Sexo
Se toda intensidade for sexo? Se todo amor for sexo? A busca pelo sexo intenso é a mesma busca pelo amor. Todas as vezes que pensei ser amor era essencialmente sexo e desejo intensos.
No entanto não é do sexo que fortuito que falo. Falo de tesão, de paixão sexual. Aquilo que nos domina a vida e que confundimos loucamente com amor. E pode, porque não, ser fortuito. É uma chama que ao se apagar nada resta, nem mesmo clara lembrança da chama.
Ainda assim aprendi do amor com o sexo. Senti amor neste sexo. Guardei para sempre. Montei em mim um belo mosaico de anseios.
Sinto falta de amor. Mas não posso sentir realmente falta do que nunca tive ou do que talvez tenha de certa forma, em outras roupagens. Então sinto falta realmente de sexo, de tesão, de paixão. Preciso sentir a urgência do outro que é estar apaixonada. A saudade a cada minuto. A necessidade do toque, da presença. Olhar para o outro e desejar ser parte, se tornar parte. Urgente.
O amor começa no sexo. Acaba onde acaba a coragem de viver esta emoção. Neste espaço meus amores acabaram. No momento da escolha, da opção, da coragem de enfrentar a barreiras naturais. Não eram amores, eram sexo. Durante algum tempo mantiveram-se corajosamente amor em mim. Mas o amor não resiste a solidão, não resiste a unilateralidade, se dissipa, se transforma, se guarda em si. Apaga-se como vela soprada e vai para sei lá onde no fundo de mim.
Autor: Coral - Categoria(s): Pessoal Tags: