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Arquivo da Categoria crianças

10/11/2009 - 12:39

Por que é tão necessário saber falar inglês?

Se você é uma dessas pessoas que dizem “eu não quero aprender inglês porque não gosto”, ou por causa do que chamam de “imperialismo americano”, ou qualquer outra razão, você precisa saber duas coisas. Aquela época em que as pessoas podiam se dar ao luxo de aprender apenas o que gostavam acabou. Nos dias de hoje, se quisermos ser valorizados, somos obrigados a aprender o que queremos e muitas coisas que não queremos. Saber falar outros idiomas, por exemplo, está se tornando algo cada dia mais necessário para qualquer pessoa que queira exercer qualquer profissão, seja de nível técnico ou superior. Saber falar e escrever bem em inglês é fundamental para garantir sucesso em qualquer profissão, seja no Brasil ou em qualquer país do mundo. As razões para isto, além de ser muitas, são bem profundas.

No Brasil, além do inglês, é muito importante também aprender o espanhol, principalmente por causa da participação do nosso país no Mercosul. E se você acha que isto é exigir muito, vá se preparando, porque já existem empresas que exigem que seus funcionários dominem muito bem o inglês, o espanhol e um terceiro idioma estrangeiro – preferencialmente o francês.

Razões que nos obrigam a ter um bom domínio de inglês

É muito fácil entender por que o inglês é tão necessário no currículo de um profissional de qualquer área. Isto não ocorre apenas porque é o idioma falado nos Estados Unidos.

Os números já tornam essas razões bem claras. O inglês, como idioma oficial, é usado por mais de 350 milhões de pessoas no mundo, e é usado como forma de comunicação por um número ainda muito maior que envolve pessoas não nascidas e que não vivem em países de língua inglesa. Algumas das razões para isto foram as conquistas do Império Britânico ao longo de sua história. Atualmente, muitos dos países que já fizeram parte do império formam uma espécie de associação voluntária chamada “Commonwealth of  British Nations” (”Comunidade das Nações Britânicas”), que até 1946 se chamava “British Commonwealth” (”Comunidade Britânica”). A Comunidade é composta por 50 países membros como Estados independentes e um grande número de colônias como o arquipélago das Bermudas, as Ilhas Falklands (ou “Malvinas”) e Gibraltar, onde o governo britânico é responsável pela defesa, relacionamentos com outros países e segurança internacional.

Há. ainda, o Reino Unido, o qual muitas vezes é confundido com a Comunidade das Nações Britânicas. O nome oficial é “United Kingdom of Great Britain and Northern Ireland” (”Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte”). Sua sigla em inglês é “U.K.” (”United Kingdom”). Inclui quatro países (Inglaterra, Irlanda do Norte, Escócia e País de Gales), muitas ilhas pequenas e a região nordeste da ilha da Irlanda. Em todas essas áreas obviamente o idioma oficial é o inglês, assim como em ex-colônias britânicas que hoje são alguns dos países de grande importância econômica mundial, como os Estados Unidos e o Canadá na América do Norte, a Austrália na Oceania e a Índia (*) na Ásia.

A razão que nos obriga a ter o domínio do inglês não é apenas o grande número de pessoas que usam o idioma como língua oficial no mundo. É que, além disso reafirmar a importância do inglês comercialmente,  é preciso considerar o avanço da globalização.

A globalização é um processo de integração econômica mundial que acontece como consequência da abertura do comércio internacional. É um mecanismo que busca reduzir custos  e aumentar produtividade na fabricação de mercadorias e no fornecimento de serviços que tem dois fatores como fundamentais para sua consolidação: a queda de barreiras alfandegárias e os acelerados avanços tecnológicos especialmente na área de informação.

Esses avanços tecnológicos acontecem principalmente na forma de mudanças frequentes no setor de informação,  destacando-se a telefonia móvel e fixa, a radiodifusão, a televisão, a computação e – obviamente – a internet. A combinação destes fatores provoca drásticas mudanças no processo produtivo. Consequentemente o inglês, como idioma que se destaca internacionalmente cada vez mais (**), torna-se evidente a obrigatoriedade do domínio desse idioma para o sucesso – mesmo apenas local – de todos os idiomas num futuro próximo.

Conselhos

Quando eu digo que você precisa aprender inglês, não me refiro a se dedicar apenas a aprender o que já se ensina dentro dos currículos escolares de primeiro e segundo graus ou de nível superior. Eu quero dizer que você precisa aprender inglês mesmo, dominá-lo muito bem.

Existem cursos pela internet, alguns gratuitos, mas estes só ajudarão você a conhecer algumas palavras e fazer alguns exercícios. Para aprender inglês você terá que se matricular numa boa escola de línguas. Escolha a que você considerar como a melhor, mas preferencialmente uma das mais conhecidas no Brasil.

Algumas universidades e faculdades brasileiras oferecem cursos de vários idiomas, inclusive de inglês, que são de alto nível e estão entre os que cobram taxas mais baratas. Esses cursos são oferecidos através de um sistema de parceria entre o Ministério da Educação e a Cambridge University. Não precisa ser universitário para realizar os cursos, que são também oferecidos para crianças. E se você tem filhos que ainda são crianças, matricule-os num curso de inglês imediatamente, pois eles vão precisar disso no futuro – e quanto mais cedo começarem, melhor para eles.

No próximo artigo, abordarei a necessidade de aprender espanhol.

(*) Na Índia, existem mais de 400 idiomas, segundo cada região do país. O inglês é um deles.

(**) Observe os termos técnicos profissionais mais usados, mesmo quando os textos são escritos em português: “know how”, “joint venture”, “marketing”, etc. Na medicina, até mesmo o nosso ADN (ácido desoxi-ribonucléico) é mais conhecido como “DNA” (”desoxirribonucleic accid”).

Referências:

  • Wikipedia
  • Almanaque Abril – Mundo – Editora Abril – São Paulo, SP
  • Revista “Carreira & Negócios” no. 2 – Editora Dibra – São Paulo, SP


Autor: Elias Alves - Categoria(s): Comunicação, Conhecimento, Cursos, Economia, Educação, Informação, Telecomunicação, crianças, linguagem Tags: , , , ,
05/11/2009 - 19:48

Walt Disney – a história de um contador de histórias

A história do contador de histórias

mais famoso do mundo.

Não se pode ter dúvidas de que Walt Disney teve o grande mérito de trazer muita diversão e cultura a pessoas de todas as idades, principalmente às crianças de todas as gerações desde a década de 1920 até hoje. A influência de seu trabalho foi tão grande que encantou gerações do mundo inteiro durante sua vida e ainda encanta, mesmo 43 anos depois de sua morte.

Walt Disney

No vídeo acima, o filme curta-metragem “Aquarela do Brasil”, que tem o Pato Donald como  protagonista. Nele aparece o personagem brasileiro, o papagaio Zé Carioca, a quem os norte-americanos chamam de “Joe  Carioca”. Esta foi uma homenagem de Walt Disney ao Brasil e a artistas brasileiros como Ary Barroso, autor da música tema que, no filme, foi cantada por Aloysio Oliveira. Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda, aparece cantando “Os Quindins de Iaiá” com Aloysio Oliveira e dançando com o Pato Donald, que tenta sambar de uma forma muito desajeitada e divertida.

No vídeo abaixo, a abertura da festa de Natal de 2008 no Disney World. A cantora e atriz Miley Cyrus (a “Hanna Montana” da série da Disney que no Brasil é apresentada pelo SBT), canta a tradicional canção natalina “Santa Claus is Coming to Town” (”Papai Noel está vindo para a cidade”).

Seu nome verdadeiro era Walter Elias Disney. “Walt” era o apelido pelo qual seus amigos a familiares carinhosamente o chamavam desde quando  ele era criança. Por gostar de ser chamado assim, adotou o apelido como “nome” em sua assinatura, e se identificava como “Walt Disney” às pessoas às quais se apresentava ou era apresentado.
Alguns autores dizem que Walt Disney nasceu em Illinois, no estado de Chicago, Estados Unidos. Outros afirmam que ele nasceu em Los Angeles, na Califórnia. Talvez essa incerteza quanto ao seu local de nascimento tenha sido causada pelo fato de ele não ter registrado quando nasceu. Sabe-se, porém, que seu nascimento ocorreu no dia 5 de dezembro de 1901.
Walt Disney foi uma espécie de “Leonardo da Vinci” das artes do século XX (*). Foi produtor e diretor de filmes, roteirista, dublador, animador de programas de televisão, mas, acima de tudo, um filantropo e um grande empreendedor.  Pessoas que chegaram a conhecê-lo pessoalmente costumam dizer que, quando alguém lhe pedia um conselho para ser bem sucedido na vida como ele mesmo foi, ele sempre dizia apenas isto: “Nunca pare. Siga sempre em frente.”
Walt Disney começou a ficar famoso na década de 1920, através da criação de seus personagens mais conhecidos, e que são também ainda hoje os mais populares das histórias em quadrinhos e dos desenhos animados no mundo.  ”Mickey Mouse” (”O Rato Mickey” ou “Camundongo Mickey”) surgiu pela primeira vez no curta-metragem em preto e branco “Steamboat Willie” (”Willie”, o Barco a Vapor), o primeiro desenho animado sonoro do mundo, produzido em 1928. O sucesso do ratinho foi tão grande que ele prosseguiu como o personagem principal em outros desenhos animados. Ao longo da série, foram surgindo seus amigos, como Pato Donald, o Pateta, o cachorro Pluto, a vaca Clarabela, o burro Horácio e Minie, a eterna namorada de Mickey.
O sucesso do Pato Donald também cresceu. Com isto, ainda nos anos 1930, ele passou a ser o personagem principal em vários desenhos animados, quase todos em meio a confusões com os esquilos Tico e Teco ou em companhia dos sobrinhos Huey, Joey e Louey (”Huguinho”, “Zezinho” e “Luizinho”). A história dessa pequena família é a seguinte:
Donald tinha uma irmã que se casou e foi morar num local distante. Porém seu marido desapareceu , e ela, sendo muito pobre, não teve como cuidar dos filhos. O Pato Donald, então, decidiu se responsabilizar pela criação dos meninos. Aos trancos e barrancos, e em meio a trapalhadas muito divertidas, Donald, um cidadão da classe média, cuida dos meninos do jeito que pode. Ao mesmo tempo, ele namora a pata Daysy (”Margarida”), que também cuida de três sobrinhas: Lalá, Lelé e Lili.

As homenagens ao Brasil

Durante os anos 1940, Walt Disney realizou três produções protagonizadas pelo Pato Donald homenageando o Brasil. Uma delas, de 1944, é “Brazilian Watercolor”, que está num dos vídeos acima (o filme completo). Nesta obra, o personagem Zé Carioca, representado por um papagaio – uma ave típica de países cuja maior parte territorial é tropical, como é o caso do Brasil – aparece pela primeira vez, como o simpático e receptivo carioca disposto a mostrar as belezas do Rio de Janeiro – e do Brasil – ao turista norte-americano Pato Donald.  Depois, Donald volta a visitar o Brasil e a encontrar Zé Carioca em “A Culpa é do Samba”, em “Você já foi à Bahia?” e em “Alô, Amigos” (neste último, Disney homenageia também o México).
Para a realização desses filmes, o próprio Walt Disney esteve no Rio de Janeiro para conhecer a cidade e os artistas brasileiros que participariam dessas obras. Ele conheceu Ary Barroso, autor da música “Aquarela do Brasil”; Zequinha de Abreu, autor de “Tico-Tico no Fubá”, as irmãs Carmen e Aurora Miranda (que viviam no Brasil mas eram portuguesas).
Walt conheceu também um sambista,  José Oliveira, na época conhecido pelos amigos como “Zé” e “Zezinho”. Foi em homenagem a ele que deu ao papagaio o nome “José Carioca” e o apelido pelo qual o personagem se tornou mais popular no Brasil: “Zé Carioca”. O próprio Walt Disney desenhou um protótipo do que seria o “Zé Carioca” sentado a uma mesa do Copacabana Palace Hotel e convidou o mesmo José Oliveira para ser a “voz” do personagem. Como se pode verificar no filme acima, o sambista aceitou o convite (o nome de José Oliveira aparece na abertura do filme como dublador de “Zé Carioca” – “Voice of Joe Carioca: José Oliveira”).

Donald, o cidadão da classe média, e seu tio rico

Donald vive “pulando” de um emprego para outro. Na maioria das vezes, trabalha para as empresas de seu tio muito rico, o empresário Patinhas, que também já foi pobre e começou a lutar pela vida vendendo limonadas nas ruas. Como uma espécie de amuleto, o supersticioso Patinhas guarda até hoje a primeira moedinha – um centavo de dólar – que ganhou quando vendeu o primeiro copo de limonada. A única coisa que ele teme é que um dia possa perder aquela moeda.
Patinhas tem fama de ser um daqueles ricaços bem avarentos. A verdade é que ele teme voltar a ser pobre como era na infância. Por esta razão se apega tanto àquela moedinha. Ele pensa que, assim como foi a moeda que iniciou sua riqueza, pode ser a que iniciará seu retorno à pobreza se for perdida. Sabendo que essa moeda é o seu ponto fraco, seus piores inimigos – os bandidos, Irmãos Metralha e as feiticeiras Maga Patalógika e Madame Min – vivem tentando roubá-la. O prazer desses criminosos em atormentar a vida de Patinhas é tão maior do que a própria ganância, que eles não tentam roubar sua fortuna, mas apenas a moedinha – que ele mesmo chama de “minha moedinha da sorte”.
O nome original do Tio Patinhas é  Scrooge McDuck (seria “McPato” em português). Na história imaginada por Disney, ele não nasceu nos Estados Unidos: veio da Escócia ainda jovem e se estabeleceu nos Estados Unidos como imigrante, assim como outros antepassados de Donald. Seu nome é baseado no personagem Ebenezer Scrooge, do livro “Conto de Natal”, de Charles Dickens.
Dizem que Tio Patinhas foi criado pelo desenhista Karl Barks. Na verdade, ele foi idealizado por Walt Disney, mas desenhado por Karl, que nessa época trabalhava como desenhista para Disney.

A pobreza na infância

Walt Disney passou a maior parte de sua vida vivendo numa fazenda em Marceline, no interior do Estado de Missouri. Era filho de um imigrante mexicano, Elias Disney, e da estadunidense descendente de alemães, Flora Call Disney. Walt era o terceiro filho do casal. Seus irmãos mais velhos eram, nessa ordem, Herbert, Reimond e Roy. Quando ele tinha três anos, nasceu sua irmã, Ruth.
Walt teve uma infância e uma adolescência muito difíceis, pois a família era muito pobre e vivia na fazenda apenas porque o proprietário permita. Começou a trabalhar aos sete anos de idade. Por essa ocasião, com dinheiro emprestado por amigos, Elias Disney havia adquirido uma pequena agência de distribuição de revistas e jornais. De segunda a sábado pela manhã, Walt e seus irmãos frequentavam a escola, e durante a tarde, das 13 às 18 horas, entregavam os jornais e as revistas nas residências dos assinantes enquanto o pai permanecia na agência. O trabalho era possível para as crianças porque a localidade em que moravam era pequena e as residências não eram muito distantes entre si. Descanço, somente à noite e aos domingos.
Aos 14 anos, chegou a pensar que era filho adotivo. Esse pensamento não correspondia à verdade, mas ocorria porque seus amigos tinham certidões de nascimento mas ele não possuía esse documento.

A Maçonaria

Walt começou a estudar arte aos 16 anos de idade. Nessa época tentou alistar-se voluntariamente no Exército, mas não conseguiu por não ter a idade mínima exigida (18 anos). O ano era 1917, e a Primeira Guerra Mundial, que começou em 1914, estava no seu auge. Decidiu então ingressar como voluntário na Cruz Vermelha Internacional, e como tal foi enviado aos campos de batalha na França como motorista de ambulâncias para transportar feridos de guerra.
Ao voltar para os Estados Unidos, matriculou-se na Kansas City Arts School (”Escola de Artes da Cidade do Kansas”) e se iniciou na Ordem DeMolay (**) – uma organização filosófica, fraternal e iniciática para rapazes de 12 a 21 anos de idade fundada nos Estados Unidos em 1919 pelo Maçom Frank Sherman Land e patrocinada e apoiada pela Maçonaria desde 1921. Como membro da ordem, atuou em muitos trabalhos filantrópicos, ajudando principalmente famílias carentes e vítimas da guerra.
Disney também trabalhou em agências publicitárias. Depois ingressou numa companhia cinematográfica como desenhista, ajudando na produção de cartazes de propaganda de filmes. Além disso, foi escoteiro (***).

A Carreira

Walt Disney fundou sua primeira empresa de produção de desenhos animados, a Laugh-O-Gam, em sociedade com seu irmão Roy e um amigo, Ub Iwerks. As primeiras foram pequenas produções em preto e branco, baseadas em contos de fadas, e eram exibidas apenas no cinema local, antes do filme principal.
Em 1923, Walt e Roy se mudaram para Los Angeles, no Estado da Califórnia, onde assinaram contratos com a empresa de distribuição de filmes M. J. Winkler. A Winkler pagava a eles 1.500 dólares por cada filme. Com o dinheiro dos primeiros filmes vendidos, Walt percebeu que, para produzir mais, não bastava que somente ele desenhasse. Contratou outros desenhistas, argumentistas, etc., e montou uma equipe de profissionais para a produção de “Alice”, uma série para televisão. Era um misto de pessoas com desenhos animados. “Alice” era interpretada por uma menina, mas todos os outros personagens eram desenhos. Nessa época, conheceu e começou a namorar Lilian Bonds, que mais tarde se tornou sua esposa.

A primeira decepção

Depois do sucesso de “Alice” (que não era a do “País das Maravilhas”), Walt Disney criou o personagem “Oswald, The Lucky Rabbit” (”Oswald, o Coelho Sortudo”, que no Brasil se tornou conhecido como “o Coelho Osvaldo”). O sucesso do novo personagem o fez reavaliar os valores dos contratos que realizava. Porém , ao viajar para Nova York, teve uma decepção: como Disney não tinha assinado como autor, o homem para quem ele produziu “Alice” e “Oswald” roubou seus dois personagens e todas as encomendas já feitas.
Mas, como diz um ditado, nada como um dia após o outro. Walt já tinha em mente um novo plano que o faria recuperar o que perdera e ainda lucrar muito mais: um personagem ao qual já me referi – Mickey.
Na época, a série “Felix The Cat” (”O gato Félix”), de Oto Messmer ou Pat Sullivan (****), fazia muito sucesso nos cinemas, mas os filmes eram mudos. Disney realizou esse plano com um toque de humor: para concorrer com um gato, o personagem ideal seria um rato. Mas a certeza de que essa idéia daria certo consistia num segredo: o filme com o Mickey seria sonoro. Assim, em 1928, Mickey estreou no filme “Steamboat Willie”, o primeiro desenho animado sonoro do mundo.
Em pouco tempo, Mickey não somente se tornou o personagem de maior sucesso dos Estúdios Disney como também o mais popular dos desenhos animados no mundo. Afinal, era o primeiro personagem de desenho animado a “falar”. No princípio, sua “voz” era o próprio Walt Disney, mas depois ele foi dublado por outras pessoas.

O avanço do sucesso

A empresa, que então já tinha o nome “Walt Disney Productions”, prosseguiu com um sucesso atrás do outro. Mas, a cada sucesso, Disney, que não acreditava que “não se mexe em time que está ganhando”, fazia algumas modificações na equipe. Não necessariamente no pessoal, mas na forma como a equipe trabalhava. Ele mesmo assumiu o controle da produção e da direção da empresa, e colocou Roy como responsável pelo setor financeiro e Ub Iwerks com desenhista chefe.
Nessa época os filmes com atores já eram coloridos. Walt pensou, então: “Por que os desenhos animados não podem ser coloridos também?”. E colocou a equipe para trabalhar nesse sentido, mas em segredo, para que sua empresa, que já se tornara a primeira a produzir desenhos animados sonoros, fosse a primeira a produzir desenhos animados em cores.
Assim , vieram os primeiros filmes coloridos com Mickey, o Pato Donald, etc. e, de 1929 a 1939, foi produzida a série “Silly Simphonies” (”Sinfonias Tolas”), ainda com o famoso camundongo como personagem principal. Um dos episódios dessa série, “Flowers and Trees” (”Flores e Árvores”), também se tornou o primeiro desenho animado a receber o Oscar de Melhor filme de Animação, inaugurando a categoria na premiação – ou seja, até nisto Disney foi o primeiro. Mas também veio uma nova decepção: Pot Powers, um dos funcionários em que ele mais confiava, roubou a maior parte do dinheiro arrecadado.
Apesar disso, a empresa prosseguiu em seu sucesso. Com a produção de “Branca de Neve e os Sete Anões”, que estreou nos cinemas em 1937, Walt Disney se tornou mais uma vez um pioneiro. Foi o primeiro desenho animado de longa metragem do mundo, e seu sucesso foi maior do que o de muitos filmes com atores. Indicado para vários Oscars, ganhou o de “Melhor Canção”.
Walt já vinha planejando a produção baseada num conto clássico dos irmãos Grimm havia muito tempo. Estava apenas esperando o momento ideal para isto. Contratou músicos, compositores, cantores e cantoras para fazer as dublagens, e exigiu de seus desenhistas que a personagem principal fosse desenhada com a semelhança física de Heidi Lamar (*****). Walt era grande admirador dessa atriz. O trabalho ficou tão bem feito que, durante todo o filme, percebe-se que “Branca de Neve” não somente se parece com ela como também parece imitar a forma de interpretação da atriz. O filme estreou no mês de dezembro de 1937 nos cinemas. No Brasil, Branca de Neve foi dublada pela cantora Dalva de Oliveira.

O novo estúdio

À medida em que aumentava o sucesso da empresa, aumentava também o volume de trabalhos a serem realizados. Com isto, Walt via a necessidade de se transferir para um estúdio maior. Com sucesso de “Branca de Neve e os Sete Anões”, a empresa conseguiu fundos suficientes, não para a compra, mas para a construção de um novo estúdio próprio maior.
Vieram outros longa-metragem igualmente bem sucedidos. “Pinóquio” foi o primeiro, baseado num antigo conto infantil italiano sobre um velho fabricante de bonecos que queria ter um filho de verdade, e um belo dia uma fada realizou seu desejo, transformando Pinóquio (o título original do filme é em italiano:  ”Pinoccio”), um boneco de madeira de pinheiro, num menino de verdade. Em seguida, veio “Fantasia”, novamente com Michey como personagem principal, mas mostrando ao público a importância da música nos filmes, com a participação especial do maestro Leopold Tsiokolsky como regente da orquestra. Depois, como uma mensagem sobre a necessidade da preservação da natureza e das espécies animais, veio “Bambi”, que conta as aventuras de um veadinho que precisa sobreviver sem o apoio de sua mãe, que foi morta por um caçador pouco tempo depois que ele nasceu.

A Segunda Guerra Mundial

Quando a Segunda Guerra Mundial (1933-1945) atingiu o seu clímax, Walt colaborou com o FBI (Federal Bureau of Infomation – “Escritório Federal de Informação”) – a “Polícia Federal” dos Estados Unidos. O país entrou na guerra e Walt foi “convidado” pelas Forças Armadas para produzir desenhos animados que serviriam como treinamento para soldados. Assim, seus personagens foram utilizados para propagandas militares, principalmente o Pato Donald.
Depois desse período, Disney colaborou para a criação da “Aliança do Cinema para a Preservação dos Ideais dos Estados Unidos”. Prestou depoimentos voluntariamente diante da Comissão de Atividades Americanas. Devido às suas opiniões contra o comunismo, a exibição de seus filmes na União Soviética foi proibida pelo governo daquele país.

O período pós guerra

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Walt Disney Productions começou a enfrentar dificuldades financeiras. Disney chegou a pensar que seria necessário fichar a empresa de uma vez por todas. Em vez disso, porém, decidiu mais uma vez levar às telas dos cinemas mais um conto de fadas. Então, produziu “Cinderela”, baseado no conto “A Gata Borralheira”.
Provavelmente isto não foi somente uma coincidência: como Cinderela, que no conto era pobre e se tornou uma princesa, na vida real Disney saiu da pobreza para a riqueza – assim como também o personagem “Tio Patinhas”.
Mais uma vez o sucesso foi alcançado, e “Cinderela” salvou a empresa, evitando a falência.
Em 1950, a Walt Disney Productions lançou seu primeiro filme com atores: “A Ilha do Tesouro”, baseado no livro de Robert L. Livingstone. Novamente, grande sucesso de público e de crítica. Disney também produziu vários documentários dentro da série “Maravilhas da Natureza”, mostrando a realidade da vida dos animais. Os mais famosos são “O Drama do Deserto”, onde ele mostrava o dia a dia de animais que vivem nos desertos americanos, e “O Leão Africano”. Na época, algumas pessoas se opuseram ao título deste último, alegando que leões são sempre africanos. Disney justificou explicando que o puma é chamado de “leão americano”.
Em 1953, foi lançado outro filme com atores: “Vinte Mil Léguas Submarinas”, gênero  ficção científica, baseado no livro de Júlio Verne. No papel principal estava o ator Kirk Douglas, pai do ator Michael Douglas, que atualmente tem o mesmo sucesso profissional de Kirk.

Outro Oscar para “Melhor Canção”

Em 1964, a Walt Disney Productions produziu o filme “Mary Poppins” com um misto de atores e personagens desenhados (nos dois vídeos abaixo, duas cenas deste filme). Tratava-se de uma comédia musical com o comediante Dick Van Dicke e a cantora e atriz Julie Andrews (a atriz de “A Noviça Rebelde”) nos papéis principais.
O filme contava a história de duas crianças (um menino e um menina), filhos de um banqueiro viúvo que lhes dava pouca atenção alegando não ter tempo para dedicar a eles. Mary Poppins era uma fada que veio para cuidar das crianças disfarçada como babá e, ao mesmo tempo, fazer com que o banqueiro aprendesse uma lição e se tornasse um pai afetuoso para seus filhos. “Mary Poppins” recebeu dois Oscars: o de “Melhor Atriz” (Julie Andrews) e o de “Melhor Canção” (”Chim-Chim-Cher-ee”).

Nos  filmes, a tentativa de mostrar a importância do amor, da união em família, do respeito aos animais e da amizade.

Em quase todos os filmes de Walt Disney, mesmo nas comédias e nos desenhos animados, o tema principal é a importância da união dentro da família, do respeito e do amor ao próximo e da amizade. Ao mesmo tempo,   são nítidas as mensagens sobre a necessidade do respeito e do carinho pelos animais e à natureza em geral.
Em filmes como “Branca de Neve e os Sete Anões” e “A Bela Adormecida”, destaca-se a importância do romantismo como forma de preservar o verdadeiro amor entre namorados e cônjuges. Ao mesmo tempo, em várias cenas, nos dois filmes, Branca de Neve e a princesa Aurora aparecem cercadas por passarinhos, coelhos, esquilos e outros animais das florestas.
Apesar de serem fantasias, esses filmes são também tentativas claras de mostrar principalmente às crianças que, devido ao verdadeiro amor, as pessoas são capazes de cometer grandes atos de coragem para salvar a pessoa amada de situações perigosas. Em “Branca de Neve e os Sete Anões”, o príncipe que ama a personagem principal faz tudo que lhe é possível para impedir que a bruxa faça qualquer mal à sua amada. Em “A Bela Adormecida”, para salvar Aurora, o herói Felipe enfrenta a bruxa inclusive no momento em que ela se transforma num gigantesco e pavoroso dragão que cospe fogo. Até mesmo o frágil e muitas vezes desengonçado Bambi, um veadinho tímido e inseguro, se torna um herói valente quando sua namorada, Faline, e seus amigos (o coelho Tambor, o gambá Flor, etc.) estão em situações perigosas. E o rapazola Peter Pan, que por nada deste mudo sairia de sua ilha mágica, a “Terra do Nunca”, é capaz de enfrentar o perigoso Capitão Gancho para defender seus amigos e vai  até Londres VOANDO para reencontrar sua amada, Wendy.
O apelo para o respeito e carinho pelos animais também se reflete nas histórias em quadrinhos: Mickey, Pateta, Pato Donald, Clarabela, Minie, Clara de Ovos, Horácio, etc., se vestem e se comportam como pessoas, mas são animais – respectivamente eles são um rato, um cachorro, um pato, uma vaca, uma rata, uma galinha, um burro, etc. Dizem que o carinho de Walt Disney pelos animais proveio de sua infância – ele viveu numa fazenda; portanto, era uma criança com constantes contatos com animais.

O Zorro

Ainda no final dos anos 1950 e no início da década de 1960, Disney produziu a série “Zorro” para televisão. O personagem principal era interpretado pelo ator Guy Wiliams, que atuou em vários filmes da Disney também para o cinema, entre eles “O Príncipe e o Mendigo”, outro grande sucesso.
“Zorro” foi a forma encontrada por Walt Disney para criticar políticos e oficiais militares envolvidos em corrupção. A história se passa no final do século XIX, quando a Califórnia era colônia da Espanha. Coma ajuda de seu criado surdo, Bernardo, que finge também ser mudo, o fidalgo Diego De La Vega, filho do alcaide Alejandro De La Vega, usa uma máscara e uma roupa preta para dificultar de ser visto à noite e, com sua espada e seu chicote, combate seus inimigos (mas nunca os mata), visando acabar com a corrupção e a impunidade.
Além de Bernardo, Zorro  conta também, sem saber disto, com a ajuda do sargento Garcia, que desconfia que Don Diego é o Zorro, mas não tem certeza. Fingindo ser um trapalhão, Garcia sempre conta a Diego o que se passa no quartel, pois sabe que ele tem alguma ligação com o herói mascarado, que sempre age depois que Diego toma conhecimento dos planos dos criminosos. Garcia finge não desconfiar dessa ligação entre Diego e Zorro e, quando recebe a ordem de perseguir o herói, frequentemente finge se atrapalhar de alguma forma para permitir que ele escape. Tudo isto porque, apesar de ser um militar, o gordo sargento é um bom homem e se simpatiza com  a causa do herói. Outro detalhe sobre o sargento, é que ele sempre toma um copo de vinho antes de contar os fatos a Diego. Desta forma, se descobrirem que ele conta segredos ao amigo, ele tem como desculpa o fato de estar bêbado ao falar.
Apesar da série ser baseada numa lenda mexicana, o Zorro era uma forma clara de Walt Disney criticar os políticos. O sargento Garcia, personagem que não existia na lenda original, foi interpretado pelo ator e cantor Henry Calvin.
Outro grande sucesso de Walt Disney na TV nos anos 60 – e que foi ao ar até meados da década de 1970 apesar de sua morte em 1966 – foi o programa “Disneylândia”, apresentado semanalmente por ele mesmo. O programa variava da seguinte forma: em alguns episódios, era apresentado o “Mundo da Fantasia”, com desenhos animados com o Mickey, o Pato Donald, etc.; em outros, a série de documentários “Mundo da Natureza”, e em outros, o “Mundo da Aventura”, com biografias de personagens da história real como David Crocket, Daniel Boone, além de aventuras fictícias interpretadas por atores. No Brasil, o programa “Disneylândia” foi exibido inicialmente pela Rede Tupi. Mais tarde, pela Rede Globo.

A Disneylândia e o Disney World

Sem dúvida, o maior êxito na vida de Walt Disney foi a Disneylândia  (em inglês, “Disneyland” – “O País de Disney”). Não é apenas um grande parque temático: é o maior, o mais completo e o mais famoso parque temático do mundo. Situado em Anaheim, no Estado da Califórnia, a Disneylândia foi construída graças a uma parceria entre a Walt Disney Productions e a rede de TV norte-americana ABC. A inauguração se deu em 1955, e o mestre de cerimônias foi o então ator Ronald Reagan (******).
Na Disneylândia, atores interpretam os principais personagens de Disney e brincam junto com as crianças. Os visitantes – crianças e adultos – se divertem aprendendo, ou aprendem se divertindo. Alí, existem réplicas de algumas das principais cidades do mundo (Paris, Londres, Rio de Janeiro, etc.), de forma que se pode aprender um pouco mais sobre geografia e sobre outros países. Existem também brinquedos onde se aprendem ciências, conhecimentos do corpo humano, etc. E existe, é claro, uma imensa rede local de hospedagem para os visitantes, equipada com o que há de mais moderno no setor de hotelaria.
Disney também planejou a construção de um outro parque temático semelhante à Disneylândia, mas não pôde ver sua inauguração. O “Walt Disney World” (”Mundo de Walt Disney”), com este nome como uma homenagem de seus realizadores a ele, só pôde ser concluído em 1972. Hoje o parque, que se situa em Orlando, na Califórnia, é mais conhecido como “Disney World”. Tanto nele como na Disneylândia, além dos brinquedos e dos atores caracterizados como personagens dos filmes e das histórias em quadrinhos, há também mega-shows musicais, especialmente em datas comemorativas como o Natal e o Ano Novo (num dos vídeos acima, está a abertura da comemoração do Natal de 2008 no Disney World com o show da cantora e atriz Miley Cyrus).

O legado

Walt Disney morreu aos 65 anos de idade, no dia 15 de dezembro de 1966, vítima de um câncer pulmonar. Entretanto, seu grande legado permanece ainda hoje, com as obras que ele iniciou sendo finalizadas por todos aqueles que trabalham para suas empresas, ainda hoje mantidas graças aos esforços de seu irmão Roy, que faleceu pouco tempo depois, de sua esposa Lilian e de suas filhas, Diane Marie Disney e Sharon Mae Disney – estas duas ainda hoje estão à frente das empresas e dos projetos deixados por ele mas ainda não realizados.
As produções em desenho animado e com atores continuam obtendo o mesmo sucesso de crítica e de público que os realizados no início de tudo. “Pocahontas”, “O Rei Leão”, “Procurando Nemo”, entre outros, são verdadeiras obras primas de animação. Entre os filmes com atores, destacam-se os de aventuras como “Piratas do Caribe” (I e II), várias comédias (algumas com Eddie Murphy), documentários, etc. Outras obras com atores e desenhos animados estão vindo por aí. Tudo isto sem falar nas obras literárias, projetos para televisão e uma infinidade de projetos educativos a serem aplicados em escolas de vários países, com atenção especial para aqueles onde os níveis educacionais são mais baixos e os índices de pobreza são maiores. Felizmente, ao que tudo indica, ainda vamos nos divertir e aprender com muitas produções Disney por muito tempo.
Dois grandes momenos do beíssimo musical “Mary Poppins”, que eu tive o prazer de ver no cinema:
Acima, Mery Poppins (Julie Andrews) e o limpador de chaminés (Dick Van Dicke) cantam e dançam com personagens desenhados.
Abaixo, Dick Van Dicke e as crianças  cantam “Chim-Chim-Cher-ee”, a belíssima canção que ganhou o Oscar.
Algumas das principais obras cinematográficas de Walt Disney.
Desenhos animados:
  1. “Os Três Porquinhos” (1933)
  2. “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937)
  3. “Pinóquio” (1940)
  4. “Fantasia” (1940)
  5. “Dumbo” (1941)
  6. “Bambi” (1942)
  7. “Você já foi à Bahia?” (1944)
  8. “Cinderela” (1950)
  9. “Alice no País das Maravilhas” (1951)
  10. “A Dama e o Vagabundo” (1955)

...e uma infinidade de outros.

Fimes com atores:
  1. “A Ilha do Tesouro” (1950)
  2. “Vinte Mil Léguas Submarinas” (1953)
  3. “Mary Poppins” (1964)
  4. Várias comédias, filmes épicos, de aventuras, biográficos, etc.


(*) Leonardo da Vinci, o “gênio renascentista”, foi escultor, pintor, desenhista, arquiteto, urbanista, inventor, anatomista, etc.
(**) A Ordem DeMolay tem esse nome em homenagem ao francês Jacques DeMolay, último grão-mestre da Ordem dos Templários, perseguido e morto (queimado até a morte) numa fogueira em praça pública em 1314 por determinação do rei da França, Filipe IV, e da Igreja Católica através da Santa Inquisição.
(***) Membro do Escotismo, movimento fundado pelo inglês Robert Stepheson Smith Baden-Pawell. É um movimento educacional mundial que desenvolve nos jovens um sistema de valores que prioriza a honra e o trabalho em equipe.
(****) Alguns autores afirmam que Oto Messmer foi o criador do Gato Félix. Outros dizem que foi Pat Sullivan. Isto porque ambos desenharam o personagem em vários trabalhos, tanto nos filmes como nos quadrinhos.
(*****) A atriz que interpretou Dalila no filme “Sansão e Dalila” anos depois.
(******) Na década de 1980, Ronald Reagan foi presidente dos Estados Unidos
em dois mandatos.

Referências:
Autor: Elias Alves - Categoria(s): Arte, Cinema, Comunicação, Conhecimento, Cultura, Informação, Literatura, crianças, família, imagem Tags: , , , , ,
22/10/2009 - 13:53

Equipe de Trabalho e Liderança de Equipe – Aprendendo com as crianças

Numa brincadeira entre crianças numa rua está o aprendizado para a vida como adultos – inclusive sobre como ser um líder e como escolher um líder.

Eu sempre ouço pessoas dizendo que as crianças não devem passar muito tempo nas ruas, que nas ruas elas só prendem coisas erradas, etc. Acredito que os horários para brincadeiras com os amigos devem ser estabelecidos pelos pais, com uma certa imposição que muitas vezes se faz necessária, mas não se deve impedir totalmente que os filhos brinquem nas ruas.

Certamente você deve ter visto cenas como a que descrevo no próximo parágrafo várias vezes em sua vida. Também certamente, na sua infância, você deve ter participado ou até mesmo sido o personagem principal de cenas como esta.

Algumas crianças estão brincando numa rua. Brincam de futebol ou simplesmente correm para um lado e para outro, mas brincam correndo, pulando, etc. Num dado momento, um dos meninos cai, e provavelmente se machuca um pouco, rala o joelho, chora… Minutos depois, lá está ele novamente, brincando, rindo, correndo pulando, como se nada de ruim lhe tivesse acontecido. Até parece que nem se lembra mais da queda que levou.

Não é sempre assim que acontece quando crianças brincam na rua? Isto acontece porque o menino tem uma meta, um objetivo. Sua meta, seu objetivo, ou como quer que se chame a isto, é simplesmente brincar com os amigos. Se possível, uma tarde inteira. E consegue.

Repare meninos que brincam num bairro de famílias pobres. Todos eles têm joelhos, pernas e braços com marcas de quedas. Foram muitas, nem mesmo o menino que as tem sabe quantas quedas já levou, quantas vezes já se machucou… nas brincadeiras e na vida. Mas está ali, brincando de novo com os outros. E voltará a brincar sempre que tiver uma oportunidade. Porque, pelo menos naquele momento, ele tem uma meta, um objetivo: brincar.

Mas este não é um objetivo apenas dele. É o mesmo objetivo de cada um daqueles meninos. Repare também que nenhum deles está brincando de forma diferente. Não se vê ao mesmo tempo um chutando uma bola, outro brincando de pique, outro fazendo desenhos no chão. Seja pique, ou futebol, ou qualquer outra, eles estão todos participando de um mesmo tipo de brincadeira. E porque? Porque, antes de começarem a brincar, decidiram juntos qual seria a brincadeira e como deveriam brincar. Se a brincadeira for futebol, antes do jogo começar eles decidem quem vai ficar em qual time, quantos meninos cada time terá, etc.

Às vezes discutem um pouco, xingam e até brigam, mas nem sempre. Mesmo quando isto acontece, também faz parte do aprendizado. Não são poucas as vezes em que nos vemos obrigados a “brigar” com certas situações na vida adulta. Para demonstramos nossa boa educação, não devemos xingar, mas até mesmo os meninos que não costumam xingar serão xingados por outros de vez em quando.  Aí, aprendem mais uma lição: não são poucas as vezes em que temos que estar preparados a receber xingamentos mesmo quando não merecemos.

Eu costumo dizer que “brincadeira de crianças é coisa séria”. Com isto, quero dizer que, quando as crianças estão brincando, embora elas mesmas obviamente não percebam isto, estão aprendendo a desenvolver coisas que terão que realizar quando se tornarem adultas. A brincadeira do futebol, ou do pique, etc., é uma diversão, mas ao mesmo tempo é resultante de um trabalho em equipe. Se no dia seguinte eles voltam a brincar na mesma rua, foi porque a meta da equipe no dia anterior foi obtida: todos se divertiram, e agora querem se divertir novamente – apesar das quedas, dos machucados, das brigas, etc.

Geralmente, quando brincam de futebol, a brincadeira é controlada por aquele que é o dono da bola. Mas se os meninos percebem que o dono da bola deixa que os outros façam o que quiserem (gols que não valem, contagem de dois a zero quando deveria ser um a zero, etc), eles se recusam a aceitar essa situação e escolhem outro garoto para assumir o controle.

Ou seja: eles sabem que, para que a brincadeira dê certo, a equipe precisa de um líder, e que esse líder precisa se impor, mas exigem também que essa imposição tenha limites. Em outras palavras: o líder precisa se impor, mas também precisa saber COMO se impor – isto é, não deixando de respeitar seus liderados – e SOBRE QUAIS CONDIÇÕES, ARGUMENTOS E SITUAÇÕES deve se impor.

Em resumo: até mesmo as crianças, sem que elas o percebam, nos ensinam há momentos em que precisamos ser liderados e há momentos em que precisamos ser líderes. Até mesmo nas brincadeiras, embora isto não seja notado nem pelos que participam dela, há uma certa hierarquia. Sem ela, não pode haver ordem, não pode haver organização.

A diferença entre “ser líder” e  ”estar num cargo de liderança”

Na infância ou na vida adulta, não há ação em equipe que possa obter bons resultados se não houver essa tal hierarquia, ou seja, se não houver LIDERANÇA. Contudo, há uma grande diferença entre “ser líder” e “estar na posição de líder” em uma equipe, seja ela de brincadeira ou de trabalho. Entre os meninos, o dono da bola geralmente é o líder talvez porque ele, melhor do que os outros, conhece sua própria bola – seu tamanho, o quanto ela pesa, etc. No trabalho, para ser líder é preciso, entre outras coisas, conhecer bem a empresa, a finalidade das atividades da empresa, o tipo de cliente a que seus produtos e/ou serviços se destinam, a situação para esses produtos e/ou serviços no mercado, etc.

Isto é necessário, mas não é o suficiente. Acredito que as palavras de um especialista no assunto como Rodrigo Postigo, consultor empresarial, possam trazer acréscimos e esclarecimentos mais significativos aos interessados no assunto.

Autor: Elias Alves - Categoria(s): Comunicação, Conhecimento, Economia, Informação, Liderança Empresarial, crianças Tags: , , , ,
05/10/2009 - 21:21

Como se contrai a hepatite “A”?


A reportagem da TV Brasil revela os tipos de hepatite que existem, como ocorrem os contágios e a situação da doença no país.

Algumas pessoas têm perguntado se é possível o contágio de hepatite “A” através da tosse e de outros tipos de contato com as pessoas que tenham a doença. Segundo informações do “Guia de Saúde Preventiva”, a hepatite “A” é uma infecção causada no fígado pelo vírus HAV. O contágio mais comum se dá através do contato com água ou comida contaminadas, e pode atingir pessoas que fazem refeições no mesmo local em que alguém com hepatite “A” estiver presente.

O contato com feses em casa (por exemplo, quando se troca as fraudas de um bebê com a doença) também facilita o contágio. Outros tipos de contágio ocorrem por intermédio de transfusão de sangue contaminado e do uso de seringas.

Segundo o Laboratório Roche, a taxa de transmissão de hepatite “A” entre pessoas de uma mesma família é de 20% entre adultos e 45% entre crianças. Na maioria dos casos, as crianças se tornam veículos transmissores inesperados porque raramente apresentam sintomas, mas correm grandes riscos de contágio em creches, escolas, etc. Durante a gravidez, mesmo que a mãe esteja infectada, não há riscos para o feto.

A Hepatite “A” só atinge a mesma pessoa uma vez. Depois de curada, a pessoa se torna imune a essa doença por todo o resto d vida.

Referências:

  • Guia de Saúde Preventiva
  • Site da Roche
Autor: Elias Alves - Categoria(s): Alimentação, Ciência, Comunicação, Conhecimento, Informação, Saúde, crianças, medicina Tags: , , , , ,
21/09/2009 - 07:45

ABD dá curso para pais e demais familiares de disléxicos em São Paulo

A Associação Brasileira de Dislexia (ABD) realizará um curso dirigido a pais e demais familiares de disléxicos nos dias 2 e 3 de outubro de 2009. Entre os temas a serem abordados constam o que é a dislexia, os sintomas em diferentes faixas etárias, aspectos neurológicos, a importância do diagnóstico, como os pais devem auxiliar filhos disléxicos nos estudos, como estabelecer regras e disciplinas, o que se pode e se deve exigir de um filho disléxico, qual é a escola mais adequada, os tratamentos mais indicados, etc.
O objetivo é orientar os pais e toda a família para que ajudem o disléxico a interagir melhor no ambiente familiar e lidar com suas dúvidas, preocupações e ansiedades.
Os interessados poderão obter maiores informações através dos telefones/fax (zero  - número da operadora -11) 3258-7568, 3237-0809 ou 3231-3296. Também poderão obter informações e fazer suas inscrições no site que pode ser acessado através do link “ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISLEXIA (ABD)”, que se encontra na seção “SITES QUE RECOMENDO”, nesta mesma página.

Autor: Elias Alves - Categoria(s): Amor, Ciência, Comunicação, Conhecimento, Cultura, Educação, Informação, Psicologia, Saúde, Sociedade, Vida, adolescentes, crianças, família, filhos, jovens, medicina, mães, pais Tags: , ,
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