22/10/2009 - 12:01
Muita falta de educação.
Depois de tanto tempo sem postar vir aqui falar só de reclamações.
Ainda bem que praticamente ninguém lê.
De qualquer modo, desculpem os que leem.
Estou de péssimo humor. Não me aguento em mim mesma. Com umprazo quase impossível para entregar um trabalho quase impossível. E ainda veio aqui aquele cara do interfone! Grosso! Vou apelar. Não o recebo mais. Ponto.
Desde ontem estou assim. Irritante fazer compras com quem não quer, quando eu teria ficado tão feliz! Desculpe, já disse isso, mas ainda estou irritada. Nada pessoal. São os fatos. E a TPM.
Me senti sozinha esta noite. Estou tão cansada! Deve ser falta de sono essa irritação toda. E a vontade de ficar andando sem parar, de assistir shoptime.
Pode ser depressão. Ou medo. Ou os dois.
Pode ser falta de sono. Meus olhos ainda estão ardendo e não consigo dormir.
Espero você voltar. Espero milagrosamente me sentir melhor quando você voltar. Não é certo isso. Mas , é fato. Você volta e me sinto melhor. Essa noite me senti sozinha. Você se cansou. Natural. Espero, como sempre, que não se canse de mim. Espero dormir no seu ombro outra vez. Espero dormir.
Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal
Tags: compras, depressão, esperança, sono, TPM
06/07/2009 - 10:54
Tenho quase 40 anos e ainda cometo erros irresponsáveis. Agora, contigo percebo que mesmo sem querer surgem sonhos antigos, desejos adormecidos que eu pensava não ter mais. Meus desejos me pregam peças e não estão sempre aí para me fazer feliz. Sou responsável. Sei. E saber me dói. Me cala. Não consigo ouvir de minha própria boca. Me dá uma dor no peito tão funda que parece que não tenho mais voz para expressar meus medos. O tempo passa e os medos crescem com o tempo. Tivemos, como sempre, momentos maravilhosos ontem, uma noite incrível. Ainda assim estou angustiada e preciso falar-te. Ninguém mais que tu merece ouvir tudo o que há para ser ouvido. Tens uma paciência delicada comigo, que lembra minha avó, a pessoa que mais amei neste mundo, a única que me amou sem ressalvas, a razão do pouco de razão que me manteve a vida e cuja vida infelizmente se foi. Penso se isto é uma conversa privada ou um pensamento público como costumo fazer. De certo modo, está respondido, e feito. Se fez público. Afinal, foi assim que nos aproximamos. É assim que me aproximo de mim mesma. Agora sabes, oficialmente por escrito o que já sabias, provavelmente, por percepção: estou angustiada e preciso falar-te.
É tão difícil porque quando olho para ti o vejo tão feliz! Quando estou contigo, sinto-me tão feliz! Não queria trazer a ti minhas angústias. Quando me abraças as esqueço por completo e sinto que tudo vai ficar bem. Sinto Paz. Hoje tu dormiste sem camisa e durante a noite senti tua pele sob minhas mãos. Ai. Como é bom sentir tua pele! Estou muito feliz contigo, meu amor, meu Anjo. E espero que fiquemos assim. Com ou sem dificuldades, medos e angústias. Quero ter tua pele em mim e sentir o que senti esta noite. Paz.
Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal
Tags: angústia, erros, esperança, felicidade, medo, paz, pele, responsabilidade, silêncio, sonhos, vovó
28/02/2009 - 00:08
Não é só uma casa. É um símbolo. O símbolo de minhas conquistas. Sempre foi meu objetivo maior. Todos os outros estiveram embutidos nele. O lar.
O que não tive. O que projetei. A busca do amor. Os filhos. O trabalho seguro. Tudo pela conquista do lar. O meu, do meu jeito.
Agora vejo que escorre de minhas mãos como escorreram outras conquistas e como provavelmente todas fluirão. As coisas vão e vem. Mudam. Ciclam. Sinto muito. Ainda não seio quanto. Funciono assim com as coisas mais dolorosas. Comparo com a morte da vovó. Isto me dá idéia da dimensão da perda. Mas ainda não doeu, quero medir ver o que dá para ficar, o que vou ter que vender o que vou jogar fora.
Não pareço estar com medo. Mas estou com muito. Obvio.
Sei que vou levar ela comigo. Meu lar, hoje é mais sólido e trago em mim. Mas o conforto, o enorme conforto de ser senhora de meu lar, isto vou ter que passar sem por um tempo. Lembro dos tempos difíceis quando dividia um quarto com oito e a casa me parecia um sonho distante e incerto. Mas acreditei. Estudei, me dediquei. Era a ordem natural das coisas.
Talvez agora me encontre na contramão da vida, minhas esperanças parecem frágeis e infantis, mas eu as tenho.
De qualquer modo este tempo antes de acontecer realmente é massacrante para mim, é como a preparação de um luto.
luto
Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal
Tags: casa, conquista, esperança, lar, perda, vovó
27/11/2008 - 22:56
Se me dissessem dois anos atrás que eu recuperaria a fé na vida, no futuro, eu de verdade não acreditaria. Não é discurso de deprimida. A mim parecia uma constatação lógica. Eu tinha concluído que era impossível modificar o rumo da minha carreira. E de fato já tinha tentado vários caminhos que estavam dentro das probabilidades mais eficientes e sem sucesso. Estava provado e concluído que só por milagre.
Eu me descobri então com zero de fé. E fé não adianta querer, ou se tem ou não.
Mas, se como a carreira não seria possível, e o amor…falamos depois. Decidi seguir a “trilha do sucesso” e apostar no time que está ganhando. Decidi investir em ser mãe. Boa mãe. Ótima! Não no sentido tradicional, do tipo que faz bolos, etc. Para mim o sucesso da mãe é a felicidade dos filhos (tive certa dificuldade nisso e não considero mamãe muito bem sucedida neste quesito). Fui bem. Meus filhos são felizes, entrosados, prestativos, obedientes. Claro, não são perfeitos, e esse não é o objetivo.
Começaram a crescer e nossa integração aumentou. Compartilhamos as coisas, a vida, as opiniões. A percepção deles é grande, e eu compreendi que para continuarem felizes, para se realizarem na vida adulta, eu tinha que usar a mesma fórmula (a do time que está ganhando) e dar o exemplo. Armadilha!
Como podia dar ESSE exemplo? Parti em busca! Essa batalha da vida era questão de honra. Meu único sucesso comprovado e aceito pela comunidade!
Decidi tentar. Mudar o olhar. Tentar me conhecer melhor. Observar outros pontos de vista esquecer as negativas e lançar outro olhar. Fazer as coisas se moverem, mesmo sem acreditar que vai dar certo.
Está dando. Não sei dizer exatamente como. Confunde a lógica e descobri muita fé. Fé no passo adiante, naquele passo que leva a outro. Ainda não enxergo muito longe, mas estou feliz. Era meu objetivo mostrar para meus filhos essa possibilidade. Agora está além disso. Contradisse probabilidades. Desafiou a lógica.
Encontro-me em outro espaço agora. O da fé. Onde todas as possibilidades são permitidas.
Espero enxergar o amor de alguma forma. Porque agora me faz falta um homem que me tenha cuidados…
De acordo com a nova lógica simplesmente sigo em frente e posso dizer, mais uma vez que meus filhos salvaram minha vida.
P.S.: Lembrei-me agora que de modo completamente diferente foi assim também com a minha avó. Sinto muita saudade e é uma honra encontrar este vértice.
Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal
Tags: amor, avó, carreira, esperança, fé, felicidade, filhos, lógica, limites, mãe, sucesso, trabalho, vida
04/10/2008 - 20:12
Pensei muito em você hoje. Hoje foi um dia estranho. Como disse antes me sinto em uma montanha russa, alternado euforia com depressão. Parece que minha vida está em suspenso como numa pausa. Faço coisas em preparação, mas não me sinto segura assim. Tenho mil funções, mas o ritmo é lento, e como se tivesse um freio ou um peso, não consigo acelerar. Ao invés disso parece que fujo. Parece que torno o caminho ainda mais longo, não fazendo uma coisa a cada dia. Deixo de cumprir planos e digo que estou desestimulada, mas na verdade é medo. Preguiça talvez. Não medo mesmo.
Fiz prova oral de inglês. Cumpri esta etapa, falta a escrita que faço semana que vem. Tomara que minha amiga venha, porque é de responsabilidades que preciso, e de apoio também, e apoiar. Como sempre me sinto só no caminho, mesmo sabendo que não estou.
É que sou mulher. Hoje choveu e eu lembrei de tudo que poderia ter sido. Pensei na esperança de milagres de histórias erradas poderem como mágica se transformar em certas só porque quero, só porque preciso. Seguindo esse rumo, pensei em você, em você e tantos outros. Mas resta um fio de esperança em você. Mesmo que eu não queira. Talvez nem reste, talvez nem queira (Nossa, como estou confusa hoje!). Pensei em como é alto, em como sua voz me envolve, em como é carinhoso ao manter minhas mãos dentro das suas. Lembrei da maneira como me olha, como parece seduzido, embora não tenha recebido muita ação. Pensei em como preenchia minha feminilidade esperar seus telefonemas, cultivar assuntos em comum. Queria te telefonar, queria voltar às conversas. Mas sei que não sou capaz de me sentir bem neste contexto. Quero mais que conversas, mais que sua voz, mais que seu toque em minhas mãos. Desejo beijos loucos, urgências, o calor da sua pele o peso do seu corpo.
Sem você ficou um vazio neste desejo, uma falta de objetivo, de imagem. Resta a lembrança dos desejos, do abraço na janela, do vinho que bebemos quando nos perdemos um no outro. Estranho depender de escolhas alheias. Triste não ser nunca a escolhida.
Resta esperar. Outro momento. Outro hálito. Esperar é dom dos tempos e trago na alma. No tempo da espera conhecia o rosto, hoje espero uma sensação, um sopro no tempo que como cega não consigo distinguir. Parece que estou sempre me enganando, mas o engano preenche o vazio da espera.
Ainda queria o telefonema errado, para passar a chuva.
Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal
Tags: amor, chuva, desejo, erros, espera, esperança, iluisão, lembranças, mulher
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