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Arquivo de janeiro, 2009

27/01/2009 - 12:38

Identidade

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/01/2009 - 15:30

Tirinhas jornalísticas


Malthus de Queiroz – Da redação em Uóxitu

Terça-feira, 20 de janeiro de 2009: o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos, Barack Hussein Obama Jr., é empossado em Washington (onde, aliás, eu deveria estar, se o dinheiro não tivesse acabado em Mossoró, RN). Cercado de simbolismos e mexendo com as expectativas de todos, ninguém pode dizer ainda com certeza quem é este homem, que congrega em si opostos aparentemente inconciliáveis: negro em um país tido como racista, muçulmano em terra de judeus, origem pobre em uma nação de estrelas.

Lágrimas esperançosas, mensagens de fé inabalável no futuro, comoção mundial: em meio à superexcitação com a posse de Obama, ninguém reparou no Bush saindo pelos fundos, cantarolando uma música do Chico Buarque: “Eu bato o portão sem fazer alarde, eu levo a carteira de identidade, uma saideira, muita saudade e a leve impressão de que já vou tarde”.

Dizem que o Bush saiu cabisbaixo porque, no fundo, como diz o dito popular, “todo mundo sabe onde o sapato acerta”.

Barack está puto da vida. Circulam por aí boatos sobre sua semelhança com certo presidente sul-americano, de popularidade alta, de família humilde e representante de classe social escanteiada. Depois de ter sido comparado a John Kennedy e Hércules durante a campanha, Barack já começa a se preocupar com sua imagem, que vai ladeira abaixo a olhos vistos.

Aliás, trocadilho infame suscita dessa época: filho de queniano e pareia do herói grego, quem mais poderia ter vencido a “corrida eleitoral” a não ser ele?

Os recém-nascidos e os em vias de nascer temem as homenagens. É que, da semelhança entre os dois líderes aliada ao bom gosto da população por nomes, podem resultar verdadeiras “ogruras” do destino:

― Que nenê lindinho. Qual o nome?
― Balula Hussilva (ou então Lulack Obula). E por aí vai.

Um pouco mais abaixo do mapa, aumenta a expectativa: os americanos do quintal estão divididos entre a esperança de que as ações estadunidenses daqui por diante levem em consideração a existência de outros povos (nesse caso estes ficariam em seus países) e a imagem do sonho americano, atravessando a Rota 66 numa Harley Davidson até chegar à Califórnia, onde arranjariam um emprego de entregador de pizza para sustentar o pai engenheiro que ficou no quintal (algumas empresas já estão de olho na montagem de pacotes especiais para esse tour: a Rota 66 seria estendida e passaria também pelo México e por Cuba, via mar).

“Obama é uma fraude”, dizem as más línguas. “Ele não poderá mudar o mundo sozinho.” Fica a pergunta: então, por que não mudamos também? Já conversei com alguns barqueiros de Cuba e fiz contato com taxistas do México.

Alguém tem que avisar ao Shimon Peres, presidente de Israel, que quem foi eleito foi o Obama, e não o Osama.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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