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Arquivo de junho, 2008

27/06/2008 - 11:10

A doce sinceridade das crianças

Casa cheia, família reunida, vinho na mesa, comida farta. Vovó exibe orgulhosa seus dotes culinários, comprovando o sucesso de sua comida no mastigar infatigável de todos ali presentes.

Os netinhos brincam no meio da sala, ao lado da mesa. Isabella, 2 anos, a mais nova de todas, é a atração.

— Bella, qual a cor do chão?

— É branco.

— Olha, mamãe, como ela é inteligente. E a cor do sofá?

— Marrom.

— E a cor da parede?

— Suja.

Risadas gerais. O pai, desconcertado:

— Onde você ouviu isso, Bee Lee?

— Foi a mamãe que falou.

Todos:

— A mamãe?!

— Foi. Ela disse não encoste nas paredes das ruas que são sujas.

“Ah, tá.”

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
19/06/2008 - 10:39

Costume

Me acostumei com as luzes da cidade.
Com os nomes dos letreiros, dos outdoors
se incorporando sorrateiramente ao meu léxico urbano despatriado.

Já não leio os palavrões pichados nos muros,
e o desespero das ambulâncias deflorando engarrafamentos
      não chama mais minha atenção.

Me acostumei com essa poltrona confortável
      na qual reclino meus pés para esperar o depois
          — o agora está retido no trânsito infernal.

Também me acostumei à paixão benevolente dos supermercados
que aumentam o pão para poder dar um desconto na galinha.

E, de tanto me acostumar, habituei-me com este nome
com o qual o mundo vulgarmente reduz os meus contrários.

Mas quero que saibam: este nome
é como alguém que está dormindo. Só persiste porque sonha.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/06/2008 - 13:41

Caderno esportivo

DÁ-LHE, LEÃO

Em jogo disputado, o Sport venceu ontem o Corinthians por 2 x 0 na Ilha do Retiro e conquistou a Copa do Brasil 2008.

No início da partida, a tensão era evidente no estádio: de um lado, a torcida do Sport, ressabiada com arbitragens tendenciosas; do outro, a do Corinthians, temerosa de que o juiz fosse honesto. Aos 10 minutos saiu o primeiro lance de ataque: foi do Corinthians. Cruzamento da direita, e o atacante Herrera, que erraria outras vezes durante o jogo, erra a bola.

Pouco depois, o Sport responde. Cruzamento também da direita, o pequenino Carlinhos Bala cabeceia. A bola, porém, é amortecida pelo seu cabelo e chega mansa na mão do goleiro Felipe.

O jogo segue morno. Corinthians na retranca, o leão tocando a bola, porém sem objetividade. Mas aos 34 do primeiro tempo, o lance que mudaria o jogo: Daniel Paulista desarma contra-ataque corinthiano, toca para Luciano Henrique. Este lança Carlinhos Bala, que mata a bola na boca do estômago — e quase é morto por ela. Fica puto e, com raiva, Bala dispara e mata o goleirão Felipe (essa foi podre!). Era o primeiro gol do time rubro-negro. Agora, faltava fazer mais um e não levar para ser campeão.

A pressão do time leonino aumenta. Quatro minutos depois, na cobrança de um escanteio pela esquerda, o zagueiro do timão, de forma bisonha, cabeceia com o ombro (se é que isso é possível). De maneira mais bisonha ainda, Luciano Henrique acerta uma cafofa da entrada da área. Enílton, o filho de Gandhi, atrapalha o goleiro Felipe — não se sabe se ele tentou cabecear a bola ou espantar uma mosca que pousou em sua careca. E o arqueiro corinthiano, dando la bisognade finale, tenta salvar o gol com um passo do Lago dos Cisnes. Era o segundo gol do Sport, que garantiria o título para o time pernambucano. O lance também serviu para matar saudades dos quadros dos Trapalhões.

Vem o segundo tempo. A torcida do Corinthians, entalada com as duas bolas do Leão, tentava regurgitar algum grito de incentivo para o seu time. E a do Sport, com duas bolas já dentro, tentava empurrar ainda mais o escrete rubro-negro.

Numa tentativa de mudar a política do jogo, o técnico Mano Menezes coloca Lulinha em campo. O jogador, porém, da mesma forma que o presidente homônimo, não faz nada. O técnico ainda coloca Acosta (que, aliás, deveria se chamar Aventa). Apesar das previsões dos meteorologistas, não chove na hora do jogo, mas que venta, venta, vu?

Desse momento em diante, todas as atenções se voltam para o ataque corinthiano, que tem como principal referência Aventa do Acosta. Este, logo na sua primeira jogada, aproveitando-se de sua aerodinâmica nasal privilegiada, ganha na velocidade do zagueiro leonino. O bandeirinha, porém, marca impedimento: seu nariz estava à frente da linha da zaga. Em outro lance, Herrera recebe em velocidade, dribla o zagueiro e, numa elegante demonstração da perronhice argentina, chuta para fora.

O Sport explora os contra-ataques, levando perigo à defesa do time paulista. Este, apelando para os poderes místicos, coloca Saci em campo (o jogador estava desempregado desde que o Sítio do Pica-pau Amarelo saiu do ar, na década de 1980). Três minutos depois, Saci confunde Carlinhos Bala com Tio Barnabé e pisa na sua perna. É expulso.

Os dez minutos finais são dramáticos. Com quase todo o oxigênio roubado por Acosta, jogadores e torcida demonstram cansaço. Mas ainda há fôlego para, nos acréscimos, o timão levar perigo à meta do Sport. O atacante Avent… digo, Acosta recebe livre, de frente para o gol, tenta driblar Magrão, se desequilibra com o peso de seu nariz e cai na área. A torcida e os jogadores pedem pênalti. O juiz manda seguir.

Daí para frente, era só esperar o título. Willian, quarto-zagueiro-boxeador do timão, ainda consegue ser expulso.

Quando o juiz apitou o fim do jogo, a Ilha do Retiro explodiu no grito de “É campeão”. O Sport Club do Recife conquistou seu primeiro título da Copa do Brasil e se classificou para a Libertadores da América. Dá-lhe, Leão!!!

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/06/2008 - 12:42

E-mails fofinhos = respostas ultrajantes

Pelo bem da amizade, o fim das correntes.
(Em parceria com Fábrica de Idéias.)

E-mail fofinho

Resposta ultrajante

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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