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Arquivo de março, 2007

28/03/2007 - 10:56

Conversa de botequim

Possíveis piadas sobre a visita de Bush ao Brasil para discutir um acordo sobre o álcool brasileiro.

Num bar qualquer da Zona Norte:

— Passe essa garrafa pra cá, Lula.
— Mas você não tinha parado de beber, Bu…(arout)… Bush.
— Não me contrarie, man. Eu sou o cara mais importante do mundo. Eu vim pra discutir (ic) sobre o álcool brasileiro e não vou embora sem uma opinião concreta.
— Tá bom. Mas vê se não leva tudo pra lá, ok?

(…)

— Aí o Bush chegou e disse: “Lula, é verdade que os brasileiras adoram Pau do Índio*? huahuahua”.

— É verdade. Mas pra você, eu reservei uma especial: hoje, você vai tomar Nabunda* (riso disfarçado para evitar guerra).

* Nome de cachaças brasileiras.

(…)

Nos outdoors:

“Cachaça Nabunda: até o Bush tomou.”

(…)

Na imprensa:

Bush toma Nabunda
Presidente americano experimenta cachaça brasileira.

Briga de bêbo
Bush e Lula discutem sobre o álcool brasileiro.

Bush tem recaída e busca álcool
Depois de anos recusando qualquer forma de combustível alternativo, o presidente americano George Whisky Bush desembarca no Brasil para negociar o álcool brasileiro.

Imagem de Lula prejudicada pelo álcool
A posição de Lula na negociação com Bush sobre o álcool brasileiro abalou sua imagem, criticada pela imprensa como nem de esquerda nem de direita.

(…)

Na Literatura de Cordel:

O presidente americano
Escanchado num avião
Desce cambaleano
Prucurando diversão
Preguntando pelo áico
Com a cara toda sisuda
E todo prosaico.
E Lula, de cara barbuda,
Mestre da prosa apologética,
Fala da bolsa e da ética
E do áico verdadeiro
E que ele não se desiluda.
Em nome de todo o povo brasileiro:
“O melhor é o senhor tomar Nabunda.”

(…)

No blog:
Após a publicação deste post, li num site que o governo americano anunciou medidas extremas para conter mensagens agressivas ao seu presidente, feitas no Brasil: dois dias depois, Buenos Aires era bombardeada.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/03/2007 - 10:08

Quem tem saudade do Lobo Mau?

Essa semana, o Diario de Pernambuco publicou uma interessante matéria sobre os monstros da infância contemporânea. E, pasmem, as crianças não têm mais medo do lobo mau.

A matéria constatou que o imaginário infantil não é mais habitado por seres esquisitos, gosmentos e horríveis, papa-figo ou bicho-papão: o grande medo das crianças agora são os bandidos. Assaltantes e seqüestradores em especial.

Intimidadas pela ferocidade cotidiana e bombardeadas pela mídia, que vende a violência a preço de banana, não é de se estranhar que nossas crianças andem tão assustadas. E não são apenas elas, não: a cada dia que passa, é mais temeroso aos pais deixarem os filhos saírem de casa sozinhos ou com amigos da mesma faixa etária, seja à noite ou até mesmo de dia.

O que talvez mais preocupe os psicólogos é que, antes mesmo de vencido o medo dos “monstros”, começa o medo do desemprego, da política, da fome, da infelicidade e da própria morte.

Com tanta pressão assim, confesso que sinto saudade do lobo mau. Pelo menos, havia a esperança de um final feliz.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/03/2007 - 13:27

Corpo

O teu imenso mar de possibilidades,
corpo,
é saber que tua forma é cotidiana
e que teu sangue pulsa
nas artérias das cidades.

O silêncio acumulado das tardes
— jogado a óleo de máquina em tua cara —
é a tinta com que constróis disfarces —
eterna criança brincando em teu jardim.

E à noite, espalhado pelo quarto,
sorrateiro,
te confortas no abraço
de um cigarro qualquer,
buscando, na fumaça, tua matéria e o teu alento.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
05/03/2007 - 14:05

História do interior II

Essa é do amigo e ex-companheiro de trabalho José Alan de Luna. Nascido na cidade de Barbalho, no interior do Ceará, Alan (Zezinho, Bulé, Gola, Ceará etc.) é poeta, escritor e jornalista.

E lá vinha o sujeito na estrada com um amigo, de tardezinha, quando de repente viu um tumulto na entrada de uma cidade. As pessoas, paradas no acostamento, denunciavam um acidente.

O cara ficou curioso e chamou o amigo pra ver o que era aquilo.

— Mas como é que nós vamos chegar perto? Tem muita gente aí.

— Fica tranqüilo que eu já sei como é que a gente faz.

Parou o carro, desceu com uma cara sisuda e, enquanto abria caminho na multidão, explicava:

— Pessoal, por favor, me dêem licença, eu sou parente da vítima. Me deixem passar.

Com cara de espanto, todos abriram caminho. Quando o sujeito chegou lá, entendeu a estupefação geral: era um jumento atropelado.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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