O diretor fantasma
Cambada, sei que a onda agora é falar de “a origem”, novo filme do Chris Nolan (responsável pela nova série de filmes do Batman e autor de um dos melhores filmes da última década, Amnésia) mas esse eu ainda vou ver e posto depois, ok? Hoje vim falar de outro filme que vi e da decepção que é ver a decadência criativa do franco-polonês Roman Polanski. Isso porque fui ver o seu premiado e mais recente o escritor fantasma (the ghost writer), exibido com alarde em Cannes, por qual motivo não sei, pois é uma prova cabal de que Polanski anda, para usar uma lulística metáfora, jogando com o nome.
Anos atrás, eu considerava Polanski um dos mais criativos diretores do cinema contemporâneo. Ousado, sempre disposto a dar um passo a frente e chocar (como fez no impactante o bebê de rosemary, por exemplo) , mostrando a queda do diretor por personagens jogados no olho do furacão e sendo tragados por uma máquina maior e muito além de sua compreensão. Esse esquema se mostra em filmes travestidos de suspense ou policial, como no ótimo Chinatown ou naquele que eu considero o melhor filme dos que vi dele, o excepcional o inquilino , em que ele mostra toda a sua inventividade com poucos recursos.
E ele continuou seu caminho desse modo, mas passou a suavizar e a contemporizar, e ganhou seu Oscar com O pianista, que segue o mesmo esquema de jogar o protagonista em meio a acontecimentos que não pode controlar, mas desta vez sem grande ousadia, aposntando em uma narrativa mais linear. E neste mais recente o escritor fantasma o diretor parte de uma boa ideia, com base em um romance de Robert Harris, cerca-se de um elenco competente, Ewan McGregor à frente e o ótimo Tom Wilkinson no apoio, tudo isso para contar a trajetória de um ghost writter contratado pela equipe de um político (Pierce Brosnam, canastrão como sempre e fazendo referência explícita ao ex primeiro ministro Tony Blair) para terminar a biografia deste, após a morte do escritor anterior em circunstâncias misteriosas. Todas estas peças colocadas no tabuleiro, o espectador imagina que verá um grande filme de suspense, digno do mestre Hitchcock. Mas não é o que acontece.
O filme é fraco, demora a engrenar e engrena pouco. E isso porque faltam duas coisas: um roteiro mais coeso, pois esse acaba se perdendo em subtramas que parecem pequenos esquetes de suspense e não se correspondem no final. E também falta Polanski aparecer para dirigir o filme, pois qualquer diretor menos inspirado que ele poderia ter feito o mesmo filme. Aqui o polonês comete o mesmo erro que em outro filme seu, o fraquinho busca frenética, onde ele tenta dar uma de Hitch dirigindo o Harrison Ford, filmeco que só serviu para mostrar a então mulher do diretor a belíssima Emannuelle Seigner (que era péssima atriz e, merecidamente, sumiu das telas depois desse filme). E aqui novamente Polanski quer ser Hitchcock, mas ele não é Hitchcock e seu suspense trabalha muito melhor quando ele ressalta o psicológico das personagens, o que não acontece neste filme.
Enfim, enquanto alguns diretores como Clint Eastwood parecem mais novos quanto mais envelhecem, outros sofrem de decadência precoce, como ocorre com Polanski, que fica recorrendo a fórmulas desgastadas e ainda o fazem com nítido desinteresse, como nesse o escritor fantasma, que já acendeu a luz amarela quanto ao sumiço da criatividade desse ótimo diretor.
É isso, cambada, eu volto a qualquer hora para falar de a origem, ok?
Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Salve, meu caro. Pra variar perdi seu e-mail então vou mandar o recado por aqui mesmo. Na quarta, dia 08, lançamento do livro “(SIC)” lá no Vila Dionínio, a partir das 19h30, Apareça!!!! http://blogdoorlandeli.zip.net/
Oie!
tá sumido, hein?
vc deve uma crítica de Tropa de Elite 2 …