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13/08/2010 - 11:28

O diretor fantasma

ghostwriter_101Cambada, sei que a onda agora é falar de “a origem”, novo filme do Chris Nolan (responsável pela nova série de filmes do Batman e autor de um dos melhores filmes da última década, Amnésia) mas esse eu ainda vou ver e posto depois, ok? Hoje vim falar de outro filme que vi e da decepção que é ver a decadência criativa do franco-polonês Roman Polanski. Isso porque fui ver o seu premiado e mais recente o escritor fantasma (the ghost writer), exibido com alarde em Cannes, por qual motivo não sei, pois é uma prova cabal de que Polanski anda, para usar uma lulística metáfora, jogando com o nome.

 

Anos atrás, eu considerava Polanski um dos mais criativos diretores do cinema contemporâneo. Ousado, sempre disposto a dar um passo a frente e chocar (como fez no impactante o bebê de rosemary, por exemplo) , mostrando a queda do diretor por personagens jogados no olho do furacão e sendo tragados por uma máquina maior e muito além de sua compreensão. Esse esquema se mostra em filmes travestidos de suspense ou policial, como no ótimo Chinatown ou naquele que eu considero o melhor filme dos que vi dele, o excepcional o inquilino , em que ele mostra toda a sua inventividade com poucos recursos.

E ele continuou seu caminho desse modo, mas passou a suavizar e a contemporizar, e ganhou seu Oscar com O pianista, que segue o mesmo esquema de jogar o protagonista em meio a acontecimentos que não pode controlar, mas desta vez sem grande ousadia, aposntando em uma narrativa mais linear. E neste mais recente o escritor fantasma o diretor parte de uma boa ideia, com base em um romance de Robert Harris, cerca-se de um elenco competente, Ewan McGregor à frente e o ótimo Tom Wilkinson no apoio, tudo isso para contar a trajetória de um ghost writter contratado pela equipe de um político (Pierce Brosnam, canastrão como sempre e fazendo referência explícita ao ex primeiro ministro Tony Blair) para terminar a biografia deste, após a morte do escritor anterior em circunstâncias misteriosas. Todas estas peças colocadas no tabuleiro, o espectador imagina que verá um grande filme de suspense, digno do mestre Hitchcock. Mas não é o que acontece.

O filme é fraco, demora a engrenar e engrena pouco. E isso porque faltam duas coisas: um roteiro mais coeso, pois esse acaba se perdendo em subtramas que parecem pequenos esquetes de suspense e não se correspondem no final. E também falta Polanski aparecer para dirigir o filme, pois qualquer diretor menos inspirado que ele poderia ter feito o mesmo filme. Aqui o polonês comete o mesmo erro que em outro filme seu, o fraquinho busca frenética, onde ele tenta dar uma de Hitch dirigindo o Harrison Ford, filmeco que só serviu para mostrar a então mulher do diretor a belíssima Emannuelle Seigner (que era péssima atriz e, merecidamente, sumiu das telas depois desse filme). E aqui novamente Polanski quer ser Hitchcock, mas ele não é Hitchcock e seu suspense trabalha muito melhor quando ele ressalta o psicológico das personagens, o que não acontece neste filme.

Enfim, enquanto alguns diretores como Clint Eastwood parecem mais novos quanto mais envelhecem, outros sofrem de decadência precoce, como ocorre com Polanski, que fica recorrendo a fórmulas desgastadas e ainda o fazem com nítido desinteresse, como nesse o escritor fantasma, que já acendeu a luz amarela quanto ao sumiço da criatividade desse ótimo diretor.

É isso, cambada, eu volto a qualquer hora para falar de a origem, ok?

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
03/08/2010 - 11:53

Invictus

Como definir, em tempos como estes que vivemos, de fronteiras diluídas, em que as pessoas se isolam cada vez mais dentro de seus casulos, tempos nos quais o individual se sobrepõe ao coletivo, como definir a construção ou a reconstrução do que se costuma chamar de nação?

Pergunta essa de difícil resposta, pois para mim responder a esta pergunta implica em enumerar uma série de argumentos de ordem subjetiva e que podem ser facilmente contestados, mas de todo modo não vou fugir da raia, acreditando que o cinema, neste caso, me auxilia: o que nos define como nação, para mim, consiste principalmente na superação de adversidades de todo tipo, ambientais, políticas e sociais. Mas também e principalmente, o que nos define como nação é a capacidade de receber o mal, perdoar e seguir em frente. Algo difícil, admito, mas que pode fazer toda a diferença.

Meu fiel leitor, já extasiado com esta minha tentativa de subir no caixote e fazer discurso, deve estar se perguntando o que, afinal de contas, estou querendo dizer, bem como porque o cinema vai me ajudar nessa. Bem, para quem não conhece ou não é muito afeito ao gênero, deve ficar claro que os faroestes, especialmente os mais antigos, tiveram esse papel nos EUA do pós depressão anos 30 e, mais que isso, dentro da forma seguida por grandes diretores como Howard Hawks (Rio vermelho, Rio Bravo) e George Stevens (assim caminha a humanidade), revelou alguns dos maoires talentos da telona e criaram um universo peculiar, de um país desbravado e conquistado a custa de muito sangue e superação. Esqueça a história que realmente ocorreu, que incluía massacre aos índios nativos da região e muita usurpação, estou falando da construção de um país pelo seu imaginário, pela versão dos vencidos. É pouco, eu sei, mas é isso que temos em matéria de arte.

E nesse tipo de filme, para mim, ninguém supera o grande John Ford, o maior diretor de faroestes que o cinema já viu. Ele foi o grande mestre na construção desse gênero que relevou a um país, no presente, a cara que deveria ter no passado de superação e conquista, com filmes inesquecíveis como “rastros de ódio”, “no tempo da diligências” (que deu o Oscar de melhor ator ao parceiro de muitos filmes e amigo John Wayne), “as vinhas da ira”, “depois do vendaval”, dentre muitos outros. Ford era considerado por muitos um reacionário, que teria fechado os olhos à versão dos vencidos na história da construção do sonho americano. Mas ele não está sozinho nessa turma e cinema alienado não é privilégio de americano.

Com tudo isso chegamos ao presente para dizer que finalmente assisti a “Invictus”, de Clint Eastwood. Para mim, não é o melhor do velho diretor e está longe, inclusive, de seus trabalhos mais recentes, como “Gran Torino”. Mas ainda assim é um belo filme, com um Clint menos amargo, mais leve, em clima de alto astral, bela fotografia e grandes atores, Morgan Freeman à frente. Mas um Clint menor ainda é mais do que muito diretor vai conseguir em seu dia mais inspirado. O que importa, no caso, é que o grande Clint, ao mostrar o mais recente caso de reconstrução de uma nação e aproximação dos opostos pelo poder catártico do esporte, terminou fazendo um faroeste disfarçado. Assim, mesmo que por uma vez, o grande Clint, nascido no ambiente quase sobrenatural dos faroestes spaghetti de Sergio Leone, sempre focado mais nos tipos que no ambiente, por um dia foi John Ford e fiquei com a impressão de uma bela homenagem que desconfio, embora não possa provar, seja proposital.

“Invictus” é belo, portanto, não apenas pelo que mostra, com cenas tocantes e muito bem filmadas, que ficariam piegas com um diretor inferior, mas também pelo que não mostra mas toca em todos nós, na reconstrução de um país que se inicia no poder do perdão e na superação de um ódio ancestral criado e sustentado por um dos mais detestáveis regimes de segregação que a humanidade já conheceu. Mandela, um dos homens mais inteligentes que já vi em ação, sabia e sabe que somente isso não é suficiente para a ascensão de um país, mas se dispôs a dar o primeiro passo, o que já é melhor do que nada. E esse grande filme, embora não seja capaz de abarcar a história como um todo (como acredito que nenhuma obra de arte o seja), escolher focalizar um momento de união e início de superação de diferenças, nem que seja em torno de  jogo.

Enfim, “Invictus” vale cada minuto da atenção que se puder dispensar, é história e construção do imaginário de uma nação disfarçado de diversão, como o eram os faorestes do grande Ford. Nem tudo está perdido no cinema, ainda!

Por hoje é só, já escrevi muito, volto a qualquer hora.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
26/07/2010 - 22:21

O cinema brasileiro é mal-amado

Como é bom estar de férias! Mordam suas entranhas de inveja, mortais! Em plena segunda feira à tarde, fiz um programão. Chamei minha mãe para ir no cinema assistir a “o bem amado”. E, mãe, se você estiver lendo meu blog (o que eu já disse para ela fazer tantas vezes e acho que ela não faz, acho que é até melhor a própria mãe não ler o que a gente escreve), fique sabendo que a sua companhia foi o melhor da tarde, viu? Qual é, gente, o meu aniversário tá chegando e preciso garantir o meu! Brincadeira à parte, abri esse post para falar não somente do filme, mas do estado de indigência mental do nosso cinema.

Antes de apertar o gatilho contra o filme que vi, já me justifico pelo que vou escrever dizendo que talvez não conheça o que de melhor esteja sendo feito em matéria de cinema brasileiro, o que, para mim, seria outro sintoma da falta de um cinema forte entre nós, pois o melhor não estaria chegando aos cinemas, pelo menos de grande circulação. O que nos resta, então, é essa onda de emulação do que a nave-mãe produz na tv para a telona, bem outras produções bancadas pela produtora de cinema da referida emissora de tv. E quando vejo que são estas as opções, tenho um péssimo pressentimento, que se confirma em produções que são, no máximo, boa distração, como a série “se eu fosse você”, “a grande família” e, agora “o bem amado”, que fui assistir hoje, um filme fraco e que perde, em todos os setores, para o seu original televisivo.

A começar pelos expedientes narrativos adotados por Guel Arraes, o diretor (que também fez os ótimos “auto da compadecida” e “lisbela e o prisioneiro”), que escolheu varrer toda a complexidade alegórica do texto de Dias Gomes, origem das personagens, mesclando as tramas políticas da fictícia Sucupira com as do mundo real da época em que os textos foram escritos, cheios de narrativa em off  e explicações didáticas, tratando o espectador como uma ameba sem noção de história (talvez alguns sejam mesmo). Para completar, esvaziou a maior parte dos tipos de Sucupira de sua carga caricatural, que era tão eficiente na telinha, em favor de um maior “realismo”, sendo o seu maior erro neste sentido trocar o legítimo furor sexual das irmãs cajazeiras, disfarçado de fervor religioso, na telinha, por uma busca desesperada por marido na telona.  Ou a transformação do divertidíssimo Zeca Diabo de Lima Duarte em um matador pseudosinistro com consciência social (!!) na pele de um constrangido José Wilker.

Poderia enumerar outros erros cometidos ao longo do filme, mas tudo se resume a um grande erro, o principal: “o bem amado” é um filme fraco porque tentaram trazer a alegórica sucupira para perto do mundo real.  Grande erro mesmo, porque na tv a simbolização extrema de Dias Gomes tornava tudo irreal, perto do realismo mágico, mas o espectador não é burro e sabe que tanto absurdo e fantasia mais aproximam o que está sendo visto do caos que imperava à época da exibição da novela. O pessoal da nave mãe, hoje, pensa que todo espectador é tapado e tenta entregar tudo o mais “mastigado” possível.

Sei bem que pode parecer ( e talvez seja) perda de tempo falar de um filme assim, que provavelmente vai ter pouco público e que nem deve se pagar. Mas o pessoal que produz cinema no Brasil atualmente, pelo menos os que tem mais dinheiro, poderiam apostar em filmes mais ousados e com roteiro mais bem produzido, coisa que anda em falta nos filmes produzidos pela nave mãe. Nessas horas vejo o quanto estamos atrás de nossos hermanos , que andam fazendo cinema de muito melhor qualidade atualmente (vide o segredo de seus olhos, que já comentei em post anterior), bem como de muitos outros lugares do mundo, como Alemanha e Coréia. No entanto, estamos entrando em um caminho perigoso, tentando virar uma hollywood latina e, pior, trilhando o mesmo esvaziamento mental que hoje impera nos EUA, um processo de “imbecilização” que devemos evitar a todo custo.

Por fim, para não acharem que só tem filme brasileiro ruim, recomendo, além dos já citados “auto da compadecida” e “lisbela e o prisioneiro”, mostra de que o cinema pode ser divertido e leve, com bons diálogos, também dois outros filmes de quem considero o melhor cineasta brasileiro em atividade, Beto Brant: “matadores” e “o invasor”, dois filmes agressivos, viscerais, baseados em textos de Patrícia Mello. Brant ainda é capaz de fazer cinema de qualidade no Brasil. A pergunta é: até quanto o dinheiro vai deixar? Afinal, é ele que manda mesmo. Em cenário de tamanha estupidez e ganância, até o grande Odorico Paragaçu pensaria em abrir uma produtora de cinema, afinal, dinheiro do estado não vai faltar.

E chega de entretantos, chegamos aos finalmentes. Bye.

P.S.: deem uma olhada em como era “o bem amado” antes (com o inesquecível Paulo Gracindo no papel de Odorico) e como é hoje.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/07/2010 - 00:27

HQ também é arte – parte 4 – Alan Moore

Estar de férias é bom mas não é, cambada! Sério, quanto mais tempo a gente tem, mas ficamos conscientes da inutilidade do nosso tempo. Por isso, mudei o visual do meu blog e as mudanças são exatamente para ficar tudo como está, parodiando o Lampedusa.

Com estas fantásticas e filosóficas considerações, retomo minha épica e entusiasmante série dos melhores artistas das HQs, pelo menos na minha concepção. E, se no último fascículo eu falei de um desenhista que mudou minha visão sobre as HQs de heróis, dessa vez vou para um roteirista que é o mais estranho e, ao mesmo tempo, a maior mente que já escreveu estórias de heróis. Eu falo, é claro, do britânico Alan Moore.

E esse esquisitíssimo roteirista que hoje se encontra recluso e fora de circuito, mudou minha maneira de ver os quadrinhos. Antes, as HQs eram legais, mas eram mais opacas, mais preocupadas com o desenvolvimento da ação, no estilo folhetinesco de um Chris Claremont, por exemplo, o qual já foi comentado em post anterior. Com Moore, eu percebi que os roteiros de HQs poderiam atingir um novo grau de complexidade e tornar seus personagens mais vívidos que nunca. Moore começou como cartunista e desenhista mas, diz-se, logo percebeu que não levava jeito para a coisa e passou a se concentrar apenas na elaboração de roteiros, começando nessa caminhada com O monstro do pântano, dando um viés mais ecológico às estórias e apresentando uma personagem secundária que, como muito acontece por aí, acabou ganhando espaço próprio: o “detetive do além” John Constantine, que ganhou revista própria, a Hellblazer, e que depois viraria filme, como muitos outros personagens trazidos à vida por Moore.

Em 1988, ele se uniria ao desenhista Dave Gibbons para conceber a melhor HQ de heróis já feita. Estou falando, claro,watchmen de Watchmen, lançada em formato de série, em seis partes, mostra uma das principais obsessões de Moore, qual seja, o lado humano dos heróis. E quando falo “humano”, não estou me referindo ao melhor de cada um, mas ao que de mais abjeto cada um pode apresentar, com vigilantes obsessivos, paranóicos, egoístas, dentre outras qualidades mais baixas ainda, que só encontram paralelo naqueles a quem deveriam proteger, que são tão ou mais nocivos à sociedade que os próprios heróis. O mundo de Moore é povoado de pessoas sombrias e perdidas, o que nessa inesquecível obra-prima contrasta com o traço vivo e colorido de Gibbons. Recentemente o diretorn Zach Snyder, de Madrugada dos mortos e 300 teve peito suficiente para enfrentar a transposição desse totem das HQs para as telas e até que não fez feio, como eu já comentei aqui. Mas nada, absolutamente nada substitui a leitura dessa criação inclassificável de Moore.

Em 1989, Moore encara mais um ano profícuo e, ao que parece, continua genial mas está menos sombrio. Ainda assim continua ousado e violento e lança mais duas estórias arrasadoras: a primeira é V de vingança, série lançada em cinco números que mostra uma inglaterra em um possível futuro totalitário com ecos de 1984, de Orwell, onde todos tem a vontade suprimida pela mão pesada do estado que tudo vê e dita aquilo que pode ser visto. Neste cenário o mascarado V é o elemento desestabilizador da ordem e, não obstante seu intelecto, resolve tudo com a demolição (literal) do aparato montado pelo ditador. Também belo e poético, assume também ares de romance de formação na medida em que torna uma das personagens refém, discípula, amiga, amante do misterioso terrorista.

A segunda obra-prima de 1989 é, na minha opinião e ao lado de Cavaleiro das trevas, de Frank MilleA Piada Mortal 001r, a melhor estória já escrita para o homem-morcego. Estou me referindo à Piada mortal, na qual Moore apresenta a origem defintiva do Coringa (com a famosa frase “a diferença entre um homem louco e um são é um dia ruim”) e vira o mundo de diversas personagens de cabeça para baixo, inclusive do próprio Batman, e de quebra com o melhor final de uma HQ de heróis já escrito. Inesquecível e imperdível para fãs e não fãs.

 

 

Depois disso ele trabalharia ainda esporadicamente em estórias do Spawn, Superman e novamente do Monstro do pântano, além de ter lançado outras duas ótimas estórias que viraram filme, Do inferno (2000), e A liga extraordinária (2001), além da hermética Big numbers, com desenhos de Bill Sieckienwicz, como já comentado antes. Novamente a mesma recomendação: os filmes não são ruins, mas nada substitui a leitura das obras.

Aqui está, minha homenagem ao melhor contador de estórias de heróis, que infelizmente anda recluso. Mas a esperança é a última que morre (mas morre). Quem sabe um dia ele volta com uma de suas inesquecíveis aventuras? Só os HQs que eu destaquei, no entanto, valem por toda uma vida.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/06/2010 - 22:50

O cinema que já é campeão, sofrendo

Voltei aos gramados, meus futebolísticos amigos e, em época como esta, vou nadar contra a corrente e elogiar um argentino.

Calma, minha amiga Mirane, não vou elogiar a seleção portenha, embora, vamos combinar, os caras andem batendo um bolão. Mas não vim valar de futebol, que até eu que gosto do assunto já ando enjoado, mas para dizer com segurança que nossos hermanos vem fazendo o melhor cinema da América do Sul na atualidade. E, apesar de não servir como comprovação de qualidade, o vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro é uma produção argentina, O segredo de seus olhos (el secreto de sus ojos), que fui ver e do qual gostei muito. Não vi os outros concorrentes, mas suspeito que a escolha foi merecida.

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E essa bela mistura de drama, suspense, policial e romance acompanha a trajetória do investigador federal Benjamin Esposito (o excelente Ricardo Darin) que, já aposentado, procura por sua ex-companheira de trabalho e seu grande amor, Irene Hastings (Soledad Villamil), a fim de obter sua aprovação para um romance que está escrevendo, baseado no crime que marcou sua carreira, ocorrido 25 anos antes, bem como aproveita para acertar contas com seu passado, do qual não consegue se desvencilhar, como uma forma de seguir em frente com sua vida. Sei que não resumi bem o enredo, pois o filme tem muitas faces e merece, inclusive, ser visto mais de uma vez. Também não vou me delongar sobre a supremacia autoral do cinema argentino sobre o brasileiro, que para mim parece evidente, até pela opção brasileira de macaquear o modelo hollywoodiano em detrimento da qualidade de roteiro e da escassez de grandes atores, em especial fora do circuito global. Na verdade, ao ver o vencedor do Oscar de melhor estrangeiro deste ano, uma das muitas leituras que me chamou a  atenção diz respeito a algo que o filme mostra explicitamente: a adoração dos argentinos pelo passado e o vazio do futuro que parece os atemorizar.

E isso porque, sempre que penso nos argentinos, sempre que leio sobre os argentinos, sempre que os vejo nos noticiários, sempre que vejo seus filmes, o que vejo é um povo que construiu uma prisão com seu passado de algumas glórias e muita violência e fracassos, trancou-se dentro e jogou a chave fora. Algumas décadas atrás, a Argentina foi o país mais rico e desenvolvido do continente, a Europa sul americana, e Buenos Aires era a Paris dos Trópicos. Mas um passado glorioso e culturalmente rico foi dando lugar a um presente e futuro de muito populismo político, corrupção, resultando em um longo período de peronismo, que destruiu as finanças do país, seguido dos anos de chumbo, que calaram toda uma geração e destruiram o restante da estrutura do país. Hoje, a Argentina vive pulando de crise em crise, com uma população cada vez mais empobrecida e que não suporta a ideia de ser suplantada por um país que era por ele considerado um “gigante de pés de barro”, como o Brasil. Mas os argentinos, principalmente não conseguem acertar as contas com seu passado e parecem se manterem em contínuo estado de suspensão.

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E os meus milhares de leitores já devem estar se perguntando, após mais um bocejo, o porquê dessa capenga aula de história e o que ela tem a ver com o filme. E eu diria, tudo, ora!  O personagem de Darin, funcionário público de um poder judiciário submisso ao executivo e cúmplice da corrupção que infesta o estado peronista retratado na época do filme, luta contra o labirinto kafkiano (ou borgiano, se o caso) mas dele não consegue sair e somente encontra saída quando volta para acertar as contas com seu passado. No final do filme, a mensagem é que somente encerrando com o passado, por mais irreal e absrudo que seja, somente assim é possível fechar a porta do passado e olhar para frente. 

Benjamin Esposito é, então, a própria Argentina, em um cenário ideal e com um final romantizado, que ainda não foi atingido. Olhar para trás e lembrar do que passou é algo saudável e os argentinos tem muito de que se orgulhar, é só pensar em Borges, Cortazar, Bioy Casares, dentre outros. Uma coisa, no entanto, é reverenciar o passado, outra é ficar prisioneiro dele. E os argentinos ainda são prisioneiros, ainda não se libertaram e parecem não saber como fazê-lo. Tudo isso que escrevi e muito mais está retratado neste ótimo filme que, se não é nenhuma obra-prima, ainda está anos-luz à frente do que se produz no Brasil, com uma qualidade de roteiro e interpretação que aqui ainda não encontramos.

Ou seja, em tempos de filmões blockbuster cada vez mais parecidos, não dá para não recomendar um filme tão bom, que ainda está em cartaz e que, repito, merece ser visto mais de uma vez. Que cada um assista e tire suas conclusões, mas até que ficar preso ao passado, às vezes, não é tão ruim! Finalmente, outro campeão da estatueta de filme estrangeiro que eu recomendo é o fantástico A vida dos outros, belíssimo filme de Michael Haneke, do recente A fita branca, que também mostra um período conturbado de outro país que ainda tem problemas com o seu passado, ou seja, a Alemanha, esse mesmo país onde se faz atualmente, na minha opinião, o melhor cinema europeu. Será coincidência?

Por enquanto é só, coleguinhas, volto para comentar o desfile erótico de Diego Maradona, se a Argentina for campeã! Vade retro, será outro passado duro da Argentina superar.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
13/06/2010 - 09:59

Um sonho possível

E finalmente, minha cara Flávia, assisti a “um sonho possível”, com o objetivo de fuzilar a Sandra Bullock, mas devo dizer que a culpa pelo Oscar não é da moça, para mim a interpretação dela é a mesma de outros filmes que ela estrelou, como por exemplo “miss simpatia”: insossa, fazendo sempre as mesmas caras e bocas. Acredito, só para constar, que ela esteve muito melhor no bonito “a casa do lago” do que nesse filme. Mas, depois de ver o filme, tenho uma teoria sobre o Oscar recebido por Bullock, acredito que a premiação foi muito mais para a personagem que ela representa do que para a atriz em si. Explico.

“Um sonho possível” é o típico filme inofensivo, alto-astral, com a típica estória do sonho americano virando realidade, ou seja, a velha e boa teoria de que mesmo aqueles que vivem atolados na sujeira e na podridão da sociedade americana podem ascender e de lá sair se tiverem a oportunidade nesta terra de oportunidades, como os americanos gosta de dizer. E isto tem muito a ver com o momento pelo qual os americanos passam, tentando sair da mais profunda crise desde a depressão dos anos 30 do séc. XX.

Nessa hora me lembrei dos filmes de Frank Capra, um dos maiores diretores americanos do século passado, autor de obras primas como “a felicidade não se compra”, comédias que levantavam o astral e mostravam o otimismo americano para sair dos piores momentos de crise, como aquele por que passavam nas décadas de 30 e 40. “Um sonho possível” é um filme desta linhagem, no século XXI, mas com alguns problemas: Capra foi um gênio do cinema e John Lee Hancock não é Capra, bem como Sandra Bullock não é Doris Day ou Audrey Hepburn, por exemplo. E mais, Capra transpirava otimismo nos seus filmes mas nunca deixou de lado seu ceticismo e sua veia crítica o que também aparecia nas interpretações, ou seja, era um humor bem mais amargo. Já em “um sonho possível” o otimismo é puro e a personagem de Sandra Bullock, apesar de sua energia e compaixão, não tem nenhum cinismo, acredita piamente que só pela atitude e pela força de vontade é possível mudar uma vida. A personagem dela, portanto, é a personificação atual do sonho americano se realizando. Nestes tempos em que o espectador quer tudo cada vez mais pronto e mastigado, não há espaço para outras facetas da riquinha do sul dos EUA, onde ela viveu e foi criada, assim como sua família, no seio da rica, branca e racista sociedade do Mississipi e os realizadores do filme querem fazer o espectador crer que o personagem negro, pobre e marginalizado foi aceito dentro da casa e da vida das personagens sem qualquer conflito, com naturalidade. Aí é que está a diferença: Capra era um otimista, mas não era um ingênuo. “Um sonho possível” é o filme americano de Cândido, personagem do Voltaire símbolo do otimismo ingênuo, estrelado pela Poliana.

Ou seja, em tempos nos quais os americanos tentam sair do atoleiro no qual eles próprios se meteram pela sua ganância financeira desmedida, “um sonho possível” aparece como uma tentiva de levantar o moral da tropa. Tudo o que escrevi é apenas uma análise, pois, por paradoxal que pareça, não considero o filme ruim, é uma comédia bem filmada, simpática e com atores que não comprometem. Mas também acredito que é possível  ver o filme sob o contexto que expliquei, para concluir que o Oscar, enfim, não foi para a Sandra Bullock, mas sim para a personagem que ela representa. Assim, essa simpática mas inexpressiva atriz estava no lugar certo, na hora certa. Acontece!

Por ora é só, cambada. E que o sonho americano não vire realide, vade retro! Volto a qualquer hora.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/06/2010 - 17:48

HQ também é arte – parte 3 – Bill Sienkiewicz

Pessoal, continuo falando de quadrinhos e, como prometido, não sigo qualquer roteiro, apenas minhas lembranças dos artistas do gênero que me marcaram, sem qualquer critério além da minha falha memória. Pois bem, hoje vou falar de um desenhista que, até onde me lembro, foi dos primeiros a elevar a HQ ao status de arte, com uma crescente sofisticação no traço, nas técnicas do uso de cores e no hermetismo dos argumentos. Estou falando do americano Bill Sienkiewicz.

Nascido em 1958, ele começou mais tradicional no traço, sob a influência do papa dos quadrinhos no início da década de 80, Neil Adams, já comentado em post anterior. Com o tempo, seu traço evoluiu para uma mistura de técnicas, envolvendo a pintura e a colagem, e seus projetos foram ficados cada vez mais ousados. Formou ótima dupla com feras do calibre de Frank Miller e Allan Moore, mas nunca deixou seu traço cada vez mais surreal de lado, assinando algumas das maiores obras primas dos quadrinhos. Descrever como Sienkiewicz desenha vai matar meus milhares de leitores de tédio, por isso vou exemplificar com alguns dos meus preferidos.

Começo mostrando a ilustração de um dos meus heróis prediletos, o Sombra (The Shadow), personagem misterioso e violento, espião e assassino, nobre e sádico, um prato cheio para qualquer roteirista, que andava meio esquecido até a década de 80, quando Sienkiewicz reformulou o maior pesadelo da bandidagem, com um traço agressivo e original:

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Outro momento interessante é aquele em que Sienkiewicz transpõe para as HQs uma das mais complexas e fascinantes obras da literatura universal, Moby Dick, de Herman Melville, abusando do traço fragmentado e do clima onírico para mostrar o ponto de vista do perturbado Ahab na caça metafísica ao cachalote branco:

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E, finalmente, o meu preferido: a parceria de Sienkiewicz com Frank Miller no roteiro traz à luz uma personagem coadjuvante do universo do Demolidor para o centro das atenções e gera a série de quadrinhos de heróis mais violenta, anárquica e despudoradamente insana que eu já li: trata-se de Elektra Assassina, uma obra prima, um golpe de adaga no estômago, do qual eu tinha um exemplar e do qual tive a suprema coragem e falta de noção de negociar com meu amigo Orlandeli, à época(por falar nisso, vc ainda tem? Quer negociar?)

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Tudo isso sem falar em Big Numbers, escrita em parceria com a lenda Allan Moore e Stray Toasters, série escrita e desenhada por Sienkiewicz e que não terminou, difícil, quase ininteligível em alguns momentos, mas sempre fascinante.

Estou falando, enfim, de um artista na acepção da palavra, alguém que não tem medo de fazer das HQs, com heróis ou não, um campo de experimentação. Por vezes, é estranho ver o que Sienkiewicz desenha. Mas é também fascinante, uma experiência que vale a pena. E diga-se que o cara continua na ativa, sendo seus trabalhos mais recentes a arte para a estória de Frank Miller, 30 dias de noite, uma horripilante saga vampiresca, violentíssima e sombria, que virou filme que, diga-se, apesar de não ser ruim, não tem metade do impacto dos desenhos de Sienkiewicz, dentre outros.

Por fim, para quem quiser conhecer mais, tem um site muito bacana do cara, com uma ampla galeria de desenhos (de onde tirei as imagens que estão neste post) e até wallpapers incríveis com desenhos dele. Aventurem-se, colegas, e boa viagem pelo universo delirante de Bill Sienkiewicz.

Por enquanto é só, até a próxima.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
22/05/2010 - 19:11

HQ também é arte – parte 2 – Chris Claremont

Voltei, cambada, para continuar minha heróica, épica, rocambolesca e estrambótica(!) saga de arqueologia quadrinística. Já pedindo desculpas a meus leitores (principalmente meu amigo Orlandeli) pelas imprecisões que venha a cometer, pretendo me esforçar mais para não errar tanto quanto no primeiro post sobre o assunto. E, se no primeiro comentário sobre o assunto, homangeei o primeiro desenhista que me encantou, hoje abro espaço para o primeiro roteirista de quadrinhos de quem fui fã: estou falando do inglês Chris Claremont, o folhetinista das HQs, o mais longevo escritor da série X-MEN.

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E quando eu comecei a colecionar os mutantes da Marvel, o incansável Claremont já escrevia as estórias de Charles Xavier, Wolverine e companhia limitada há muito tempo. Vejam só o cara se manteve como roteirista da mesma revista por incríveis dezesseis anos! Isso não é para qualquer um, tem muita gente boa que não se aguenta sequer uma temporada. Enquanto isso, desenhistas de renome como John Byrne, John Romita (pai e filho), Paul Chadwick, Frank Miller (é, ele também), Bill Sienckienvickz (eu acho, desse eu não tenho certeza), dentre outros passaram pela publicação, enquanto Claremont seguiu firme  e forte, de 1976 até 1991.

Chamei Claremont de folhetinista e não foi por acaso: a linearidade narrativa, a estrutura de “novela” mesmo, em capítulos, com alta rotatividade de personagens e ganchos nos finais de cada número, chamando a atenção do leitor para comprar o número seguinte, foram os principais segredos da longevidade desse roteirista que, se nem de perto foi tão brilhante como Allan Moore, por exemplo (com post próximo), também tem seu lugar nas minhas boas lembranças de fã de quadrinhos, quando eu sempre esperava ansioso pelo próximo número.

Claremont também atuou como co-criador de alguns dos mutantes que até hoje são famosos, como Vampira, Lince Negra, Fênix, Dentes-de-sabre, mística, Emma Frost e Gambit, dentre outros. Em 1991 desentendeu-se com os editores da Marvel e saiu, para voltar em 2000, novamente escrevendo para a revista X-MEN. Atualmente vinha escrevendo para a HQ Excalibur, mas não sei se anda em atividade atualmente.

Finalmente, uma das grandes lembranças que eu tenho deste ótimo roteirista desta época: a série que ele escreveu e que o grande Frank Miller desenhou com o mutante mais famoso dos quadrinhos, Wolverine, na qual o x-man canadense vai ao Japão e, para defender a única mulher que amou na vida, acaba se metendo com a organização ninja tentáculo, em um banho de sangue. Pior para os ninjas, claro.

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Aqui, hoje, a homenagem do Erratico a Chris Claremont, o folhetinista das HQs. Talvez os X-MEN não fossem tal famosos como são hoje não fosse a colaboração preciosa deste artesão competente.

Um abraço a todos, volto logo.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/05/2010 - 01:56

Guerra vazia, vida vazia

Sei que ando meio atrasado quando se trata de comentar filmes, pessoal, mas minha vida anda muito corrida mesmo. Ainda assim, volto sempre que possível para comentar o que vi. Assim fiz com “Bastardos inglórios” e, agora, volto para dar meus pitacos sobre o grande vencedor do Oscar deste ano, o aclamado, amado e odiado “Guerra ao terror” que, como já comentei em post anterior, derrubou o gigante azul e sonso de “Avatar”.

E merecidamente, diga-se.

Vou fazer aqui um contraponto ao que a minha amiga Flávia comentou no seu ótimo blog, o usina do verbo, classificando “Guerra ao terror” como muito ruim. Ora, para mim, os melhores filmes de guerra são justamente aqueles que mostram o vazio existencial que ronda todos que dela participam. Alguns, aliás, são atingidos em cheio. Filmes assim, que mostram a face obscura, sinistra e desconexa da suprema estupidez de matar um semelhante por motivos insondáveis ou até mesmo sem motivo, estes são os grandes filmes de guerra. E o vencedor do Oscar deste ano enquadra-se na categoria: trata-se de um filme que, por trás de seu aparente maniqueísmo em mostrar os americanos como vítimas e os iraquianos como vilões, por trás do apuro visual e técnico e das interpretações convencionais dos atores, esconde o reverso da medalha, o negativo que deve ser realmente observado: “Guerra ao terror” esvazia a temática do filme de guerra, confronta clichês do gênero e mostra que o prazer da destruição e a falta de sentido da paz são inerentes ao ser humano, antes mesmo do homo sapiens descer das árvores. O homem tem o dom e o talento para a destruição e o sofrimento e a guerra, usando a epígrafe do filme, é a droga que movimenta essa suprema estupidez.

É tamanho o amontoado de lugares comuns e tal o vácuo que os envolve que não há como não dizer que o procedimento da espertíssima diretora Kathryn Bigelow é proposital: aliado à movimentação em estilo documental da câmera, aos diálogos tão áridos como o asfixiante deserto no qual os personagens transitam, à incapacidade de expressão dos homens que fazem a guerra, quase sempre resultando em excessos físicos, ao esfacelamento emocional que resulta desta “agitação feroz e sem sentido”, parafraseando Manuel Bandeira, tudo isso termina por incomodar como um murro no estômago, tudo isso nos diz que os únicos momentos de vida percpetíveis são aqueles em que o silêncio se instaura e paramos para perceber a dor que nos cerca e nos toma a todos, como na incrível cena em que o comandante da equipe descobre que o garoto iraquiano com quem mantinha uma relação amistosa havia sido usado como receptáculo de uma bomba. As poucas tentativas de humanização do filme apenas servem para afastar as personagens de sua inevitável desumanização. Apenas lutar, matar e sobreviver é o que importa, e o filme mostra tudo isso de uma forma corajosa, dura e sem qualquer pudor.

É certo que o caminho trilhado por Bigelow não tem nada de original: para comprovar o que estou dizendo, sugiro “nascido para matar” e “glória feita de sangue”, ambos de Stanley Kubrick, “Apocalipse now”, de Francis Ford Coppolla, “Além da linha vermelha”, de Terrence Mallick, além do mais recente e também ótimo “soldado anônimo”, de Sam Mendes, filmes que já mostraram a imbecilidade da guerra e a falta de rumo daqueles que nela atuam, é a “desherocização” (inventei esta) da guerra e a celebração da estupidez humana, como diria Renato Russo.

Isso, entretanto, não tira o mérito de “Guerra ao terror”, que é sim um grande filme e merece ser visto, para o bem ou para o mal.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
30/04/2010 - 00:14

HQ é arte – parte 1 – Neil Adams

Voltei, turba, agora reestabelecido tecnicamente (desculpem a nossa falha, como diria a nave mãe), nessa noite de pouco sono e muito tédio, para finalmente cumprir uma promessa anterior: vou falar de HQs, uma das minhas paixões, como o cinema e a literatura.

E como sou só um pouquiiiiinho mais velho do que meus leitores, vou falar das HQs, como não poderia deixar de ser, em fascículos, ou edições, ok? Assim, começo falando do que primeiro me impressionou, quanto este blogueiro que vos fala ainda era um adolescente, cerca de cinco anos atrás, e vou avançando até os dias atuais. E já vou avisando que quadrinhos é arte, sim, e que os preconceituosos, se quiserem, podem parar por aqui.  As HQs mantém um diálogo incessante com outros tipos de arte, como o cinema, em uma via de mão dupla, a pintura, a música e a literatura, como vou mostrar no decorrer destes posts.

E começo falando do primeiro artista que me chamou a atenção: o americano Neil Adams, que repaginou um dos heróis mais famosos do mundo, o cavalheiro das trevas, Batman. E isso porque o homem-morcego, que tinha uma versão mais “colorida” nos anos 60, reflexo até da série televisiva que até hoje passa em canais pagos, teve o seu visual repaginado por Adams e Dennis O’Neil no roteiro, assumindo a versão mais sombria e violenta que perdura até hoje.

Batman na versão de Adams: o início da era das sombras do homem-morcego

Batman na versão de Adams: o início da era das sombras do homem-morcego

Depois de Adams, seguindo a trilha deste mestre, vieram artistas de estilo como Todd Macfarlane (Batman ano um) e, é claro, Frank Miller (Cavalheiro das trevas), que merecerá um post à parte, mais à frente.

Para finalizar, uma boa notícia: a de que Adams estará de volta com uma nova série de Batman a ser lançada em julho, com o traço revigorado, Adams volta a desenhar o detetive mascarado melhor do que nunca. Confiram uma prévia:

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Neste primeiro post sobre minhas HQs preferidas, meu tributo a Adams. Longa vida a quem ressucitou o homem-morcego!

Por hoje é só, volto para falar de mais HQs ou cinema, a qualquer hora.

Autor: DouglasReis - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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