Mundo contemporâneo
— Pai, tenho uma notícia pra te dar.
— Já imagino.
— Já imagina o quê?
— A notícia.
— Então diz o que é.
— Eu não, quem tem que dizer algo é você.
— Tá bom. Então lá vai: eu e o Junior vamos casar.
— Certo.
— Como assim, “certo”?
— Quer dizer: tou ouvindo, pode continuar.
— Continuar com o quê?
— Com a notícia. Pode dizer tudo.
— Já disse: eu e o Junior vamos casar.
— É tudo?
— É, pai. É tudo.
— Não tem mais nada?
— Não. Que cara é essa?
— Quer dizer que vocês vão casar assim, do nada?
— Como assim, “do nada”, pai? Eu e o Juninho estamos juntos há mais de 1 ano.
— Filha, pode me contar tudo. O que é que está havendo?
— Pai, não tem nada acontecendo. Quer dizer, tirando o casamento…
— Tá bom, vou perguntar na bucha. Você está grávida?
— Claro que não. Eu e o Juninho, a gente se cuida.
— Então pra que casar, filha? Tão cedo, vocês são jovens. E nem grávida você está.
— Quer dizer que tem que estar grávida para casar?
— Não necessariamente. Mas é que nos tempos de hoje, casar é tão… sei lá.
— Pai, me admira o senhor dizendo pra eu não casar. Qual pai não quer que sua filha case? É normal as pessoas casarem, sabia? Lembra de você e da mamãe?
— Filha, era normal. Era. Hoje em dia, o casamento requer um bom motivo.
— O motivo é que nós nos amamos. Além do mais, o Junior recebeu uma proposta pra tocar no exterior. Só uma experiência, nada definitivo. Ele vai morar no Canadá.
— Ah, tá. Eu sabia que tinha algo. Você quer casar para ir também, não é?
— Lógico, pai. Não é um bom motivo?
— Deixa eu ver se eu entendi: você vai casar com o Junior e vai morar no Canadá?
— É.
— Hum…
— Então, pai. O senhor vai concordar ou não.
— Interfere em alguma coisa se eu disser que não?
— Na verdade, não. A gente já planejou tudo: inclusive, já demos entrada nos passaportes e compramos as passagens.
— Filha, olha: o que é que o Junior fez da faculdade? Trancou. O que aconteceu com ele depois disso? Perdeu o emprego, porque dependia da faculdade. E aí, o que ele faz agora?
— Pai, o Junior é um excelente guitarrista. Ele toca jazz maravilhosamente.
— Eu sei, filha. Mas como ele vai sustentar você?
— Pai, o Junior ganha melhor tocando na noite do que você como professor.
— Não precisa passar na cara.
— Não estou passando na cara. Só estou dizendo que ele tem futuro.
— Ah, tá bom. Minha mãe me disse exatamente isso quando eu passei na faculdade. “Filho, você tem uma grande futuro.” Hoje em dia, como você mesma falou, meu salário mal dá para evitar que minha filha se case com um Juninho.
— Pai, eu sei que o senhor implica com o Juninho porque ele é guitarrista, usa piercing, tem tatuagens pelo corpo… Mas o senhor mesmo viu que ele é boa pessoa. Não bebe, não fuma, é superinteligente. O senhor mesmo falou dia desses…
— É isso que me preocupa: um cara todo tatuado, cheio de piercing, que não bebe, não fuma, tem uma conversa de bom nível, tem cultura… Isso é muito estranho.
— Pai…!
— Olha, eu garanto que ele não te ama como nós te amamos.
— Papaai…!
— Ai, tá bom. Confesso: acabaram meus argumentos. Se quiser ir, vá.
— Ai, pai, obrigada.
Filha dá um beijo na testa do pai e se retira. Dois meses se passam, chega o dia da viagem. No aeroporto, abraços, lágrimas e despedidas.
— Pai, eu prometo te escrever sempre, toda semana.
— Tá bom, filha. Eu vou esperar suas cartas.
— Seu Luiz, eu prometo ser um ótimo marido para a sua filha.
— Acho bom. Se não, eu vou tocar pra você o jazz do El Cabong.
— El Cabong? É alguma banda?
— Você não conhece o El Cabong? Ih, rapaz. Deixa eu te contar: El Cabong era um desenho animado, que passava há muito tempo…
Os dois saem andando pelo aeroporto, enquanto esperam a chamado do voo, conversando sobre desenhos animados.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Acho que eu conheço alguém que vai agir parecido quando sua filha quiser casar. A conversa com o genro vai ter esse conteúdo e outras coisas.
Quem será? hehe bjs, Cat
Monstro, sinto saudades de épocas assim, cara. Quando eu saia pra comprar cigarro para meu tio e terminava jogando bola na praça da sudene. Só não valia aloprar muito no tempo senão o bicho pegava em casa. hoje parece tudo cauculado, por isso acabo fazendo um pouco diferente do que eu penso e assim deixo rolar mais.. heheheee pra ver se fica mais legal. Tenho muito que aprender com esse pai.. uhuuuuuuuu
*calculado.
Bóra, monstro. Hoje, o cara sai pra comprar cigarro pra si mesmo (vê o que a gente aprendeu! hehehe). Abraço, meu velho. Sexta tem mais mé
qual a graça?????
pra min q era outra coisa!!!xD
s2s22s2s2 rsrsrs s2s2s2s2
vanessinha100cat@hotmail.com>kut
lol \O/
/_\
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qual a graça?????
pra min q era outra coisa!!!xD
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vanessinha100cat@hotmail.com>kut
lol \O/
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ronaldo
Eu gostei! O final eh singelo… soh pq eh de Malthus axo q dá espectativa de encontar alguma coisa engraçada no final…
Ahá, superei suas expectativas e fiz um texto sem graça no final. Eu sou um gênio (pfuuu!) huahuahauh abraço