Vestígios de um tempo

por Edna Oliveira de Sant’Ana

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27/03/2009 -  18:43     

Até onde vai a bestialidade humana?

A cada dia mais e mais crianças são vítimas da bestialidade humana! Não só nas ruas como também atrás das portas dos barracos e dos palácios. Muitas dessas atrocidades não são denunciadas,  porque o traço  mais marcante do agressor é a  covardia, portanto, a sua vítima predileta é o ser mais  vulnerável que existe: a criança, cuja fragilidade a mantém  em silêncio diante dos horrores  que é submetida, pois dificilmente ela denuncia o seu agressor por medo de sofrer mais ainda. Ela fica em estado de choque. Em abril de 2004 eu fiz o poema “As dores do mundo (Infância violada)” que faz parte da Antologia Vozes Escritas, obra publicada em 2005. Neste poema eu exponho toda minha indignação diante dos horrores que esses seres tão vulneráveis são submetidos . Vamos ao poema.

 

As dores do mundo (Infância violada)

 

Crianças rotas engolidas pelos esgotos

infectados, lotados de ratos, tentando escapar

dos atos violentos de homens armados e

dos atos obscenos de homens depravados.

 

Crianças avariadas, tragadas por um

preparado glutinoso, viciadas pela dor,

humilhadas pela cor e, por decreto,

agonizam sob as pontes de concreto.

 

Crianças esquálidas, desumanizadas pelos

corpos mirrados, pelas cabeças enormes

entre os ombros disformes, cuja imagem

se configura a um espectro da morte.

 

Crianças traficadas, mortas e mutiladas,

cujos órgãos seccionados são leiloados

a preço de uma inocente vida para serem

implantados nos corpos em busca de vida.

 

Crianças exploradas sexualmente, incluídas

como apelo principal do turismo sexual para

servirem aos prazeres do turista bestial que

despeja a sua podridão no corpinho virginal.

 

Crianças escravizadas, exploradas pelos

pais e patrões em troca de alguns tostões

ganhos com mãos, braços, pernas e pés que

se atarão para sempre aos grilhões da servidão.

 

Crianças, esses seres tão vulneráveis que por vezes

são aviltados dentro dos seus próprios lares,

pois lá, atrás da máscara de proteção, sofrem

todo tipo de agressão por parte do seu guardião.

 

Crianças que um dia servirão a essa nação

como meretrizes, assaltantes, traficantes…

que ocuparão espaço nas celas e favelas e

continuarão sofrendo todas as dores do mundo.

 

Edna Oliveira de Sant’ Ana

Salvador, 02 de Abril de 2004.

 

 

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19/03/2009 -  12:05     

II ANTOLOGIA DE POETAS LUSÓFONOS

Eu sou um dos autores da II Antologia de Poetas Lusófonos e participo com o poema ”Nação sem noção (Tristes poderes)”.

A apresentação da obra ao público será no dia 5 de Abril de 2009, no Mosteiro Santa Maria da Vitória, Batalha, Leiria, Portugal. A cerimônia terá início às 15:30h, nas Capelas Imperfeitas do Mosteiro, com a atuação da Orquestra Filarmonia das Beiras, seguindo-se, pelas 16:30h, a apresentação da II Antologia de Poetas Lusófonos, no Auditório do Mosteiro da Batalha. A Antologia conta com a participação de quase 140 poetas, oriundos de 12 países. A mesma terá 480 páginas.  Estas informações me foram fornecidas por Sandra Amaro, coordenadora do projeto. Não irei a Portugal para o lançamento do livro, mas ficarei torcendo pelo sucesso do evento.

Edna Oliveira de Sant’Ana

Quinta-feira, 19 de março de 2009.

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17/03/2009 -  08:28     

Testemunho de Fé (A Nossa Senhora)

Mãe Nossa de todas as horas,

Compadecei-Vos de mim,

Perpetuai-me no Vosso socorro,

Acolhei-me no Vosso regaço,

Livrai-me dos embaraços

Que atrapalham os meus passos.

 

Dai-me Vossa mão e guiai-me

Dia e noite, noite e dia.

Dai-me sabedoria para agir

Com prudência, temperança,

Sem duvidar de Vossa condição divina

E sem esquecer de minha condição humana.

 

Nesse longo tempo corrido

Contestei Vosso prodígio,

 Reneguei minha crença por insolência,

Fingi crer por conveniência,

Mas a Vossa indulgência

Sempre me eleva à Vossa presença.

 

A palavra flui fácil,

Parece um testemunho de fé,

Mas a minha alma calcinada

Continua sem ter certeza de nada.

 

 Edna Oliveira de Sant’Ana

Testemunho de Fé (A Nossa Senhora): Meus escritos.

Salvador, 16 de agosto de 2008.

 

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13/03/2009 -  20:28     

Coisas da idade…(Inquietação)

Um dia a gente acorda e percebe que o nosso corpo não responde tão prontamente como desejamos. É um sintoma da passagem do tempo, ou seja, são coisas da idade! À proporção que ela avança o efeito vai sendo devastador! Por mais que se queira ignorá-la, por mais que se tente amenizar os seus efeitos, infelizmente, ela é implacável. Os mais otimistas exibem-se mostrando um pseudo vigor físico, pensando que com isso irá  driblá-la, mas ela continua avançando, alheia às tentativas de impedir à sua trajetória.  Ela fica à  espreita e a qualquer descuido nos derruba. Isso não significa que não devamos lutar, mas há momentos em que o desânimo toma conta e dá vontade de entregarmos os pontos,  de deixar que ela seja soberana e mine, de uma vez,  as nossas resistências. Mas como o instinto de sobrevivência do ser humano é mais forte que tudo, dá-se uma volta por cima e a batalha continua. Sabe-se que é uma luta inglória, pois um dia a dita cuja vai vencer, mas não devemos facilitar o seu intento.

 

Edna Oliveira de Sant’Ana

Inquietação… (Coisas da idade): Meus escritos

Salvador, 25 de Março de 2007

 

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09/03/2009 -  19:18     

Mais uma da Igreja Católica

Essa do Arcebispo de Olinda em dizer que o estupro de criança é um crime menor do que o aborto, com o apoio do Vaticano,  é lamentável! Não é de admirar que a Igreja Católica a cada dia perde espaço para qualquer seita.

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09/03/2009 -  11:46     

De poeta e louco… (Pretensão)

De poeta e louco, todos têm um pouco!

Quem não ouviu ou leu esta oração?

Eu tenho um pouco de cada.

Da minha loucura não direi nada porque

está implícita nas minhas atitudes do dia-a-dia

e em sã consciência nunca é admitida.

Da poeta, fico constrangida ao referir-me assim,

pois sou de uma terra que gerou

grandes personagens que se consagraram

à poesia como Castro Alves (Poeta dos Escravos)

e Gregório de Matos (Boca do Inferno).

Mas nos últimos tempos fico tentando harmonizar

as palavras para declarar um amor,

confessar um segredo, expurgar meus medos,

indignar-me, aliviar as tensões, fugir da solidão,

enfim, faço uso do verso para abraçar o universo,

pois, num instante só, vou do polo sul ao polo norte,

e posso navegar pelo espaço sideral.

 

 

Edna Oliveira de Sant’ Ana

De poeta e louco… (Pretensão): Meus escritos.

Salvador, 04 de Fevereiro de 2005.

 

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