24/04/2008 - 16:10
Música: Malthus de Queiroz
Letra: Théo Costa
(Para ouvi-la, é só clicar no link aí do lado, na seção Meus áudios.)
Intro: Am C F
Am C F
Quando eu entrei nas linhas do teu corpo
Am C F
Eu caminhei na cidade dos teus olhos
G F
Não resisti ao vício
G F
Um velho precipício
Am C F
Quando eu achei as palavras nos teus lábios
Am C F
Por um momento esqueci qual o meu nome
G F
Não resisti aos discos
G F
O mesmo labirinto
Refrão
D Em F G
Mas você: “Não sei, talvez. Vou pensar.
D Em F G Am C F
Pode ser, não sei. Não era pra se entregar”.
Am C F
Eu me perdi na janela do teu quarto
Am C F
Do quarto andar posso ouvir o teu silêncio
G F
Não resisti a tudo
G F
Pensei em suicídio
Repete refrão
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
17/04/2008 - 14:11
Desta rua, quando tempo não havia ainda,
Eu queria alcançar o outro lado.
Mas a rua era uma ponte infinda,
E o dia acabava sempre inacabado.
Não sei se o que me era desejado
Era mesmo aquilo que eu queria.
Se ambicionava propriamente o outro lado
Ou queria mais a travessia.
Quando, enfim, cheguei ao outro lado,
Vi que outro lado não havia.
Que o lado de lá fora apagado
Enquanto o de cá se destruíra.
E entre um lado mudo e um olvidado
Vão meus passos como se fossem passo alheio
Por esta rua de abril imaginado
Onde o silêncio é vasto, e o horizonte, meio.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
09/04/2008 - 10:04
“Escuta, vou ter que falar porque não sei o que fazer de ter vivido.”
LISPECTOR, Clarice. A paixão segundo G.H. Rio de Janeiro; Rocco, 1998. p. 9.
Perguntaram-me, certa vez, por que eu escrevia. Tento uma resposta evasiva: por vários motivos. O principal deles, eu acho, é dar algum sentido a “essas coisas”. Ou simplesmente porque, como a personagem G.H., não sei bem o que fazer com o que vivi.
Não sei o que fazer, por exemplo, com a lembrança desse sorriso que persiste ali, naquele canto, onde outrora havia seixos e hoje só resta uma escada eu, a alegria da casa, habitando corredores tecidos por tijolo e palavra. Nem consigo encontrar um lugar seguro para esconder esse vazio, desvão que me leva sempre ao autodesmerecimento. E realmente não sei de que me serve esse espelho sugestivamente posto entre a sala e a estrada, se na saída eu sempre me questiono se versos são obra do fraquejo ou prova de coragem.
Diante desse todo incomensurável que é o mundo, cada dia mais veloz e astuto, as lembranças me parecem inúteis, não têm valor de troca. São apenas experiências individuais. O que as torna interessantes presunção minha é a estrutura narrativa, ou a experiência falseada. A forma como se vive talvez signifique mais que a própria vida. Assim, escrever, no fim das contas, torna-se tão banal quanto viver, já que a vida, como uma narrativa, é só um fio que une as mais simples alegrias em um labirinto de pedras coloridas. Narrar e viver é reconstruir, dia a dia, esse mosaico parietal. E não me assusta a possibilidade de me perder nesse pedaço de chão que me coube aos pés: a perdição é um caminho.
O texto é talvez a maior prova de perdição. Quando escrevo, estou tentando retornar a algum lugar para trazê-lo de volta ao presente, mesmo sabendo das limitações da existência. Sei que não posso reviver o sabor das paixões eternas que não duraram seis meses, ou a vontade de cometer um ato de loucura contra si próprio que se esvaiu com um simples sorriso da pessoa amada, ou ainda aquela noite findada na sarjeta; só posso contar isso. Eis a grande revelação: o texto é esse organismo vivo que fala mentiras usando a insípida realidade dos fatos, guardados na memória como substância sem forma esperando um signo que os façam emergir. Sem memória, não há narrativa. E quando for imperativo narrar, permito-me a criação de uma lembrança qualquer.
Por isso, em um texto, há uma equação irresoluta: alguém viveu no passado, e agora outro alguém o narrador diz sobre isso, ambos modulados em uma mesma pessoa e reformulados a cada dia. Dessa forma, comunicar uma experiência traz necessariamente em si a marca da alteridade. A linguagem literária, com que tento recobrir minha experiência narrada, é tão-só a marca desse outro eu esse que bebe minha sede sem me saciar, que entra em minha sala sem pedir licença, que ama a minha mulher sem no entanto me trair. E que me desvenda a cada nova olhada nesse imenso espelho partido que é a memória.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
Tags:
03/04/2008 - 13:25
Afinal, um homem sério é apenas um homem sério.
Efeito Babuíno (3015) – Horto Dois Irmãos Produções – Armando é um jovem que entra em uma ciberuniversidade para graduar-se em Letras Futurológicas, quando, ao estudar psicologia da literatura holográfica aplicada na automatização da criação artística, descobre que ele não é ele e que o verdadeiro ele está vagando em uma dimensão quântica baseada na conjuminância cartesiana do espaço-tempo endocraniano. Ao ingerir o cachorro quente especial que é vendido por R$ 10 na porta da universidade, ele consegue acessar essa dimensão, podendo “viajar” na matrix ptolomáica autozigótica sideral. Enfim, o enredo é tão complexo que você se sentirá um símio diante de um romance de Dostoiévski. Obs.: Não assista esse filme comendo pipoca, pois é proibido alimentar os animais.
Meu nome não é Clonny (2008) – Beira Mar Filmes – Emocionante história de Clonny, uma ovelhinha de laboratório que é clonada num laboratório clandestino nos morros do Rio. Confundida com Fommy, a ovelha fruto da clonagem, Clonny tenta provar a todos que não é uma aberração da natureza, e sim fruto dessa classe média capitalista que baseia seus valores na futilidade do consumo. Não conseguindo convencer ninguém disso, Clonny acaba se viciando em cocaína, partindo para o tráfico pouco tempo depois. Após ser presa e passar por uma clínica de reabilitação, Clonny consegue se firmar na vida como produtora musical (ou seja, continua viciada).
A lâmpada e a baleia (2008) – Lógica Away Produções – Esse é um filme de arte, e isso basta para descrevê-lo. Não se passa em lugar nenhum, não há relação nenhuma entre os personagens, e o mais intrigante: a história há alguma? termina na metade, antes de qualquer conclusão sobre o assunto. Tenta questionar o nada através de coisa alguma, erigindo uma mensagem niilista pós-contemporânea. Destaque para o diálogo do surdo-mudo com o cego, passagem de maior emoção no filme.
O caçador de picas (2008) – Pelotas Produções Cinematográficas – Kayde Kaneco é um garoto lépido e fagueiro que mora no Afeganistão, quando o lugar ainda não era dominado pelo fundamentalismo islâmico. Vivendo uma infância feliz ao lado de seus amiguinhos Byba e Al Ruela, com os quais gostava de esconder a peia e jogar buraco, Kaneco se muda na adolescência para os Estados Unidos, deixando “atrás” todos os seus amigos. Anus depois, ele descobre que seu melhor amigo teve um filho. Decide, então, voltar ao Afeganistão para “fechar” com a cara dele. O problema é que muito tempo se passou, e a única forma de conhecer o amigo é através da pinta que ele mostrou um dia a Kaneco. Começa, então, a caçada que dá título ao filme.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
Tags: