Arquivo de fevereiro, 2009
26/02/2009 - 16:26

Folia, folie,
Quatro dias lá
est un jour ici.

Muito vale
um dia de mais valia
nesse vale.

“A lua dilui-se lentamente e um sol menino espreguiça os braços translúcidos… Frescos murmúrios de águas puras que se abandonam aos declives. Um par de asas dança na atmosfera rosada. Silêncio, meus amigos, o dia vai nascer.” (Clarice Lispector)

Eu indo buscar mais uma cerveja.

Brincando com a areia do tempo,
a princesa e o guerreiro desatentos.

O problema foram os paiparazzos, que não os deixaram em paz.

Nós, feitos de azul, mergulhados no azul.

Felicidade indisfarçável. Ou seria traquinagem à vista?

Seguindo o caminho da luz.

Bons hábitos.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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19/02/2009 - 11:46
Heber Costa lançou a ideia. Eu a abracei com unhas e dentes. Eis os resultados: contos infantis como você nunca imaginou.
Vermelho
1ª parte: Heber Costa – Chapeuzinho Noir (clique aqui)
2ª parte: Vermelho-noir

Quando abri a porta para receber a Chapeuzinho, já sabia o que iria acontecer. E devo até confessar que já esperava por isso. Quem faria uma visita a uma velha decrépita num dia desses, nublado como o inferno? Chegara a hora, não podia-se evitar. Eu ouvira coisas a seu respeito, e mesmo o nevoeiro que cai livremente sobre os mendigos e mandriões neste momento não consegue encobrir o desespero mudo do instinto que clama liberdade.
Quando comecei a cega viagem a isto, prenunciei meu próprio destino: a morte, que sempre me cercara, chegaria sorrateira, apenas para coroar o desfecho. E, quando a vi pela primeira vez, mesmo antes de saber que era minha neta, fruto perdido de falsas promessas de felicidade, tive certeza de que ela era especial. Logo de início, eu a adorei, talvez fantasiando já naquela época o que agora está prestes a se concretizar: ela tomaria meu lugar no mundo, seria minha continuidade, a neta e a avó atando, de forma indestrutível, os laços familiares que unem gerações distantes. Ainda me lembro daquela menina tímida e desprotegida brincando solitária no quarto, com sua batinha rosa-chá, perguntando pelo pai, que havia saído um dia para caçar e nunca mais voltara.
Agora vejo-a diante de mim, crescida, com seu capuz vermelho-vinho, um anjo ternamente diabólico. Não me incomoda a arma que traz escondida na cintura; o Jack Daniels que carrega nas mãos é o seu verdadeiro trunfo. Ela sabe exatamente a que veio. Seu cheiro de cigarro lembra a mãe nos últimos dias, mas seu olhar calmo, repleto de vida e de sede de vingança, reflete uma estranha insanidade, como uma pureza que se regozija na simples existência do pecado. Decerto ainda me culpa pelo que é, não percebe que cada destino esconde uma fatalidade. A arte de matar é propriedade de poucos, e ela será perfeita, como eu fui. Sei que já não teme as ruas escuras e desamparadas dessa cidade esquecida por Deus, Chinatown, e exatamente por isso sei que está pronta. Não vai parar por aqui.
Mas sinto o algoz que se esconde em seu rosto angelical fraquejar. Ela está parada a minha frente, percorrendo o labirinto das possibilidades. Tomo a iniciativa: “Venha cá, minha filha, estava com saudade.” O barulho que ouço após é breve, como o grito agonizante de um animal ferido. Não olho a mancha vermelha que se forma em meu pijama; acostumei-me com as feridas com que lobos e caçadores me marcaram durante toda a vida. Há muito escondi as flores no armário do banheiro, junto com nossa primeira foto juntas. No closet, ela encontrará o que procura.
Este é o seu caminho: a alvorada e o crepúsculo delimitando o espaço da noite. O meu fim é o seu começo, sangue do meu sangue.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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12/02/2009 - 17:27
Confira os últimos lançamentos para neonazistas antenados com as tendências da moda contemporânea.
Cera para depilação de nádegas White Power – Você, neonazista que está por dentro da moda, sabe que não existe diferença entre sua cabeça e sua bunda, principalmente quando o assunto é conteúdo. A cera para depilação de nádegas White Power confere maciez e delicadeza ao seu traseiro, além de deixá-lo brilhando e pronto para qualquer “desafio”.

Tanga com motivos de onça Ein Rustido – Quando for agredir covardemente uma mulher ou um homossexual, é preciso estar combinando com a ocasião. A tanga com motivos de onça da marca Ein Rustido é a melhor dica: atochada na bunda, ela deixa os movimentos leves e soltos, além de conferir charme selvagem ao neonazista agressor.

Kit maquiagem de rosto Palhaço Carequinha (nas cores preta, amarela e mestiça) – Assuma o palhaço que você, careca neonazista, é. Com esse kit de maquiagem, você poderá sair por aí pregando sua ideologia imbecil e ainda colocar a culpa de sua agressividade nos negros, nos amarelos ou nos mestiços.
Bigodinhos de piaçava Hitler – Para o neonazista antenado e supermoderno. Os bigodinhos de piaçava Hitler conferem macheza e charme ao careca, mesmo nos momentos de pití, quando for agredir uma mulher, um negro ou um homossexual. Simplesmente um luuuxo!

Coturnos skinheads Manolo Bilahnik – O careca neonazista moderno gosta de sentir por cima, acreditando ser descendente de uma raça superior e pura. Os coturnos skinheads do estilista espanhol Manolo Bilahnik ajudarão a manter essa superioridade e contribuirão para que um andar supercharmoso, cheio do bolado.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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03/02/2009 - 12:09
Caros e pacientes leitores do Diário das Marés, é com imenso prazer que convido a todos vocês para o lançamento dos livros Um Dia em Olinda e Um Dia no Recife, da AERPA Editora, guias culturais dedicados a essas duas cidades admiráveis. As obras, dos autores Plínio Santos-Filho e Francisco Carneiro da Cunha, contam comigo na redação final, o que é motivo de muito orgulho para mim.
O coquetel de lançamento e a noite de autógrafos serão no dia 10 de fevereiro (próxima terça-feira), às 19 h, na Livraria Cultura, Paço Alfândega. Conto com a presença de todos.

Olinda é uma bela cidade histórica debruçada sobre o Oceano Atlântico. Considerada um dos berços da nação brasileira, foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1982.
É dotada de grande riqueza natural e tem relevo bastante acidentado, o que contribui muito para o embelezamento de sua paisagem construída; a flora local é diversificada e conta com espécies nativas e outras trazidas principalmente da Europa e da África. O clima é tropical, na maior parte do tempo com sol.
Seu principal ponto turístico é a Cidade Alta, um dos locais onde se iniciou a colonização brasileira e onde se concentram os principais monumentos. Foi no alto da colina onde hoje está a Sé que, segundo a lenda, nasceu o nome da cidade: um criado de Duarte Coelho, primeiro donatário da Capitania de Pernambuco, teria dito “Oh! Linda situação para uma vila”.

Originado de um pequeno povoado de pescadores, marinheiros e mercadores, o Recife tem profunda ligação com o mar, simbolizada por seu porto natural de arrecifes ― de onde surgiu o nome da cidade ― e pela famosa praia de Boa Viagem, considerada uma das mais aprazíveis praias urbanas do Brasil. O clima tropical, na maior parte do tempo com sol, favorece as caminhadas no calçadão e os banhos de mar. Os rios Capibaribe e Beberibe, cortando a cidade, dão-lhe certo charme veneziano.
O Recife é marcado pela pluralidade. Sua identidade cultural multifacetada abre espaço para variadas manifestações artísticas, que permeiam música, literatura, teatro, cinema, dança e arquitetura. A boa estrutura para eventos possibilita a realização de grandes festivais, segmento importante do calendário cultural da cidade. Seu patrimônio histórico reminiscente, narrando constante e gratuitamente o passado glorioso e de lutas, se insere no ambiente contemporâneo como uma importante atração.
Mergulhado no azul do céu e no verde do mar, o Recife é fonte de inspiração para artistas diversos. Descobri-lo e redescobri-lo é sempre um grande prazer.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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