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31/07/2009 - 15:55

Sou

Sou
Sofrimento e paixão desordenada
Fome e saciedade
Mãos inermes e falho desejo de perfeição.

Eu sou
A dor da imperfeição
Estampada em meus sensores
― o sul, o norte.

Sou esse eu,
Morte em plena atividade.
Emblema de corpo sequioso
― pele, cabelo, osso, mineral.

E ainda sou
― grito silencioso em mim mesmo ―
O brilho do astro que perde o mal-querer
Nau desgovernada e deslizante
Achando o tempo, o espaço,
A manhã e o orvalho.

Mas também sou
O que ergue e ostenta
A vontade de vencer.
Rútilas espadas ensanguentadas dos que se foram.
O único muro a erguer-se entre os jazigos.

E mesmo que se retire a chuva
E o verbo simplifique o voo
Sou eu que sou

O poeta do extremo eu!
Paisagem

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:


12 comentários para “Sou”

  1. André Agui disse:

    Parabéns pelo teu copyright! eheeeheheeee

    Monstro, é a questão do só escrever e não viver, dê a cara pra bater e só depois é que vem a literatura (tudo besteirol), nossas filosofias, escrever bonito etc (puts)… “pra mim” continua não sendo nada (realmente), ser e querer ser… viver, cometer loucuras é preciso… muita gente não tem nem idéia disso, mas sabem escrever como ninguém, conheço desses aos montes… é por isso monstro que eu prefiro perder falando-vivendo sempre na verdade (cara a cara), sem imaginações ou devaneios de escritas, por mais duro que seja.. do que querer agradar as pessoas escondendo quem sou.

    Abraço!

  2. Malthus disse:

    Gostei do copyright. hehe

    É isso aí, monstro. Cometer loucuras é preciso, concordo 100%.

    abraço, velho

  3. Catarina disse:

    Você é tudo isso e muito mais! Bjs

  4. Malthus disse:

    “Sou poeta menor, perdoai”. Obrigado, Cat. bjs pra vc

  5. Medievas disse:

    Mal, tenho que te falar.

    Hoje, numa aula no terceiro ano, fiz uma atividade de leitura. Levei vários livros de escritores contemporâneos: Lucila, Miró, Malungo e o nosso Lua de Iêmen. Rapaz, seus textos fizeram sucesso. Coisa de um grupo indicar pro outro: “Lê esse, é o melhor”. Ninguém reparou que tinha um texto da professora ali. Snif. kkkkkkkk
    Mas, de fato, o texto é muito bom.

    Não te esqueço. Beijo saudoso em vc e na sua família linda!

  6. Malthus disse:

    Valeu, Mar. Fico muito (mas muito mesmo) feliz por saber que meus textos têm alguma representatividade com a garotada. Inda mais comparado com esses poetas… Putz, é uma honra.

    Mas confesso que fiquei mais feliz ainda de te ver por aqui. Bjos pra vc e sua família também.

  7. Heber disse:

    É mesmo infinita a busca por definir aquilo que se é. Os elementos do texto são surpreendentes e as imagens são muito ricas. Dá pra passar meia hora pensando em cada estrofe. Um texto forte.

    P.S.: Pelo comentário da nossa amiga Medievas, tu tás detonando nas salas de aula por aí. Hehehe. Abraço, brother.

  8. Cristovam Meira de Sousa disse:

    Puxa,eu sou e estou também nesses elementos todos,embora não saiba analisá-los…Fiquei impressionado…Outra vez,meus parabens!

  9. theo disse:

    O texto deixo para os especialistas… Tão legal quanto o texto foi a imagem logo abaixo. Que casa, que árvore ressecada, que céu nebuloso, que lugar é esssssssse…..A placa indica 40 km mas o ideal é passar por ela a 1/2 km/h no final da noite, depois de tomar todas e a pé….Mudando de assunto: E esse show do sepultura/angraaaaaaaaaaaaaa??

  10. Malthus disse:

    Irei por partes.

    (Heber) Grande Zeberu-San. Obrigado mais uma vez pela visita e pelo comentário. E realmente fiquei “incrível” quando li o comentário de Medievas. Veja só o que o futuro de nossa nação anda lendo… O Brasil está perdido. hehehe Abração, meu velho

    (Cristovam) Também agradeço o comentário elogioso. Como poetas não ganham dinheiro com poesia (salvo raras exceções), a leitura – e o fato de o leitor ter gostado do texto – constitui a grande recompensa. Grande abraço, meu amigo

    (Theo) Cara, quando eu vi essa foto perdida nos meus arquivos, pensei que ela traduzia bem o que o poema transmite (ou tenta transmitir). Ainda bem que você, um cara das imagens (artista plástico e design), percebeu isso. abraço, velho

  11. valdicéia disse:

    Lendo alguns comentários, descobrir q os seus textos continuam fazendo sucesso em sala de aula.
    O primeiro texto seu q eu li, foi em uma aula de português, quando vi o nome do Autor descobrir q era vc.
    Bem, virei leitora fiél, leio todos os textos as vezes não comento.
    Q poema! simplismente lindo. Augusto dos Anjos sua obra Eu
    Malthus de Querois sua obra Sou
    Acho q conheço essa paisagem, bjs.

  12. Malthus disse:

    Oi, Val. Eu me lembro quando Lécio me contou a história, que tinha lido um texto na aula de português e tal. Bem, é como eu digo: a educação no Brasil está perdida. hehehe

    VALeu pela leitura. Que bom que gostou do poema.

    Bjs

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