Arquivo de julho, 2008
31/07/2008 - 15:11
Este é o fato: minha ex-professora de prática de ensino de língua portuguesa não gosta de gerúndio. E logo do gerúndio, coitado, tão criticado pelo uso indevido e abusivo por profissionais da comunicação.
Lembro-me de algumas discussões em sala a respeito do tema: sempre tinha alguém para defender ou condenar o meliante. Comecei a reparar que havia certo orgulho em desaprovar o uso do gerúndio, mais ou menos como um pacto ideológico de afirmação de intelectualidade, quase uma cartilha: usar gerúndio é sinônimo de inépcia lingüística. O principal argumento, ainda hoje álibi para os mais exaltados defensores da sua extirpação da língua portuguesa, é que tal desvio é uma invenção brasileira, não existe na expressão lusitana, naturalmente mais culta.
Duas coisas devem ser ditas sobre o famigerado fenômeno de linguagem: primeiro, o gerúndio é realmente “patrimônio” da língua brasileira, o português do Brasil, e não se pode se esquivar disso. Caso contrário, não estaríamos agora falando do assunto, e sim a falar do assunto. Estranho, não? A segunda coisa a ser dita é que há um espaço (considerável) entre o uso e o abuso do gerúndio ― este, condenável.
Gramaticalmente, a construção “vou estar + gerúndio” é correta desde que se refira a ações que acontecerão concomitantemente. “Vou estar dormindo ao acabar de ler este post” é um bom exemplo do uso correto do gerúndio.
No mais, uma curiosidade: o uso repetitivo do gerúndio é denominado endorréia (parente próximo da diarréia). Alguém arrisca uma piadinha?
Mais informações:
Revista Língua Portuguesa
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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24/07/2008 - 16:30
Foto: Malthus de Queiroz
Esta pedra, que não é só pedra,
Guarda consigo os segredos do tempo.
Em sua face indiferente, o Sol nasceu e desistiu inúmeras vezes,
Mais vezes até do que vidas.
Recostada ao firmamento, esta pedra devora-me os espaços
Com seus olhos de sino,
Adivinhando em mim os pecados de outrora
os que já esqueci e os que me aguardam na outra esquina.
Daqui de baixo, onde o amor se abraça ao medo,
Parece-me ver o próprio Deus me olhando,
Atento e imóvel como as rochas
Que a todos contêm.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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17/07/2008 - 15:42
Dicas de livros para você alcançar a tão sonhada evolução espiritual aliada à melhoria financeira.
Capas: Bruno Souza Leão
http://flickr.com/photos/kylesatori/
A Monga e o Executivo – J. MC Hunter (Sex Anta Editora) – Ótimo livro de auto-ajuda. Conta a emocionante história de Monga, uma empresária de circo americana que, ao passar por uma crise de neuvo, procura paz e sabedoria em um mosteiro beneditino. Lá ela aprende que, para alcançar o sucesso, é preciso calma, Monga, calma.
Saí da Microsoft para abrir uma lan house no Nepal – John Woodface (Editora Vhaga Buhnd) – Muitas vezes, as pessoas se perguntam qual o sentido da vida, qual a chave do verdadeiro sucesso pessoal, qual a utilidade da riqueza. Este livro não responde porra nenhuma disso, mas dá uma boa idéia do que não fazer para alcançar a realização profissional.
Quem mecheu no meu feixe de capim? – Carla Perez (Belus Glútios Editora) – Neste livro, o totem da intelectualidade brasileira Carla Perez discerne sobre a essência da liderança. Com uma fórmula simples pouco cérebro e muita bunda , a autora ensina como manter as pessoas atentas às suas idéias.
Quem Ama É Duca – Eçamia Toba (Editora Fujiro Nakombi) – Em tempos de violência, é importante um livro que exalte o amor e a paz. A obra nos traz uma bonita mensagem de que quem ama é duca, e quem não ama é uma filho da p.
Manual do Guerreiro da Luz – Pau no Coelho (Roucco Editora) – O livro ensina como adquirir elevação espiritual meditando na fila de reclamação da Celpe. Trabalhando os conceitos de paciência e tempo perdido, o livro nos mostra que o guichê de uma empresa mau-caráter pode ser um altar de elevação da alma.
Casais Inteligentes Enriquecem Antes – Gustavo Ceboso (Maltrimônio Editora) – Esse livro singular demonstra que, não importa o quanto você ganhe, seu parceiro sempre gastará mais. Detalhe: o pouco que você conseguir juntar será dividido pela metade após a separação.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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11/07/2008 - 13:53
Pensava em nada, o homem em frente à loja, como se houvesse um pouco de acaso em cada plano seu. Olhava sem interesse a notícia estampada no jornal da banca a sua frente, duas prisões e alguns tiros da polícia, uma foto do Celso Pitta. Talvez seu coração corresse vagabundo pelas velhas ruas da Boa Vista, pela paisagem gasta do Cais, encontrando um fio de esperança despencando colorido da logomarca que lhe cobria o peito.
Cantarolava baixinho alguns versos esquecidos, as mãos dispostas para trás, expressando assim o amor e a repulsa que sente por essas pessoas apressadas, uma deselegante correria que sempre o conduzia a horas de vazio. Às vezes recorria ao silêncio, mas apenas para desfrutar odiando a imensa solidão de seu quarto na Maciel Pinheiro, vizinhos brigando como buzinas e palavras se confrontando a plenos pulmões.
Nessas horas, via o Recife adormecer como uma poesia que não entendesse, pintura para sábios. Por isso compartilha segredos com o prédio da frente, cúmplice e testemunha de seu destino, enquanto possui bares, mulheres e cocaína em sonhos rápidos e delirantes, que lhe vêm à cabeça quando ainda está de olhos abertos, uma vertigem de si mesmo.
O futuro lhe chega em avalanches de novidades, que absolutamente escapam a suas mãos por não se enquadrar ali, naquele espaço mínimo em frente à loja, onde costuma ver a vida se acumular nas prateleiras das Lojas Cattan, um sucesso. Ainda consegue rezar um padre-nosso meio contrito, que traz consigo do catecismo, antes de beber o rum com coca do domingo, “como era mesmo o nome daquele menino assassinado pela polícia?”, pensa distraidamente enquanto vai atender o cliente que o espera já com certa impaciência.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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03/07/2008 - 13:20
Expobirita 2008
Esteve presente na 32ª Expobirita 2008, no Pina de Copacabana (que, aliás, não fica nem no Pina nem em Copacabana), a nata da intelectualidade recifense. O evento faz parte do Encontro Internacional de Filosofias Inúteis e do Tipo – Einfiointi, realizado pelo Centro de Análises Midiáticas – Centanamia, que visa atualizar a discussão sobre os aspectos alheios do relacionamento social contemporâneo (botar a fofoca em dia).
Antes do coquetel molotof ser servido, numa elegantíssima demonstração de fineza, foram consumidas doses cavalares de vinho Carreteiro em copos de geléia, o que aumentou ainda mais o “brilho” do evento, se é que você me entende.
Veja as fotos:

Malthus Elementus, aniversariante da noite, discursando para uma platéia atenta.

Heber, brigado com a Prestobarba, e Juliana: presença marcante na noite recifense.

Também prestigiaram o evento as tops Juliana Bündchen, Katarina Hickmann, Catarina Bacchi e Rosana Campbell.

No terraço do Pina, quase embaixo da bunda da estátua de Chico Science, Petite Paula (primeira da esquerda para a direita) e amigos se divertem.

Malthus Elementus, se esforçando para manter o equilíbrio de sua enorme cabeça, e Catarina Bacchi: clima de romance.

Presença ilustre dos famosos Gêmeos.

Kat com K e César, momentos antes de desaparecerem na moita do cara que estava sentado atrás deles.

Malthus Elementus e o Monstro, também conhecido por André: o papo tava uma merda, mas a cerveja estava ótima.

Banda Van Grogh no backstage, enquanto esperava os Rolling Stones desocuparem o palco para começarem seu show. Da esquerda para a direita: Fábio Mourão, Théo Ubaldo, Malthus Queiroga e André Aguillera.
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Antonio e sua amada Rosana, tentando disfarçar a embriaguez.

O Presidente Evo Wlad Morales cumprimenta o aniversariante com todo o gás (esse foi um genuíno tracadalho do carilho!).

Rosana tentando esconder o rosto para não ser vista perto dos meliantes Weydson (filho de Wey), Elementus e Fábio Mourão, pego desprevenido pela foto.

O artista plástico Tonhonhoin dançando axé music e constrangendo Evo e o Monstro.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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