19/11/2009 - 09:06
Queria sentir tuas pernas me engolindo o sêmen
Cuspindo orgasmo, enlouquecidas
Ser o céu e seu sonhar sem volúpias impossíveis
Ou prováveis vidas esquecidas.
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Fazer da tua boca agora e sempre úmida
Um doce túmulo de horas efêmeras
No sicômoro em coma do teu suor cortante
Ir sem pressa ao delírio-cidra-primavera.
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Exprimir-me na luz dos candelabros
Pura inspiração na pira ígnea
Voltar ao vinho-feto do momento crucial
Bradar e banir o desejo acorrentado liberto.
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E, cada vez mais perto, pressinto
A fulminação de microsseres astutos e perniciosos
Mais uma vez ser teu ego deleitado
Saliva inlúcida a luzir satisfação.
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Agora observo. Leio-te e a mim penso
Que, se marquei o tempo e guardei as partes,
Tudo bem, foi tenso o teu incenso gozo,
Mas foi arte!
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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12/11/2009 - 10:52
Releituras semióticas
Foto: Malthus de Queiroz
“1 No princípio criou Deus os céus e a terra. 2 A terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo, mas o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. 3 Disse Deus: haja luz. E houve luz. 4 Viu Deus que a luz era boa; e fez separação entre a luz e as trevas. 5 E Deus chamou à luz dia, e às trevas noite.”
Gênesis, cap. 1.
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Foto: Malthus de Queiroz
“Choro por Narciso porque, todas as vezes que ele se deitava sobre minhas próprias margens, eu podia ver, no fundo dos seus olhos, minha própria beleza refletida.”
Oscar Wilde (segundo Paulo Coelho em O Alquimista)
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Foto: Malthus de Queiroz
“Ó Allah! Semeaste de armadilhas e eriçaste de pecados
as curvas do meu caminho e depois advertiste:
– Ai de ti se caíres!
Sabemos que nem um só átomo se esconde
à Tua visão em todo o Universo:
ora, se determinaste que assim se me desdobrasse
o percurso da existência,
e se tão meticulosamente preparaste a minha queda,
Allah! por que me chamas pecador?”
Omar Khayyam
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Foto: Malthus de Queiroz
“Objeto de Amar
De tal ordem é e tão precioso
o que devo dizer-lhes
que não posso guardá-lo
sem que me oprima a sensação de um roubo:
cu é lindo!
Fazei o que puderdes com esta dádiva.
Quanto a mim dou graças
pelo que agora sei
e, mais que perdôo, eu amo.”
Adélia Prado
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Foto: Malthus de Queiroz
Ver o barulho da chuva
Nem é tão esquisito.
Traduzi-lo é o segredo.
O nunca escrito
Tem sempre algo mais a dizer.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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06/11/2009 - 15:09
Da redação na Puta que Pariu
Foto: internet
Notícias fúnebres: os beneficiários do Bolsa Família devem ganhar a partir de 2010 seguro funeral, para cobrir gastos com o enterro dos incluídos no programa. Muito bem. Agora, já não se pode dizer que não têm onde cair morto.
Os numerologistas do Governo brasileiro andam otimistas com o futuro econômico do País. Não é pra menos. Acompanhe os números: se o real subvalorizar 50% com relação ao dólar, o Brasil será a 5a potência econômica mundial nos próximos 7 anos, devido aos investimentos da ordem de 9 bilhões de dólares para a Copa de 2014 e para as Olimpíadas de 2016, gerando um crescimento médio de 1,5% do PIB nacional. “E se o real não desvalorizar?”, pergunta o cidadão mediano atrás do balcão da padaria onde trabalha. “Não se preocupe”, respondem os numerologistas, “nós temos números guardados para qualquer situação”. Ah, tá.
Permito-me abrir um parêntese: esses números lembram o meu time na primeirona. Faltando 5 rodadas pro fim e com módico 1% de chance de permanecer na elite do futebol brasileiro, o Sport tem que ganhar os 15 pontos que restam (100% de aproveitamento) e torcer para que os 4 que estão na frente dele percam pelos 4 rodadas (90% de desaproveitamento). Alguém tem números melhores pra essa situação?
Mudando de assunto, a Toyota, maior fabricante mundial de veículos (eu pensava que era a Gurgel), anunciou que, depois de 1 ano trabalhando por conta, obteve lucro líquido de 161 milhões de euros no segundo trimestre de 2009. Mas a grande notícia é que, mesmo com esse lucro, ainda continua no vermelho. Conselho ocidental: abram os olhos, japas! Esse negócio de comunismo não tá com nada.
Palavras de Caetano Veloso: “Não posso deixar de votar nela [Marina Silva]. É por demais forte, simbolicamente, para eu não me abalar. Marina é Lula e é Obama ao mesmo tempo. Ela é meio preta, é cabocla, é inteligente como o Obama, não é analfabeta como o Lula, que não sabe falar, é cafona falando, grosseiro. Ela fala bem”. O Caetano entende de fala. Eu é que às vezes não entendo o que ele fala.
Para fechar: a revista inglesa FourFourTwo elegeu Ronaldo o 100o melhor jogador do mundo. Decadência? Que nada! É o único jogador a atuar no Brasil que está na lista. Aê, Ronaldo, tá comendo a bola, hein? Dá até pra notar.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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29/10/2009 - 10:07
Allan Holdsworth – Norwegian Wood
Allan Holdsworth
Música já foi minha praia (embora nunca tenha aprendido a surfar bem em suas ondas). Por isso, tal qual aquele técnico que jamais ganhou um título mas vive de seus comentários sobre futebol, inauguro essa coluna (que ousadia!) apenas para falar de uma coisa que muito me agrada: música.
E, para iniciar, trago para os pacientes leitores deste semanário ⎯ que ultimamente está quase virando um quinzerário ⎯ um grande guitarrista: Allan Holdsworth.
Nascido a 6 de agosto de 1946 em Bradford, West Yorkshire, Inglaterra, Holdsworth é um dos mais conceituados compositores de fusion da atualidade (só por curiosidade: fusion é um estilo contemporâneo que mistura rock e jazz, podendo também incluir nesse bololô outros ritmos). De técnica bastante apurada, o guitarrista britânico se caracteriza por executar músicas em legato, artifício que, segundo o oráculo moderno Google, consiste em executar sucessivamente uma ou várias sequências de notas sem intervalo de silêncio entre elas.
Entre suas melhores obras (para mim, pelo menos), estão os discos Metal Fadigue e Nono Too Soon, verdadeiros clássicos do jazz-rock. Deste último, disponibilizo para melhor apreciação uma releitura (nome moderno para cover) de uma música dos Beatles, que, neste caso, deve mesmo ser encarada como releitura, pois recria, quase totalmente, a antiga obra. Aliás, recria tanto que chego a pensar que Holdsworth poderia ter economizado nos direitos autorais e feito uma música nova.
No mais, justifico a escolha pelo fato de essa música unir dois signos da contemporaneidade: a referência aos clássicos e a fusão de gêneros (no caso, os gêneros musicais jazz e rock).
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
Tags: Música
16/10/2009 - 15:12
— Pai, tenho uma notícia pra te dar.
— Já imagino.
— Já imagina o quê?
— A notícia.
— Então diz o que é.
— Eu não, quem tem que dizer algo é você.
— Tá bom. Então lá vai: eu e o Junior vamos casar.
— Certo.
— Como assim, “certo”?
— Quer dizer: tou ouvindo, pode continuar.
— Continuar com o quê?
— Com a notícia. Pode dizer tudo.
— Já disse: eu e o Junior vamos casar.
— É tudo?
— É, pai. É tudo.
— Não tem mais nada?
— Não. Que cara é essa?
— Quer dizer que vocês vão casar assim, do nada?
— Como assim, “do nada”, pai? Eu e o Juninho estamos juntos há mais de 1 ano.
— Filha, pode me contar tudo. O que é que está havendo?
— Pai, não tem nada acontecendo. Quer dizer, tirando o casamento…
— Tá bom, vou perguntar na bucha. Você está grávida?
— Claro que não. Eu e o Juninho, a gente se cuida.
— Então pra que casar, filha? Tão cedo, vocês são jovens. E nem grávida você está.
— Quer dizer que tem que estar grávida para casar?
— Não necessariamente. Mas é que nos tempos de hoje, casar é tão… sei lá.
— Pai, me admira o senhor dizendo pra eu não casar. Qual pai não quer que sua filha case? É normal as pessoas casarem, sabia? Lembra de você e da mamãe?
— Filha, era normal. Era. Hoje em dia, o casamento requer um bom motivo.
— O motivo é que nós nos amamos. Além do mais, o Junior recebeu uma proposta pra tocar no exterior. Só uma experiência, nada definitivo. Ele vai morar no Canadá.
— Ah, tá. Eu sabia que tinha algo. Você quer casar para ir também, não é?
— Lógico, pai. Não é um bom motivo?
— Deixa eu ver se eu entendi: você vai casar com o Junior e vai morar no Canadá?
— É.
— Hum…
— Então, pai. O senhor vai concordar ou não.
— Interfere em alguma coisa se eu disser que não?
— Na verdade, não. A gente já planejou tudo: inclusive, já demos entrada nos passaportes e compramos as passagens.
— Filha, olha: o que é que o Junior fez da faculdade? Trancou. O que aconteceu com ele depois disso? Perdeu o emprego, porque dependia da faculdade. E aí, o que ele faz agora?
— Pai, o Junior é um excelente guitarrista. Ele toca jazz maravilhosamente.
— Eu sei, filha. Mas como ele vai sustentar você?
— Pai, o Junior ganha melhor tocando na noite do que você como professor.
— Não precisa passar na cara.
— Não estou passando na cara. Só estou dizendo que ele tem futuro.
— Ah, tá bom. Minha mãe me disse exatamente isso quando eu passei na faculdade. “Filho, você tem uma grande futuro.” Hoje em dia, como você mesma falou, meu salário mal dá para evitar que minha filha se case com um Juninho.
— Pai, eu sei que o senhor implica com o Juninho porque ele é guitarrista, usa piercing, tem tatuagens pelo corpo… Mas o senhor mesmo viu que ele é boa pessoa. Não bebe, não fuma, é superinteligente. O senhor mesmo falou dia desses…
— É isso que me preocupa: um cara todo tatuado, cheio de piercing, que não bebe, não fuma, tem uma conversa de bom nível, tem cultura… Isso é muito estranho.
— Pai…!
— Olha, eu garanto que ele não te ama como nós te amamos.
— Papaai…!
— Ai, tá bom. Confesso: acabaram meus argumentos. Se quiser ir, vá.
— Ai, pai, obrigada.
Filha dá um beijo na testa do pai e se retira. Dois meses se passam, chega o dia da viagem. No aeroporto, abraços, lágrimas e despedidas.
— Pai, eu prometo te escrever sempre, toda semana.
— Tá bom, filha. Eu vou esperar suas cartas.
— Seu Luiz, eu prometo ser um ótimo marido para a sua filha.
— Acho bom. Se não, eu vou tocar pra você o jazz do El Cabong.
— El Cabong? É alguma banda?
— Você não conhece o El Cabong? Ih, rapaz. Deixa eu te contar: El Cabong era um desenho animado, que passava há muito tempo…
Os dois saem andando pelo aeroporto, enquanto esperam a chamado do voo, conversando sobre desenhos animados.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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