por Amanda Camasmie –
E-commerce: previsão de faturamento de R$ 10 bilhões em 2009
Se você é um empreendedor atento às tendências, já deve estar cansado de saber a importância da internet no mercado global. E provavelmente também já compreendeu que a maioria dos processos corporativos dependem cada vez mais da web. O comércio é um deles. As compras pela internet têm crescido em uma proporção acelerada. Em 2008, o varejo on-line faturou R$ 8,2 bilhões, e a previsão para este ano é de R$ 10 bilhões, segundo a eBit, empresa de monitoramento de e-commerce no Brasil.
Um fator que reforça as previsões da e-bit é o crescimento de pelo menos 20% das compras on-line, divulgado no final do primeiro semestre deste ano pela Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico camara-e.net) e pela própria e-bit. Esse desempenho superou o do varejo físico, que subiu 10,3% até maio de 2009.
O que tudo isso significa? O consumidor está perdendo o medo de comprar pela internet. De 2007 para 2008, a quantidade de e-consumidores brasileiros aumentou 39%, de acordo com a e-bit. A empresa de monitoramento ainda destaca que em 2007 os produtos mais vendidos pela internet foram livros, revistas e jornais (17%), seguidos de saúde e beleza (12%) e informática (11%). Aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos somaram 9% e 6% de mercado, respectivamente.
Perfil do consumidor (Fonte: e-Bit)
Renda familiar
Consumidores com renda entre R$ 1 mil e R$ 3 mil (classes B e C) são os que mais compram pela internet, somando 38%, de acordo com a e-bit. Os de renda mensal entre R$ 3.001,00 e R$ 5 mil compram um pouco mais que a metade dos primeiros colocados (22%).
Os compradores com renda entre R$ 5001,00 e R$ 8 mil perfazem 12% do cenário de compras pela Web, enquanto a classe de maior poder aquisitivo (mais de R$ 8 mil) somam apenas 9%, apenas um pouco mais do que a classe E (menos de R$ 1 mil), com 8%.
Faixa etária
Ao contrário do que muitos possam imaginar, não são os mais jovens que enveredam pelo varejo on-line, e sim consumidores com faixa etária entre 35 e 49 anos (38%). Com 32% de mercado estão os que têm entre 25 e 34 anos, seguidos daqueles entre 50 e 64 anos (16%). Os jovens entre 18 e 24 anos ocupam a quarta colocação, com 11%, provando que ainda compram menos pela internet do que seus pais. Já as pessoas com mais de 64 anos somam 2% do mercado, seguidos pelos que têm menos de 17 anos (1%).
Escolaridade
Quando se fala em escolaridade, são os graduados em um curso superior os que preferem as compras pela internet (32%). Os que têm curso superior incompleto e ensino médio (colegial) ficam um pouco atrás, com 23% e 22%, respectivamente. Compradores com pós-graduação somam 20% e com ensino fundamental, 3%.
Cuidados
Apesar de promissor, é preciso tomar cuidado com os passos virtuais. “Supermercados, por exemplo, passaram por maus lençóis quando perceberam que boa parte de seu trabalho de venda é feito pelo cliente. Ao transferir a transação para a internet os custos, em vez de diminuírem, aumentaram”, contou Mario Persona, professor e consultor de comunicação estratégica e marketing, em entrevista à Revista Varejo.
A razão desse insucesso, diz ele, é o famoso “pick, pack, delivery”, a seleção dos produtos, embalagem e entrega. “No mundo tangível essas atividades são feitas pelo cliente, que percorre as gôndolas, seleciona, pega, coloca no carrinho, leva até o caixa e lá trata de colocar nos saquinhos e depois transportar até sua casa imediatamente após a compra”, explica Persona. “Um supermercado que venda pela internet precisa ter funcionários selecionando e coletando os produtos, embalando de uma forma mais cuidadosa e cara do que o simples saquinho, e fazendo um transporte que, por não ser imediato, precisa ser feito em veículos especialmente adaptados para transportar separadamente itens congelados, frios e em temperatura ambiente.”
No caso da livrarias, declara o consultor, também foi preciso fazer algumas reformulações. Elas evoluíram o modelo, deixando de oferecer só livros para incluir produtos de maior valor, como eletroeletrônicos e móveis.
Problemas e crescimento no setor
Apesar da facilidade de escolha e pagamento nas compras on-line, Persona diz que um dos maiores problemas do setor é o da logística. “O grande gargalo do comércio eletrônico continuará sendo logístico, daí a grande oportunidade existente para empresas de infraestrutura de entrega, sistemas, etc.”, avalia.
Em contrapartida, uma das tendências é o de bens intangíveis, que não dependem de entrega, como software e, mais recentemente, música e vídeo. “Estes tendem a crescer cada vez mais e também a se pulverizar, já que qualquer produtor é capaz de vender seu próprio software, música ou vídeo sem necessitar de uma grande estrutura de atendimento”, afirma. “O processo pode ser totalmente automatizado, como se o meio eletrônico se transformasse em milhares de máquinas de vender iguais às de refrigerantes”, diz.
Dicas
Confira 10 recomendações do executivo Natan Sztamfater, especialista em marketing digital.
1. Especialização: Procure um nicho para explorar. Quanto mais específico seu negócio, maior a chance do sucesso na internet.
2. Concorrência: Fuja dos produtos vendidos em grandes magazines.
3. Investimento em tecnologia: Na hora de comprar a plataforma de loja virtual, fique atento. Nem todas são tão boas quanto parecem. Escolha muito bem seu parceiro. Tecnologia é muito importante para que uma loja on-line esteja preparada para um rápido crescimento.
4. Formas de pagamento: inicie seu site de vendas com o maior número de parcerias (administradoras de cartão, entre outros) para facilitar a compra do e-consumidor.
5. Confiabilidade: Esteja na Ebit, consultoria que classifica lojas virtuais no Brasil. Só assim, mesmo ainda pequeno, os clientes irão confiar na loja. Não economize nos selos de segurança.
6. Teste seu portal: Antes de colocar o site no ar, faça testes e verifique se sua entrega chega em pelo menos três dias ao cliente. Este é um fator importantíssimo para satisfação.
7. Marcas: Alie-se a marcas reconhecidas em suas áreas de atuação para conquistar confiabilidade do e-consumidor e oferecer produtos de qualidade.
8. Estoque: Cuide do estoque e da logística para atendimento ágil ao e-consumidor. A primeira impressão é a que fica.
9. Atração e retenção de clientes: Invista em marketing e meça cada detalhe das campanhas digitais; otimize as estratégias dia a dia.
10. Invista: Contrate uma consultoria especializada em vendas on-line, isso ajuda muito o pequeno empreendedor a errar menos no início.
