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26/11/2009 - 10:34

Comentários musicais

Dando continuidade a minha saga de músico frustrado, porém escritor ainda não conhecido nas letras nacionais, escrevinho aqui novos esboços de comentários sobre músicas e suas nuances.

O “comentariado” de hoje é o velho guerreiro da música brasileira Caetano Veloso, que vem com um trabalho recentíssimo bem interessante: o CD emblematicamente nomeado Zii e Zie (que, em italiano, significa Tios e Tias – vai lá saber por quê). Do ponto de vista musical (leia-se: meu ponto de vista musical), o trabalho, lançado este ano, mistura a suavidade da MPB com a rudeza do rock’n’roll, incorporando, em alguns momentos, o signo antimusical ao signo musical (ouçam-se as músicas Perdeu e Lobão Tem Razão e os seus solos finais de guitarra distorcida, ao melhor estilo grunge). Aliás, o disco me pareceu interessante justamente por isso: há um contraste, às vezes patente, entre o requinte caetaniano e a “má educação” do rock, que – outro contraste – aparece aqui suavizado pelo sambinha de boteco e pela poeticidade da Música Popular Brasileira. Assim, pode-se ouvir uma guitarrinha levemente distorcida fazendo as vezes de violão durante todo o CD.

Zii e Zie traz também uma releitura (olha essa palavra aí de novo!) de velhos ritmos, principalmente do samba de violão, como é o caso de Ingenuidade e Incompatibilidade de Gênios – esta última, famosa composição de João Bosco e Aldir Blanc, traz uma bateria tão estranha que beira a bisonhice, mas uma bisonhice genial.

Misturar brasilidade com rock não é novidade na carreira de Caetano – coisa que nem sempre deu certo, diga-se de passagem. É só lembrar de Alegria, Alegria, Velô e o ainda recente , essas duas últimas experiências altamente duvidosas. Isso sem falar no furdunço que é gerado toda vez que o músico baiano lança alguma coisa, como se o fato dele ter feito algo fosse mais importante do que o próprio algo.

Acredito não ser o caso. Zii e Zie tem algo mais, proporcionado talvez pelo desempenho da ótima banda Cê (Pedro Sá – guitarra; Marcelo Callado – bateria;  e Ricardo Dias Gomes – baixo). E, para apreciação dos pacientes leitores – agora também ouvintes – deste blogue, disponibilizo a faixa Sem Cais, que é a música de trabalho do CD.

02 Sem cais

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:


4 comentários para “Comentários musicais”

  1. Catarina disse:

    Também achei interessante esse CD com toda a mistura. Isso de dar mais importância ao lançamento do que ao conteúdo me lembra uma coisa que Picasso falou uma vez. Ele disse que não assinava mais cheques porque as pessoas preferiam vendê-los e ganhar mais dinheiro com a assinatura dele do que com o valor da compra que ele havia feito. É o nome sendo mais valorizado do que a obra. O rótulo, a marca.

  2. Cristovam Meira de Sousa disse:

    Imagina, se não fosses um músico frustado, hem?…Sinceramente!…Estou adorando teus comentários musicais.
    Abraços e bênçãos.
    Cristovam.

  3. André disse:

    Acho o caetano um barco sem cais.
    abraço

  4. Malthus disse:

    (Cat) Já um cheque dos Picassus, ninguém nem aceita. hehe Bjs

    (Cristovam) Obrigado, caro amigo. Abraços

    (André) Também não sou muito fã do Caetano, mas achei esse CD (e acho alguns trabalhos dele) muito bom. Abraço

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