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NOVIDADES PARA FÃS DE FILMES DE WALT DISNEY
Você pode assistir a filmes da Walt Disney Company através do "Qualidade Devida" toda segunda-feira a partir das 22 horas. Basta clicar sobre o link "Disney Channel", que você encontra em "SITES QUE RECOMENDO", nesta mesma coluna.
Não se pode ter dúvidas de que Walt Disney teve o grande mérito de trazer muita diversão e cultura a pessoas de todas as idades, principalmente às crianças de todas as gerações desde a década de 1920 até hoje. A influência de seu trabalho foi tão grande que encantou gerações do mundo inteiro durante sua vida e ainda encanta, mesmo 43 anos depois de sua morte.
No vídeo acima, o filme curta-metragem “Aquarela do Brasil”, que tem o Pato Donald como protagonista. Nele aparece o personagem brasileiro, o papagaio Zé Carioca, a quem os norte-americanos chamam de “Joe Carioca”. Esta foi uma homenagem de Walt Disney ao Brasil e a artistas brasileiros como Ary Barroso, autor da música tema que, no filme, foi cantada por Aloysio Oliveira. Aurora Miranda, irmã de Carmen Miranda, aparece cantando “Os Quindins de Iaiá” com Aloysio Oliveira e dançando com o Pato Donald, que tenta sambar de uma forma muito desajeitada e divertida.
No vídeo abaixo, a abertura da festa de Natal de 2008 no Disney World. A cantora e atriz Miley Cyrus (a “Hanna Montana” da série da Disney que no Brasil é apresentada pelo SBT), canta a tradicional canção natalina “Santa Claus is Coming to Town” (”Papai Noel está vindo para a cidade”).
Seu nome verdadeiro era Walter Elias Disney. “Walt” era o apelido pelo qual seus amigos a familiares carinhosamente o chamavam desde quando ele era criança. Por gostar de ser chamado assim, adotou o apelido como “nome” em sua assinatura, e se identificava como “Walt Disney” às pessoas às quais se apresentava ou era apresentado.
Alguns autores dizem que Walt Disney nasceu em Illinois, no estado de Chicago, Estados Unidos. Outros afirmam que ele nasceu em Los Angeles, na Califórnia. Talvez essa incerteza quanto ao seu local de nascimento tenha sido causada pelo fato de ele não ter registrado quando nasceu. Sabe-se, porém, que seu nascimento ocorreu no dia 5 de dezembro de 1901.
Walt Disney foi uma espécie de “Leonardo da Vinci” das artes do século XX (*). Foi produtor e diretor de filmes, roteirista, dublador, animador de programas de televisão, mas, acima de tudo, um filantropo e um grande empreendedor. Pessoas que chegaram a conhecê-lo pessoalmente costumam dizer que, quando alguém lhe pedia um conselho para ser bem sucedido na vida como ele mesmo foi, ele sempre dizia apenas isto: “Nunca pare. Siga sempre em frente.”
Walt Disney começou a ficar famoso na década de 1920, através da criação de seus personagens mais conhecidos, e que são também ainda hoje os mais populares das histórias em quadrinhos e dos desenhos animados no mundo. ”Mickey Mouse” (”O Rato Mickey” ou “Camundongo Mickey”) surgiu pela primeira vez no curta-metragem em preto e branco “Steamboat Willie” (”Willie”, o Barco a Vapor), o primeiro desenho animado sonoro do mundo, produzido em 1928. O sucesso do ratinho foi tão grande que ele prosseguiu como o personagem principal em outros desenhos animados. Ao longo da série, foram surgindo seus amigos, como Pato Donald, o Pateta, o cachorro Pluto, a vaca Clarabela, o burro Horácio e Minie, a eterna namorada de Mickey.
O sucesso do Pato Donald também cresceu. Com isto, ainda nos anos 1930, ele passou a ser o personagem principal em vários desenhos animados, quase todos em meio a confusões com os esquilos Tico e Teco ou em companhia dos sobrinhos Huey, Joey e Louey (”Huguinho”, “Zezinho” e “Luizinho”). A história dessa pequena família é a seguinte:
Donald tinha uma irmã que se casou e foi morar num local distante. Porém seu marido desapareceu , e ela, sendo muito pobre, não teve como cuidar dos filhos. O Pato Donald, então, decidiu se responsabilizar pela criação dos meninos. Aos trancos e barrancos, e em meio a trapalhadas muito divertidas, Donald, um cidadão da classe média, cuida dos meninos do jeito que pode. Ao mesmo tempo, ele namora a pata Daysy (”Margarida”), que também cuida de três sobrinhas: Lalá, Lelé e Lili.
As homenagens ao Brasil
Durante os anos 1940, Walt Disney realizou três produções protagonizadas pelo Pato Donald homenageando o Brasil. Uma delas, de 1944, é “Brazilian Watercolor”, que está num dos vídeos acima (o filme completo). Nesta obra, o personagem Zé Carioca, representado por um papagaio – uma ave típica de países cuja maior parte territorial é tropical, como é o caso do Brasil – aparece pela primeira vez, como o simpático e receptivo carioca disposto a mostrar as belezas do Rio de Janeiro – e do Brasil – ao turista norte-americano Pato Donald. Depois, Donald volta a visitar o Brasil e a encontrar Zé Carioca em “A Culpa é do Samba”, em “Você já foi à Bahia?” e em “Alô, Amigos” (neste último, Disney homenageia também o México).
Para a realização desses filmes, o próprio Walt Disney esteve no Rio de Janeiro para conhecer a cidade e os artistas brasileiros que participariam dessas obras. Ele conheceu Ary Barroso, autor da música “Aquarela do Brasil”; Zequinha de Abreu, autor de “Tico-Tico no Fubá”, as irmãs Carmen e Aurora Miranda (que viviam no Brasil mas eram portuguesas).
Walt conheceu também um sambista, José Oliveira, na época conhecido pelos amigos como “Zé” e “Zezinho”. Foi em homenagem a ele que deu ao papagaio o nome “José Carioca” e o apelido pelo qual o personagem se tornou mais popular no Brasil: “Zé Carioca”. O próprio Walt Disney desenhou um protótipo do que seria o “Zé Carioca” sentado a uma mesa do Copacabana Palace Hotel e convidou o mesmo José Oliveira para ser a “voz” do personagem. Como se pode verificar no filme acima, o sambista aceitou o convite (o nome de José Oliveira aparece na abertura do filme como dublador de “Zé Carioca” – “Voice of Joe Carioca: José Oliveira”).
Donald, o cidadão da classe média, e seu tio rico
Donald vive “pulando” de um emprego para outro. Na maioria das vezes, trabalha para as empresas de seu tio muito rico, o empresário Patinhas, que também já foi pobre e começou a lutar pela vida vendendo limonadas nas ruas. Como uma espécie de amuleto, o supersticioso Patinhas guarda até hoje a primeira moedinha – um centavo de dólar – que ganhou quando vendeu o primeiro copo de limonada. A única coisa que ele teme é que um dia possa perder aquela moeda.
Patinhas tem fama de ser um daqueles ricaços bem avarentos. A verdade é que ele teme voltar a ser pobre como era na infância. Por esta razão se apega tanto àquela moedinha. Ele pensa que, assim como foi a moeda que iniciou sua riqueza, pode ser a que iniciará seu retorno à pobreza se for perdida. Sabendo que essa moeda é o seu ponto fraco, seus piores inimigos – os bandidos, Irmãos Metralha e as feiticeiras Maga Patalógika e Madame Min – vivem tentando roubá-la. O prazer desses criminosos em atormentar a vida de Patinhas é tão maior do que a própria ganância, que eles não tentam roubar sua fortuna, mas apenas a moedinha – que ele mesmo chama de “minha moedinha da sorte”.
O nome original do Tio Patinhas é Scrooge McDuck (seria “McPato” em português). Na história imaginada por Disney, ele não nasceu nos Estados Unidos: veio da Escócia ainda jovem e se estabeleceu nos Estados Unidos como imigrante, assim como outros antepassados de Donald. Seu nome é baseado no personagem Ebenezer Scrooge, do livro “Conto de Natal”, de Charles Dickens.
Dizem que Tio Patinhas foi criado pelo desenhista Karl Barks. Na verdade, ele foi idealizado por Walt Disney, mas desenhado por Karl, que nessa época trabalhava como desenhista para Disney.
A pobreza na infância
Walt Disney passou a maior parte de sua vida vivendo numa fazenda em Marceline, no interior do Estado de Missouri. Era filho de um imigrante mexicano, Elias Disney, e da estadunidense descendente de alemães, Flora Call Disney. Walt era o terceiro filho do casal. Seus irmãos mais velhos eram, nessa ordem, Herbert, Reimond e Roy. Quando ele tinha três anos, nasceu sua irmã, Ruth.
Walt teve uma infância e uma adolescência muito difíceis, pois a família era muito pobre e vivia na fazenda apenas porque o proprietário permita. Começou a trabalhar aos sete anos de idade. Por essa ocasião, com dinheiro emprestado por amigos, Elias Disney havia adquirido uma pequena agência de distribuição de revistas e jornais. De segunda a sábado pela manhã, Walt e seus irmãos frequentavam a escola, e durante a tarde, das 13 às 18 horas, entregavam os jornais e as revistas nas residências dos assinantes enquanto o pai permanecia na agência. O trabalho era possível para as crianças porque a localidade em que moravam era pequena e as residências não eram muito distantes entre si. Descanço, somente à noite e aos domingos.
Aos 14 anos, chegou a pensar que era filho adotivo. Esse pensamento não correspondia à verdade, mas ocorria porque seus amigos tinham certidões de nascimento mas ele não possuía esse documento.
A Maçonaria
Walt começou a estudar arte aos 16 anos de idade. Nessa época tentou alistar-se voluntariamente no Exército, mas não conseguiu por não ter a idade mínima exigida (18 anos). O ano era 1917, e a Primeira Guerra Mundial, que começou em 1914, estava no seu auge. Decidiu então ingressar como voluntário na Cruz Vermelha Internacional, e como tal foi enviado aos campos de batalha na França como motorista de ambulâncias para transportar feridos de guerra.
Ao voltar para os Estados Unidos, matriculou-se na Kansas City Arts School (”Escola de Artes da Cidade do Kansas”) e se iniciou na Ordem DeMolay (**) – uma organização filosófica, fraternal e iniciática para rapazes de 12 a 21 anos de idade fundada nos Estados Unidos em 1919 pelo Maçom Frank Sherman Land e patrocinada e apoiada pela Maçonaria desde 1921. Como membro da ordem, atuou em muitos trabalhos filantrópicos, ajudando principalmente famílias carentes e vítimas da guerra.
Disney também trabalhou em agências publicitárias. Depois ingressou numa companhia cinematográfica como desenhista, ajudando na produção de cartazes de propaganda de filmes. Além disso, foi escoteiro (***).
A Carreira
Walt Disney fundou sua primeira empresa de produção de desenhos animados, a Laugh-O-Gam, em sociedade com seu irmão Roy e um amigo, Ub Iwerks. As primeiras foram pequenas produções em preto e branco, baseadas em contos de fadas, e eram exibidas apenas no cinema local, antes do filme principal.
Em 1923, Walt e Roy se mudaram para Los Angeles, no Estado da Califórnia, onde assinaram contratos com a empresa de distribuição de filmes M. J. Winkler. A Winkler pagava a eles 1.500 dólares por cada filme. Com o dinheiro dos primeiros filmes vendidos, Walt percebeu que, para produzir mais, não bastava que somente ele desenhasse. Contratou outros desenhistas, argumentistas, etc., e montou uma equipe de profissionais para a produção de “Alice”, uma série para televisão. Era um misto de pessoas com desenhos animados. “Alice” era interpretada por uma menina, mas todos os outros personagens eram desenhos. Nessa época, conheceu e começou a namorar Lilian Bonds, que mais tarde se tornou sua esposa.
A primeira decepção
Depois do sucesso de “Alice” (que não era a do “País das Maravilhas”), Walt Disney criou o personagem “Oswald, The Lucky Rabbit” (”Oswald, o Coelho Sortudo”, que no Brasil se tornou conhecido como “o Coelho Osvaldo”). O sucesso do novo personagem o fez reavaliar os valores dos contratos que realizava. Porém , ao viajar para Nova York, teve uma decepção: como Disney não tinha assinado como autor, o homem para quem ele produziu “Alice” e “Oswald” roubou seus dois personagens e todas as encomendas já feitas.
Mas, como diz um ditado, nada como um dia após o outro. Walt já tinha em mente um novo plano que o faria recuperar o que perdera e ainda lucrar muito mais: um personagem ao qual já me referi – Mickey.
Na época, a série “Felix The Cat” (”O gato Félix”), de Oto Messmer ou Pat Sullivan (****), fazia muito sucesso nos cinemas, mas os filmes eram mudos. Disney realizou esse plano com um toque de humor: para concorrer com um gato, o personagem ideal seria um rato. Mas a certeza de que essa idéia daria certo consistia num segredo: o filme com o Mickey seria sonoro. Assim, em 1928, Mickey estreou no filme “Steamboat Willie”, o primeiro desenho animado sonoro do mundo.
Em pouco tempo, Mickey não somente se tornou o personagem de maior sucesso dos Estúdios Disney como também o mais popular dos desenhos animados no mundo. Afinal, era o primeiro personagem de desenho animado a “falar”. No princípio, sua “voz” era o próprio Walt Disney, mas depois ele foi dublado por outras pessoas.
O avanço do sucesso
A empresa, que então já tinha o nome “Walt Disney Productions”, prosseguiu com um sucesso atrás do outro. Mas, a cada sucesso, Disney, que não acreditava que “não se mexe em time que está ganhando”, fazia algumas modificações na equipe. Não necessariamente no pessoal, mas na forma como a equipe trabalhava. Ele mesmo assumiu o controle da produção e da direção da empresa, e colocou Roy como responsável pelo setor financeiro e Ub Iwerks com desenhista chefe.
Nessa época os filmes com atores já eram coloridos. Walt pensou, então: “Por que os desenhos animados não podem ser coloridos também?”. E colocou a equipe para trabalhar nesse sentido, mas em segredo, para que sua empresa, que já se tornara a primeira a produzir desenhos animados sonoros, fosse a primeira a produzir desenhos animados em cores.
Assim , vieram os primeiros filmes coloridos com Mickey, o Pato Donald, etc. e, de 1929 a 1939, foi produzida a série “Silly Simphonies” (”Sinfonias Tolas”), ainda com o famoso camundongo como personagem principal. Um dos episódios dessa série, “Flowers and Trees” (”Flores e Árvores”), também se tornou o primeiro desenho animado a receber o Oscar de Melhor filme de Animação, inaugurando a categoria na premiação – ou seja, até nisto Disney foi o primeiro. Mas também veio uma nova decepção: Pot Powers, um dos funcionários em que ele mais confiava, roubou a maior parte do dinheiro arrecadado.
Apesar disso, a empresa prosseguiu em seu sucesso. Com a produção de “Branca de Neve e os Sete Anões”, que estreou nos cinemas em 1937, Walt Disney se tornou mais uma vez um pioneiro. Foi o primeiro desenho animado de longa metragem do mundo, e seu sucesso foi maior do que o de muitos filmes com atores. Indicado para vários Oscars, ganhou o de “Melhor Canção”.
Walt já vinha planejando a produção baseada num conto clássico dos irmãos Grimm havia muito tempo. Estava apenas esperando o momento ideal para isto. Contratou músicos, compositores, cantores e cantoras para fazer as dublagens, e exigiu de seus desenhistas que a personagem principal fosse desenhada com a semelhança física de Heidi Lamar (*****). Walt era grande admirador dessa atriz. O trabalho ficou tão bem feito que, durante todo o filme, percebe-se que “Branca de Neve” não somente se parece com ela como também parece imitar a forma de interpretação da atriz. O filme estreou no mês de dezembro de 1937 nos cinemas. No Brasil, Branca de Neve foi dublada pela cantora Dalva de Oliveira.
O novo estúdio
À medida em que aumentava o sucesso da empresa, aumentava também o volume de trabalhos a serem realizados. Com isto, Walt via a necessidade de se transferir para um estúdio maior. Com sucesso de “Branca de Neve e os Sete Anões”, a empresa conseguiu fundos suficientes, não para a compra, mas para a construção de um novo estúdio próprio maior.
Vieram outros longa-metragem igualmente bem sucedidos. “Pinóquio” foi o primeiro, baseado num antigo conto infantil italiano sobre um velho fabricante de bonecos que queria ter um filho de verdade, e um belo dia uma fada realizou seu desejo, transformando Pinóquio (o título original do filme é em italiano: ”Pinoccio”), um boneco de madeira de pinheiro, num menino de verdade. Em seguida, veio “Fantasia”, novamente com Michey como personagem principal, mas mostrando ao público a importância da música nos filmes, com a participação especial do maestro Leopold Tsiokolsky como regente da orquestra. Depois, como uma mensagem sobre a necessidade da preservação da natureza e das espécies animais, veio “Bambi”, que conta as aventuras de um veadinho que precisa sobreviver sem o apoio de sua mãe, que foi morta por um caçador pouco tempo depois que ele nasceu.
A Segunda Guerra Mundial
Quando a Segunda Guerra Mundial (1933-1945) atingiu o seu clímax, Walt colaborou com o FBI (Federal Bureau of Infomation – “Escritório Federal de Informação”) – a “Polícia Federal” dos Estados Unidos. O país entrou na guerra e Walt foi “convidado” pelas Forças Armadas para produzir desenhos animados que serviriam como treinamento para soldados. Assim, seus personagens foram utilizados para propagandas militares, principalmente o Pato Donald.
Depois desse período, Disney colaborou para a criação da “Aliança do Cinema para a Preservação dos Ideais dos Estados Unidos”. Prestou depoimentos voluntariamente diante da Comissão de Atividades Americanas. Devido às suas opiniões contra o comunismo, a exibição de seus filmes na União Soviética foi proibida pelo governo daquele país.
O período pós guerra
Depois do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Walt Disney Productions começou a enfrentar dificuldades financeiras. Disney chegou a pensar que seria necessário fichar a empresa de uma vez por todas. Em vez disso, porém, decidiu mais uma vez levar às telas dos cinemas mais um conto de fadas. Então, produziu “Cinderela”, baseado no conto “A Gata Borralheira”.
Provavelmente isto não foi somente uma coincidência: como Cinderela, que no conto era pobre e se tornou uma princesa, na vida real Disney saiu da pobreza para a riqueza – assim como também o personagem “Tio Patinhas”.
Mais uma vez o sucesso foi alcançado, e “Cinderela” salvou a empresa, evitando a falência.
Em 1950, a Walt Disney Productions lançou seu primeiro filme com atores: “A Ilha do Tesouro”, baseado no livro de Robert L. Livingstone. Novamente, grande sucesso de público e de crítica. Disney também produziu vários documentários dentro da série “Maravilhas da Natureza”, mostrando a realidade da vida dos animais. Os mais famosos são “O Drama do Deserto”, onde ele mostrava o dia a dia de animais que vivem nos desertos americanos, e “O Leão Africano”. Na época, algumas pessoas se opuseram ao título deste último, alegando que leões são sempre africanos. Disney justificou explicando que o puma é chamado de “leão americano”.
Em 1953, foi lançado outro filme com atores: “Vinte Mil Léguas Submarinas”, gênero ficção científica, baseado no livro de Júlio Verne. No papel principal estava o ator Kirk Douglas, pai do ator Michael Douglas, que atualmente tem o mesmo sucesso profissional de Kirk.
Outro Oscar para “Melhor Canção”
Em 1964, a Walt Disney Productions produziu o filme “Mary Poppins” com um misto de atores e personagens desenhados (nos dois vídeos abaixo, duas cenas deste filme). Tratava-se de uma comédia musical com o comediante Dick Van Dicke e a cantora e atriz Julie Andrews (a atriz de “A Noviça Rebelde”) nos papéis principais.
O filme contava a história de duas crianças (um menino e um menina), filhos de um banqueiro viúvo que lhes dava pouca atenção alegando não ter tempo para dedicar a eles. Mary Poppins era uma fada que veio para cuidar das crianças disfarçada como babá e, ao mesmo tempo, fazer com que o banqueiro aprendesse uma lição e se tornasse um pai afetuoso para seus filhos. “Mary Poppins” recebeu dois Oscars: o de “Melhor Atriz” (Julie Andrews) e o de “Melhor Canção” (”Chim-Chim-Cher-ee”).
Nos filmes, a tentativa de mostrar a importância do amor, da união em família, do respeito aos animais e da amizade.
Em quase todos os filmes de Walt Disney, mesmo nas comédias e nos desenhos animados, o tema principal é a importância da união dentro da família, do respeito e do amor ao próximo e da amizade. Ao mesmo tempo, são nítidas as mensagens sobre a necessidade do respeito e do carinho pelos animais e à natureza em geral.
Em filmes como “Branca de Neve e os Sete Anões” e “A Bela Adormecida”, destaca-se a importância do romantismo como forma de preservar o verdadeiro amor entre namorados e cônjuges. Ao mesmo tempo, em várias cenas, nos dois filmes, Branca de Neve e a princesa Aurora aparecem cercadas por passarinhos, coelhos, esquilos e outros animais das florestas.
Apesar de serem fantasias, esses filmes são também tentativas claras de mostrar principalmente às crianças que, devido ao verdadeiro amor, as pessoas são capazes de cometer grandes atos de coragem para salvar a pessoa amada de situações perigosas. Em “Branca de Neve e os Sete Anões”, o príncipe que ama a personagem principal faz tudo que lhe é possível para impedir que a bruxa faça qualquer mal à sua amada. Em “A Bela Adormecida”, para salvar Aurora, o herói Felipe enfrenta a bruxa inclusive no momento em que ela se transforma num gigantesco e pavoroso dragão que cospe fogo. Até mesmo o frágil e muitas vezes desengonçado Bambi, um veadinho tímido e inseguro, se torna um herói valente quando sua namorada, Faline, e seus amigos (o coelho Tambor, o gambá Flor, etc.) estão em situações perigosas. E o rapazola Peter Pan, que por nada deste mudo sairia de sua ilha mágica, a “Terra do Nunca”, é capaz de enfrentar o perigoso Capitão Gancho para defender seus amigos e vai até Londres VOANDO para reencontrar sua amada, Wendy.
O apelo para o respeito e carinho pelos animais também se reflete nas histórias em quadrinhos: Mickey, Pateta, Pato Donald, Clarabela, Minie, Clara de Ovos, Horácio, etc., se vestem e se comportam como pessoas, mas são animais – respectivamente eles são um rato, um cachorro, um pato, uma vaca, uma rata, uma galinha, um burro, etc. Dizem que o carinho de Walt Disney pelos animais proveio de sua infância – ele viveu numa fazenda; portanto, era uma criança com constantes contatos com animais.
O Zorro
Ainda no final dos anos 1950 e no início da década de 1960, Disney produziu a série “Zorro” para televisão. O personagem principal era interpretado pelo ator Guy Wiliams, que atuou em vários filmes da Disney também para o cinema, entre eles “O Príncipe e o Mendigo”, outro grande sucesso.
“Zorro” foi a forma encontrada por Walt Disney para criticar políticos e oficiais militares envolvidos em corrupção. A história se passa no final do século XIX, quando a Califórnia era colônia da Espanha. Coma ajuda de seu criado surdo, Bernardo, que finge também ser mudo, o fidalgo Diego De La Vega, filho do alcaide Alejandro De La Vega, usa uma máscara e uma roupa preta para dificultar de ser visto à noite e, com sua espada e seu chicote, combate seus inimigos (mas nunca os mata), visando acabar com a corrupção e a impunidade.
Além de Bernardo, Zorro conta também, sem saber disto, com a ajuda do sargento Garcia, que desconfia que Don Diego é o Zorro, mas não tem certeza. Fingindo ser um trapalhão, Garcia sempre conta a Diego o que se passa no quartel, pois sabe que ele tem alguma ligação com o herói mascarado, que sempre age depois que Diego toma conhecimento dos planos dos criminosos. Garcia finge não desconfiar dessa ligação entre Diego e Zorro e, quando recebe a ordem de perseguir o herói, frequentemente finge se atrapalhar de alguma forma para permitir que ele escape. Tudo isto porque, apesar de ser um militar, o gordo sargento é um bom homem e se simpatiza com a causa do herói. Outro detalhe sobre o sargento, é que ele sempre toma um copo de vinho antes de contar os fatos a Diego. Desta forma, se descobrirem que ele conta segredos ao amigo, ele tem como desculpa o fato de estar bêbado ao falar.
Apesar da série ser baseada numa lenda mexicana, o Zorro era uma forma clara de Walt Disney criticar os políticos. O sargento Garcia, personagem que não existia na lenda original, foi interpretado pelo ator e cantor Henry Calvin.
Outro grande sucesso de Walt Disney na TV nos anos 60 – e que foi ao ar até meados da década de 1970 apesar de sua morte em 1966 – foi o programa “Disneylândia”, apresentado semanalmente por ele mesmo. O programa variava da seguinte forma: em alguns episódios, era apresentado o “Mundo da Fantasia”, com desenhos animados com o Mickey, o Pato Donald, etc.; em outros, a série de documentários “Mundo da Natureza”, e em outros, o “Mundo da Aventura”, com biografias de personagens da história real como David Crocket, Daniel Boone, além de aventuras fictícias interpretadas por atores. No Brasil, o programa “Disneylândia” foi exibido inicialmente pela Rede Tupi. Mais tarde, pela Rede Globo.
A Disneylândia e o Disney World
Sem dúvida, o maior êxito na vida de Walt Disney foi a Disneylândia (em inglês, “Disneyland” – “O País de Disney”). Não é apenas um grande parque temático: é o maior, o mais completo e o mais famoso parque temático do mundo. Situado em Anaheim, no Estado da Califórnia, a Disneylândia foi construída graças a uma parceria entre a Walt Disney Productions e a rede de TV norte-americana ABC. A inauguração se deu em 1955, e o mestre de cerimônias foi o então ator Ronald Reagan (******).
Na Disneylândia, atores interpretam os principais personagens de Disney e brincam junto com as crianças. Os visitantes – crianças e adultos – se divertem aprendendo, ou aprendem se divertindo. Alí, existem réplicas de algumas das principais cidades do mundo (Paris, Londres, Rio de Janeiro, etc.), de forma que se pode aprender um pouco mais sobre geografia e sobre outros países. Existem também brinquedos onde se aprendem ciências, conhecimentos do corpo humano, etc. E existe, é claro, uma imensa rede local de hospedagem para os visitantes, equipada com o que há de mais moderno no setor de hotelaria.
Disney também planejou a construção de um outro parque temático semelhante à Disneylândia, mas não pôde ver sua inauguração. O “Walt Disney World” (”Mundo de Walt Disney”), com este nome como uma homenagem de seus realizadores a ele, só pôde ser concluído em 1972. Hoje o parque, que se situa em Orlando, na Califórnia, é mais conhecido como “Disney World”. Tanto nele como na Disneylândia, além dos brinquedos e dos atores caracterizados como personagens dos filmes e das histórias em quadrinhos, há também mega-shows musicais, especialmente em datas comemorativas como o Natal e o Ano Novo (num dos vídeos acima, está a abertura da comemoração do Natal de 2008 no Disney World com o show da cantora e atriz Miley Cyrus).
O legado
Walt Disney morreu aos 65 anos de idade, no dia 15 de dezembro de 1966, vítima de um câncer pulmonar. Entretanto, seu grande legado permanece ainda hoje, com as obras que ele iniciou sendo finalizadas por todos aqueles que trabalham para suas empresas, ainda hoje mantidas graças aos esforços de seu irmão Roy, que faleceu pouco tempo depois, de sua esposa Lilian e de suas filhas, Diane Marie Disney e Sharon Mae Disney – estas duas ainda hoje estão à frente das empresas e dos projetos deixados por ele mas ainda não realizados.
As produções em desenho animado e com atores continuam obtendo o mesmo sucesso de crítica e de público que os realizados no início de tudo. “Pocahontas”, “O Rei Leão”, “Procurando Nemo”, entre outros, são verdadeiras obras primas de animação. Entre os filmes com atores, destacam-se os de aventuras como “Piratas do Caribe” (I e II), várias comédias (algumas com Eddie Murphy), documentários, etc. Outras obras com atores e desenhos animados estão vindo por aí. Tudo isto sem falar nas obras literárias, projetos para televisão e uma infinidade de projetos educativos a serem aplicados em escolas de vários países, com atenção especial para aqueles onde os níveis educacionais são mais baixos e os índices de pobreza são maiores. Felizmente, ao que tudo indica, ainda vamos nos divertir e aprender com muitas produções Disney por muito tempo.
Dois grandes momenos do beíssimo musical “Mary Poppins”, que eu tive o prazer de ver no cinema:
Acima, Mery Poppins (Julie Andrews) e o limpador de chaminés (Dick Van Dicke) cantam e dançam com personagens desenhados. Abaixo, Dick Van Dicke e as crianças cantam “Chim-Chim-Cher-ee”, a belíssima canção que ganhou o Oscar.
Algumas das principais obras cinematográficas de Walt Disney.
Desenhos animados:
“Os Três Porquinhos” (1933)
“Branca de Neve e os Sete Anões” (1937)
“Pinóquio” (1940)
“Fantasia” (1940)
“Dumbo” (1941)
“Bambi” (1942)
“Você já foi à Bahia?” (1944)
“Cinderela” (1950)
“Alice no País das Maravilhas” (1951)
“A Dama e o Vagabundo” (1955)
...e uma infinidade de outros.
Fimes com atores:
“A Ilha do Tesouro” (1950)
“Vinte Mil Léguas Submarinas” (1953)
“Mary Poppins” (1964)
Várias comédias, filmes épicos, de aventuras, biográficos, etc.
(*) Leonardo da Vinci, o “gênio renascentista”, foi escultor, pintor, desenhista, arquiteto, urbanista, inventor, anatomista, etc.
(**) A Ordem DeMolay tem esse nome em homenagem ao francês Jacques DeMolay, último grão-mestre da Ordem dos Templários, perseguido e morto (queimado até a morte) numa fogueira em praça pública em 1314 por determinação do rei da França, Filipe IV, e da Igreja Católica através da Santa Inquisição.
(***) Membro do Escotismo, movimento fundado pelo inglês Robert Stepheson Smith Baden-Pawell. É um movimento educacional mundial que desenvolve nos jovens um sistema de valores que prioriza a honra e o trabalho em equipe.
(****) Alguns autores afirmam que Oto Messmer foi o criador do Gato Félix. Outros dizem que foi Pat Sullivan. Isto porque ambos desenharam o personagem em vários trabalhos, tanto nos filmes como nos quadrinhos.
(*****) A atriz que interpretou Dalila no filme “Sansão e Dalila” anos depois.
(******) Na década de 1980, Ronald Reagan foi presidente dos Estados Unidos
O professor Paulo Girardeli Júnior fala sobre a filosofia segundo Platão, Sócrates e Aristóteles
Platão não foi o primeiro filósofo do mundo, mas certamente foi o mais influente. Suas doutrinas ainda são vistas como bases importantes mesmo para a filosofia moderna. Muitos são os folósofos da atualidade que definem a filosofia como a busca do conhecimento e do entendimento da natureza, do significado do universo e da vida humana. De fato, ao longo que quase toda sua vida, Platão teve muito a ver com esta definição. Porém, para conhecer bem as bases de seus pensamentos filosóficos, é preciso conhecer a situação social e política da Grécia, e especialmente de uma de suas principais cidades-estados (cidades com governo autônomo), Antenas – onde Platão nasceu e viveu e onde a filosofia começou a ser considerada com profunda seriedade. As informações a seguir demonstram que não foi sem razão que a Grécia passou a ser conhecida como “o Berço da Civilização”. Iniciemos pelos principais fatos ocorridos antes do nascimento de Platão.
O “Século de Péricles”
O século V a.C. foi um dos períodos mais importantes da história da Grécia. Foi quando os gregos experimentaram o maior desenvolvimento político e cultural. Atenas, em particular, tornou-se uma espécie de centro das atenções do mundo de então. Sófocles se destacou como dramaturgo (aliás os gregos daquela época são historicamente considerados “os pais do teatro”), Tulcídides como historiólogo, Fídias como escultor e Sócrates na filosofia. O alto grau de desenvolvimento político, as excelentes condições econômicas e as oportunidades oferecidas a todos os cidadãos para participar ativamente da vida de Atenas evidenciavam a brilhante atuação de Péricles como governante da cidade. Em 479 a.C., depois do fim da segunda guerra contra a Pérsia, com a vitória da Grécia, a influência de Atenas foi fundamental para a formação da Liga de Delos, uma confederação de 200 cidades-estados sendo cada uma responsável pelo fornecimento de soldados e navios para defender a liga contra prováveis invasores. A cidade-estado que participasse da liga e não contribuísse dessa forma teria que pagar um tributo em dinheiro destinado ao tesouro da confederação.
Um ano após a morte de Péricles, nasceu em Atenas o homem que se tornaria uma das mais célebres personalidades, não somente de Atenas ou da Grécia, mas do mundo. Um homem que, apesar de não ter vivido a era de Péricles, teve sua vida fortemente influenciada pelos eventos ocorridos durante esse período.
A chegada de Anaxágoras
Péricles morreu no ano 429 a. C. Platão nasceu em 428 a.C. (*). Mas é preciso verificar fatos importantes que ocorreram décadas antes. Retornemos ao ano 460 a.C., quando chegou a Atenas um homem de grande influência política. Era Anaxáoras, proveniente da cidade de Clazômeda.
Mas sua permanência durou pouco: ao pregar que nem tudo na vida de uma pessoa dependia da vontade dos deuses, os cidadãos atenienses consideraram as ideias de Anaxágoras como ofensas à religião local. Apesar de ser amigo pessoal de Péricles, o filósofo foi expulso de Atenas.
O nascimento de Platão
Em 432 a.C., para demonstrar seu poder militar, outra cidade-estado, Esparta, declarou guerra contra Atenas. Novamente, os atenienses foram vitoriosos. No ano 429 a.C., Péricles morreu. Em 428 a.C., na casa de Aríston, em Atenas, nasceu um menino. Filho de Aríston, que já fora governante de Atenas, e de Perictione, ele recebeu o nome de Arístocles (”Filho de Aríston” em grego).
Desde sua infância, Arístocles demonstrava gostar de praticar esportes. Isto o fez tornar-se um homem robusto, e por isto recebeu dos amigos o apelido “Plato” (segundo alguns historiadores, “ombros largos” em grego) – nos países de língua portuguesa, “Platão”. Pertencente a uma das famílias mais tradicionais de Atenas, frequentou as melhores escolas, teve os melhores professores, e estes o tinham como um de seus melhores alunos. Seu maior interesse era voltado à filosofia, ciência na qual ele se destacou ainda na juventude. Sócrates foi o mestre que mais o influenciou nessa área (**).
O interesse pela política
Ao mesmo tempo, Platão se interessava muito também pela política. Talvez isto tenha sido uma influência do ambiente familiar em que foi educado. Seu pai foi governante de Atenas. A mãe, Perictione, era filha de Sólon, um dos principais legisladores atenienses. Além disso, depois da morte de Ariston, Perictione se casou com Pirilampo, que também foi um importante político na época de Péricles. Cármides e Crítias, respectivamente irmão e primo de Perictione, também eram políticos, mas Platão não se orgulhava de seu parentesco com eles porque governaram Atenas com tirania.
A admiração de Platão por Sócrates era evidente. Num de seus famosos “Diálogos”, Platão escreveu que Sócrates dizia: “Se admitirmos que existe um “belo” em si e por si, um “bom”, um “grande”, e assim por diante. Se concordares comigo, esperarei que estas coisas me permitam tornar-te clara a causa, que assim descobrirás, que faz com que a alma seja imortal.”
Durante a Oligarquia dos Trinta (***), o governo de Atenas tentou envolver Sócrates na execução de León de Salamina, cujos bens pretendia confiscar. Sócrates se negou a participar da trama, o que fez com que os governantes deixassem de lhe ser simpáticos.
Após a restauração do regime “democrático”, Sócrates foi acusado de corromper os jovens com ideias contrárias à religião local e foi condenado à morte. O filósofo foi forçado a beber um veneno mortal extraído de uma planta chamada “cicuta”. O ano era 399 a.C., e Platão tinha 29 anos de idade.
Platão, que acompanhava ambos os lados políticos (situação e oposição) de Atenas, escreveu numa carta a um amigo:
“Parece não existir em Atenas um partido político no qual um homem não necessite abrir mão de princípios éticos para nele ingressar. Vendo isto, e vendo os homens que conduzem a política, quanto mais considero os costumes e quanto mais avanço em idade, tanto mais difícil me parece administrar os negócios de Estado.”
Estava clara, assim, sua decepção quanto à política e à falsa democracia ateniense. Ele deixou isto bem definido em sua obre “Fédon”, na qual descreveu Sócrates como “o mais sábio dos homens”. Conta-se que um dia, quando conversava com uma namorada, falou-lhe do interesse em ingressar na política. Platão dizia que “o importante não é fazer política, mas praticar a verdadeira política”.
A viagem à Sicília e a fundação da Academia de Atenas
Pouco depois da morte de Sócrates, Platão viajou à Magna Grécia (onde hoje se situa a Sicília, no sul da Itália) e Megara, Siracusa e Cirene. Nessas ciades, encontrou-se com líderes políticos e demonstrou sua intenção de incentivar a prática do ensino gratuito para toda a população grega. Por esta ocasião já planejava a criação de uma instituição de ensino acadêmico (o que hoje nós chamamos de “curso superior”), e que fosse gratuito. Após conseguir o apoio de amigos, fundou em Atenas, em 387 a.C., a Academia de Filosofia, historicamente mais conhecida como “Academia de Atenas” ou “Escola de Filosofia de Atenas”.
Este foi um passo muito importante para a história do pensamento ocidental. Desde sua fundação, a Academia já se dedicava à investigação filosófica com base científica. Além de fundador, Platão foi seu primeiro diretor e um dos primeiros professores. Ele a tornou especializada em pesquisa original através dos esforços de pessoas que consideravam o conhecimento como algo vivo, dinâmico, não um conjunto de doutrinas apenas resguardadas e transmitidas.
A Academia de Atenas não somente era comentada e respeitada por todos, como também influenciou a criação de outras. Pouco tempo depois, Isócrates, outro famoso filósofo grego, já havia fundado e dirigia outra academia em Atenas. Porém a escola de Isócrates educava o aspirante à vida pública usando a retórica, um conjunto de regras para a oratória – a arte de falar em público. Platão considerava a oratória importante, mas considerava que bastava ceder pontos de vista ao aluno para que este soubesse defendê-los persuasivamente.
Platão ensinava aos seus alunos um dos principais dogmas que ele aprendeu com Sócrates: era preciso pressupor a investigação sistemática dos fundamentos da conduta humana. Ele foi professor por 20 anos, e durante esse período escreveu a maior parte de suas obras, sendo as principais as que integraram a coletânea “Diálogos de Transição”.
Sócrates não foi o único filósofo que influenciou Platão. Nos “Diálogos de Transição”, o fundador da Academia de Atenas também defendeu ideias de Pitágoras, somando-as às suas próprias ideias. Por essa ocasião, Platão escreveu “Ménon”, “Fédon” e “Fredo”, entre outros. Mais tarde escreveu “Medexeno”, retornando ao tema político numa sátira a Péricles.
No livro “Eutidemo”, Platão tentou estabelecer uma distinção entre a dialética(****) de Sócrates e a eurística (*****). Para muitos filósofos atuais, uma das obras mais importantes que Platão escreveu nesse mesmo período foi “Crátilo”, na qual ele abriu perspectivas exploradas ainda hoje, investigando a possibilidade de extrair a verdade filosófica da estrutura da linguagem.
A morte de Dionísio I
Dionísio I, que governava Siracusa com tirania, morreu em 367 a.C., assumindo o governo em seu lugar seu filho, Dionísio II. Platão sentiu que aquele era o momento propício para tentar reformar a vida política daquela cidade, e voltou a Siracusa atendendo a um chamado de seu amigo Dion.
O objetivo de Dion era propor ao novo rei um modelo político baseado na racionalização das funções públicas e da estrutura social. Platão, porém, tinha outros planos. Ele acreditava que o governo de Cartágena tinha a intenção de invadir toda a Sicília, e as cidades gregas da região deveriam usar toda a sua potência contra os cartagineses. Por isto, Platão pretendia preparar Dionísio II para refrear o avanço dos prováveis invasores.
Mas o plano falhou. Platão conseguiu apenas que Dionísio II se unisse a Arquitas, rei de Tarento, e mesmo assim numa simples relação de amizade. Por essa ocasião, Platão escreveu “Parmênides”, “Teeteto”, “Sofista” e “Político”, obras que revelavam sua plena maturidade intelectual, constituindo as primeiras formulações de sua famosa “Doutrina das Ideias”.
Uma mudança de ideias?
Nessas obras, Platão revelou pensamentos próprios que contradiziam os de seu mestre, Sócrates. Nos primeiros livros de Platão, Sócrates aparecia como um personagem que conduzia e dominava as discussões. Em “Parmênides”, Sócrates reaparecia um jovem inseguro diante de Parmênides, que o deixava embaraçado ao colocar dificuldades em relação à teoria das ideias.
Isto não significava que Platão estivesse desistindo completamente das teorias de Sócrates. Ao contrário, na verdade Platão acreditava que a discussão sobre o problema do conhecimento verdadeiro não podia dispensar a fundamentação das ideias. Em outras palavras: para ele, as discussões não deviam ser apenas verbais, mas principalmente investigativas.
As críticas aos sofistas e a morte de Dion
De volta a Atenas, Platão fez severas críticas aos sofistas (¤), acusando-os de criar e difundir mentiras. Viajou novamente a Siracusa, desta vez a convite de Dionísio II, que cedeu a uma pressão de Dion e Arquitas. Dion se revelou disposto a seguir as orientações filosóficas de Platão, que dizia que o ideal seria que Siracusa fosse governada por um rei “filosófico”, que pudesse governar sem necessidade de leis.
Dion, porém, insistiu que era necessário reformar Siracusa para que fosse instaurado um regime que aliasse a autoridade à liberdade. Por causa dessa insistência, Dionísio II o expulsou da cidade. Mesmo no exílio, Dion contibuou a defender seus ideais sobre Siracusa.
A nova incursão de Platão em Siracusa foi decepcionante. Dionísio II não cumpriu a palavra dada, e Platão lhe disse isto pessoalmente. Na presença de muitas pessoas, Platão lhe disse, em alto e bom som, que sua conduta não era a de um governante digno, pois não cumpriu a promessa de modificar seu comportamento político e de trazer Dion de volta. Irritado, o rei proibiu Platão de sair da cidade.
Entretanto, o filósofo ateniense conseguiu sair de Siracusa graças à interferência de seus amigos em Tarento. Mais tarde, Dion teve permissão para voltar para sua cidade. Platão voltou então a Siracusa e teve um encontro com Dion, que estava preparando um golpe contra Dionísio II.
O golpe foi bem sucedido, e Siracusa se viu livre do tirano, mas houve oposições às reformas que Dion pretendia implantar. Platão achava que as agitações populares estavam sendo lideradas por alguém ligado a ele e ao próprio Dion, pois esse “alguém” demonstrava saber cada passo que eles davam e o próximo que dariam. Dion, por sua vez, se sentia traído por aqueles que antes se diziam seus amigos. E tinha razão: naquele mesmo ano (361 a.C.), Dion foi assassinado. Platão tinha então 67 anos de idade.
Dias depois, Platão soube, através de amigos, quem foi o mandante do crime, e ficou decepcionado: Calipos, um homem muito ligado à Academia de Atenas, e que foi a Siracusa acompanhando Dion em seu retorno do exílio.
A Atlântida
O assassinato de Dion encerrou as atividades políticas de Platão em Siracusa. O filósofo voltou a se dedicar mais aos debates da Academia de Atenas e a escrever novos livros. Isto significava que ainda lhe restava o que ele mesmo considerava o principal: o mundo das ideias. Com pouco mais de 70 anos de idade, Platão revelava em suas obras uma inquietação que o levava a apontar novos problemas e a reexaminar os anteriores sob novos pontos de vista.
Entre seus últimos livros constam “Sofista” e “Político”, aos quais já nos referimos neste mesmo artigo. Em “Timeu” e em “Crítias”, dois dos seus “Diálogos”, Platão fez referências sobre um estranho povo que, segundo uma provável lenda, vivia em Atlântida”, um suposto continente que teria desaparecido devido a um gigantesco maremoto.
Segundo estudiosos, Platão teria descrito o povo de Atlântida como uma civilização muito avançada em relação à sua própria época, que dominava evoluídos conhecimentos nas áreas de medicina, engenharia, etc., e que teria sido destruída por uma catástrofe como castigo por ter sido dominada pela ambição, pelas guerras, etc.
O fato é que Platão deixou grandes obras literárias e filosóficas e seus trabalhos sociais resultaram em grandes benefícios para a humanidade. Esse importante filósofo, professor e cientista político faleceu em Atenas, no ano 348 a.C., aos 80 anos de idade.
Referências:
Enciclopédia Conhecer – Série Verde, Vol. IV – Editora Abril Cultural – São Paulo, SP.
“Platão” (Coleção “Os Pensadores”) – Editora Nova Cultural – São Paulo, SP.
Almanaque Abril – Mundo 2002 – Editora Abril Cultural – São Paulo, SP.
(*) Os anos ocorridos antes de Cristo (a.C.) são contados em ordem decrescente. Assim, o ano 429 ocorreu antes de 428, e assim por diante.
(**) Tal influência se evidencia pelo fato de Sócrates ser o personagem principal em várias obras literárias de Platão.
(***) Sistema pelo qual o governo de Atenas era composto por 30 tiranos, entre eles Cármides e Crítias.
(****) Diálogo, discussão.
(*****) Discussão lógica sutil e disputa verbal.
(¤) professores que ensinavam a arte de falar em público.
No belíssimo vídeo de Maurício Ciciliotti, pensamentos de Sócrates, Aristóteles, William Sheakespeare, Paulo Coelho, etc.
“Falou e disse!” é uma expressão bem brasileira. Expressa muito bem a diferença que existe entre “falar” e “dizer”. “Falar” significa pronunciar palavras. “Dizer” significa fazer-se entender através da fala, da escrita ou por meio de sinais. Os surdos-mudos não falam, mas dizem muitas coisas através de gestos.
Algumas pessoas se tornaram famosas pelo que fizeram ou fazem. Outras ganharam fama pelo que disseram – falando ou escrevendo. Outras, tanto pelo que fizeram ou fazem quanto pelo que disseram. Eis aqui alguns pensamentos e idéias de brasileiros famosos.
Aziz Ab’Sader (paulista) – geógrafo e professor nascido em 1924:
“Na verdade fui um grande viajante e aprendiz de geógrafo. No início eu viajava para conhecer um pouco de tudo. Depois, já como geógrafo, viajava para detalhar o conhecimento.” (revista “Ciência Hoje” de julho de 1992)
“Profissionalmente, sou jornalista. Por hobby, sou marceneiro. Gosto de fazer móveis – mesas, cadeiras. Mas a minha ética como jornalista é a minha memsa ética como marceneiro. Não tenho duas. Não pode existir ética para duas coisas. Existe apenas a ética do cidadão.” (trecho do livro “A Ética do Jornalismo”, do próprio Cláudio Abramo).
Lívio Abramo (paulista, irmão de Claúdio Abramo) – jornalista, pintor e desenhista (1903-1992):
“Simplicidade, para mim, é encontrar o sentido íntimo, a essência das coisas que se quer aprender. Esse sentido de mistério é algo que me fascina.” (revista “Artes” de abril e maio de 1979)
Capistrano de Abreu (cearence) – historiador (1853-1927):
“Três séculos depois do descobrimento, os habitantes do Brasil exprimiam-se por sete algarismos. Repartidos na superfície reclamada como sua pela Metrópole (*), tocavam dois ou três quilômetros quadrados a cada indivíduo.” (trecho do livro “Capítulos da História Colonial” , do próprio Capistrano de Abreu)
Jorge Amado (baiano) – escritor (1912-2001):
“O importante é que a literatura denuncie a existência dos problemas e contribua para que eles sejam superados.” (revista “Veja” de setembro de 1969)
Tarcila do Amaral (paulista) – artista plástica (1890-1973):
“Sou muito devota do Menino Jesus de Praga porque alcancei muitas graças com a oração a ele. É uma novena milagrosa, eu sei tudo de cor: ‘Pedi e recebeis, procurai e achareis, batei e a porta se abrirá.’” (revista “Veja” de fevereiro de 1972)
Inezita Barroso (paulista) – cantora, compositora, atriz, folclorista e apresentadora de programas de rádio e televisão (nasceu em 1925):
“Acho que as tradições brasileiras são intocáveis embora haja quem não dê muito valor a elas. Há muito desconhecimento a respeito da nossa cultura. Muita gente pensa que a música do interior de São Paulo é igual à do interior de Minas Gerais. Não é. Cada região tem suas próprias características.” (revista “Som Sertanejo” de novembro de 1991).
Ary Barroso (mineiro) – compositor, radialista, comentarista esportivo e narrador de futebol (1903/1964):
“Se fosse cantar um mambo (**), não diria que seria um “mambinho”. Mas como vai cantar um samba, diz que vai cantar um “sambinha”. (comentário feito quando apresentava um programa de calouros na Rádio Nacional, a um candidato que disse que ia cantar um “sambinha”)
Rubem Braga (capixaba) – jornalista e escritor (1913-1990):
“Se o Rio de Janeiro não tivesse mar, seria a capital da angústia.” (”Jornal do Brasil”, abril de 1988)
Grande Otelo (mineiro) – ator, humorista e cantor:
“Todo ator é sentimenbtal. Do contrário, não seria ator. Se não for um sentimental, um idealista, não poderá ser um bom ator.” (revista “Veja” de fevereiro de 1973)
Wilson Simonal (fuminense) – cantor e apresentador de programas de televisão (1939/2000)
“No Brasil não há diferença de tratamento para negros e brancos. Em lugar que negro pobre não entra, branco pobre também não entra.” (comentário que ele fez enquanto apresentava um programa na TV Record durante o regime de governo militar)
Jô Soares (fluminense) – humorista, ator, diretor de teatro, escritor, músico e apresentador de programas de televisão (nasceu em 1938):
“Gosto de tudo que eu faço, mas o que mais me admira entre as coisas que faço – não que eu admire em mim – é o ator. Isto porque o trabalho de ator é extremamente lúdico, de brincar, mantendo uma criança viva em mim.” (revista”Playboy” de agosto de 1996)
Maurício de Souza (paulista) – desenhista e criador de personagens de histórias em quadrinhos infantis como “Mônica”, “Cebolinha”, “Cascão”, etc., apelidado como “Walt Disney brasileiro” (nasceu em 1935):
“Eu faço histórias para contar histórias. Na minha infância ouvi muitas, e até hoje meus avós me contam algumas, ou melhor, me ensinam a ser um contador de histórias.” (jornal “Folha de S. Paulo”, novembro de 1982)
Paulo Mendes da Rocha (capixaba) – arquiteto, é um dos profissionais mais respeitados e requisitados do mundo (nasceu em 1928):
“A técnica é a mãe da liberdade. E o computador, atualmente, pode contribuir muito para isto. Prever e prevenir desastres pode ser o melhor horizonte para os compositores. Uma estrutura calculada para se manter em pé é uma forma de prever o desastre, o desmoronamento. Uma imagem interessante para o recurso da informática, em geral, é a extinção do segredo. O modo como uma criança invade os sistemas diz que está convocada a ética para o mundo futuro como condição da nossa existência no planeta. A mão nunca foi livre. Livre é a imaginação. O que está em transformação é o nosso psiquismo.” (jornal “Folha de S. Paulo”, março de 2000)
Nota:
(*) Portugal - o autor se referia à época em que o Brasil era uma colônia portuguesa.
(**) Ritmo musical dos países do Caribe, na época muito popular no Brasil.
Referência: “Quem é Quem na História dos 500 Anos do Descobrimento do Brasil – 500 Biografias” – edição especial do Almanaque Abril, ano 2000 – Editora Abril, São Paulo, SP.
O sucesso do livro “O Código Da Vinci”, de Dan Brown – que narra apenas uma história de aventuras - fez surgirem vários outros livros, muitos artigos e reportagens, a maioria meramente sensacionalista. Mas também causou o surgimento de documentários muito interessantes como este da Nacional Geographic. Também fez crescer entre seus leitores, especialmente os mais jovens, o interesse em saber mais sobre Leonardo Da Vinci.
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“Renascimento” é o nome que se dá ao período entre a segunda metade do século XII e meados do século XIV. O termo se refere ao resurgimento do interesse pela cultura na Europa da Idade Média. Tratava-se de um avanço cultural que demorou mais de 10 anos para reiniciar. Essa estagnação de mais de uma década foi devida principalmente às determinações da Igreja Católica, que dominava toda a Europa sob o ponto de vista religioso, social e, acima de tudo, político, aplicando um rigoroso remime de ditadura. Com receio de perder todo esse poder e esse prestígio social, os líderes da Igreja impediam, de todas as formas possíveis, que o povo obtivesse acesso à cultura e ao conhecimento de certas verdades (ver “Galileu Galilei – a história de um gênio injustamente perseguido pela Igreja Católica” e “Tudo pela verdade, somente a verdade”, neste site).
A partir do século XII, artistas e cientistas começaram a se opor a essa situação, dando início a movimentos que começaram na Itália e logo se expandiram por todos os países europeus. A igreja, então, passou a adotar uma rigidez sem precedentes no combate a essas manifestações. A princípio tentou impor medo entre os “fiéis”, afirmando que qualquer tentativa de contradição às determinações da Igreja seria uma “herezia”. O clero católico informava que qualquer pessoa que ousasse realizar pesquisas científicas ou desse ouvidos aos cientistas e aos artistas seria enviada por Deus ao inferno. Depois, percebendo que esta estratégia não era suficiente para desencorajar os cientistas, a Igreja criou a “Santa Inquisição”, um tribunal formado por bispos nomeados pelo Vaticano para condenar à morte pela fogueira em praça pública qualquer pessoa de qualquer idade ou sexo que se atrevesse a anunciar novas descobertas. Muitos foram os grandes sábios – cientistas e artistas - da época que morreram desta forma. Mulheres eram acusadas de bruxarias pelos padres e queimadas vivas. Essas pessoas na verdade não cometeram crime algum: apenas queriam que o povo tivesse acesso à cultura, e isto era exatamente o que os líderes da Igreja Católica não desejavam(*).
Entre entre os perseguidos pela Igreja, existiu um que se tornou talvez o mais famoso de todos. Ele só escapou da morte na fogueira porque gozava de grande prestígio entre os que o conheciam, inclusive governantes, e causar descontetamento entre essas pessoas não seria interessante para o clero.
O nascimento de Leonardo
Não se sabe com certeza como era seu nome completo. Sabe-se que seu primeiro nome era Leonardo, e que ele nasceu em Vinci, uma pequena aldeia perto de Florença, na Itália. Por isto, tonou-se conhecido pelo nome que ele usava ao assinar suas obras : “Leonardo Da Vinci” (em português, “Leonardo de Vinci”).
Nascido em 1492, Leonardo viveu sua infância e sua juventude exatamente no período de maior evolução das buscas pelas verdades científicas e do desenvovimento das artes. Surgiu por esta ocasião o “Humanismo”, um movimento que colocava o homem como o centro dos interesses. Isto aumentava a preocupação e causava uma reação ainda mais intensa da Igreja. Afinal o povo, antes acostumado a se preocupar com a futura ”vida eterna”, começou a dar maior valor à existência terrena, ao seu dia a dia, a conhecer o que acontecia no próprio mundo em que vivia.
A aprendizagem do artista
Leonardo iniciou sua aprendizagem como artista no estúdio de Andrea Del Verocchio(**). Aos 25 anos de idade, já era reconhecido como um dos melhores pintores de seu tempo, e foi convidado para fazer parte do grupo de artistas que trabalhavam para Lourenço de Medici, um governante de Florença que incentivava as artes. Depois, trabalhou para Ludovico Aforzo, o Duque de Milão, que se tornou um de seus mais importantes protetores. Por esta ocasião Leonardo já se destacava também em outras atividades, e serviu como estrategista para César Borja. Em seguida, por encomenda do papa Leão X, realizou importantes estudos de ótica.
Apesar de ter trabalhado para o papa, a Igreja passou a observá-lo mais intensamente. É claro que isto não ocorria sem motivo: Leonardo já dominava vários stores do conhecimento: arquitetura, anatomia, astronomia, química, etc. Portanto, era alvo de grande atenção da Igreja. Conta-se que, certo dia, um grupo de homens enviados pela Igreja invadiu sua casa em Florença, destruiu tudo que ele possuía, queimou vários de seus principais projetos. Por fim, por determinação da Igreja, Leonardo foi exilado – afinal, queimá-lo na foqueira em praça pública não seria interessante para o clero, já que ele gozava de tanto prestígio que seus amigos o chamavam de “Mestre Leonardo”.
Entretanto, foi fora de seu país que ele teve a oportunidade de conhecer outros grandes sábios, e se tornou o membro mais importante do movimento contra o domínio da Igreja em toda a Europa. Entre seus projetos, constava a urbanização de cidades como Florença, protótipos de um avião, de um helicóptero, de um pára-quedas, armamentos, estudos do corpo humano, etc.
Entre suas pinturas mais famosas, destacam-se a “Mona Lisa” ou “La Gioconda”, a “Santa Ceia” e várias outras, nas quais muitos autores informam que existem evidentes sinais de uma mensagem oculta. É a esta mensagem que Dan Brown se refere como “o Código Da Vinci”. Um desses sinais é o mais conhecido de todos: o misterioso sorriso da “Mona Lisa”, que ao mesmo tempo parece estar e não estar sorrindo. Outro sinal: visto de um certo ângulo, o rosto de “Mona Lisa” parece ser de um homem. Outro é o fato de um dos apóstolos, no quadro “Santa Ceia”, parecer ser uma mulher – supostamente Maria Madalena.
Mesmo fora da Itália, Leonardo não teve sossego. A Igreja o perseguia por toda parte, mas ele continuava em sua missão de, juntamente com outros sábios, auxiliar o povo a ter o acesso ao conhecimento da verdade e da cultura. Chegou a participar de grupos que se reuniam em locais secretos para realizar suas experiências científicas. Porém, devido a isto, há um excesso de ficção e de imaginação de certos “pesquisadores” (não é o caso de Dan Brown, que se baseou em hipóteses de outras pessoas para montar a história vivida pelo seu personagem, o professor Robert Langdon).
Alguns autores dizem, por exemplo, que Leonardo foi um dos fundadores da “Accademia Del Cimento” (ver “Tudo pela verdade, somente a verdade”). No entanto, isto não pode ser verdade porque a ”Accademia” foi fundada em Florença, com os mesmos propósitos de Da Vinci, mas em 1657 – ou seja, 92 anos após sua morte. Além disso, os fundamentos básicos que levaram à fundação da “Accademia” foram as descobertas realizadas por Galileu Galilei, que nasceu em 1564 – seis anos depois que Leonardo morreu. Na verdade, a relação entre Leonardo e a “Accademia” se deu pelo fato de que os estudos de Galileu tiveram uma grande influência dos anterormente realizados pelo “Mestre”. Dizem também que foi membro do “Priorado de Sião”, uma sociedade secreta relacionada com certos mistérios sobre a vida e a suposta descendência de Jesus, e que existe um domcumento na Biblioteca de Paris que comprova isto.
Porém, apesar das expeculações como estas, o mais importante é a certeza de que o “Mestre Leonardo” manteve sua obstinação em apoiar qualquer movimento em prol da cultura para o povo. Ele passou seus últimos anos na França, onde morreu aos 67 anos de idade, em 1559.
(*) Hoje em dia as atitudes da Igreja não são tão diferentes. Ninguém mais é condenado à morte na fogueira, mas o fato de a Igreja ter tentando convencer as pessoas a não lerem o livro “O Código Da Vinci” e a não assistirem ao filme comprova que os líderes religiosos ainda tentam impedir o acesso das pessoas às informações – embora o livro seja apenas uma história de aventuras, não uma história verdadeira.
(**) Observando-se os quadros de Del Verocchio e os de Leonardo Da Vinci nas fotografias que são publicadas em livros e revistas sobre arte, percebe-se que há algumas semelhanças entre eles, o que comprova a influência de Andrea Del Verocchio sobre Leonardo Da Vinci sem diminuir o valor individual deste como artista.
Referências:
“O Código Da Vinci”, de Dan Brown – Editora Sextante Ltda. – Rio de Janeiro, RJ.
Enciclopèdia Conhecer – Vol. II – Editora Abril Cultural – São Paulo, SP.
“A Um Poeta”, de Olavo Bilac (vídeo de Osvaldo Barreto Filho)
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Evidentemente o jovem que, que no final do século XIX, sonhou ser um médico e, depois, um advogado, se tornaria um dos maiores poetas do Brasil. Mais do que isto, ele é considerado o principal escritor do movimento parnasiano brasileiro.
Parnasiano, mas também romântico
O parnasianismo foi um movimento literário que surgiu na França no século XIX em contraposição ao romantismo. Apesar disso, Olavo Brás Martins dos Guimarães Bilac se destacou como seu principal representante no Brasil não só pela beleza de poesias, mas também pelo fato de ser pernasiano sem deixar de ser romântico.
Da medicina para a literatura
Bilac nasceu no Rio de Janeiro no dia 16 de dezembro de 1865. Iniciou os cursos de medicina e de direito, mas não os concluiu. Tornou-se jornalista para, através da imprensa, combater a escravidão e defender a implantação da república e o serviço militar obrigatório. Em 1888, publicou seu primeiro livro, “Poesias”. Como poeta, especializou-se em sonetos com extremo rigor no uso da linguagem e das formas. Seus temas preferidos eram a beleza das mulheres e fatos que marcavam a história do Brasil.
Obras principais
Olavo Bilac deixou várias obras lietárias de extrema importância, incluindo poesias, crônicas, críticas literárias e trabalhos destinados às crianças. Entre suas obras de maior destaque constam os sonetos publicados no livro “Via Láctea”, sendo este também o título de um deles. Escreveu também “Poesias Infantis” em 1904, ‘Críticas e Fantasia” e “Conferências Literárias” em 1906, “Ironia e Piedade” em 1913 e “Dicionário de Rimas” em 1916.
Bilac, o ativista polício
Como ativista político, usou sua condição de jornalista fazendo oposição ao governo de Floriano Peixoto. Foi perseguido e preso. Após te sido libertado, passou a viver em Minas Gerais, onde publicou “Crônicas e Novelas” em 1893. De volta à cidade natal, foi nomeado inspetor do ensino público do Rio de Janeiro. Já reconhecido nacionalmente como um grande poeta, representou o Brasil em duas realizações da Conferência Panamericana, no Rio de Janeiro em 1906 e em Buenos Ayres em 1910. Em 1907 atuou como secretário do prefeito do Distrito Federal (na época, a Capital Federal era o Rio de Janeiro). A partir de então, dedicou-se à sua campanha em favor da obrigatoriedade do serviço militar. Foi membro fundador da Academia Brasielira de Letras ao lado de Machado de Assis. Faleceu na mesma cidade em que nasceu, no dia 28 de dezembro de 1918.
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Referência:
“Quem é Quem na História dos Quinhentos Anos da Descoberta do Brasil” – Editora abril (São Paulo-SP) edição do ano 2000.
No cabeçalho do “Qualidade Devida”, fotografia mostrando a galáxia de Andrômeda.
A galáxia NGC 224, ou Messier 31 ou M-31, mais conhecida como "galáxia de Andrômeda" por estar na direção da constelação de Andrômeda em relação à Terra, está à distância de cerca de 2.900.000 anos-luz do nosso planeta. Isto representa uma distância de aproximadamente 27.307.320.000.000.000.000 km (27 quintilhões, 307 quatrilhões e 320 trilhões de quilômetros).
Cada ano-luz é a distância que a luz percorre no espaço enquanto se passa um ano aqui na Terra. Isto significa que a luz proveniente da galáxia de Andrômeda começou a ser emitida há cerca de 2.900.000 anos.