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Arquivo de outubro, 2009

29/10/2009 - 10:07

Comentários musicais

Allan Holdsworth – Norwegian Wood

Allan Holdsworth

Música já foi minha praia (embora nunca tenha aprendido a surfar bem em suas ondas). Por isso, tal qual aquele técnico que jamais ganhou um título mas vive de seus comentários sobre futebol, inauguro essa coluna (que ousadia!) apenas para falar de uma coisa que muito me agrada: música.

E, para iniciar, trago para os pacientes leitores deste semanário ⎯ que ultimamente está quase virando um quinzerário ⎯ um grande guitarrista: Allan Holdsworth.

Nascido a 6 de agosto de 1946 em Bradford, West Yorkshire, Inglaterra, Holdsworth é um dos mais conceituados compositores de fusion da atualidade (só por curiosidade: fusion é um estilo contemporâneo que mistura rock e jazz, podendo também incluir nesse bololô outros ritmos). De técnica bastante apurada, o guitarrista britânico se caracteriza por executar músicas em legato, artifício que, segundo o oráculo moderno Google, consiste em executar sucessivamente uma ou várias sequências de notas sem intervalo de silêncio entre elas.

Entre suas melhores obras (para mim, pelo menos), estão os discos Metal Fadigue e Nono Too Soon, verdadeiros clássicos do jazz-rock. Deste último, disponibilizo para melhor apreciação uma releitura (nome moderno para cover) de uma música dos Beatles, que, neste caso, deve mesmo ser encarada como releitura, pois recria, quase totalmente, a antiga obra. Aliás, recria tanto que chego a pensar que Holdsworth poderia ter economizado nos direitos autorais e feito uma música nova.

No mais, justifico a escolha pelo fato de essa música unir dois signos da contemporaneidade: a referência aos clássicos e a fusão de gêneros (no caso, os gêneros musicais jazz e rock).

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
16/10/2009 - 15:12

Mundo contemporâneo

— Pai, tenho uma notícia pra te dar.

 

— Já imagino.

 

— Já imagina o quê?

 

— A notícia.

 

— Então diz o que é.

 

— Eu não, quem tem que dizer algo é você.

 

— Tá bom. Então lá vai: eu e o Junior vamos casar.

 

— Certo.

 

— Como assim, “certo”?

 

— Quer dizer: tou ouvindo, pode continuar.

 

— Continuar com o quê?

 

— Com a notícia. Pode dizer tudo.

 

— Já disse: eu e o Junior vamos casar.

 

— É tudo?

 

— É, pai. É tudo.

 

— Não tem mais nada?

 

— Não. Que cara é essa?

 

— Quer dizer que vocês vão casar assim, do nada?

 

— Como assim, “do nada”, pai? Eu e o Juninho estamos juntos há mais de 1 ano.

 

— Filha, pode me contar tudo. O que é que está havendo?

 

— Pai, não tem nada acontecendo. Quer dizer, tirando o casamento…

 

— Tá bom, vou perguntar na bucha. Você está grávida?

 

— Claro que não. Eu e o Juninho, a gente se cuida.

 

— Então pra que casar, filha? Tão cedo, vocês são jovens. E nem grávida você está.

 

— Quer dizer que tem que estar grávida para casar?

 

— Não necessariamente. Mas é que nos tempos de hoje, casar é tão… sei lá.

 

— Pai, me admira o senhor dizendo pra eu não casar. Qual pai não quer que sua filha case? É normal as pessoas casarem, sabia? Lembra de você e da mamãe?

 

— Filha, era normal. Era. Hoje em dia, o casamento requer um bom motivo.

 

— O motivo é que nós nos amamos. Além do mais, o Junior recebeu uma proposta pra tocar no exterior. Só uma experiência, nada definitivo. Ele vai morar no Canadá.

 

— Ah, tá. Eu sabia que tinha algo. Você quer casar para ir também, não é?

 

— Lógico, pai. Não é um bom motivo?

 

— Deixa eu ver se eu entendi: você vai casar com o Junior e vai morar no Canadá?

 

— É.

 

— Hum…

 

— Então, pai. O senhor vai concordar ou não.

 

— Interfere em alguma coisa se eu disser que não?

 

— Na verdade, não. A gente já planejou tudo: inclusive, já demos entrada nos passaportes e compramos as passagens.

 

— Filha, olha: o que é que o Junior fez da faculdade? Trancou. O que aconteceu com ele depois disso? Perdeu o emprego, porque dependia da faculdade. E aí, o que ele faz agora?

 

— Pai, o Junior é um excelente guitarrista. Ele toca jazz maravilhosamente.

 

— Eu sei, filha. Mas como ele vai sustentar você?

 

— Pai, o Junior ganha melhor tocando na noite do que você como professor.

 

— Não precisa passar na cara.

 

— Não estou passando na cara. Só estou dizendo que ele tem futuro.

 

— Ah, tá bom. Minha mãe me disse exatamente isso quando eu passei na faculdade. “Filho, você tem uma grande futuro.” Hoje em dia, como você mesma falou, meu salário mal dá para evitar que minha filha se case com um Juninho.

 

— Pai, eu sei que o senhor implica com o Juninho porque ele é guitarrista, usa piercing, tem tatuagens pelo corpo… Mas o senhor mesmo viu que ele é boa pessoa. Não bebe, não fuma, é superinteligente. O senhor mesmo falou dia desses…

 

— É isso que me preocupa: um cara todo tatuado, cheio de piercing, que não bebe, não fuma, tem uma conversa de bom nível, tem cultura… Isso é muito estranho.

 

— Pai…!

 

— Olha, eu garanto que ele não te ama como nós te amamos.

 

— Papaai…!

 

— Ai, tá bom. Confesso: acabaram meus argumentos. Se quiser ir, vá.

 

— Ai, pai, obrigada.

 

Filha dá um beijo na testa do pai e se retira. Dois meses se passam, chega o dia da viagem. No aeroporto, abraços, lágrimas e despedidas.

 

— Pai, eu prometo te escrever sempre, toda semana.

 

— Tá bom, filha. Eu vou esperar suas cartas.

 

— Seu Luiz, eu prometo ser um ótimo marido para a sua filha.

 

— Acho bom. Se não, eu vou tocar pra você o jazz do El Cabong.

 

— El Cabong? É alguma banda?

 

— Você não conhece o El Cabong? Ih, rapaz. Deixa eu te contar: El Cabong era um desenho animado, que passava há muito tempo…

 

Os dois saem andando pelo aeroporto, enquanto esperam a chamado do voo, conversando sobre desenhos animados.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
01/10/2009 - 12:17

Conversa de botequim

Num bar qualquer da Zona Norte, Lula atende o celular.

⎯ Lula? Aqui ser Obama.

⎯ Fala, negão. Beleza?

⎯ Tranquila. E aí, levando muita pressão dos hondurenhos nesses dias? Huahauhauha

⎯ Porra, negão, a maior crise e tu ainda liga pra me passar pra trás?

⎯ Que é isso, bro. Não leve pelo outra lado. Aqui também ter uns mazelas.

⎯ Tô sabendo, tô sabendo. Inclusive, disseram que você ia se livrar de vez do Armadimijar. Vai fazer operação de mudança de sexo, é? hauhauhauahuah

⎯ Qualé, man. Só quando vampira doar sangue ou tu contar até 10. hauhauhauh Mas me diz uma coisa: quando tu aparece here pra tomar umas?

⎯ Cara, deixa passar essa crise que eu chego na tua redondeza. hehehe

⎯ Beleza. Mas quando chegar, arrodeia, que o negócia tá de pé esperando tua posiçon. hehehe

⎯ Tás esperto, hein, negão! Deixa eu ir lá que eu tenho que fazer umas coisinhas.

⎯ Massa. Aproveita e trás um coisinha quando vier.

⎯ Ainda tá fumando, viciado?

⎯ Tou, mas controlada. Só bebo e fumo quando jogo.

⎯ Aí tá certo.

⎯ Então, falou, Lula. Aparece mesmo por aqui que eu estar precisando aumentar meu popularidade. Abraço por trás, brother.

⎯ Abraço, “querida”.

Ao lado, ouvindo a conversa, estava Hugo Chávez, que pergunta desconfiado.

⎯ Quien era, compañero?

⎯ Trote. E não me chama de companheiro em público, que tu ainda não tá no Mercosul.

⎯ Yo sé, amigo. Pero mira: cuando yo entrar en el Mercosul, prometo ayudar-te a combatir el imperialismo norte-americano.

Lula olha de lado, passa a mão na testa.

⎯ Já vi que vem mais crise pelo caminho. O Jereissati já tá quase chegando. Você discute com ele, ok!

⎯ Que és eso, compañero. Jereissati, no. Jereissati, no! Él huele à “enxofre”!

⎯ Po, Chávez, mas pra você, que já está queimado, não tem problema. hauhauhuah Té mais, muchacho.

⎯ E la cuenta, hombre?

⎯ Paga aí e desconta da RCTV. Fui!

copos

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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