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Arquivo da Categoria Cinema

05/11/2009 - 19:48

Walt Disney – a história de um contador de histórias

A história do contador de histórias

mais famoso do mundo.

Não se pode ter dúvidas de que Walt Disney teve o grande mérito de trazer muita diversão e cultura a pessoas de todas as idades, principalmente às crianças de todas as gerações desde a década de 1920 até hoje. A influência de seu trabalho foi tão grande que encantou gerações do mundo inteiro durante sua vida e ainda encanta, mesmo 43 anos depois de sua morte.

Walt Disney

No vídeo acima, o filme curta-metragem “Aquarela do Brasil”, que tem o Pato Donald como  protagonista. Nele aparece o personagem brasileiro, o papagaio Zé Carioca, a quem os norte-americanos chamam de “Joe  Carioca”. Esta foi uma homenagem de Walt Disney ao Brasil e a artistas brasileiros como Ary Barroso, autor da música tema que, no filme, foi cantada por Aloysio Oliveira. Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda, aparece cantando “Os Quindins de Iaiá” com Aloysio Oliveira e dançando com o Pato Donald, que tenta sambar de uma forma muito desajeitada e divertida.

No vídeo abaixo, a abertura da festa de Natal de 2008 no Disney World. A cantora e atriz Miley Cyrus (a “Hanna Montana” da série da Disney que no Brasil é apresentada pelo SBT), canta a tradicional canção natalina “Santa Claus is Coming to Town” (”Papai Noel está vindo para a cidade”).

Seu nome verdadeiro era Walter Elias Disney. “Walt” era o apelido pelo qual seus amigos a familiares carinhosamente o chamavam desde quando  ele era criança. Por gostar de ser chamado assim, adotou o apelido como “nome” em sua assinatura, e se identificava como “Walt Disney” às pessoas às quais se apresentava ou era apresentado.
Alguns autores dizem que Walt Disney nasceu em Illinois, no estado de Chicago, Estados Unidos. Outros afirmam que ele nasceu em Los Angeles, na Califórnia. Talvez essa incerteza quanto ao seu local de nascimento tenha sido causada pelo fato de ele não ter registrado quando nasceu. Sabe-se, porém, que seu nascimento ocorreu no dia 5 de dezembro de 1901.
Walt Disney foi uma espécie de “Leonardo da Vinci” das artes do século XX (*). Foi produtor e diretor de filmes, roteirista, dublador, animador de programas de televisão, mas, acima de tudo, um filantropo e um grande empreendedor.  Pessoas que chegaram a conhecê-lo pessoalmente costumam dizer que, quando alguém lhe pedia um conselho para ser bem sucedido na vida como ele mesmo foi, ele sempre dizia apenas isto: “Nunca pare. Siga sempre em frente.”
Walt Disney começou a ficar famoso na década de 1920, através da criação de seus personagens mais conhecidos, e que são também ainda hoje os mais populares das histórias em quadrinhos e dos desenhos animados no mundo.  ”Mickey Mouse” (”O Rato Mickey” ou “Camundongo Mickey”) surgiu pela primeira vez no curta-metragem em preto e branco “Steamboat Willie” (”Willie”, o Barco a Vapor), o primeiro desenho animado sonoro do mundo, produzido em 1928. O sucesso do ratinho foi tão grande que ele prosseguiu como o personagem principal em outros desenhos animados. Ao longo da série, foram surgindo seus amigos, como Pato Donald, o Pateta, o cachorro Pluto, a vaca Clarabela, o burro Horácio e Minie, a eterna namorada de Mickey.
O sucesso do Pato Donald também cresceu. Com isto, ainda nos anos 1930, ele passou a ser o personagem principal em vários desenhos animados, quase todos em meio a confusões com os esquilos Tico e Teco ou em companhia dos sobrinhos Huey, Joey e Louey (”Huguinho”, “Zezinho” e “Luizinho”). A história dessa pequena família é a seguinte:
Donald tinha uma irmã que se casou e foi morar num local distante. Porém seu marido desapareceu , e ela, sendo muito pobre, não teve como cuidar dos filhos. O Pato Donald, então, decidiu se responsabilizar pela criação dos meninos. Aos trancos e barrancos, e em meio a trapalhadas muito divertidas, Donald, um cidadão da classe média, cuida dos meninos do jeito que pode. Ao mesmo tempo, ele namora a pata Daysy (”Margarida”), que também cuida de três sobrinhas: Lalá, Lelé e Lili.

As homenagens ao Brasil

Durante os anos 1940, Walt Disney realizou três produções protagonizadas pelo Pato Donald homenageando o Brasil. Uma delas, de 1944, é “Brazilian Watercolor”, que está num dos vídeos acima (o filme completo). Nesta obra, o personagem Zé Carioca, representado por um papagaio – uma ave típica de países cuja maior parte territorial é tropical, como é o caso do Brasil – aparece pela primeira vez, como o simpático e receptivo carioca disposto a mostrar as belezas do Rio de Janeiro – e do Brasil – ao turista norte-americano Pato Donald.  Depois, Donald volta a visitar o Brasil e a encontrar Zé Carioca em “A Culpa é do Samba”, em “Você já foi à Bahia?” e em “Alô, Amigos” (neste último, Disney homenageia também o México).
Para a realização desses filmes, o próprio Walt Disney esteve no Rio de Janeiro para conhecer a cidade e os artistas brasileiros que participariam dessas obras. Ele conheceu Ary Barroso, autor da música “Aquarela do Brasil”; Zequinha de Abreu, autor de “Tico-Tico no Fubá”, as irmãs Carmen e Aurora Miranda (que viviam no Brasil mas eram portuguesas).
Walt conheceu também um sambista,  José Oliveira, na época conhecido pelos amigos como “Zé” e “Zezinho”. Foi em homenagem a ele que deu ao papagaio o nome “José Carioca” e o apelido pelo qual o personagem se tornou mais popular no Brasil: “Zé Carioca”. O próprio Walt Disney desenhou um protótipo do que seria o “Zé Carioca” sentado a uma mesa do Copacabana Palace Hotel e convidou o mesmo José Oliveira para ser a “voz” do personagem. Como se pode verificar no filme acima, o sambista aceitou o convite (o nome de José Oliveira aparece na abertura do filme como dublador de “Zé Carioca” – “Voice of Joe Carioca: José Oliveira”).

Donald, o cidadão da classe média, e seu tio rico

Donald vive “pulando” de um emprego para outro. Na maioria das vezes, trabalha para as empresas de seu tio muito rico, o empresário Patinhas, que também já foi pobre e começou a lutar pela vida vendendo limonadas nas ruas. Como uma espécie de amuleto, o supersticioso Patinhas guarda até hoje a primeira moedinha – um centavo de dólar – que ganhou quando vendeu o primeiro copo de limonada. A única coisa que ele teme é que um dia possa perder aquela moeda.
Patinhas tem fama de ser um daqueles ricaços bem avarentos. A verdade é que ele teme voltar a ser pobre como era na infância. Por esta razão se apega tanto àquela moedinha. Ele pensa que, assim como foi a moeda que iniciou sua riqueza, pode ser a que iniciará seu retorno à pobreza se for perdida. Sabendo que essa moeda é o seu ponto fraco, seus piores inimigos – os bandidos, Irmãos Metralha e as feiticeiras Maga Patalógika e Madame Min – vivem tentando roubá-la. O prazer desses criminosos em atormentar a vida de Patinhas é tão maior do que a própria ganância, que eles não tentam roubar sua fortuna, mas apenas a moedinha – que ele mesmo chama de “minha moedinha da sorte”.
O nome original do Tio Patinhas é  Scrooge McDuck (seria “McPato” em português). Na história imaginada por Disney, ele não nasceu nos Estados Unidos: veio da Escócia ainda jovem e se estabeleceu nos Estados Unidos como imigrante, assim como outros antepassados de Donald. Seu nome é baseado no personagem Ebenezer Scrooge, do livro “Conto de Natal”, de Charles Dickens.
Dizem que Tio Patinhas foi criado pelo desenhista Karl Barks. Na verdade, ele foi idealizado por Walt Disney, mas desenhado por Karl, que nessa época trabalhava como desenhista para Disney.

A pobreza na infância

Walt Disney passou a maior parte de sua vida vivendo numa fazenda em Marceline, no interior do Estado de Missouri. Era filho de um imigrante mexicano, Elias Disney, e da estadunidense descendente de alemães, Flora Call Disney. Walt era o terceiro filho do casal. Seus irmãos mais velhos eram, nessa ordem, Herbert, Reimond e Roy. Quando ele tinha três anos, nasceu sua irmã, Ruth.
Walt teve uma infância e uma adolescência muito difíceis, pois a família era muito pobre e vivia na fazenda apenas porque o proprietário permita. Começou a trabalhar aos sete anos de idade. Por essa ocasião, com dinheiro emprestado por amigos, Elias Disney havia adquirido uma pequena agência de distribuição de revistas e jornais. De segunda a sábado pela manhã, Walt e seus irmãos frequentavam a escola, e durante a tarde, das 13 às 18 horas, entregavam os jornais e as revistas nas residências dos assinantes enquanto o pai permanecia na agência. O trabalho era possível para as crianças porque a localidade em que moravam era pequena e as residências não eram muito distantes entre si. Descanço, somente à noite e aos domingos.
Aos 14 anos, chegou a pensar que era filho adotivo. Esse pensamento não correspondia à verdade, mas ocorria porque seus amigos tinham certidões de nascimento mas ele não possuía esse documento.

A Maçonaria

Walt começou a estudar arte aos 16 anos de idade. Nessa época tentou alistar-se voluntariamente no Exército, mas não conseguiu por não ter a idade mínima exigida (18 anos). O ano era 1917, e a Primeira Guerra Mundial, que começou em 1914, estava no seu auge. Decidiu então ingressar como voluntário na Cruz Vermelha Internacional, e como tal foi enviado aos campos de batalha na França como motorista de ambulâncias para transportar feridos de guerra.
Ao voltar para os Estados Unidos, matriculou-se na Kansas City Arts School (”Escola de Artes da Cidade do Kansas”) e se iniciou na Ordem DeMolay (**) – uma organização filosófica, fraternal e iniciática para rapazes de 12 a 21 anos de idade fundada nos Estados Unidos em 1919 pelo Maçom Frank Sherman Land e patrocinada e apoiada pela Maçonaria desde 1921. Como membro da ordem, atuou em muitos trabalhos filantrópicos, ajudando principalmente famílias carentes e vítimas da guerra.
Disney também trabalhou em agências publicitárias. Depois ingressou numa companhia cinematográfica como desenhista, ajudando na produção de cartazes de propaganda de filmes. Além disso, foi escoteiro (***).

A Carreira

Walt Disney fundou sua primeira empresa de produção de desenhos animados, a Laugh-O-Gam, em sociedade com seu irmão Roy e um amigo, Ub Iwerks. As primeiras foram pequenas produções em preto e branco, baseadas em contos de fadas, e eram exibidas apenas no cinema local, antes do filme principal.
Em 1923, Walt e Roy se mudaram para Los Angeles, no Estado da Califórnia, onde assinaram contratos com a empresa de distribuição de filmes M. J. Winkler. A Winkler pagava a eles 1.500 dólares por cada filme. Com o dinheiro dos primeiros filmes vendidos, Walt percebeu que, para produzir mais, não bastava que somente ele desenhasse. Contratou outros desenhistas, argumentistas, etc., e montou uma equipe de profissionais para a produção de “Alice”, uma série para televisão. Era um misto de pessoas com desenhos animados. “Alice” era interpretada por uma menina, mas todos os outros personagens eram desenhos. Nessa época, conheceu e começou a namorar Lilian Bonds, que mais tarde se tornou sua esposa.

A primeira decepção

Depois do sucesso de “Alice” (que não era a do “País das Maravilhas”), Walt Disney criou o personagem “Oswald, The Lucky Rabbit” (”Oswald, o Coelho Sortudo”, que no Brasil se tornou conhecido como “o Coelho Osvaldo”). O sucesso do novo personagem o fez reavaliar os valores dos contratos que realizava. Porém , ao viajar para Nova York, teve uma decepção: como Disney não tinha assinado como autor, o homem para quem ele produziu “Alice” e “Oswald” roubou seus dois personagens e todas as encomendas já feitas.
Mas, como diz um ditado, nada como um dia após o outro. Walt já tinha em mente um novo plano que o faria recuperar o que perdera e ainda lucrar muito mais: um personagem ao qual já me referi – Mickey.
Na época, a série “Felix The Cat” (”O gato Félix”), de Oto Messmer ou Pat Sullivan (****), fazia muito sucesso nos cinemas, mas os filmes eram mudos. Disney realizou esse plano com um toque de humor: para concorrer com um gato, o personagem ideal seria um rato. Mas a certeza de que essa idéia daria certo consistia num segredo: o filme com o Mickey seria sonoro. Assim, em 1928, Mickey estreou no filme “Steamboat Willie”, o primeiro desenho animado sonoro do mundo.
Em pouco tempo, Mickey não somente se tornou o personagem de maior sucesso dos Estúdios Disney como também o mais popular dos desenhos animados no mundo. Afinal, era o primeiro personagem de desenho animado a “falar”. No princípio, sua “voz” era o próprio Walt Disney, mas depois ele foi dublado por outras pessoas.

O avanço do sucesso

A empresa, que então já tinha o nome “Walt Disney Productions”, prosseguiu com um sucesso atrás do outro. Mas, a cada sucesso, Disney, que não acreditava que “não se mexe em time que está ganhando”, fazia algumas modificações na equipe. Não necessariamente no pessoal, mas na forma como a equipe trabalhava. Ele mesmo assumiu o controle da produção e da direção da empresa, e colocou Roy como responsável pelo setor financeiro e Ub Iwerks com desenhista chefe.
Nessa época os filmes com atores já eram coloridos. Walt pensou, então: “Por que os desenhos animados não podem ser coloridos também?”. E colocou a equipe para trabalhar nesse sentido, mas em segredo, para que sua empresa, que já se tornara a primeira a produzir desenhos animados sonoros, fosse a primeira a produzir desenhos animados em cores.
Assim , vieram os primeiros filmes coloridos com Mickey, o Pato Donald, etc. e, de 1929 a 1939, foi produzida a série “Silly Simphonies” (”Sinfonias Tolas”), ainda com o famoso camundongo como personagem principal. Um dos episódios dessa série, “Flowers and Trees” (”Flores e Árvores”), também se tornou o primeiro desenho animado a receber o Oscar de Melhor filme de Animação, inaugurando a categoria na premiação – ou seja, até nisto Disney foi o primeiro. Mas também veio uma nova decepção: Pot Powers, um dos funcionários em que ele mais confiava, roubou a maior parte do dinheiro arrecadado.
Apesar disso, a empresa prosseguiu em seu sucesso. Com a produção de “Branca de Neve e os Sete Anões”, que estreou nos cinemas em 1937, Walt Disney se tornou mais uma vez um pioneiro. Foi o primeiro desenho animado de longa metragem do mundo, e seu sucesso foi maior do que o de muitos filmes com atores. Indicado para vários Oscars, ganhou o de “Melhor Canção”.
Walt já vinha planejando a produção baseada num conto clássico dos irmãos Grimm havia muito tempo. Estava apenas esperando o momento ideal para isto. Contratou músicos, compositores, cantores e cantoras para fazer as dublagens, e exigiu de seus desenhistas que a personagem principal fosse desenhada com a semelhança física de Heidi Lamar (*****). Walt era grande admirador dessa atriz. O trabalho ficou tão bem feito que, durante todo o filme, percebe-se que “Branca de Neve” não somente se parece com ela como também parece imitar a forma de interpretação da atriz. O filme estreou no mês de dezembro de 1937 nos cinemas. No Brasil, Branca de Neve foi dublada pela cantora Dalva de Oliveira.

O novo estúdio

À medida em que aumentava o sucesso da empresa, aumentava também o volume de trabalhos a serem realizados. Com isto, Walt via a necessidade de se transferir para um estúdio maior. Com sucesso de “Branca de Neve e os Sete Anões”, a empresa conseguiu fundos suficientes, não para a compra, mas para a construção de um novo estúdio próprio maior.
Vieram outros longa-metragem igualmente bem sucedidos. “Pinóquio” foi o primeiro, baseado num antigo conto infantil italiano sobre um velho fabricante de bonecos que queria ter um filho de verdade, e um belo dia uma fada realizou seu desejo, transformando Pinóquio (o título original do filme é em italiano:  ”Pinoccio”), um boneco de madeira de pinheiro, num menino de verdade. Em seguida, veio “Fantasia”, novamente com Michey como personagem principal, mas mostrando ao público a importância da música nos filmes, com a participação especial do maestro Leopold Tsiokolsky como regente da orquestra. Depois, como uma mensagem sobre a necessidade da preservação da natureza e das espécies animais, veio “Bambi”, que conta as aventuras de um veadinho que precisa sobreviver sem o apoio de sua mãe, que foi morta por um caçador pouco tempo depois que ele nasceu.

A Segunda Guerra Mundial

Quando a Segunda Guerra Mundial (1933-1945) atingiu o seu clímax, Walt colaborou com o FBI (Federal Bureau of Infomation – “Escritório Federal de Informação”) – a “Polícia Federal” dos Estados Unidos. O país entrou na guerra e Walt foi “convidado” pelas Forças Armadas para produzir desenhos animados que serviriam como treinamento para soldados. Assim, seus personagens foram utilizados para propagandas militares, principalmente o Pato Donald.
Depois desse período, Disney colaborou para a criação da “Aliança do Cinema para a Preservação dos Ideais dos Estados Unidos”. Prestou depoimentos voluntariamente diante da Comissão de Atividades Americanas. Devido às suas opiniões contra o comunismo, a exibição de seus filmes na União Soviética foi proibida pelo governo daquele país.

O período pós guerra

Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Walt Disney Productions começou a enfrentar dificuldades financeiras. Disney chegou a pensar que seria necessário fichar a empresa de uma vez por todas. Em vez disso, porém, decidiu mais uma vez levar às telas dos cinemas mais um conto de fadas. Então, produziu “Cinderela”, baseado no conto “A Gata Borralheira”.
Provavelmente isto não foi somente uma coincidência: como Cinderela, que no conto era pobre e se tornou uma princesa, na vida real Disney saiu da pobreza para a riqueza – assim como também o personagem “Tio Patinhas”.
Mais uma vez o sucesso foi alcançado, e “Cinderela” salvou a empresa, evitando a falência.
Em 1950, a Walt Disney Productions lançou seu primeiro filme com atores: “A Ilha do Tesouro”, baseado no livro de Robert L. Livingstone. Novamente, grande sucesso de público e de crítica. Disney também produziu vários documentários dentro da série “Maravilhas da Natureza”, mostrando a realidade da vida dos animais. Os mais famosos são “O Drama do Deserto”, onde ele mostrava o dia a dia de animais que vivem nos desertos americanos, e “O Leão Africano”. Na época, algumas pessoas se opuseram ao título deste último, alegando que leões são sempre africanos. Disney justificou explicando que o puma é chamado de “leão americano”.
Em 1953, foi lançado outro filme com atores: “Vinte Mil Léguas Submarinas”, gênero  ficção científica, baseado no livro de Júlio Verne. No papel principal estava o ator Kirk Douglas, pai do ator Michael Douglas, que atualmente tem o mesmo sucesso profissional de Kirk.

Outro Oscar para “Melhor Canção”

Em 1964, a Walt Disney Productions produziu o filme “Mary Poppins” com um misto de atores e personagens desenhados (nos dois vídeos abaixo, duas cenas deste filme). Tratava-se de uma comédia musical com o comediante Dick Van Dicke e a cantora e atriz Julie Andrews (a atriz de “A Noviça Rebelde”) nos papéis principais.
O filme contava a história de duas crianças (um menino e um menina), filhos de um banqueiro viúvo que lhes dava pouca atenção alegando não ter tempo para dedicar a eles. Mary Poppins era uma fada que veio para cuidar das crianças disfarçada como babá e, ao mesmo tempo, fazer com que o banqueiro aprendesse uma lição e se tornasse um pai afetuoso para seus filhos. “Mary Poppins” recebeu dois Oscars: o de “Melhor Atriz” (Julie Andrews) e o de “Melhor Canção” (”Chim-Chim-Cher-ee”).

Nos  filmes, a tentativa de mostrar a importância do amor, da união em família, do respeito aos animais e da amizade.

Em quase todos os filmes de Walt Disney, mesmo nas comédias e nos desenhos animados, o tema principal é a importância da união dentro da família, do respeito e do amor ao próximo e da amizade. Ao mesmo tempo,   são nítidas as mensagens sobre a necessidade do respeito e do carinho pelos animais e à natureza em geral.
Em filmes como “Branca de Neve e os Sete Anões” e “A Bela Adormecida”, destaca-se a importância do romantismo como forma de preservar o verdadeiro amor entre namorados e cônjuges. Ao mesmo tempo, em várias cenas, nos dois filmes, Branca de Neve e a princesa Aurora aparecem cercadas por passarinhos, coelhos, esquilos e outros animais das florestas.
Apesar de serem fantasias, esses filmes são também tentativas claras de mostrar principalmente às crianças que, devido ao verdadeiro amor, as pessoas são capazes de cometer grandes atos de coragem para salvar a pessoa amada de situações perigosas. Em “Branca de Neve e os Sete Anões”, o príncipe que ama a personagem principal faz tudo que lhe é possível para impedir que a bruxa faça qualquer mal à sua amada. Em “A Bela Adormecida”, para salvar Aurora, o herói Felipe enfrenta a bruxa inclusive no momento em que ela se transforma num gigantesco e pavoroso dragão que cospe fogo. Até mesmo o frágil e muitas vezes desengonçado Bambi, um veadinho tímido e inseguro, se torna um herói valente quando sua namorada, Faline, e seus amigos (o coelho Tambor, o gambá Flor, etc.) estão em situações perigosas. E o rapazola Peter Pan, que por nada deste mudo sairia de sua ilha mágica, a “Terra do Nunca”, é capaz de enfrentar o perigoso Capitão Gancho para defender seus amigos e vai  até Londres VOANDO para reencontrar sua amada, Wendy.
O apelo para o respeito e carinho pelos animais também se reflete nas histórias em quadrinhos: Mickey, Pateta, Pato Donald, Clarabela, Minie, Clara de Ovos, Horácio, etc., se vestem e se comportam como pessoas, mas são animais – respectivamente eles são um rato, um cachorro, um pato, uma vaca, uma rata, uma galinha, um burro, etc. Dizem que o carinho de Walt Disney pelos animais proveio de sua infância – ele viveu numa fazenda; portanto, era uma criança com constantes contatos com animais.

O Zorro

Ainda no final dos anos 1950 e no início da década de 1960, Disney produziu a série “Zorro” para televisão. O personagem principal era interpretado pelo ator Guy Wiliams, que atuou em vários filmes da Disney também para o cinema, entre eles “O Príncipe e o Mendigo”, outro grande sucesso.
“Zorro” foi a forma encontrada por Walt Disney para criticar políticos e oficiais militares envolvidos em corrupção. A história se passa no final do século XIX, quando a Califórnia era colônia da Espanha. Coma ajuda de seu criado surdo, Bernardo, que finge também ser mudo, o fidalgo Diego De La Vega, filho do alcaide Alejandro De La Vega, usa uma máscara e uma roupa preta para dificultar de ser visto à noite e, com sua espada e seu chicote, combate seus inimigos (mas nunca os mata), visando acabar com a corrupção e a impunidade.
Além de Bernardo, Zorro  conta também, sem saber disto, com a ajuda do sargento Garcia, que desconfia que Don Diego é o Zorro, mas não tem certeza. Fingindo ser um trapalhão, Garcia sempre conta a Diego o que se passa no quartel, pois sabe que ele tem alguma ligação com o herói mascarado, que sempre age depois que Diego toma conhecimento dos planos dos criminosos. Garcia finge não desconfiar dessa ligação entre Diego e Zorro e, quando recebe a ordem de perseguir o herói, frequentemente finge se atrapalhar de alguma forma para permitir que ele escape. Tudo isto porque, apesar de ser um militar, o gordo sargento é um bom homem e se simpatiza com  a causa do herói. Outro detalhe sobre o sargento, é que ele sempre toma um copo de vinho antes de contar os fatos a Diego. Desta forma, se descobrirem que ele conta segredos ao amigo, ele tem como desculpa o fato de estar bêbado ao falar.
Apesar da série ser baseada numa lenda mexicana, o Zorro era uma forma clara de Walt Disney criticar os políticos. O sargento Garcia, personagem que não existia na lenda original, foi interpretado pelo ator e cantor Henry Calvin.
Outro grande sucesso de Walt Disney na TV nos anos 60 – e que foi ao ar até meados da década de 1970 apesar de sua morte em 1966 – foi o programa “Disneylândia”, apresentado semanalmente por ele mesmo. O programa variava da seguinte forma: em alguns episódios, era apresentado o “Mundo da Fantasia”, com desenhos animados com o Mickey, o Pato Donald, etc.; em outros, a série de documentários “Mundo da Natureza”, e em outros, o “Mundo da Aventura”, com biografias de personagens da história real como David Crocket, Daniel Boone, além de aventuras fictícias interpretadas por atores. No Brasil, o programa “Disneylândia” foi exibido inicialmente pela Rede Tupi. Mais tarde, pela Rede Globo.

A Disneylândia e o Disney World

Sem dúvida, o maior êxito na vida de Walt Disney foi a Disneylândia  (em inglês, “Disneyland” – “O País de Disney”). Não é apenas um grande parque temático: é o maior, o mais completo e o mais famoso parque temático do mundo. Situado em Anaheim, no Estado da Califórnia, a Disneylândia foi construída graças a uma parceria entre a Walt Disney Productions e a rede de TV norte-americana ABC. A inauguração se deu em 1955, e o mestre de cerimônias foi o então ator Ronald Reagan (******).
Na Disneylândia, atores interpretam os principais personagens de Disney e brincam junto com as crianças. Os visitantes – crianças e adultos – se divertem aprendendo, ou aprendem se divertindo. Alí, existem réplicas de algumas das principais cidades do mundo (Paris, Londres, Rio de Janeiro, etc.), de forma que se pode aprender um pouco mais sobre geografia e sobre outros países. Existem também brinquedos onde se aprendem ciências, conhecimentos do corpo humano, etc. E existe, é claro, uma imensa rede local de hospedagem para os visitantes, equipada com o que há de mais moderno no setor de hotelaria.
Disney também planejou a construção de um outro parque temático semelhante à Disneylândia, mas não pôde ver sua inauguração. O “Walt Disney World” (”Mundo de Walt Disney”), com este nome como uma homenagem de seus realizadores a ele, só pôde ser concluído em 1972. Hoje o parque, que se situa em Orlando, na Califórnia, é mais conhecido como “Disney World”. Tanto nele como na Disneylândia, além dos brinquedos e dos atores caracterizados como personagens dos filmes e das histórias em quadrinhos, há também mega-shows musicais, especialmente em datas comemorativas como o Natal e o Ano Novo (num dos vídeos acima, está a abertura da comemoração do Natal de 2008 no Disney World com o show da cantora e atriz Miley Cyrus).

O legado

Walt Disney morreu aos 65 anos de idade, no dia 15 de dezembro de 1966, vítima de um câncer pulmonar. Entretanto, seu grande legado permanece ainda hoje, com as obras que ele iniciou sendo finalizadas por todos aqueles que trabalham para suas empresas, ainda hoje mantidas graças aos esforços de seu irmão Roy, que faleceu pouco tempo depois, de sua esposa Lilian e de suas filhas, Diane Marie Disney e Sharon Mae Disney – estas duas ainda hoje estão à frente das empresas e dos projetos deixados por ele mas ainda não realizados.
As produções em desenho animado e com atores continuam obtendo o mesmo sucesso de crítica e de público que os realizados no início de tudo. “Pocahontas”, “O Rei Leão”, “Procurando Nemo”, entre outros, são verdadeiras obras primas de animação. Entre os filmes com atores, destacam-se os de aventuras como “Piratas do Caribe” (I e II), várias comédias (algumas com Eddie Murphy), documentários, etc. Outras obras com atores e desenhos animados estão vindo por aí. Tudo isto sem falar nas obras literárias, projetos para televisão e uma infinidade de projetos educativos a serem aplicados em escolas de vários países, com atenção especial para aqueles onde os níveis educacionais são mais baixos e os índices de pobreza são maiores. Felizmente, ao que tudo indica, ainda vamos nos divertir e aprender com muitas produções Disney por muito tempo.
Dois grandes momenos do beíssimo musical “Mary Poppins”, que eu tive o prazer de ver no cinema:
Acima, Mery Poppins (Julie Andrews) e o limpador de chaminés (Dick Van Dicke) cantam e dançam com personagens desenhados.
Abaixo, Dick Van Dicke e as crianças  cantam “Chim-Chim-Cher-ee”, a belíssima canção que ganhou o Oscar.
Algumas das principais obras cinematográficas de Walt Disney.
Desenhos animados:
  1. “Os Três Porquinhos” (1933)
  2. “Branca de Neve e os Sete Anões” (1937)
  3. “Pinóquio” (1940)
  4. “Fantasia” (1940)
  5. “Dumbo” (1941)
  6. “Bambi” (1942)
  7. “Você já foi à Bahia?” (1944)
  8. “Cinderela” (1950)
  9. “Alice no País das Maravilhas” (1951)
  10. “A Dama e o Vagabundo” (1955)

...e uma infinidade de outros.

Fimes com atores:
  1. “A Ilha do Tesouro” (1950)
  2. “Vinte Mil Léguas Submarinas” (1953)
  3. “Mary Poppins” (1964)
  4. Várias comédias, filmes épicos, de aventuras, biográficos, etc.


(*) Leonardo da Vinci, o “gênio renascentista”, foi escultor, pintor, desenhista, arquiteto, urbanista, inventor, anatomista, etc.
(**) A Ordem DeMolay tem esse nome em homenagem ao francês Jacques DeMolay, último grão-mestre da Ordem dos Templários, perseguido e morto (queimado até a morte) numa fogueira em praça pública em 1314 por determinação do rei da França, Filipe IV, e da Igreja Católica através da Santa Inquisição.
(***) Membro do Escotismo, movimento fundado pelo inglês Robert Stepheson Smith Baden-Pawell. É um movimento educacional mundial que desenvolve nos jovens um sistema de valores que prioriza a honra e o trabalho em equipe.
(****) Alguns autores afirmam que Oto Messmer foi o criador do Gato Félix. Outros dizem que foi Pat Sullivan. Isto porque ambos desenharam o personagem em vários trabalhos, tanto nos filmes como nos quadrinhos.
(*****) A atriz que interpretou Dalila no filme “Sansão e Dalila” anos depois.
(******) Na década de 1980, Ronald Reagan foi presidente dos Estados Unidos
em dois mandatos.

Referências:
Autor: Elias Alves - Categoria(s): Arte, Cinema, Comunicação, Conhecimento, Cultura, Informação, Literatura, crianças, família, imagem Tags: , , , , ,
22/09/2009 - 22:11

MOSTRA DE VÍDEOS EM ALEGRE (ES)

Autor: Elias Alves - Categoria(s): Cinema, Comunicação, Cultura, imagem Tags:
01/07/2009 - 23:23

Por que tantas pessoas necessitam de ídolos?

Elvis Presley (em sua última apresentação, em 1977, interpretando “Unchined Melody”) e Michael Jackson ao ser anunciado como o cantor com mais discos vendidos no mundo, no World Music Awards em 2006. Eles são dois exemplos de “ídolos” da era atual.

 O astro “pop” Michael Jackson morreu na quinta-feira passada (25). Apesar de sua morte ter ocorrido há seis dias, milhões de fãs do cantor nos Estados Unidos e em todo o mundo ainda se revelam consternados profundamente como se ele tivesse morrido hoje. A mídia ainda divulga informações sobre a vida e a morte de Michael com ênfase, e milhões de admiradores de ambos os sexos admitem que têm dificuldade de aceitar que ele esteja morto.

Alguma novidade nisto? Não. É um fenômeno que se repete cada vez que um ídolo morre. Foi assim que aconteceu em relação à morte de Elvis Presley em 1977 e do ator norte-americano James Dean em 1955. James Dean se tornou um ídolo principalmente por sua atuação no filme “Juventude Transviada”, em que muitos jovens, inclusive no Brasil, viam seu personagem como um retrato deles mesmos. 

Rodolfo Valentino, um italiano naturalizado nos Estados Unidos, se tornou um ídolo do período do cinema mudo. Quando ele morreu, em 1926, mais de 100 mil fãs (na época, um número considerado extretamente expressivo) tentaram vê-lo no caixão dizendo que somente assim acreditariam que ele estava morto. Como se percebe, os fãs muitas vezes chegam ao ponto de achar que seus ídolos são imortais.

No dia 4 de agosto de 1962, as emissoras de rádio e televisão dos Estados Unidos interromperam suas programações normais para anunciar que Marilyn Monroe fora encontrada morta em seu apartamento. A notícia estarreceu milhares de admiradores da atriz, especialmente porque havia indícios de suicídio: ao lado do corpo, havia um frasco de remédio para dormir, e a polícia concluiu que Marilyn havia tomado uma overdose. Até hoje ainda há debates sobre o caso, pois também existe a suspeita de assassinato, e os fãs ainda clamam por justiça. E não são poucos os jovens que ainda cultuam esses que foram ídolos de seus pais ou seus avós como se fossem atuais.

Os ídolos de antigamente

A necessidade de adorar ídolos sempre existiu na humanidade. No início, a adoração tinha príncípios religiosos. Na verdade, “ídolo” – palavra cujo significado parece ter sido modificado com o passar dos anos - é qualquer objeto de adoração que representa um deus, uma deusa, um espírito ou uma divindade(*). 

Ainda hoje existem povos que atribuem a seus ídolos (estátuas, pedras, búzios, ossos, etc.) poderes sobrenaturais que permitem uma comunicação entre o mundo natural e o mundo sobrenatural, ou seja, entre nós e os espíritos, deuses, etc. Os santos venerados pelos católicos, por exemplo, se incluem na categoria das divindades – não são considerados deuses, mas a eles são atribuídas as funções de “intersessores” entre nós e Deus.

“Ídolos” modernos

Na era moderna vários motivos levaram as pessoas a passarem a “adorar” – se podemos dizer assim – como “ídolos” outras pessoas comuns como ela mesmas, mas é evidente que o avanço da tecnologia, que gerou meios de aproximar mais essas pessoas em relação às que elas admiram, tem sua parcela de responsabilidade sobre isto. Os meios modernos de comunicação permitem acesso mais fácil entre anômimos e ”celebridades” (cantores, cantoras, atores, atrizes, etc.) A crescente produção de música (especialmente a popular) e a rapidez na distribuição de milhões de cópias de CDs e DVDs pelo mundo em curto espaço de tempo, somando-se a isto a evidente massificação das produções divulgadas através da televisão e da internet, fez com que o termo “ídolo” saísse da esfera religiosa ou mística e passasse a designar também os artistas. A fama dos cantores, por exemplo, cresce a tal ponto que a simples admiração inicial de seus fãs em pouco tempo se transforma numa “adoração” sem que estes percebam. 

Imitação até mesmo nas roupas

Exagero? Não, eu creio que dizer isto não é um exagero. Basta Gisele Bündchen aparecer num comercial de televisão dizendo que usa sandálias de uma certa marca, e milhares de mulheres em todo o país, especialmente as mais jovens, logo se interessam em comprar sandálias iguais àquelas. Elas dirão que é apenas porque as sandálias são bonitas. Na verdade, muitas farão isto porque sonham serem iguais ao seu “ídolo”, que neste caso é Gisele. Mas dificilmente admitirão isto.

Muitas são as mulheres que, ao assistirem a um capítulo de uma telenovela, prestam mais atenção no que as atrizes usam do que na cena. Depois, tentam comprar roupas e sapatos iguais àqueles. Porque são bonitos? Sim, mas muito provavelmente também porque estão sendo usados pela atriz famosa. Não levam em consideração a personagem, mas a atriz que a representa (”Você viu o vestido que a Cristiane Torloni estava usando na novela ontem?”). Não foi por acaso que as novelas de rádio deixaram de ir ao ar depois que as novelas da TV estrearam. No rádio, não se pode ver o que as atrizes estão usando – portanto, a audiência, cuja maioria é o público feminino, perdeu o interesse pelas radionovelas.

Imitar os ídolos não é um comportamento exclusivo das mulheres. Lembro-me dos anos 1960, quando as “botinhas” de Roberto Carlos, com os saltos semelhantes aos das botas dos “cowboys”, fazia o maior sucesso entre os jovens da época. Isto sem falar nos cintos com aqueles fivelões como os de Erasmo Carlos, e nas calças “boca-de-sino” que relembravam Elvis Presley.

O ”fanatismo” e o fanatismo 

“Fã” é um “apotuguesamento” de “fan”, da língua inglesa. Mas ”fan” não é exatamente uma palavra, é uma forma reduzida de “fanatic”, que é “fanático” em inglês. É claro que os fãs detestam ser chamados de “fanáticos”, mas esta é a origem da palavra. Em termos generalizados, pode ser vista como exagero, mas em certos casos é um nome bem apropriado. Os “fanáticos” – entre aspas, para expressar que não há realmente fanatismo propriamente dito em seus atos, mas chegam bem perto disto – são aqueles que, mesmo sem ter qualquer tipo de contato pessoal com seus ídolos, são capazes de garantir que as pessoas que admiram são seres humanos perfeitos, sem mácula, incapazes de cometer erros, mesmo os mais comuns entre os humanos anômimos. Convenhamos: se isto não é fanatismo, falta pouco para chegar a ele.

Em seu artigo publicado na edição de hoje (01.07.2009) do jornal “Gazeta do Povo”, Mário Renato dos Santos informa que Mário Eduardo Pereira, coordenador do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de Campinas (Unicamp) diz que a maioria dos seres humanos normalmente mantém a esperança de que a perfeição existe ou pelo menos possa existir. Assim, muitos admiram as celebriades que conseguiram aquilo que seus admiradores desejam para si mesmos mas não conseguem. O problema é que muitos fãs idealizam seus ídolos como seres perfeitos e a situação chega a tal ponto em que se torna uma doença. “É como se os fãs quisessem se apropriar da vida do ídolo”, diz Mário Renato. E ele tem razão: lembro-me  do caso do ex-Beatle John Lennon, que foi assassinado em Nova York em dezembro de 1990. O assassino, Mark David Chapmam, confessou que era seu fã e que o matou porque não queria dividir seu ídolo com outros fãs. Chapman disse aos repórteres: “Eu era ninguém até o dia em que matei o maor ‘alguém’ da Terra.”

As pessoas precisam de ídolos?

Talvez a pergunta a ser feita não seja exatamente esta. Talvez devamos perguntar por que as pessoas necessitam de ídolos, já que a necessidade sempre foi evidente. Os antigos gregos e outras civilizações adoravam vários deuses e heróis – como Hércules, um humano com poderes divinos – que nem sequer existiam. Mas isto não é um comportamento exclusivo do passado. Hoje são muitos os adolescentes que formam até mesmo organizações sem fins lucrativos, chamadas de “fã-clubes”, que reúnem admiradores do Homem-Aranha, do Batman, do Wolverine, da Mulher Maravilha e de vários outros heróis e heroínas das histórias em quadrinhos, dos filmes de aventuras e dos desenhos animados. Um verdadeiro clamor em nome dos ídolos que não existem e nunca existiram na realidade, mas que atiçam suas fantasias e de alguma forma fazem com que esses admiradores se identifiquem com eles. Mas isto também não é exclsuividade infanto-juvenil: muitos adultos se gabam em mostrar suas coleções de revistas, posters e até roupas iguais às do Superman (ou “Super-Hmem”, como queiram!) ou do Batman.

Acredito que os ídolos são necessários na medida em que eles, existentes ou não, assumem uma função social. Normalmente os primeiros ídolos de uma criança são seus próprios pais, seus irmãos mais velhos e outras pessoas da família, nos quais elas se espelham até em suas brincadeiras. Geralmente o menino “dirige” o carro de brinquedo como o “papai” dirige o de verdade. A menina costuma “cuidar” da boneca como, em sua imaginação, a “mamãe” cuida dela mesma. Depois, na vida adulta, quando é preciso deixar os carrinhos e as bonecas no passado, ainda há quem colecione carrinhos e bonecas como se não quisessem que a infância tivesse terminado. É o que eu chamo de “síndrome de Peter Pan” (na história contada no famoso filme de Walt Disney, Peter Pan é um menino que não quer se tornar adulto).

Todos nós temos a necessidade de termos nossos ídolos, mas nem todos têm a facilidade de admitir isto. Assim, os cristãos têm uma imagem de Jesus tão imaculada quanto é a de Buda para os budistas. Não quero, com isto, dizer que essas duas personalidades tão importantes sob o ponto de vista histórico não mereçam ser admiradas. Merecem sim, pois poucos tentaram fazer pela humanidade o que eles tentaram. O que eu quero dizer é que observamos as qualidades das pessoas que admiramos, sejam elas quem forem, mas a maioria dos admiradores tem um profundo medo de aceitar os possíveis defeitos dos admirados. Para muitos fãs, a confirmação dos defeitos em seus ídolos representa mais do que uma simples decepção: pode ser o fim da esperança pela existência da perfeição.

Referência: “Gazeta do Povo” (01.06.2009)

 (*) “Divindade” não é o mesmo que “deus” ou “deusa”, é algo (um animal, um objeto, etc.) que em muitas religiões é considerado sagrado ou como se tivesse poderes sobrenaturais.  

Autor: Elias Alves - Categoria(s): Arte, Cinema, Ciências humanas e sociais, Comportamento, Comunicação, Cultura, Música, Pessoal, Religião, Sociedade, Tecnologia, Televisão, Vida, crime, linguagem Tags: , , , , , ,
31/03/2009 - 05:17

Morre um grande comediante brasileiro

Ankito e Renata Fronzi numa cena do filme “Pé na Tábua” (1957)
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O comediante Ankito faleceu ontem à noite (30/03) no Rio de Janeiro aos 85 anos de idade, vítima de câncer. O ator vinha recebendo tratamento contra um tumor pulmonar desde 2007.
Ankito nasceu no Brás, um bairro da capital de São Paulo, em 1924. De família circense, era filho e sobrinho dos palhaços Faísca e Piolim. Seu nome verdadeiro era Anchizes (pronuncia-se Anquizes“) Pinto. Começou a trabalhar aos sete anos de idade no circo, onde aprendeu aquelas famosas acrobacias que costumava fazer em seus filmes, provocando gargalhadas das platéias. Trabalhou como acrobata durante alguns anos também no Cassino da Urca, no Rio de Janeiro.
Sua consagração de fato ocorreu durante sua carreira no cinema, nas famosas chanchadas, durante as décadas de 1950 e 1960. Atuou em mais de 50 filmes, todos com grande sucesso de bilheteria, sendo doze 12 com Grande Otelo. Seu último trabalho no cinema foi em “Beijo 2348/72″, dirigido por Walter Rogério, em 1990. Participou em vários programas humorísticos e novelas nas TVs Tupi, Record e Globo. Ultimamente vinha atuando no programa “Zorra Total”, da Globo. Ankito era casado com a atriz Denize Casais.
Autor: Elias Alves - Categoria(s): Arte, Cinema, Conhecimento, Cultura, Televisão, Vida Tags: , , ,
23/03/2009 - 14:33

“Qualidade Devida” recebe mais de 20.100 visitas em menos de três meses.

O “Qualidade Devida” recebeu até hoje 20.167 visitas. Certamente há leitores que o visitam várias vezes. Os assuntos tratados no site variam: economia, saúde, ciências, tecnologia, questões sociais, orientações contra crimes cometidos através da Internet, comportamento, educação, informações sobre fatos importantes que acontecem no país e no mundo, etc. Também incentivamos pessoas que realizam conquistas importantes ou tentam realizá-las.

Todos os temas são baseados em informações fornecidas por fontes governamentais, não governamentais, nacionais e internacionais, todas reconhecidas oficialmente. As orientações sobre saúde, por exemplo, são resultantes de pesquisas sobre informações e opiniões dadas por profissionais e institituições da área. As informações sobre economia são baseadas em dados fornecidos por setores relacionados às ciências econômicas. E assim por diante.

Vários leitores do “Qualidade Devida” são estudantes que tem informado, através de seus comentários, que o site os tem ajudado no desenvolvmento de trabalhos escolares. Outros são pais e mães que, também através dos comentários, tem manifestado agradecimento pelo fato do site estar ajudando esses jovens. Há o caso de uma senhora que parabenizou o “Qualidade Devida” porque o site foi sitado como referência para trabalhos pela escola que sua filha frequenta. Outros leitores tem informado que muitos dos artigos aqui publicados tem sido importantes para a orientação a pessoas que pretendem particiar de concursos públicos, evstibulares, etc.

Há também os amigos e familiares de pessoas com necessidades especiais que acrescentam seus comentários sobre os artigos relacionados às especialidades. Essas pessoas tem manifestado incentivos para que este trabalho tenha continuidade, e tem aproveitado a oportunidade para solicitar orientações, as quais eu só forneço após ter pesquisado bastante sobre fontes seguras de onde eu possa obter dados confiáveis. 

O ”Qualidade Devida” alcançou a marca de 20.167 visitas em menos de três meses - as atividades foram iniciadas no dia 31 de dezembro de 2008. O número tão significativo – levando-se em consideração o período em que foi registrado – e os comentários e solicitações acrescentados pelos leitores são uma confirmação da conquista de credibilidade e da existência de pessoas – inclusive jovens – dispostas a apoiar iniciativas como esta, de contribuir para a divulgação da cultura e de informações importantes.

Agradeço sinceramente a todos os leitores por prestigiam o “Qualidade Devida” e por me incentivarem na continuidade do trabalho. Volto a afirmar que minha intenção é ajudá-los no que for necessário e tanto quanto me for possível. Além disto, creio que, como dizia Isaac Newton, “dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço ao mesmo tempo”. Portanto, se ocuparmos na Internet cada vez mais espaços com coisas úteis, estamos contribuindo para que haja cada vez menos espaços para as coisas inúteis e prejudiciais.

Encerro este texto desejando-lhes felicidades e dizendo que continuo e continuarei à disposição de vocês.

Autor: Elias Alves - Categoria(s): ALERTA AOS INTERNAUTAS, Alimentação, Amor, Arte, Assalto, Astronomia, Astronáutica, Cinema, Ciência, Ciências humanas e sociais, Comportamento, Computador, Comunicação, Conhecimento, Consultoria Empresarial, Crimes na Internet, Cultura, Dicionário multilíngüe automático, Direitos e Deveres, Economia, Educação, Emprego, Espaço, Esportes, Filosofia, Games, Gastronomia, Historiologia, Impostos, Imóveis, Informação, Informática, Internet, Loterias, Música, NOVOS GOLPES PELA INTERNET, Notícias, Pessoal, Política, Religião, Saúde, Saúde infantil, Segurança, Sem categoria, Sociedade, TV Digital, TV Gazeta, TV Vitória, Tecnologia, Telecomunicação, Universo, Vida, blocos econômicos, dicionários, gramáticas, linguagem, linguagem, ortografia Tags: , , , , ,
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