29/05/2009 - 10:56
Nesta semana, o patrimônio histórico olindense sofreu um golpe duríssimo, ironicamente vindo do alto: o teto da Igreja de São João Batista dos Militares, localizada no sítio histórico da cidade, caiu.
O fato comoveu moradores da localidade e todos os que conhecem o valor cultural do acervo de Olinda, o maior em número de construções quinhentistas do País. Em entrevista a jornais de televisão, o padre Marcelo Gomes Costa, pároco local, afirmou emocionado que vinha solicitando há anos uma visita do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), fato que só ocorreu agora, após o incidente.
O teto caiu como caem máscaras: na eterna guerra de interesses, sobram acusações de todas as partes, acompanhadas de desculpas mirabolantes e políticas de conservação pouquíssimo eficazes. Tudo isso mediado, é claro, pelo antigo discurso da falta de verba para manutenção dos monumentos. Tombada a nível federal, a responsabilidade do prédio ainda é da Igreja Católica, sua proprietária, mas a instituição só executa reforma se houver disponibilidade de recursos por parte do Governo e da comunidade locais.
A Igreja não tem data precisa de construção. No entanto, acredita-se que ela tenha sido erguida na década de 1570. Em estilo maneirista, essa foi uma das poucas edificações que escapou do grande incêndio, provocado em 1631 pelos holandeses que ocupavam a então próspera e luxuosa Vila de Olinda, um dos berços da civilização brasileira.
Toda essa bagagem histórica se agiganta diante do trágico incidente. Cabe a nós, simples mortais, rezar para que o fato inspire os deuses católicos e os do Iphan na elaboração de um plano de conservação mais eficiente e de grande abrangência. Afinal, milagres não caem do céu, como os tetos.
Foto: iconacional.blogspot.com
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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22/05/2009 - 11:11
A cena é muito comum: após uma disputa violenta (seja no plano físico ou numa guerrinha vocabular), o vilão, que tem a responsabilidade de dificultar o bom andamento dos fatos, rende o mocinho, colocando-se na posição de detentor da sua vida e da sua morte.
Mas ele não executará a ação final antes de proferir algumas palavras, o que quase sempre implica na salvação do herói e no desencadeamento de uma nova sequência de cenas, encaminhando a história para o seu fim ou para a reviravolta.
Em algum momento, todo o mundo já devem ter se perguntado: “Por que, afinal, ele simplesmente não resolveu a situação ali, quando tinha o mocinho a seus pés, já que disso dependia o sucesso de seu cruel e ardiloso plano?”. Uma resposta possível pode ser encontrada nos preceitos estruturalistas: é que, no plano fabular (a história contada), esse discurso “improvisado” é tão importante para narrativa quanto a própria trama (a ordem como os acontecimentos são apresentados na obra).
O discurso é parte significativa da tipologia do personagem. Um bom vilão só pode ser bom mesmo se apresentar um discurso marcante, que o identifique e simbolize o campo ideológico de sua personalidade. Da articulação desse “contradiscurso” vilanesco depende a própria necessidade do contar determinadas histórias. E é nessa fala que o antagonista se realiza, se explica perante a plateia e torna-se sujeito ativo de sua trajetória. Falar é agir sobre o mundo, e é preciso ao vilão um bom discurso, que justifique suas ações e sua existência.
Sem um bom discurso, um vilão é relegado ao esquecimento. E foi pensando em grandes vilões e seus discursos que elaborei a pequena lista abaixo, que tenta de forma resumida (pífia?) identificar a fala característica desses personagens inesquecíveis (pelo menos pra mim).
Grandes vilões que eu me lembro agora e seus planos discursivos
Hannibal Lecter (dispensa apresentações)

Refinado, educado, intelectual e faminto por carne humana. Esse cara tem sempre a pala certa pra jogar pra cima da vítima. Na argumentação, é imbatível; sua retórica deixa qualquer um vencido. Seguramente, um dos mais célebres discursos de toda a história da ficção.
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Darth Vader (Star Wars)

Lacônico, direto, calculista com as palavras. Quase um João Cabral de Melo Neto da maldade. Não tem lá grandes peripécias retóricas, mas só o timbre de sua voz e aquela respiração sufocante já são suficientes para fazê-lo entrar nesta lista. Sem falar que matar um cara sem mexer um músculo é a maneira mais direta de fazer valer seus argumentos.
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Esqueleto (He-Man)

Esse é pedagógico. Antes de completar o seu maldoso plano, ele explicará, tin-tin por tin-tin, todos os detalhes de como se realizará a ação. “E então, He-Man, eu explodirei a base da montanha, que cairá sobre a represa, inundará o planeta Eternea, e todos morrerão, inclusive eu. Huahuahuahua” “Não, Esqueleto, nem você poderia ser tão mal assim!” “Ah, mas eu sou! Hauahuahauhau”
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Coringa (Batman)

Dizem alguns estudiosos que o Batman não se emputecia tanto com os planos do Coringa. O que o deixava possesso eram as piadinhas, que o sacripanta e bem humorado antagonista sempre tirava da manga. Igual àquele seu vizinho, o Coringa tem lugar garantido nesta lista por irritar qualquer herói com suas pândegas bem-sacadas.
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Flora (A Próxima Vítima)

Vilã ao melhor estilo Bakhtin: dialogista. Interpretando a si mesma, ela sabia escolher o discurso certo para a ocasião, adequando-se ao seu personagem do momento. Conseguiu enganar a quase todos por muito tempo, mas, como todo falastrão, se empolgou com sua argúcia e foi vítima de sua própria esperteza. Ter conseguido conversar com Dodi também figura como uma conquista gloriosa sua.
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Pazuzu (O Exorcista)

Diabolicamente bakhtiniano, Pazuzu é o demônio encontrado nas escavações no Oriente e que “inferniza” a vida da jovem Regan MacNeil. É citado aqui por ter ido buscar o discurso da mãe do padre Karras no inferno (literalmente). Fazendo das palavras dela suas palavras, seu discurso, além de aterrorizante, é romanesco, pois pode ser comparado a um narrador recriando a voz de um personagem qualquer.
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Norman Bates (Psicose)

Genuinamente teatral, Norman recriava a fala da mãe, interpretando-a com uma caracterização perfeita: entonação de voz, timbre, roupas adequadas e tudo o mais. E o que é mais assustador: para si mesmo. Conseguiu dissociar seu discurso do dela, o que acabou sendo a chave para todo o mistério da obra-prima de Hitchcock.
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Macbeth (Macbeth)

Tudo bem que sua retórica seja considerada por alguns complicada para a atualidade, acostumada a discursos mais simples. No entanto, pouquíssimos vilões conseguiram esbravejar com fantasmas de maneira tão poética. Sua presença na lista dos grandes discursos vilanescos se perpetuará por “Tomorow, tomorow and tomorow”.
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Basílio (O Primo Basílio)
Fonte: brazileiro.zip.net
Esse é o cara: lábia doce, passou o 171 na prima casada e faturou em tempo recorde (para a época) o amor da gata. Daí, quando os rumores do caso chegaram aos empregados de baixo escalão e Luísa veio com uma conversa estranha de fugir, olha a fita do cara: “Não se foge assim. Ficas desacreditada por toda a vida, sem remédio, Luísa. Uma mulher que foge deixa de ser a Sra. Fulana, é a Fulana, a que fugiu, a desavergonhada, concubina!”. E aí, é desenrolado ou não é?
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Skrotinhos (Os Skrotinhos)

Anarquistas por excelência, o discurso desses caras segue uma orientação niilista, ao melhor estilo nietzschiano. Moralmente insanos, socialmente incorretos, religiosamente desprezíveis, esses vilões-heróis do underground urbano brasileiro deixam qualquer um sem palavras (e sem paciência também).
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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08/05/2009 - 18:07
Meu nome é Malthus Oliveira de Queiroz, tenho 33 anos, sou redator e revisor de texto e consultor na área de comunicação escrita. Na última semana, tive um problema sério de perda de memória e estou com imensas dificuldades para escrever meus textos.
Consultei especialistas da área, mas eles disseram que tinham de abrir para traçar um diagnóstico. Por isso, envio este post a vocês, pacientes leitores. Por favor, não ignorem; isso pode acontecer a qualquer pessoa.
Peço a todos que formem uma corrente positiva para que minha memória DDR2 SDRAM, 800 MHz e 1 GB volte ilesa, e eu consiga retomar minhas atividades normais (como publicar besteiróis neste blogue).
Para formar essa corrente de força e de fé, rezem 954.687.325.413 Padres-Nossos, 826.541.352.384 Aves-Marias, mandem bater 50 reais de bumbo em Dona Celeste e inventem 50 novos xingamentos para o IMac 8.1.
E não me falem em backup. Todos os arquivos de trabalho estão salvos. Já as músicas, meus contatos, os filmes…

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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