vivo

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/06/2007 - 17:09

Poesia alheia

Autopsicografia
Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Autor: Tábata Mori - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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