Sei que já falei aqui no nosso Diário sobre o Alcyr Pires Vermelho (na foto, com a família), mas volto ao assunto para contar uma história ótima. Uma das melhores passagens contadas na revista editada pelo professor Fernando Antônio de Oliveira é a de que Alcyr, apesar de ter passado a maior parte de sua vida trabalhando e tocando piano na noite do Rio, jamais bebeu nada. Na roda dos amigos músicos, era um dos únicos que não bebia. Muitas vezes, isso foi motivo de provocação de Pixinguinha, com quem costumava se reunir muitas vezes para conversar.
Conta-nos o professor Fernando Antônio de Oliveira que, na fase áurea da boemia carioca, donos e garçons do Café Nice – tradicional ponto de encontro dos boêmios cariocas, artistas, intelectuais – só deixavam Alcyr entrar se ele estivesse com Noel Rosa, Orestes Barbosa e Custódio Mesquita. Alcyr, ao contrário de seus colegas, não dava lucro para casa, pois só bebia, durante toda a noite, água mineral ou café com leite. O costume provocava a reação de seu amigo Pixinguinha.
- Assim não é possível, Alcyr. Onde já se viu, você vai ficar tomando café com leite a noite inteira? – reclamava Pixinguinha.
O professor Fernando nos conta ainda que Alcyr vivia brincando, dizendo que o que o permitia descer escadas como um garoto e caminhar “léguas por dia”, e ainda conversar e tocar piano a noite toda era a feliz mistura de “samba, café com leite, guaraná e mulher”. E tinha um segredo para sua juventude e dinamismo, mesmo após os 70 anos:
“Fugir de gente velha que fica em casa enrolada em cobertores, falando do passado e esperando a morte chegar”.
Anotem aí.
Um grande abraço a todos!