Até onde vai a bestialidade humana?
A cada dia mais e mais crianças são vítimas da bestialidade humana! Não só nas ruas como também atrás das portas dos barracos e dos palácios. Muitas dessas atrocidades não são denunciadas, porque o traço mais marcante do agressor é a covardia, portanto, a sua vítima predileta é o ser mais vulnerável que existe: a criança, cuja fragilidade a mantém em silêncio diante dos horrores que é submetida, pois dificilmente ela denuncia o seu agressor por medo de sofrer mais ainda. Ela fica em estado de choque. Em abril de 2004 eu fiz o poema “As dores do mundo (Infância violada)” que faz parte da Antologia Vozes Escritas, obra publicada em 2005. Neste poema eu exponho toda minha indignação diante dos horrores que esses seres tão vulneráveis são submetidos . Vamos ao poema.
As dores do mundo (Infância violada)
Crianças rotas engolidas pelos esgotos
infectados, lotados de ratos, tentando escapar
dos atos violentos de homens armados e
dos atos obscenos de homens depravados.
Crianças avariadas, tragadas por um
preparado glutinoso, viciadas pela dor,
humilhadas pela cor e, por decreto,
agonizam sob as pontes de concreto.
Crianças esquálidas, desumanizadas pelos
corpos mirrados, pelas cabeças enormes
entre os ombros disformes, cuja imagem
se configura a um espectro da morte.
Crianças traficadas, mortas e mutiladas,
cujos órgãos seccionados são leiloados
a preço de uma inocente vida para serem
implantados nos corpos em busca de vida.
Crianças exploradas sexualmente, incluídas
como apelo principal do turismo sexual para
servirem aos prazeres do turista bestial que
despeja a sua podridão no corpinho virginal.
Crianças escravizadas, exploradas pelos
pais e patrões em troca de alguns tostões
ganhos com mãos, braços, pernas e pés que
se atarão para sempre aos grilhões da servidão.
Crianças, esses seres tão vulneráveis que por vezes
são aviltados dentro dos seus próprios lares,
pois lá, atrás da máscara de proteção, sofrem
todo tipo de agressão por parte do seu guardião.
Crianças que um dia servirão a essa nação
como meretrizes, assaltantes, traficantes…
que ocuparão espaço nas celas e favelas e
continuarão sofrendo todas as dores do mundo.
Edna Oliveira de Sant’ Ana
Salvador, 02 de Abril de 2004.
Autor: ednaosantana@ig.com.br - Categoria(s): Pessoal Tags: