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Arquivo de junho, 2009

18/06/2009 - 14:31

Cordel Urbano

Vou falar um pensamento
Que me ocorreu de alusão
Sem fazer intento
De possuir toda razão
Vou falar da vida e do momento
Em que vi esse peste pestilento
Me cruzar na contramão.

Este peste pensamento abestado
Que me pegou desprevenido
Veio em forma de versado
E reparto agora com o amigo
Que deve estar também desocupado
Pru mode ler leseira de alesado
Tem que entender de desaviso.

Pensei isto que inda não disse
Mas que agora vou dizer
Quando acordei mei de doidice
Bem antes de amanhecer
Pensei até fosse tolice
De poeta que dormisse
Sem controlar o dizerê.

Imaginei que eu era o pão
Repartido todo dia
Pra fazer a refeição
De quem nem conhecia
O pão de Cristo, a traição
Toda a história da Paixão
Revivida todo dia.

E repartido o alimento
Começa a distribuição
Um pedaço pro engarrafamento
Um pedaço pra reunião
Um balanço miserento
Pra contar o mantimento
Do estoque de então.

Era um pedaço pro tempo
Que me consome de manhã
E acaba no planejamento
Que planejei pra amanhã
Pedaço pro sono, pedaço pro vento
Pra ofício, pra levantamento,
E até um pro moço da van.

E tanto pedaço me repartia
Que a noite só restava o bagaço
Feio feito o cu da jia
Passo lento, os ói inchado
Que pinotava de alegria
Quando ela me sorria
Com o braço me abraçado.

Num minuto, de pinote,
Já tou mais animado
Tomo um banho forte
E me deito aconchegado
No seu corpo; dou o mote
Lasco um cheiro no cangote
E espero o resultado.

Pra quem está apaixonado
A mulher é mulheraço
O cabra fica todo alevantado
Pra hora do amasso
Num interessa o dia passado
Tem que ter carinho guardado
Quando o amor reclama seu pedaço.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
11/06/2009 - 12:51

Mundo contemporâneo

O jovem entra na sala de mãos dadas com um amigo.

⎯ Pai, queria te falar uma coisa.

⎯ Pode dizer, meu filho.

⎯ Eu sou gay, e esse é o meu namorado, o Adaílton.

⎯ Tá. Agora deixa eu ver o futebol.

⎯ Hã…!?

⎯ Deixa eu ver o futebol.

⎯ Como assim, deixa eu ver o futebol? Você não vai dizer nada?

⎯ Tou dizendo: “Quero ver o futebol”.

⎯ Pai, eu disse que sou gay!

⎯ Eu ouvi.

⎯ E você vai continuar vendo futebol!?

⎯ Se você deixar…

⎯ Mas, pai, isso é um absurdo. Seu filho entra na sala e diz que é gay, e você fica vendo futebol? Futebol, pai?

⎯ Olha, filho, eu te entendo. É o seu jeito de ser, é você se descobrindo. A juventude de hoje é assim, decidida, sabe o que quer. Na minha época, não era assim. Eu sofri muito quando meus pais descobriram que eu tinha tido alguns relacionamentos gays. Agora me deixa ver o futebol.

⎯ O quê? Você já foi gay? Ou melhor, ainda é, né, porque eu nunca ouvi falar de ex-gay.

⎯ Foram momentos na juventude…

⎯ Juventude não, pai. Que conversa é essa de ser gay? Meu próprio pai. Isso é absurdo. E você, Adaílton, some da minha vida.

(Adaílton) ⎯ Pô, cara. Mas ainda não rolou nada entre nós, nem beijinho.

⎯ Foda-se, meu irmão. Some, tá ligado. E eu vou embora dessa casa também.

Outro dia. O pai está chegando do trabalho, sente um cheiro de fumaça.

⎯ Que cheiro é esse?

⎯ Sou eu, pai. Tou fumando um baseado. Melhor fumar em casa do que na rua, né. Afinal, sou estudante, não marginal.

⎯ Podicrer, filho. Então me dá um pega? Eu tou num estresse danado hoje.

Filho tosse.

⎯ O quê? Vai me dizer que fuma maconha agora?

⎯ Ah, filho. Sem neuras, tá. Me dá um peguinha, vai.

⎯ Num dou, não. Onde já se viu um senhor da sua idade fumando maconha?

⎯ Como assim, “da minha idade”? Eu só tenho 50 anos.

⎯ E acha pouco? Não, essa num vai dar pra engolir, não. Um pai maconheiro é foda! Vou me embora dessa casa!

Filho sai, com uma mochila de roupas nas costas. A mãe se aproxima do pai:

⎯ Ufa! E amanhã, o que vai ser?

⎯ Não sei. Mas pode ir se preparando que ainda vem a fase intelectual, de querer ter um filho, de morar só, de abandonar os estudos pra trabalhar…

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/06/2009 - 13:11

Novo Visual

Como todos os pacientes leitores deste blogue (calculo uns 5 ou 6) devem ter percebido, o Diário das Marés está de visual novo. Mais moderno, mais bonito, mais fashion, mais… mais… mais in.

Essa mudança inicia uma nova era na comunicação contemporânea. Obviamente, os textos daqui continuarão inúteis; porém, de uma inutilidade estética mais elaborada, mais convinente, o que causará mais prazer na leitura deste semanário.

No mais, resta dizer que… (alguém abre a porta do escritório; é o chefe: ― Malthus, preciso das anotações da reunião de ontem pra elaborar o relatório. Manda pro meu e-mail.

Mandei. Depois desliguei o celular e tirei a sexta de folga.)

Anotações:

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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