30/10/2006 - 15:35
Depois de meses de campanha, acusações, debates por vezes improfícuos e números confusos, o Brasil reelegeu Lula presidente da República.
Com 60% dos votos válidos, o novo-antigo presidente parece não ter tido muitos problemas para contornar as denúncias que lhe eram desferidas: lutou mais contra os seus aliados, que sempre se envolviam em escândalos, do que contra seu adversário, Geraldo Alckmim.
Este foi um candidato fraco. Ou talvez enfraquecido pelo momento político do País, que anda desconfiado com o discurso direitista calcado nos velhos cânones do liberalismo. Mesmo contando com o apoio da mídia, Alckmim caiu em sua própria armadilha: a ferocidade com que acusou Lula assustou o eleitor, ressabiado com o messianismo privacionista e com a dependência brasileira do capital estrangeiro.
Imagino o eleitor na hora de apertar o botão verde da urna eletrônica: um é ruim, o outro também, então vou ficar com esse mesmo. Nas filas dos locais de votação, era só o que se ouvia.
Por isso, atrevo-me a dizer que Lula levou, mas não ganhou. Quem venceu essas eleições foi a falta de opção.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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23/10/2006 - 10:16
Abro uma exceção em meu semanário e me permito a publicação de um texto “bônus” apenas para comentar a vitória de Felipe Massa na F-1 nesse domingo 22 de outubro de 2006.
Saindo na pole, Felipe não deu chance a ninguém: venceu de ponta a ponta, mostrando que já tem categoria de mestre. Pode ser precipitação ou exagero, mas o candidato a novo grande piloto brasileiro é ele. E já está mais do que na hora disso acontecer.
Em seu primeiro ano na F-1 (2002), Massa conseguiu marcar 4 pontos e um quinto lugar. Nada demais para um campeão, mas expressivo para um “calouro”. No próximo ano, mesmo com Alonso na Ferrari se confirmada a negociação , Massa pode conquistar ainda mais espaço nesse milionário esporte.
Foi muito bom ouvir o tema da vitória novamente. Aliás, foi muito bom, não, foi Massa!
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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20/10/2006 - 17:41
O deputado federal Clodovil Hernandez Clô, para os íntimos foi eleito com uma das maiores votações do País. Mas esse fenômeno parece adquirir significações outras no âmbito da política.
Figura pública muito conhecida, estilista, apresentador de TV, Clodovil, quando candidato, não apresentou nenhum projeto, o que torna injustificada a sua eleição.
É certo que projeto em época de campanha eleitoral não é garantia de nada exemplos há muitos e que não se deve duvidar da capacidade de ninguém, mas esse fato soa como uma piada popular, uma vingancinha do povo para com os políticos. A não ser que a intenção dessa aventura tenha sido dar uma “roupagem” nova à figura da democracia nacional.
É inevitavelmente cômico imaginar como será sua trajetória política, que, espero, não seja trágica como a própria Câmara.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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17/10/2006 - 10:43
Alguém se lembra dos assassinatos de Liana Friedenbach e de seu namorado, Felipe Caffé, cometidos por Roberto Aparecido Alves Cardoso, vulgo Champinha? Talvez o fato refresque a memória: eles foram mortos quando acampavam, durante um feriadão, numa pequena cidade do interior paulista, depois dela ser estuprada.
Pois é. No dia 9 de dezembro, Champinha completa 20 anos, e a intervenção da Febem, por lei, acaba. E ele poderá estar por aí de novo, se a Justiça não conseguir provar sua loucura e enviá-lo a um manicômio.
Com um currículo preenchido de abuso de álcool e drogas ilícitas, um outro assassinato e histórico de doenças mentais na família, Champinha não se enquadra muito no conceito de vítima da situação social ou incapaz de responder por seus atos, como querem os psicólogos que o avaliaram. Aliás, segundo o laudo destes, ele se mostrou bem consciente do que fez e até recusou ver as fotos das vítimas por não gostar de ver pessoas mortas.
Não nego, mas desconfio sempre da loucura: depois que ela surgiu, não existem mais safados no mundo.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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09/10/2006 - 10:27
As próximas eleições não dependem tanto da capacidade administrativa dos candidatos como dependem de sua performance retórica. E, na tentativa de elaborar um discurso convincente, políticos acabam criando sutis monstros semânticos.
Exemplo disso é o uso da palavra mudança: soa estranho pelo menos para mim um candidato da situação proclamar esse vocábulo como carro-chefe de sua candidatura. O que ele quer: sair do poder “mudar” o governo ou está atestando sua incompetência e por isso ELE tem de mudar?
Indispensável em qualquer meia-dúzia de palavras de campanha, esse termo encontra forças em um sentimento antigo do povo: o de que a “coisa está feia e é preciso mudar”.
Não sem razão: perdidas num oceano de dizeres vazios, as mudanças vêm e vão, e tudo continua na mesma.
Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria
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