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Arquivo de abril, 2009

24/04/2009 - 12:16

Tirinhas jornalísticas

Malthus de Queiroz – Da redação em Buenos Aires (juntin de Custódia)

Notícias do Centrão: fechou a banca de revistas que ficava junto ao Shopping Boa Vista, no centro do Recife. Virou uma lanchonete. Fiquei intrigado: sempre vi essa banca cheia de gente, todos lendo no seu interior. “Sim, os brasileiros lêem muito”, me confessou o ex-proprietário. “O problema é que nunca compram”.

Ainda no Centrão: o projeto urbano-automobilístico da Avenida Conde da Boa Vista tá uma beleza. Finalmente organizou o trânsito nessa tão sofrida parte da cidade: agora, ônibus engarrafam em uma faixa, carros na outra. Um brinco!

Observando o mercado editorial via internet, concluí que o escritor também é cliente. Faço-me entender: afora a opção dos blogues ⎯ gratuitos ⎯, os autores, para poder ver seus textos publicados, estão recorrendo cada vez mais aos sites especializados, que disponibilizam serviços na área editorial mediante pagamento mensal. Alguns promovem concursos nos quais o escritor paga para se inscrever, com prêmios que incluem edições de livros (de 200 cópias, o escritor recebe 15). Qualquer dúvida, analise os fatos: o leitor não paga nada para acessar os textos; as editoras recebem do escritor e da publicidade para manterem suas atividades; e o escritor paga mensalmente uma conta em um site do ramo. Para mim, cliente é quem paga.

Continua preso o assassino John Lennon. Não, não o assassino de John Lennon; John Lennon mesmo. O bandido baiano John Lennon Santos Oliveira, que é acusado de matar um policial federal, disse em entrevista na TV: “Ele me ameaçou de morte primeiro. Ou era ele ou eu”. A história nos ensina. Dessa vez, ele foi mais rápido no gatilho.

E o Ciro Gomes perdeu a esportiva. Em conversa recente com jornalistas, em que se defendia da acusação de uso de passagens aéreas para favorecimento de familiares, o deputado usou termos como “filho da puta” e “caralho” para ilustrar seu descontentamento com a situação. Outros deputados também usaram termos de baixo calibre para se defender da mesma acusação: “Sou inocente!”; “Devolverei o dinheiro centavo por centavo!”. Estes, sim, verdadeiros insultos à nação.

“Não há crise, não há arranhão. A imagem do Supremo é a melhor possível”, garantiu o Ministro Gilmar Mendes, referindo ao bate-boca com Michel Temer. Muito boa, muito boa; agora conta aquela do ministro, que tem provas incontestáveis de sua inocência.

Só pra complementar: Miami é o destino preferido dos deputados. Levantamento feito pelo Congresso em Foco com base nos registros das companhias aéreas revela que a Câmara pagou 315 passagens para a cidade da Flórida, 172 para Paris e outras 148 com destino a Buenos Aires. Já imagino até a piada:

“O salva-vidas, que é brasileiro, ajuda um homem que está se afogando na praia. Quando consegue levar ele pra areia, o reconhece:

⎯ Você não é aquele político brasileiro, que pagou a passagem da família com verba pública?

⎯ Er… Bem, a história é complexa, depois eu te explico. Mas em recompensa por ter salvado a minha vida, você pode pedir o que quiser.

⎯ O que quiser?

⎯ O que quiser.

O cara chega juntinho do ouvido do político e diz:

⎯ Então, num conta pra ninguém que fui eu que te salvei, tá?”.

Pra fechar, uma nota rápida: médico no Rio Grande de Sul teve cassado o exercício profissional por implantar uma prótese peniana em jovem de 22 anos sem necessidade e precipitadamente. Alerta à classe médica: olha lá onde tu vais enfiar essa prótese, tchê!

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/04/2009 - 11:39

Passos no quintal

Quando fui colher os frutos, o quintal estava escuro.
E os caminhos em que tanto caminhei
Eram letras inconclusas
                             E tão distantes
Que nem hesitei em pedir licença.

Coloquei meus pés na areia que não via,
Me amiguei de pessoas que ainda desconheço.
E mesmo quando provava o sumo das bebidas caras
Eram ainda meus pés que caminhavam no escuro.

Guerreei com os mitos que se escondiam na noite
E enquanto todos guardavam seus segredos
                   Eu rabiscava planos confusos nas paredes.

Eram ruínas. Caíram.

E neste espaço reticente,
Em que contemplo outros quintais,
Teço a argamassa do destino
                   Misturando pés e esperança
Colhidos das estrelas.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/04/2009 - 12:38

Frases para a posteridade

(Uma síntese do que andei observando por aí esses dias.)

“Se a sociedade não se desenvolveu além do ponto em que a satisfação de um grupo de seus membros depende da supressão do outro, é compreensível que os suprimidos desenvolvam uma hostilidade intensa para com uma cultura cuja existência foi possibilitada pelo seu trabalho, mas de cuja riqueza participam em grau reduzido.”
Sigmund Freud; O futuro de uma ilusão, in Terry Eagleton, Teoria da Literatura.

“That`s my man.”
Barack Obama, jogando a pala pra cima do presidente Lula.

“O silêncio é um estado de espírito.”
Naná Vasconcelos, em programa da TVU.

“Quem é o mestre, Leroy?”
Shogun do Harlem, na Sessão da Tarde (filme O último dragão).

“Olha, vamos brincar de filhinho. Eu sou a mamãe e você é o filhinho. Agora, obedeça a sua mãe e leve ela para brincar no parquinho.”
Minha filha de 3 anos para mim, sinalizando problemas futuros.

“Uma pura leitura que não chame outra escritura é para mim algo de incompreensível. A leitura de Proust, Blanchot, de Kafka, de Artaud não me deu vontade de escrever a respeito desses autores (nem tampouco, acrescento, como eles), mas de escrever.”
Roland Barthes, em Da leitura.

“Estagiários também são filhos de Deus, embora Ele não reconheça a paternidade.”
Isa, minha amiga dos tempos da Escola Técnica.

“Dadinho o caralho. Meu nome agora é Zé Pequeno, porra!”
Dadinho (quer dizer, Zé Pequeno) no filme Cidade de Deus.

“Malthinho o caralho! Meu nome agora é Malthus Elementhus, porra!”
Eu parafraseando o grande Dadinho (”Zé Pequeno, porra!”), em momento de libação.

Nasci careca, banguela e nu. O que vier é lucro.
Velho ditado do interior do Ceará.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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