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Arquivo da Categoria Direitos e Deveres

07/11/2009 - 09:18

Problemas que podem ser causados pela frustração profissional

Especialistas em gestão pessoal têm afirmado que muitos dos principais problemas que ocorrem empresas são causados pela sensação de inconformidade que alguns – ou mesmo apenas um – de seus funcionários tem com relação à sua situação dentro delas. Segundo eles, não são raros os casos em que essa “inconformidade” se transforma em frustração e, quando isto acontece, há riscos de problemas cujas gravidades podem ir além dos limites da imaginação. Segundo Angel Fragallo, editor da revista “Carreira & Negócios”, um profissional frustrado não enxerga novos desafios no trabalho, encara a empresa como uma “sugadora de seu sangue”. E alerta: “Essa frustração, quando aliada à falta de caráter, leva muitas pessoas a tentar tirar vantagem de toda e qualquer situação que possa favorecer sua condição individual.”

Realmente, segundo especialistas, isto tem ocorrido com grande frequência em pequenas, médias, grandes e mega empresas em todo o mundo.  Muitas matérias publicadas nas páginas de economia dos principais jornais do Brasil e de outros países informam que o número de fraudes vem crescendo assustadoramente. Segundo a “Carreira & Negócios”, no Brasil os prejuízos causados por golpes contra empresas entre 2003 e 2007 aumentaram de R$ 58 milhões para R$ 136 milhões.

As fraudes mais comuns

A revista informa também que as empresas especializadas em investigações de fraudes garantem que um grande número de golpes foi causado por profissionais frustrados. Lourenzo Parodi, autor do livro “Manual das Fraudes”, diz que a média de perdas por fraude nas empresas brasileiras chega a atingir 8 % do faturamento e que, deste valor, mais de 80% se deve a fraudes com a participação de funcionários ou “colaboradores permanentes”.

As fraudes aprontadas como as mais comuns no Brasil são falsificação de compras ou superfaturamento;  lançamento e reembolso indevidos de pagamentos (exemplo: num jantar com um cliente que custa R$ 200,00, o fraudador solicita uma nota de R$ 400,00 solicita o reembolso da diferença); desvio de mercadorias; falsificação de lançamentos contábeis, faturas e pagamentos de contas, impostos e outros; descontos excessivos para clientes; venda de informações confidenciais e operações irregulares no departamento financeiro (entre estas, as mais frequentes são referentes a pagamentos ou compras que não ocorreram).

Os motivos

Lourenzo Parodi é sócio e diretor da Deall Riscos e Inteligência, uma empresa especializada em detecção, investigação, repressão e prevenção de fraudes. Ele diz que, de uma forma geral, o funcionário que conhece bem a operação da empresa sabe onde estão seus principais pontos fortes e fracos e isto lhe dá uma grande vantagem que pode levá-lo à prática de atos de corrupção como desvios de clientes e negócios e conflitos de interesses quanto à formação de balanço e cálculos de participações.

É difícil prever quem são os participantes dos crimes antes que as investigações sejam concluídas. Parodi diz que há casos que envolvem o porteiro da empresa ou do edifício onde ela funciona, e há casos que envolvem até mesmo parentes do próprio empresário. O investigador afrma que ele mesmo já cuidou de casos em que filhos dos empresários, que eram diretores ou tinham alguma forma de poder em relação às empresas, foram autores de fraudes contra as mesmas.

O que a frustração profissional tem a ver com tudo isto?

Os especialistas em investigações de fraudes nas empresas apontam várias razões que facilitam essas ocorrências. Uma delas é a fragilidade no processo de contratação. Para eles, os departamentos de recursos humanos (RH) e de segurança devem trabalhar de forma integrada, com critérios, normas e procedimentos de segurança para evitar contratações de pessoas com perfis inadequados.

Eles também afirmam que os pontos vulneráveis no controle interno das empresas não são raros. Com muita frequência, as investigações também comprovam ausência de supervisão, de métodos tecnológicos que registrem acessos a certas informações. Mas informam também que, entre os casos mais comuns, estão os aliciamentos de funcionários por concorrentes que prometem recompensa financeira ou cargos hierarquicamente mais elevados e com salários mais altos. Ou seja: aliciam os funcionários profissionalmente frustrados em relação à sua situação na empresa.

Há também os casos em que funcionários frustrados “puxam o tapete” para derrubar colegas de trabalho que conseguem progredir na empresa. Neste caso, provavelmente o funcionário não é frustrado porque a empresa não o valoriza, mas porque é incompetente – é provável que o outro funcionário tenha sido mais valorizado por demonstrar maior competência.

Porém, os conflitos entre funcionários podem também ser causados por falhas nas formas  de comunicação, que geralmente resultam em falta de clareza das funções e atividades de cada um deles. Isto também gera frustração profissional e conflitos entre colegas.

Para evitar a frustração causada pela incompetência

Tanto para quem ainda escolherá sua profissão tanto para quem já atua na que escolheu, nunca é demais seguir alguns conselhos daqueles que tiveram mais experiência. Por isto, escolhi algumas frases ditas ou escritas por pessoas bem sucedidas.

  • William Sheakespeare, teatrólogo inglês – “A vida é como uma peça de teatro que não foi ensaiada.”
  • Albert Einstein, cientista alemão – “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é o dicionário”.
  • Lao Tse, filósofo chinês: “A caminhada pode ser longa ou curta, mas sempre começa pelo primeiro passo. Por isto, este é o passo mais importante.”
  • Kung Fu Tzu (”Confúcio”), filósofo chinês – “Aquele que só tenta se defender se esconde abaixo do nível do solo, mas aquele que está preparado tanto para a defesa como para o ataque necessário viaja acima do mais alto nível do céu.”

Ao profissional que por acaso estiver pensando em cometer alguma fraude, aconselho levar em conta, antes que tenha motivos para se arrepender, um antigo ditado chinês:

“Depois que um vaso se quebra, seus pedaços podem ser colados, e a colagem pode ser tão bem feita que nem se percebe as linhas entre os pedaços. Porém ainda assim, enquanto ainda existir, o vaso será sempre um vaso quebrado.”

Em outras palavras: depois de ser descoberto, o profissional fraudador pode até não ser punido judicialmente ou mesmo nunca mais cometer uma fraude ou qualquer outro tipo de crime, mas será sempre visto como um profissional fraudador. Deixem-me dizer isto de outra forma:

A credibilidade é algo que pode ser mantido por toda a vida. Porém se algum dia houver uma razão qualquer para que ela seja perdida, ela será perdida e nunca mais será recuperada.

Referências:

  • ” Trabalhando com o Inimigo” -revista “Carreira &  Negócios” – no. 2 – Editora Dibra – São Paulo – SP
  • “Evolução na Carreira”  e “13 Frases Usadas na ‘Gestão & Negócios’”- revista “Gestão & Negócios” – no. 14 – Editora Escala – São Paulo, SP
  • “Quotable Quotes” (”Frases interessantes”) – revista “Reader’s Digest” – editora: Readr’s Dgest Association, Inc. – New York (”Nova York”), NY – Estados Unidos


Autor: Elias Alves - Categoria(s): Assessoria, Comunicação, Conhecimento, Consultoria Empresarial, Cultura, Direitos e Deveres, Emprego, Informação, Pessoal, crime, imagem Tags:
06/11/2009 - 13:52

Na escolha da profissão, cuidado com a frustração!

Frustração Proissional

Escolher uma profissão não é tão fácil quanto possa parecer. Não basta dizer “gostaria de ser um profissional em…”. Para ser bem sucedido em qualquer setor profissional, é preciso conhecer todos os detalhes da profissão a ser escolhida: todas as funções,  atribuições, situação no mercado de trabalho, chances de desenvolvimento em todos os sentidos, estatutos, direitos, obrigações, obrigatoriedades, etc.

Na escolha de uma profissão, assim como em qualquer outro momento da vida, é importante lembrar que “obrigação” e “obrigatoriedade” não tem o mesmo significado. A obrigação é a consciência que a própria pessoa tem sobre a necessidade do dever a ser cumprido. A obrigatoriedade é um encargo que tem que ser tomado como obrigação, porém proveniente de determinadas condições, ocorrências, imposições legais, etc.

Como lembra Angel Fragallo, editor da revista “Carreira & Negócios”, algumas pessoas dizem que “a inconformidade é o combustível da ascensão profissional”. No entanto, também como lembra o próprio Fragallo, essa inconformidade costuma se aprofundar até se transformar em frustração.

Um profissional frustrado é um profissional decepcionado, desanimado, que não vê perspectivas de crescimento profissional, que acha que a empresa para a qual trabalha exige demais dele, não o valoriza como ele merece (ou pensa que merece). É aquele profissional que acha – ou realmente percebe – que a empresa lucra com seu trabalho mas não reconhece seu valor profissional.

Este é um tema delicado a ser tratado, mas importante, principalmente para você que está prestes a participar de um vestibular. Não faça a escolha do curso apenas porque você acha que as provas serão mais fáceis ou porque o número de vagas oferecidas é maior.  Escolha-o porque aquela é realmente a profissão que você quer. Antes disto, porém, faça pesquisas para saber se realmente essa profissão escolhida lhe trará, no futuro, o que você espera e o necessitará.

Um dos caminhos para o resultado dessa pesquisa pode ser a realização de um teste vocacional. Procure um desses institutos de psicologia aplicada para esta finalidade. Antes disto, procure conhecer a credibilidade do instituto a ser escolhido. Você pode também – e, se for possível, até deve – solicitar conselhos de profissionais bem sucedidos que você conheça.

Outra forma de saber se a profissão que você pretende escolher é realmente aquela que você espera que seja a que corresponderá às suas expectativas é visitando locais de trabalho. Por exemplo: se você quer ser um profissional de marketing e propaganda, visite uma agência de propaganda, departamentos comerciais de rádio, televisão, jornais e revistas, etc. Antes de fazer a visita, é importante telefonar para o local a ser visitado e solicitar a possibilidade de visitá-lo, pois desta forma a empresa estará preparada para recebê-lo e lhe dar toda a atenção necessária.

Use todas as formas possíveis e legais para evitar a frustração profissional. Você deve, por exemplo, procurar se assegurar de que você será assertivo na profissão. “Assertividade” significa “afirmação”, mas, num sentido mais amplo, em termos profissionais, entende-se por “assertivo” o profissional afirmativo que é capaz de vencer pela influência, revelando grandes possibilidades de obter sucesso em negociações.

Jamais escolha aquela profissão que seu pai e/ou sua mãe querem para você. Escolha a profissão que você deseja, mas com o devido cuidado de observar previamente se você tem os quesitos necessários, tais como os referidos acima. Não basta ser bom em matemática e física para ser um bom engenheiro. Não basta se preocupar com a saúde das pessoas para ser um bom médico ou um bom enfermeiro. Não basta gostar de “mexer com eletricidade” para ser um bom eletricista.

No artigo “Problemas que podem ser causados pela frustração profissional” (acima deste) você verá informações sobre os perigos que a frustração pode acarretar tanto para o próprio profissional quanto para a empresa.

Referência: Revista “Carreira & Negócios” no. 2 – Editora Dibra – São Paulo, SP


Autor: Elias Alves - Categoria(s): Direitos e Deveres, Emprego, Pessoal, Profissional, Psicologia, Vida Tags: , , , , ,
14/09/2009 - 20:37

As conquistas das mulheres: necessárias, mas com conseqüências devido à falta de preparo da sociedade para as mudanças.

As mulheres ganharam um “Dia Internacional”, mas isto está longe de ser o suficiente em comparação ao que a sociedade deve a elas.
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Não se pode negar que as mulheres têm conquistado muitos espaços até há pouco tempo reservados aos homens na sociedade de uma maneira geral. Até poucas décadas, mesmo a maioria das próprias mulheres afirmava que o “lugar” da mulher era “dentro de casa, cuidando da cozinha, das roupas da família e da limpeza da casa”. Pensamento retrógrado? Claro que sim, mesmo na própria época em que isto ainda ocorria.

Entretanto, se as mulheres foram aos poucos conquistando seus espaços, elas batalharam muito por isto, mas esta não foi a única razão. Um dos fatores que mais contribuiram para isto foi a exigência causada pelo volume de problemas do mundo moderno. Fala-se muito na atual crise econômica mundial, mas todo o século 20 foi tomado por crises isoladas de cada país, internacionais e mundiais. Durante a década de 1980, houve períodos em que o índice da inflação no Brasil atingia níveis acima de 50 por cento ao mês. fatos como estes fizeram as famílias, especialmente as das classes médias superior e inferior e as das classes baixas, entenderem que não bastava somente o “chefe da casa” trabalhar fora. Tornou-se necessário que as mulheres também assumissem empregos, fizessem cursos de nível superior de engenharia, medicina, direito e outros até então ainda dominados por uma imensa maioria masculina, para que se obtivesse a renda mínima familiar necessária.

Isto não significa que as mulheres não conquistaram esses espaços graças a seus próprios esforços. Ao contrário: as necessidades econômicas foram a porta de entrada que lhes possbilitou amplas condições para demonstarem que são tão capazes quanto os homens em diversas atividades.

A princípio elas começaram a ocupar vagas nas empresas de diversos setores como secretárias, recepcionistas e outros cargos ainda hoje ocupados por uma maioria feminina. Em pouco tempo começaram a se tornar diretoras, gerentes, presidentes de empresas, institutos e organizações governamentais e não governamentais. E não são poucas as que são donas de empresas de pequeno, médio e grande portes. No mundo já existem países governados por mulheres presidentes, primeiras-ministras, etc.

Isto trouxe problemas? Sim. Não existe uma sociedade perfeita em lugar algum do mundo, seja ela matriarcal ou patriarcal. O fato de o pai e a mãe terem que “trabalhar fora” ao mesmo tempo levantou outra questão: “Quem vai cuidar das crianças em casa?”. Como solução, surgiram as creches, muitas com serviços de boa qualidade em termos de alimentação, cuidado com a saúde das crianças, etc. Mas apresentam um problema inevitável: as crianças estão sendo cuidadas e educadas por funcionários das creches – gente que não faz parte da família que deveria educá-las. Os contatos com os pais e as mães são poucos: de segunda a sexta-feira, somente à noite. Restam ainda os finais de semana, mas são só dois dias – sábado e domingo. Existem também os trinta dias de férias anuais, mas isto ainda em pouco.

O pior acontece quando chega a idade escolar: a criança passa uma parte do dia na escola, a outra parte na creche. E nos momentos de folga dos pais, em que estes poderiam lhes dar maior atenção, ou em que elas poderiam brincar com outras crianças, terão que estudar para as provas ou fazer as lições de casa para a escola. Isto sem falar que “papai” e “mamãe”, cansados devido ao dia-a-dia de trabalho, à noite querem assistir ao notíciário ou, para espairecer, ver o futebol ou a novela da tv. Depois, toda a família tem que ir dormir. No dia seguinte, repetir-se essa rotina enfadonha e desgastante.

Os filhos trocam os pais pelos “amigos virtuais”

As crianças e os adolescentes sentem a necessidade de conversar, mas o pai e a mãe alegam falta de tempo e cansaço. Como nem sempre confiam nos amigos que conhecem pessoalmente, mas têm que conversar com alguém, os filhos passam horas diante do computador, muitas vezes de madrugada, “conversando” com os amigos virtuais enquanto os pais pensam que eles dormem.

Culpa do computador? Culpa da internet? Não! Culpa apenas da falta de diálogo, um problema que os pais e mães nem sempre percebem. Carentes de atenção, esses meninos e essas meninas interpretam os “amigos” da internet, os quais eles nem sabem quem são, como se fossem verdadeiros amigos. Em muitos casos, mais do que isto: como se fossem sua verdadeira família. Afinal, estes, mesmo estando longe e não podendo ser sequer vistos, os “amigos virtuais” paracem dar a atenção que os filhos não obtêm do pai e da mãe. E, é claro, os filhos não contam coisa alguma a esse respeito aos pais, a qualquer outra pessoa da família ou aos amigos do mundo real.

Aí começa o perigo. Os filhos contam a esses “amigos invisíveis” problemas da família, chegam a marcar encontros sem o consentimento ou o conhecimento dos pais, e por aí vai. Portanto, não é surpreendente o fato de estar crescendo o índice de desaparecimentos de crianças, adolescentes e jovens. Nem é de se estranhar também o número crescente de pessoas nessas faixas etárias que estão se entregando ao consumo de cigarros, bebidas alcoólicas e drogas, buscando encontrar na ilusão causada por esses produtos o que não conseguem obter na vida real: apenas um pouco mais de atenção, inclusive e principalmente da própria família.

A sociedade não se preparou para as mudanças

Por favor, não me interpretem mal. Não estou dizendo que isto acontece por causa das “conquistas” das mulheres, que hoje ocupam cargos importantes em vários setores de atividades. Na verdade, esses problemas se agravam devido a muitas razões impossíveis de ser listadas aqui. Mas creio que os problemas se agravam também porque as “conquistas” das mulheres ocorreram sem que a sociedade estivesse devidamente preparada para assimilar as mudanças que elas causaram – inclusive no convívio familiar. Antes, pelo menos a mãe passava mais tempo com os filhos. Agora, mãe e pai passam o dia ausentes e, à noite, nem sempre têm disposição para o diálogo necessário.

Sou contra as conquistas femininas? Não, pelo contrário. Acho que homens e mulheres merecem e precisam ter direitos iguais, e tem que ser igualmente respeitados em todo os níveis. Penso, também, que essas conquistas significaram muito, para as mulheres e para os homens, mas ainda são poucas, talvez devido ao conservadorismo que ainda predomina em muitas instituições. Cito como exemplo a Igreja Católica: prega o direito de igualdade entre homens e mulheres, mas as principais cerimônias – como as missas, os casamentos e os batizados – ainda são ministradas por padres. Por que não por madres?

Quanto aos cargos, sejam eles políticos, sociais ou profissionais, creio que não importa que sejam ocupados por homens ou mulheres. O mais importante é que as pessoas destinadas a ocupá-los sejam competentes, independentemente do sexo. Mas é importantíssimo que tanto homens como mulheres tenham todos os seus direitos e sua dignidade igualmente respeitados.

Autor: Elias Alves - Categoria(s): Comportamento, Computador, Conhecimento, Direitos e Deveres, Educação, Emprego, Informação, Internet, Sociedade, Vida, adolescentes, crianças, família, filhos, jovens, mães, pais Tags: , , , ,
27/08/2009 - 18:24

Razões e consequências das “manifestações de rua”

Este vídeo – sem áudio, mas as imagens já expressam bem o pensamento do produtor, que se identifica como “lilisarbdhp” -  foi publicado no Youtube sob o título “Brasil, um país de dúvidas”.

Problemas sociais no Brasil sempre existiram durante os 509 anos desde o Descobrimento. Porém, preferi iniciar este artigo me referindo à década de 1980 devido a um fato importante ocorrido no Estado de São Paulo em 1983.

O dia 5 de abril daquele ano ainda deve estar bem nítido na memória de muitos paulistas, especialmente os que na época residiam em Santo Amaro. O que era para ser apenas mais uma manifestação de trabalhadores contra o desemprego de repente se transformou numa onda de violência e saques a supermercados, mercearias e lojas que logo se alastrou por vária regiões do Estado.

Não tardou para que o mesmo ocorresse em outras regiões do país. Durante os anos 1980 houve um crescimento sem precedentes no sentimento de insegurança dos brasileiros em razão de atos como saques e vandalismo. Para algumas pessoas, eram “casos isolados”, como costuma dizer o governo atual. Para outras, eram ações comandadas pelo governo federal para desestabilizar os governos estaduais controlados pelos partidos oposicionistas. Havia também os que opinavam que que se tratava de ações incentivadas por partidos oposicionistas contra o governo federal. Mas poderiam também ser simplesmente atitudes insensatas causadas pela insatisfação devido a promessas feitas antes das eleições pelos partidos da opisição e pelo da situação mas nunca cumpridas.

Evidentemente este não é apenas um problema brasileiro, nem é característico de uma determinada época. Parece-me que basta verificarmos o que a história das manifestações populares e políticas no mundo nos ensina para percebermos que elas tem e sempre tiveram fortes relações entre si. Seja o governo de um país comandado por um partido de “esquerda” ou de “direita”, sempre existe a visão – a meu ver, correta – de que é preciso manter a ordem e a disciplina. O problema é que esta mesma visão também serve como razão para que haja uma reação repressiva que começa com uma aparente tranquilidade e aos pucos se torna rigorosa e, não raramente, extremamente violenta. Isto ocorre porque os que temem perder seus empregos se unem aos desempregados, e essa união forma um contingente que traz preocupações à sociedade e aos governos. Imediatamente, o policiamento, que quase nunca é visto, surge para controlar ruas e praças – uma atitude necessária para proteger a própria cidade, mas que provavelmente tem o objetivo de resguardar os interesses do próprio governo.

Os objetivos e as razões das manifestações públicas

Os participantes das manifestações públicas – no Brasil, popularmente conhecidas como “manifestações de rua” – alegam sempre as mesmas razões: desemprego, necessidade de aumento de salário, falta de segurança pública, falta de segurança no trabalho, problemas na prestação de serviços de saúde, etc. Realmente todos esses problemas de fato existem e são graves. Os desempregados não conseguem retornar ao mercado de trabalho, os que tem empregos constamente correm o risco de perdê-los, os salários dos políticos (que já são altos) são aumenmtados rapidamente e em altas porcentagens enquanto o nível de aumento do salário mínimo, quando ocorre, continua sendo insuficiente. O trabalho e o salário são as principais condições mínimas necessárias para a estrutura da vida cotidiana de qualquer cidadão. Como resultado, vem as manifestações, raramente organizadas como deveriam ser, e portanto servindo apenas para aumentar o caos.

Aspectos sociais do desemprego

O desemprego não significa apenas que o cidadão está deixando de ganhar seu salário. É um fenômeno que tem que ser visto sob vários aspectos sociais. A maioria dos que trabalham veem o indivíduo que não trabalha – ou não consegue trabalho – há muito tempo como um “vagabundo”, pejorativamente. Acontece, porém, que muitos dos desempregados não conseguem voltar a ocupar seu espaço no mercado de trabalho por várias razões, sendo duas as principais: por um lado, não há vagas suficientes para atender a toda a demanda; por outro, falta “qualificação” ou “capacitação profissional”, termos atualmente muito usados por governos e empresas para justificar a carência de contratação.

Isto me faz lembrar um outro fator importante que contribui para o desemprego. A falta de qualificação ou de capacitação provém do baixo nível de escolaridade num país como o Brasil, onde o ensino particular é caríssimo e o ensino público – aquele que é oferecido gratuitamente pelos governos federal, estaduais e municipais – ainda é um dos piores do mundo. Com um nível educacional tão ruim, certamente é grande o número de desempregados e empregados que tem ouvido falar muito em “capacitação” e “qualificação” mas não sabem o que isto significa(*). Mesmo os empregados são, vez por outra, “convidados” a fazer cursos de capacitação. Entretanto, esse “convite” soa para eles como uma ameaça: “ou você faz o curso, ou será dispensado para que seu lugar seja ocupado por quem precisa de emprego e está capacitado”. E quando descobrem o que essas duas palavras significam, tanto empregados como desempregados se sentem inferiorizados, pois seus patrões, governantes, etc., estão lhes dizendo que eles são incapazes, ou pelo menos não tão capazes quanto outros que poderão ser contratados.

Mensagens otimistas

As mensagens aparentemente otimistas do crescimento (ainda insignificante) de índices de emprego que vemos através de noticiários da TV, jornais, internet, etc., parecem contribuir para o crescimento de um sentimento extremamente negativo para quem ainda está desempregado. Ao tomar conhecimento de que pessoas estão sendo empregadas enquanto eles nada conseguem apesar de estar “correndo atrás” há tanto tempo, muitos desempregados sofrem a perda da auto-estima. Eles estão sendo expostos a uma situação de constrangimento por achar que os empregadores os consideram incapazes, ou menos capazes do que aqueles que estão sendo contratados. Aí, vale-nos perguntar: como comseguir a tal qualificação ou a capacitação, se os cursos são caros ou, quando gratuitos, oferecem um número de vagas limitadíssimo?

Não quero dizer que estes fatos justificam os atos de vandalismo ou de saques, assaltos, etc. Quero apenas dizer que é preciso avaliar uma imensa série de situações que são os pilares para a compreensão dos problemas causados pelo desemprego, pela insegurança no emprego e pelas manifestações provenientes dessas duas situações. Isto me leva a justificar por que tomei como base aquela manifestação em Santo Amaro em 1983. É preocupante o fato de nos lembrarmos que cerca de 600 mil pessoas participaram daquele ato, porque na época, este número representava cerca de 38% da população da cidade, que tinha em torno de 1.600.000 habitantes. Era uma minoria, mas ao mesmo tempo representava mais de 70% da metade da população. Imaginem como seria uma manifestação como aquela com a população de hoje em qualquer cidade brasileira.

(*) “Qualificação” é o mesmo que “aptidão”, “habilidade”, é a condição de quem é “qualificado”, ou seja, “capaz”. “Capacitação” é a condição de quem se torna capacitado, ou seja, em condições de ser qualificado.

Referências:

  • “Saques e Desemprego”, de Paula Yone Stroli (pesquisadora do Centro de Estudos de Cultura Contemprânea – CEDEC) e Irlys A. F. Barreira (pesqusiadora assistente do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Ceará – UFC) – revista “Ciência Hoje”, no. 12, Vol. 2 – publicação da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) – Rio de Janeiro, RJ;
  • “Almanaque Abril 2001 Brasil – Editora Abril – São Paulo, SP.
Autor: Elias Alves - Categoria(s): Comportamento, Conhecimento, Cultura, Desemprego, Direitos e Deveres, Economia, Educação, Emprego, Política, População Brasileira, Segurança, Sociedade, Vida Tags: , , ,
24/07/2009 - 22:57

O sal, o salário e o salário mínimo – breve resumo de uma longa história

“Que valor do salário devo pedir?” – esta é uma dúvida freqüente entre candidatos a empregos e entre empregdos que reivindicam aumentos salariais.
(vídeo de “Videobpi”)
 

Em todos os países do mundo, sociólogos, economistas, políticos e principalmente empregados e desempregados estão sempre discutindo problemas relativos a um item cada vez mais necessário à sobrevivência da maioria das pessoas: o salário.

O “sal” de cada um

- O que o sal tem a ver com o salário?

Muito! na verdade, a história do salário começou através do sal. Em Roma, alguns séculos antes de Cristo, os soldados do império, trabalhadores e pequenos comerciantes recebiam como seus soudos um certo volume em sal. A isto os romanos chamavam de “salarium argentum” – “pagamento com sal” em latim. Da palavra latina “salarium”, veio a palavra ”salário” em português, idioma originário do latim. Mas o sal não era apenas um elemento a mais na alimentação dos romanos: era também empregado na compra de certos bens. Era, portanto, uma “moeda corrente” paralela em Roma naqueles tempos em que havia várias moedas correntes oficiais, entre elas o dinário e o sestércio.

Essa antiga relação entre o sal e o salário ainda hoje influencia até a nossa maneira de falar. É por isto que, numa expressão muito popular, quando desejamos comprar algo que está caro, dizems que o preço está “salgado”.

O salário e a remuneração

“Salário” e “remuneração” não são a mesma coisa. O salário é o pagamento em dinheiro. A remuneração inclui o próprio salário e “benefícios” como tíquete-alimentação, auxílio-doença, moradia, vestuário e outros previstos em lei segundo o critério estabelecido para cada categoria profissional. No Brasil, o salário é pago como contraprestação por serviços realizados pelos empregados e a remuneração inclui “benefícios”, gratificações e outros adicionais de acordo com os critérios dos empregadores ou dos entendimentos entre estes e seus empregados, previstos em leis.

Em outras palavras, o salário é o preço oferecidos pelo patrão ao empregado por serviços realizados por um determinado período (quinzena ou mês) ou por produção. Em certos casos, o valor do salário é determinado pela capacidade de produtividade do empregado, ou seja, como uma forma de incentivar o funcionário a produzir mais e melhor.

Entre os militares, o salário é chamado de “soldo”. Por isto, aqueles que prestam serviços militares (Exército, Marinha, Aeronáutica, Polícia Militar e Corpo de Bombeiros) são chamados de “soldados”.

O salário mínimo

O salário mínimo foi instituido no Brasil no dia 1º de maio de 1940 (*), durante o governo de Getúlio Vargas. Embora muitas pessoas acreditem que por isto se comemora a data de 1º de maio como o “Dia doTrabalhador”, não é verdade. A comemoração em homenagem aos trabalhadores, sempre em 1º de maio, é uma tradição nos Estados Unidos e em outros países desde muito antes de 1940.

O salário mínimo deveria ser suficiente para atender às necessidades materiais básicas (alimentação, habitação, tratamento de saúde, vestuário, higiene e transporte). Isto atenderia a uma reinvidicação que vinha sendo feita pelos trabalhadores brasileiros desde 1917, mas na realidade o salário nunca foi suficiente para isto. Houve reduções e aumentos ao longo de todo o século XX. Na verdade, muito mais reduções do que aumentos. E estes nunca foram suficientes para garantir uma vida materialmente digna. A situação ficou ainda pior a partir de 1962, devido às sucessivas acelerações da inflação.

Em 1964, através de um golpe de Estado, os militares assumiram o governo. A partir de então, foram adotadas políticas monetárias para manter um salário nacional médio, mas ainda insuficiente. Atualmente, o salário mínimo vale R$ 465,00, o que ainda é pouco em relação à realidade das necessidades dos que o recebem.

Referências:

  • “Getúlio Vargas” – “Quem é Quem na História dos 500 anos do Descobrimento do Brasil” (edição especial do “Almanaque Abril” ano 2000) – Editora Abril – São Paulo, SP.
  • “O Estado Novo”  (”Almanaque Baril” ano 2001) – Editora Abril, São Paulo, SP.
  • “O Estado Novo” (”Almanaque Liza Mundial”) – Editora Liza, Rio de Janeiro, RJ.
Autor: Elias Alves - Categoria(s): Comunicação, Conhecimento, Cultura, Desemprego, Direitos e Deveres, Emprego, Informação, Política, Sociedade, Vida, linguagem Tags: , ,
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