Tirinhas jornalísticas
Malthus de Queiroz – Da redação em Buenos Aires (juntin de Custódia)

Notícias do Centrão: fechou a banca de revistas que ficava junto ao Shopping Boa Vista, no centro do Recife. Virou uma lanchonete. Fiquei intrigado: sempre vi essa banca cheia de gente, todos lendo no seu interior. “Sim, os brasileiros lêem muito”, me confessou o ex-proprietário. “O problema é que nunca compram”.
Ainda no Centrão: o projeto urbano-automobilístico da Avenida Conde da Boa Vista tá uma beleza. Finalmente organizou o trânsito nessa tão sofrida parte da cidade: agora, ônibus engarrafam em uma faixa, carros na outra. Um brinco!
Observando o mercado editorial via internet, concluí que o escritor também é cliente. Faço-me entender: afora a opção dos blogues ⎯ gratuitos ⎯, os autores, para poder ver seus textos publicados, estão recorrendo cada vez mais aos sites especializados, que disponibilizam serviços na área editorial mediante pagamento mensal. Alguns promovem concursos nos quais o escritor paga para se inscrever, com prêmios que incluem edições de livros (de 200 cópias, o escritor recebe 15). Qualquer dúvida, analise os fatos: o leitor não paga nada para acessar os textos; as editoras recebem do escritor e da publicidade para manterem suas atividades; e o escritor paga mensalmente uma conta em um site do ramo. Para mim, cliente é quem paga.
Continua preso o assassino John Lennon. Não, não o assassino de John Lennon; John Lennon mesmo. O bandido baiano John Lennon Santos Oliveira, que é acusado de matar um policial federal, disse em entrevista na TV: “Ele me ameaçou de morte primeiro. Ou era ele ou eu”. A história nos ensina. Dessa vez, ele foi mais rápido no gatilho.
E o Ciro Gomes perdeu a esportiva. Em conversa recente com jornalistas, em que se defendia da acusação de uso de passagens aéreas para favorecimento de familiares, o deputado usou termos como “filho da puta” e “caralho” para ilustrar seu descontentamento com a situação. Outros deputados também usaram termos de baixo calibre para se defender da mesma acusação: “Sou inocente!”; “Devolverei o dinheiro centavo por centavo!”. Estes, sim, verdadeiros insultos à nação.
“Não há crise, não há arranhão. A imagem do Supremo é a melhor possível”, garantiu o Ministro Gilmar Mendes, referindo ao bate-boca com Michel Temer. Muito boa, muito boa; agora conta aquela do ministro, que tem provas incontestáveis de sua inocência.
Só pra complementar: Miami é o destino preferido dos deputados. Levantamento feito pelo Congresso em Foco com base nos registros das companhias aéreas revela que a Câmara pagou 315 passagens para a cidade da Flórida, 172 para Paris e outras 148 com destino a Buenos Aires. Já imagino até a piada:
“O salva-vidas, que é brasileiro, ajuda um homem que está se afogando na praia. Quando consegue levar ele pra areia, o reconhece:
⎯ Você não é aquele político brasileiro, que pagou a passagem da família com verba pública?
⎯ Er… Bem, a história é complexa, depois eu te explico. Mas em recompensa por ter salvado a minha vida, você pode pedir o que quiser.
⎯ O que quiser?
⎯ O que quiser.
O cara chega juntinho do ouvido do político e diz:
⎯ Então, num conta pra ninguém que fui eu que te salvei, tá?”.
Pra fechar, uma nota rápida: médico no Rio Grande de Sul teve cassado o exercício profissional por implantar uma prótese peniana em jovem de 22 anos sem necessidade e precipitadamente. Alerta à classe médica: olha lá onde tu vais enfiar essa prótese, tchê!
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
