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09/08/2009 - 16:28

Momento estranho. Muito feliz de estar com os poneis e as crianças. Muito chateada por ganhar tão pouco dinheiro com tantas horas de trabalho. Necessidade urgente de me mudar outra vez. Espectativas e medos mil. Péssima atuação no concurso. Culpa. Felicidade por te-lo comigo, Anjo meu. Apoio de amigos e parentes.

Resultado: tateando no escuro, cheia de medo, com mil cuidados, mas , corajosamente, seguindo em direção a Luz. (Luz? Ops…será que isso é saudável?)

Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: , , , , , , ,
06/07/2009 - 10:54

Angústia

Tenho quase 40 anos e ainda cometo erros irresponsáveis. Agora, contigo percebo que mesmo sem querer surgem sonhos antigos, desejos adormecidos que eu pensava não ter mais. Meus desejos me pregam peças e não estão sempre aí para me fazer feliz. Sou responsável. Sei. E saber me dói. Me cala. Não consigo ouvir de minha própria boca. Me dá uma dor no peito tão funda que parece que não tenho mais voz para expressar meus medos. O tempo passa e os medos crescem com o tempo. Tivemos, como sempre, momentos maravilhosos ontem, uma noite incrível. Ainda assim estou angustiada e preciso falar-te. Ninguém mais que tu merece ouvir tudo o que há para ser ouvido. Tens uma paciência delicada comigo, que lembra minha avó, a pessoa que mais amei neste mundo, a única que me amou sem ressalvas, a razão do pouco de razão que me manteve a vida e cuja vida infelizmente se foi. Penso se isto é uma conversa privada ou um pensamento público como costumo fazer. De certo modo, está respondido, e feito. Se fez público. Afinal, foi assim que nos aproximamos. É assim que me aproximo de mim mesma. Agora sabes, oficialmente por escrito o que já sabias, provavelmente, por percepção: estou angustiada e preciso falar-te.

É tão difícil porque quando olho para ti o vejo tão feliz! Quando estou contigo, sinto-me tão feliz! Não queria trazer a ti minhas angústias. Quando me abraças as esqueço por completo e sinto que tudo vai ficar bem. Sinto Paz. Hoje tu dormiste sem camisa e durante a noite senti tua pele sob minhas mãos. Ai. Como é bom sentir tua pele! Estou muito feliz contigo, meu amor, meu Anjo. E espero que fiquemos assim. Com ou sem dificuldades, medos e angústias. Quero ter tua pele em mim e sentir o que senti esta noite. Paz.

Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: , , , , , , , , , ,
15/05/2009 - 21:24

A maneira como conduzo as coisas

Queria falar-te sobre isso. Sinto uma necessidade de falar e esclarecer-te a meu respeito. Estranho. Quero que me vejas a fundo. Impossível. O mais próximo que podemos ficar um do outro é o calor de nossos corpos e o túnel de nossos olhos. Tolice essa ânsia de explicações. Precisamos de silêncio. Mas ele nos oprime. Medo. O Grande Inimigo do Homem. Um dia foi útil. Não me é útil quando deveria ser. Silêncio. Já amei em silêncio. Precioso. Dá paz. Não consigo guardar o silêncio perto de ti. Ainda não. Sabes que me assustas? De muitas formas. Tenho sido corajosa em nome do que vejo em teus olhos e do que sinto em teus braços. Aquilo que parece que sei, que parece que encontro. Lembranças brumadas e frias. Tu te expões e me analisas. Julgas-me? Tenho medo de que me condenes. Me rotules, classifiques e esqueças na estante. Tu não tens estante. Temos coisas, das quais não falo, em comum. Ações sombrias. Namoras com as tuas. Quero esquecer. Neste momento em que ao olhar-te vejo o espelho refletindo minha imagem de sombras, temo a ti. Não é verdade que me assustas, portanto. Assusto-me comigo mesma. Muito. Em ti encontro acolhida. Confio. Por outro lado, é isso justamente o que mais tens a me ensinar. Tens um convívio quase orgulhoso com tuas sombras. Me apavoro com as minhas. As tuas lhe fazem bem. As minhas me ferem todo o tempo.

Queria falar-te de meus orgulhos. De minhas conquistas. Tenho dificuldade de acreditar nelas. Reforço para manter-me viva. Permanecer com os olhos vivos é a meta. Parece que os despreza. Me dói, porque é sincero. É como se nada de valor restasse para que admires. O que então fazes ao meu lado? Tola. Respiras também.

Não queria falar-te. Queria que visses. Em transparência minhas entranhas. O fundo de meu corpo e toda a vivência de meus órgãos. Sabe, vejo os teus, quase os toco. Sei de coisas que não me contaste como se tivesse seguido ao teu lado. Muitas me doem. Quase tudo são dores neste espaço. Será realmente necessário? Me falta o ar. Respiro quando te beijo a boca. Silêncio. Conhecimento. Paz. Mergulhar neste mar e me deixar levar para o fundo. Afogar-me é o que quero. Em teu mar. Sou um peixe em teu mar. Meu ar está em ti e não me falta nada.Quando retorno, falta tudo e sufoco.

Peço-te. Leva-me.

Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: , , , , , , , , , ,

13/03/2009 - 13:40

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Desde pequena ela luta com gigantes. Ninguém lhe contou que era impossível vencer. Nunca venceu. Hoje controla seus instintos e evita esse confronto. Já sabe que não lhe é possível fazer o caminho de volta.
E se alguém cortar o fio? Pode não voltar para casa nunca mais. Tem consciência da dúvida que está a espreita. Vulto de mulher.
A imaginação lhe prega peças. A memória lhe prega peças. Lembra da vela que se apagou de repente e nunca mais se soube de sua luz. “Para onde vai a chama da vela quando se apaga?”
Tênue chama que lhe aquecia os dias.
Precisa dominar a lua que ofusca as estrelas. Precisa ir para outro lugar. Para ver bem as estrelas é preciso total escuridão. Estas luzes não vão a lugar algum, pelo menos por enquanto. Se movem tão rápido que ainda estarão lá quando se forem.
Esqueça os gigantes antes que te esmaguem de vez! Esqueça as velas antes que te queimem!
Providencial esta máscara. A Senhora do Tempo. Caiu-lhe bem. Caiu. Que venham as outras! Quantas forem! Criança, cigana, mãe, guerreira. Que caiam todas!
É preciso pisar na terra. Nua, no escuro, pode ver as estrelas. Descansa na terra e olha para o céu, elas estão todas lá. Tu que não vias.

Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: , , , ,
11/03/2009 - 20:25

Tempo

Senti tua mão em meu pescoço. Não leve e sutil, mas forte, decidida e urgente. Deveria me assustar, mas é mais forte que o medo. A entrega.
Porque te calas? Porque te calas a mim? Sinto que tens algo a me dizer. Algo que te angustia.
Também tenho medos. Também os calo. Me espreitam à sombra todos os dias.
Confio não por coragem. É apenas um modo de vida.E sob tua luz confio mais.
Só Cronos me protege mais que tu. E se devo me proteger de ti, é nele que confio os meus medos. Há muito me tornei amiga do Tempo, fiz Dele meu aliado, Nele nem mesmo você pode me fazer mal.
Expõe a mim teus fantasmas se assim o quiseres. Se tens algo a dizer quero ouvir de tua boca. Tranquiliza-te porque te amo e escuto com ouvidos de amor. Confia Anjo Cheio de Luz.
Hoje senti tua angústia junto com teu desejo.
Quero que saibas que estou aqui e aqui ficarei para ti.
Sou mulher dos tempos de espera.
O Tempo te trouxe novamente para junto de mim.
Não temas, meu querido, porque não é possível nos perdermos. Sou guiada não apenas por tua luz, sou guiada por Cronos.

Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: , , , , , , , ,
29/12/2008 - 20:49

Regret

Não tenho dom do silêncio, só o amor me cala. Falo para minhas próprias paredes o que não quero falar para as suas.
Será que ainda estou zangada? Magoada? Achei que tinha passado, mas de verdade não passou. Não costumo guardar mágoas ou será que costumo? Deixo na conta das imperfeições humanas, como as minhas são muitas…preciso “perdoar” (forte essa palavra? Ora-ora, não para você, acostumado a palavras fortes).
Não consigo evitar, gosto de você, ou melhor, de suas palavras, porque não tive o “prazer” de conhecer-te, não de verdade. Mas não me afastei, ao contrário, me reaproximei assim que você me permitiu. Sendo assim conclui-se que não estou magoada. Mas acho que estou, um pouco, se leu meus textos, sabe que doeu bastante. Não devia, mas estou acostumada com isso, se eu fosse eliminar todas as pessoas que me trataram de maneira incompreensível para mim…viveria numa caverna.
Fiquei feliz em sentir que pode querer se aproximar, mesmo que de forma tão estranha, porque senti sua falta. Mas tenho medo de você, da dor que pode me causar sem que eu possa evitar, tenho medo do seu desprezo. Ainda te desejo “Um Bom Ano” (é também um bom filme, se quiser assistir), mas lamento que te faça mal ler meus textos (com exceção deste, que se te fizer se sentir mal, embora não seja este o objetivo, me mostraria que se importa comigo), porque como pôde ver em cores não sou apenas palavras, nem tristes, nem duras, nem feridas.Também sei sorrir da vida e com a vida,e busco sempre sobretudo, viver. Os textos expressam momentos, sentimentos profundos, que muitas vezes são dores. É aqui que deságuo e por vezes são águas amargas.
Tento entender o que fiz ou não fiz. Sempre me pergunto se foi a tal “cara” de que alguns falam. Mas aí me lembro que a dor que você me causou trouxe de volta uma pessoa muito especial (obrigada Marcelo, meu muito caro amigo, por existir e pelas palavras doces que sempre deixa para mim, elas são como água morna em meus pés cansados), então de certo modo lhe agradeço, esqueço e continuo, enquanto me permitir, a beber suas palavras a cada dia, e , quem sabe, voltar a interagir.

Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: , , , , ,
07/10/2008 - 00:06

Carménère

Verdadeiramente delicioso este Carménère. Boa dica de uma amiga.
Não fui à Santa outra vez, ainda. Fui à Rua da Alfândega. É quase como ver TV o dia todo, dispersa tanto que deixa as preocupações em suspenso.
Prefiro meu Carménère. E Santa Teresa. E velho amigo feliz de me reencontrar. Carinho na alma.
Lembro vagamente de quem eu era naquele momento. Muito sofrimento e superação me mantiveram totalmente em vida sem muito pensar. Igual e ao contrário de agora. Paradoxos.
Agora também é tempo de mudança, de superação, porque não. Mas sou outra, tão outra! Confio mais na vida, em minha independência, nas minhas capacidades. A vida me mostrou que basta seguir em frente que as coisas resolvem-se sozinhas. Naquela época consegui coisas que pareciam impossíveis, que me trouxeram muita felicidade e, principalmente, liberdade. É justo que agora esteja mais tranqüila na espera, seguindo este caminho nebuloso, numa estrada em que apenas imagino onde vai dar.
Tanta fé não afasta completamente o medo, nem a angústia. Até porque o fim da estrada quase nunca é como desejávamos. Mas sei que se me dedicar, for fiel a mim mesma e a meus desejos, vai trazer novamente felicidade e liberdade. Está de bom tamanho. Mas agora quero também prosperidade e amor, será que peço demais?
Muito chata essa conversa. Volto ao Carménère que me transporta a campos frescos de outros tempos. Muito loucos os paralelos com vinhos. Têm um efeito mágico para mim. Fecho os olhos e a mistura de aromas e sabores me conduzem a mundos que não conheci, mas me trazem saudade.
Doida, fresca e alcoólatra. Pode ser, mas em algum lugar haverá quem compreenda, quem sabe. Aceitar basta. Ou rir como os amigos. As diferenças, a s excentricidades é que tornam as pessoas únicas, interessantes, insubstituíveis.

Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: , , , , , , , ,
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