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Arquivo de agosto, 2006

25/08/2006 - 13:03

Pontuação também faz parte do texto

Um dos grandes desafios para quem redige é o uso correto da pontuação. Na maioria das vezes relegada a segundo plano, esse importante componente textual facilita a leitura e a compreensão do que se escreve.
Para usá-la adequadamente, é necessário, num primeiro momento, entender que língua é muito mais do que simplesmente gramática, embora ela seja inevitável. A pontuação também se relaciona com a semântica, com o fluxo da leitura, interferindo diretamente na comunicação que se pretende estabelecer com o leitor. Uma simples vírgula fora de lugar, ou um ponto final mal empregado, pode gerar dubiedade e “travar” a ação do receptor.
Apesar disso, é muito comum encontrar, em jornais e revistas consagrados, deslizes de pontuação, tanto por excesso quanto por falta. Talvez pela imposição do caráter moderno da comunicação escrita — que exige rapidez e se aproxima da fala —, alguns dogmas de pontuação estejam caindo em desuso. Mas atenção: algumas regras permanecem muito vivas na redação de um texto. O redator deve achar o equilíbrio entre norma e sentido.
É um olho na gramática e outro na práxis.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
12/08/2006 - 15:23

Poema para Isabella

O teu corpo
pequenino
junto ao meu
me leva aonde eu não entendo.
Um limite indefinível de mim mesmo
em que eu e tu,
como sombras liquefeitas
dormimos
o imenso sono da matéria unida.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
07/08/2006 - 12:28

Sobre a Internet e Outras Gramáticas

A internet é um fenômeno ainda interessante para os que a descobrem dia-a-dia, e a linguagem dos que descobrem a internet é um um fenômeno mais interessante ainda.
Como muitos sabem, a língua é um organismo vivo, em constante busca de adaptação a novos suportes. O contato da língua com a web se dá, na maioria das vezes, da forma mais natural possível: sai diretamente do fabricante (o pensamento) para o suporte (a página eletrônica). Muitas vezes — uma rápida leitura de sites variados pode comprovar isso — sem elaboração prévia ou intermédio da gramática. E, logicamente, essa quase oralidade implica “erros” na escrita digital: erros que não são notados.
Qualquer um pode escrever na internet, os blogs estão aí para confirmar esse dado.
Talvez por essa imensa flexibilidade, a tolerância a escorregadas gramaticais seja maior. O leitor quase sempre é também escritor, e essa relação leva a uma cumplicidade textual, em que regras são quebradas em nome da estética da escrita rápida, que estabelece movimento contrário ao estabelecido por Gutemberg: a despadronização da ortografia oficial.
Isso nos sugere que a bíblia contemporânea já começou a ser escrita, longe da galáxia gutemberguiana, por monges copistas cibernéticos, que continuam deixando em cada erro sua marca registrada.

Autor: Malthus - Categoria(s): Sem categoria Tags:
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