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Arquivo de outubro, 2008

24/10/2008 - 14:00

van_grogh_light_my_fire.wma

Cover do The Doors by Van Grogh
Duração: 03:31
van_grogh_light_my_fire.wma

Autor: Malthus - Categoria(s): Podcast Tags:
24/10/2008 - 13:53

Light My Fire

Versão: Van Grogh (clique no link aí do lado)

Violão e voz: Fábio Gatt
Guitarra e voz: Théo Costa
Baixo: Malthus Elementus
Bateria: André Agui

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/10/2008 - 14:07

Pequeno mundo em close

…ou Cismei que sou fotógrafo.


Recostado na balaustrada da ponte Maurício de Nassau, a primeira do Brasil, o poeta Joaquim Cardozo observa tranqüilo o Capibaribe seguir seu curso.


“São seres anfíbios ― habitantes da terra e da água, meio homens e meio bichos. Alimentados na infância com caldo de caranguejo ― este leite de lama ―, se faziam irmãos de leite dos caranguejos.”
CASTRO, Josué de. A DESCOBERTA DA FOME. In Homens e Caranguejos. Lisboa, 1966.


Estátua do poeta paraibano Augusto dos Anjos, único em sua expressão poética. A estátua se encontra na Praça da República, ao pé da Ponte Buarque de Macedo, eternizada no poema As Cismas do Destino:

Recife, Ponte Buarque de Macedo.
Eu, indo em direção à casa do Agra,
Assombrado com a minha sombra magra,
Pensava no Destino, e tinha medo!


Palácio da Justiça, com sua arquitetura eclética (kitsch para os íntimos).


Conjunto de arcos em pedra no claustro do Convento Franciscano de Santo Antônio, na Rua do Imperador.


símbolo imagem signo altura amor vertigem semelhança respeito ignorância medo trago no peito


Base dos arcos do Convento de Santo Antônio, feita em pedra de arrecifes.


Composição: abstrato.


Está provado: estreito é o caminho para o céu.


“Até onde conseguimos discernir, o único propósito da existência humana é acender uma luz na escuridão da mera existência.” Carl Gustav Jung


Eu e eu mesmo, vistos por mim e por ele.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
09/10/2008 - 11:12

Diário das Marés

(Trecho do conto que deu origem ao blogue.)

II

O homem é uma busca, um devir, um desejo sequioso de futuro. Percebi isso quando acordei hoje e vi o céu aberto, as casas da rua refletindo uma luz singela e preguiçosa de manhã de domingo. Nesse instante, pressenti que, em algum lugar do tempo, eu tinha um futuro, e desejava estranhamente encontrá-lo.

Tenho a impressão de que o homem sempre busca algo nas manhãs de domingo. E, seja lá o que for, acredito que a busca começa sempre aos domingos pela manhã. Não o ato, é certo, mas ao menos os planos; todos eles parecem começar nesse dia, que, paradoxalmente, foi concedido à Deus — e por Ele mesmo, vale a pena salientar — para o descanso.

Fico às vezes imaginando Deus fazendo os planos da existência numa manhã de domingo qualquer, sentado no sofá, assistindo à imensa tela azul do universo, fatalmente entediado desse infinito vácuo improfícuo de movimentos monocíclicos, os planetas ainda todos juntos, uma grande massa de modelar em Suas mãos. Se, pelo menos, Ele fosse grego, seria politeísta e teria com quem conversar. Mas, se realmente for verdade o que dizem, que Ele é brasileiro, aí a coisa se complica. Primeiro porque só haveria planos — afinal, qual brasileiro perderia seu tempo numa manhã ensolarada de domingo criando o mundo? São muitas espécies, variados a composição dos elementos, o clima, o relevo, a máquina humana. Com toda certeza, teria deixado, como realmente o fez, para segunda-feira. Aquela dieta que Ele pudesse estar achando necessário, aquele corte de cabelo new wave, tudo ficaria para segunda. E com isso me conforto em saber que passarei o domingo pensando neste meu plano novo, mas não moverei uma palha para começá-lo. Afinal, se até o nosso bom Deus deixou para segunda o começo do mundo…

Segundas-feiras são dias perfeitos para recomeçar. E, já que hoje é domingo, estou pensando em começar amanhã a escrever meu livro. Ainda não sei qual vai ser a história, se é que vai ter alguma. Amanhã eu decido.

Talvez eu faça um livro de auto-ajuda, não sei. Estou precisando auto-ajudar-me. Há um grande universo ao meu redor e é preciso fecundá-lo com o sêmen da jocosidade, alimentando-o com a comicidade intrínseca que há nas coisas. O grotesco está sempre lá, cabe a nós observá-lo.

Falarei com o Augusto, que é um grande ignóbil, mas ainda posso dizer que é meu amigo. Quem sabe ele me auto-ajuda também. Afinal, não é de hoje que eu o conheço, companheiro errante de tempos passados, nas peregrinações pelos botecos do Recife, raparigueiro até o sexto dedo do pé, daqueles de dar cantada em foto de mulher pelada nas bancas da Conselheiro Aguiar, atualmente funcionário de uma editora especializada em livros esotéricos, quase um mago.

Mas hoje não. Hoje é domingo, e eu vou dar uma volta por aí para ver se sou reconhecido como um grande futuro escritor.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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