

02/12/2007 – O inacreditável
O Corinthians, que começava bem o campeonato, frequentando até a zona da Libertadores, chega à última rodada a uma vitória de se manter na elite. Situação ridícula para quem, há 2 anos antes, havia sido campeão brasileiro em parceria com a fábrica de ilusões chamada MSI. O adversário era o Grêmio, na já anunciada despedida de Mano Menezes do time gaúcho. Enquanto isto, o Goiás recebia o Internacional, precisando ganhar e torcendo para o Corinthians não fazer o mesmo. 1 minuto de jogo, 1×0 Grêmio, e o Corinthians caía até mesmo com um empate do Goiás. Algum tempo depois, o Inter saía na frente no Serra Dourada. Não iria ser daquela vez. Mais um tempo e o Corinthians empatava, num gol de Clodoaldo, um centroavante grossíssimo que trouxeram do Criciúma só porque marcou 3 gols no São Caetano no inicio da Série B do ano passado. Agora ficou fácil, era só segurar o empate…o Corinthians até segurou, mas o Goiás reagiu, empatou e virou o jogo, num pênalti que o juiz mandou voltar 3 vezes (todas justas, por sinal). Quase 18h do dia 02/12/2007. O que ninguém acreditava aconteceu: o Corinthians era rebaixado pela primeira vez em sua história. E eu, que passava um dia gostoso na companhia dos meus amigos do trabalho, terminava-o com um choro de desabafo, por ver aquela vergonha nacional na minha frente. Agradeci aos céus por não terem deixado meu pai ver isto.
03/12/2007 – Arrumando a casa
Na segunda-feira, foi dado o primeiro passo para o regresso à série A: a demissão do incompetente Nelsinho Batista (sem “p”, por favor, ele já disse trocentas vezes que o nome dele é Batista sem frescura). Em 11 jogos no comando do time, só ganhou de São Paulo e Figueirense e empatou outros cinco jogos, lembrando a campanha inócua de 1996, quando Valdir Espinosa largou o time em 5º e o “gênio”, de tanto empatar, fez o Corinthians acabar em 12º, além de participar da campanha do quase rebaixamento de 1997. Eu, que não gosto deste técnico, por achá-lo prepotente e incompetente, comemorei
04/12/2007 – O começo da redenção: a chegada de Mano Menezes
No dia seguinte, a diretoria apresenta o técnico Mano Menezes, que, além de um bicampeonato gaúcho, coleciona outras façanhas, como levar o 15 de Campo Bom à semifinal da Copa do Brasil de 2004, tirar o Caxias, no mesmo ano, de um rebaixamento iminente na série B do Brasileiro para quase classificá-lo às fases finais e levar o Grêmio da série B do Brasileiro ao vice-campeonato da Libertadores em 2 anos. Já vinha acompanhando o trabalho do Mano desde a época do amarelão de Campo Bom e gostei muito da contratação. Desde 2002, com o time certinho montado por Carlos Alberto Parreira, não tínhamos um profissional sério no banco de reservas. Tivemos desde piadas como Juninho Fonseca, Junior, Ademar Braga e Zé Augusto até imbecis com status como Geninho, Tite e o abominável Emerson Leão.
06/12 – Aniversário do Expedito, o cara da xerox, lá na empresa. Outro corintiano roxo, teve que aguentar as inscrições “Obrigado a Santo Expedito pela graça alcançada”. A graça? Nosso rebaixamento. Não teve graça. Mas foi engraçado
03/01/2008 – A partida do mau-caráter
Um dos símbolos do rebaixado Corinthians era o zagueiro Betão. Um jogador medíocre que se achava o líder do time e que ainda batia de frente com Felipe, que passava um bocado com a zaga que tinha para protegê-lo. Depois de muitos anos de Corinthians, Betão saiu como deveria: humilhado e enrolado pela diretoria, que o segurou até o último minuto de seu contrato para, na virada do ano, falar que não contaria mais com os seus serviços. Era o fim da carreira de um cara que se achava dono do time, mas era o puxa-saco mór dos técnicos, especialmente Leão, que o levou para o Santos. Rojões virtuais aqui em casa (porque eu tomo cada susto com os reais…)
17/01/2008 – A estréia do novo Corinthians
O jogo era contra o recém-promovido Guarani, numa quinta à noite. O que esperar do time de Mano Menezes? Como seria a estréia? Será que o Corinthians sentiria o trauma? Que nada!!! Estréia tranquila de um time cujos jogadores foram chegando aos poucos e que, com o trabalho sério de Mano Menezes, já encontraram um razoável padrão de jogo na primeira partida, vencida por 3×0. Claro que não seria sempre assim, mas o que se viu naquela noite no Morumbi já seria um bom presságio
15/03/2008 – A primeira derrapada
O Corinthians vinha muito bem no Campeonato Paulista, e já havia superado Barras e Fortaleza na Copa do Brasil. Aí veio o jogo contra o Juventus. Um jogo onde o Corinthians entrou em campo para golear e, em duas cagadas, tomou 2 gols. A moral do time baixou um pouco e estes pontos fizeram uma falta danada no final da primeira fase.
26/03/2008 – O assalto à mão armada
Vindo de uma vitória não muito convincente contra o Rio Claro, o Corinthians foi até a Vila Belmiro pegar o Santos, que vinha em franca recuperação. Em um jogo muito equilibrado, a decisão veio num lance que foi uma verdadeira demonstração de cara de pau do Sr. Sálvio Spinola Fagundes Filho: Kleber Pereira desce pela intermediária, enfia as duas mãos abertas na cara de Carlão, passa por ele e chuta sem chance para Felipe. O juiz, fingindo que não era com ele, dá o gol e o Corinthians perde o jogo, ficando em situação bastante difícil no campeonato. Assim como existe o Simon da Fiel, o Zé Aparecido do Palmeiras e o São Paulo César de Oliveira, agora existe também o Sálvio Santos.
06/04 – A eliminação precoce
Domingo de sol em Bauru. O Corinthians precisaria de uma vitória contra o Noroeste e torceria para um dos dois resultados a seguir acontecerem: derrota do São Paulo para o Juventus (hahahahahaha) e/ou empate do Santos reserva contra a Ponte Preta. Este último resultado aconteceu, mas o Corinthians entrou abobalhado em campo e tomou o primeiro gol. Conseguiu virar o jogo, mas tomou o empate logo em seguida, num gol espírita e, no fim do jogo, o terceiro gol, lembrando muito o jogo final contra o Santos em 2002. O time perdia por 3×2 e era eliminado do Paulistão ao som de “boi, boi, boi, boi da cara preta, segunda divisão e camisa violeta”. Detalhe: o Noroeste também estava eliminado.
30/04/2008 – Aqui tem um bando de louco
O que uma provocação não faz…quando o diretor do Goiás, antes e após a vitória por 3×1 no primeiro jogo das quartas-de-final da Copa do Brasil, falou que iria comer uva, fazendo uma alusão à camisa roxa do Corinthians, subiu o sangue na cabeça da galera. Mano Menezes, que não é bobo e não nasceu ontem, deve ter usado isto muito bem para motivar os jogadores a reverter uma vantagem quase impossível, já que o Goiás era um time certinho, bem dirigido pelo Caio Jr., e podia perder até por 1 gol de diferença. A torcida também comprou a “briga” e lotou o Morumbi para ver a meia-hora mais espetacular do Corinthians pelo menos nos últimos 5 anos. 4×0 fácil, contra um Goiás que mais parecia a saudosa Catanduperde, um dos times mais hororrosos que já jogou o Paulistão. Depois disto, o Goiás perderia o Goiano dentro do Serra Dourada e só se acertaria 2 técnicos depois, com Hélio dos Anjos, que está até hoje lá. E o Corinthians? Recuperou-se rapidinho da eliminação do Paulista e seguia seu caminho para onde ninguém acreditaria…ah!!! E o Felipe comeu um cacho de uvas no campo e distribuía para a torcida!!! O dirigente do Goiás? Fechou a boca…
10/05/2008 – Chegou a hora de recomeçar
Dia da estréia na Série B, contra o CRB de Maceió, num Pacaembu lotado. Como seria o Corinthians na série B? Todas aquelas dúvidas de antes do jogo contra o Guarani pairavam no ar. E elas continuaram no primeiro minuto de jogo, quando o CRB, numa falha da defesa, fazia 1×0. Minha vizinha berrava de felicidade. E tomou a resposta 1 minuto depois, no empate do Corinthians. Final: Corinthians 3×2 e era dado o primeiro passo em direção à Série A 2009.
28/05/2008 – São Felipe
Segunda semifinal da Copa do Brasil. O Botafogo havia ganhado o primeiro jogo por 2×1 graças a um passe na medida do péssimo Fábio Ferreira, um dos poucos símbolos do rebaixamento que sobrou pra contar história, para o baixinho Jorge Henrique. Teríamos que reverter esta vantagem aqui em São Paulo, e revertemos, mas foi difícil: o Corinthians saía na frente e o Botafogo empatava logo em seguida, em falha do goleiro Felipe. Mas Chicão, numa falta na medida, colocava o Corinthians na frente: 2×1. E 2×1 era…pênaltis!!! Num show de cobrança, todos acertaram até a 9ª. Até que Zé Carlos, que teve passagem pífia pelo Corinthians no time do 1×0 do Tite, finalmente fez algo de útil pela gente e errou o pênalti, muito bem defendido por Felipe. Estávamos na final da Copa do Brasil, lutando pelo que parecia impossível: uma vaga na Libertadores no ano da série B.
11/06/2008 – O apagão e o juiz caseiro
Ilha do Retiro lotada. De um lado o Sport, de (ele mesmo!!!) Nelsinho Batista, que recebera um time montadinho do Gallo (aquele que ele espinafrou quando estava no Santos e não teve nem a hombridade de agradecer pelo título) e do Geninho, que deu sequência ao trabalho do técnico que tem nome de ave. Sport que havia ganhado de todo mundo na Ilha, com destaque especial para a vitória por 4×1 sobre o poderoso Palmeiras. De outro lado o Corinthians, que havia dado um baile no jogo de ida, vencendo por 3×0 até os 45 minutos do segundo tempo, quando Carlinhos Bala, numa falha de marcação de (ele mesmo!!!) Fábio Ferreira, faz o gol do Sport que, segundo ele, profeticamente, seria o gol do título. E foi. Foi, principalmente, porque o Corinthians não entrou em campo. Parecia um bando de criancinha com medo do monstro. E o monstro, com 2 gols em seguida, matou a fatura. Destaque para o segundo gol, quando Enilton enganou Felipe com um movimento e a bola da falta de Luciano Henrique entrou direto, quicando para o gol. Felipe foi condenado injustamente por um frango que não foi exatamente uma falha. Destaque também para o Sr. Alício Pena Jr., o juiz mais caseiro do Brasil. Tá precisando de um na sua casa de praia? Chama o Alício. Pra ser falta pro Sport, bastava um peteleco; pro Corinthians, tinha que levar um tiro na cabeça. Não foi uma arbitragem com erros clamorosos, mas foi extremamente tendenciosa. E isto acaba com qualquer time, mesmo aquele que já entra em campo esfacelados. Resultado final: o Corinthians perdeu por 2×0, perdendo o título pelos gols fora de casa e viu a Libertadores de 2009 vir só em 2010. E perdeu pro Nelsinho Batista, que, segundo ele mesmo, não tinha culpa pelo rebaixamento do Corinthians (só faltava ele falar que a culpa era do Gallo). Vamo pra B!!!
12/06/2008 – Mano abre o jogo
Mano afasta Felipe por tempo indeterminado, até o goleiro adquirir a forma. O técnico revelava na ocasião que Felipe não estava se dedicando aos treinos como antes, mas decidiu esperar até a final da Copa do Brasil para expor o que estava acontecendo. Excelente decisão do Mano, que não provocou celeumas no grupo durante a fase decisiva da competição
21/06/2008 – Os primeiros pontos perdidos na B
Ainda era hora de recolher os cacos da derrota na Copa do Brasil. Apesar de não ter sido surpresa, afinal o time da série A, teoricamente, era o Sport, foi broxante, pelo fato de ter chegado a abrir 3×0 no jogo do Morumbi e aquele bosta do Fábio Ferreira ter entregue a rapadura no último instante. O jogo era em Campinas, contra a Ponte Preta. O Corinthians logo fez o gol, mas recuou demais. A Ponte começou a gostar do jogo e, quase no final, empata. O Timão, que vinha de 6 vitórias consecutivas, perdia seus primeiros 2 pontinhos na série B.
19/07/2008 – A primeira derrota e os primeiros comentários imbecis
Pacaembu lotado para ver 5 títulos brasileiros em ação: os 4 do Corinthians e o solitário do Bahia. O Bahia não ia muito bem das pernas, mantendo-se sempre na 10ª posição e arredores. O Corinthians vinha de um empate contra o Santo André, jogando muito mal. E, logo no início do jogo, o pior aconteceu: Elias (o do Bahia) acerta uma falta, a bola encobre Felipe e entra. 1×0 e a primeira derrota na competição. E Felipe ainda tinha que ouvir um monte, já que falara groselha durante a semana, dizendo que tinha raiva do Bahia.
09/08/2008 – A segunda derrota, finalmente para um adversário à altura
O Corinthians voltava a Goiânia para jogar seu terceiro jogo no ano contra o terceiro adversário diferente (vitória contra o Barras e derrota para o Goiás). O adversário, desta vez, era o Vila Nova, do Túlio Maravilha, que não fez nada. Mas seus companheiros, comandados pelo competente técnico de segundona Givanildo, anularam as jogadas do Corinthians e ainda viram André Santos tomar o lugar de Felipe, expulso, no gol. Derrota por 2×1 e chegada perigosa do Avaí na classificação geral. Detalhe: o jogo seguinte era contra eles, na casa deles.
12/08/2008 – A manutenção da liderança
A derrota para o Vila Nova fez os jogadores do Corinthians abrirem os olhos. Começaram massacrando o Avaí e fizeram 1×0, o que dava uma vantagem de 5 pontos na liderança. Mas o Avaí, pelo fato de jogar em casa, pressionava e aí aparecia a estrela do nosso grande goleiro reserva Júlio César. Só que uma ele não conseguiu segurar, e o Avaí empatava o jogo a poucos minutos do final. Mas a primeira posição estava garantida e não seria mais ameaçada.
13/09/2008 – Que drama!!!!
Um dos jogos onde o Corinthians mais perdeu gols foi contra o Barueri. Fui experimentar a roupa de pinguim para o casamento do Maurão e perdi o primeiro tempo, mas o segundo, regado a muita cerveja e pão com salame, foi de prender a respiração. O Corinthians perdia gol atrás de gol, o goleiro deles, que era formado no Palmeiras, pegava até pensamento. Até que André Santos, aos 49 do 2º, soltou meu grito de gol da garganta. Grande vitória, à moda do Corinthians
11/10/2008 – O segundo reencontro
Os dois jogos entre Corinthians e Santo André foram especiais. Para o Santo André, porque foi o único time que não perdeu ou não perderá do Corinthians durante a competição. Para o Corinthians, mais espeficamente para o corintiano, por reencontrar o maior jogador de sua história: Marcelinho Carioca. O jogo foi difícil, acabou em 2×2, com outro gol no último minuto, desta vez de Dentinho. Mas o respeito que Marcelinho tem pelo Corinthians e vice-versa é realmente algo de se emocionar. Considero Marcelinho um péssimo caráter, mas se tem uma coisa que ele não faz média, é com a torcida do Corinthians. Ele sabe que deve ao Corinthians tudo o que tem na vida, e o corintiano sabe que deve a ele as maiores alegrias de seus 98 anos de história. Uma relação muito bonita que nenhum Ricardinho nem nenhum Leão denegriu.
25/10/2008 – O dia em que a Terra parou.
Sábado de sol, Pacaembu lotado. Com 7 rodadas de antecedência, o grande dia chegaria…Eu e meio amigo Caio já havíamos combinado de ver aquele histórico Corinthians x Ceará sem saber que ele seria tão histórico assim. O clima era de festa: bexigas com as inscrições “Eu voltei”, bandeirolas com os versos de “O portão”, belíssima música do Rei Roberto, acompanhando os gritos já costumeiros da torcida. Ao mesmo tempo em que estávamos com um olho no Pacaembu, estávamos com outro olho em Barueri, onde o Barueri enfrentaria o Paraná. Uma derrota dos donos da casa combinada a uma vitória do Corinthians daria o acesso já naquele sábado de sol. Começa o jogo, o Corinthians parece que não iria se acertar. Perde 2 chances bestas até que Herrera se recupera de um escorregão e cruza. A bola bate na trave e Douglas enche o pé para fazer 1×0. Festa no Pacaembu ao som de “ooooo, o Coringão voltooooou…” Não demorou muito e o Paraná abria o placar em Barueri completando a festa. Ao mesmo tempo, o Fluminense não parava de fazer gols no Palmeiras pela Série A e a festa foi completa. No entanto, ainda no primeiro tempo, o Barueri empatava. Nem isto abalou a torcida, mas os gritos de “O Coringão voltou” ficaram mais escassos. Acaba o primeiro tempo. 1×0 Corinthians, 1×1 em Barueri e o Palmeiras apanhando de 3×0 no Maraca…a tarde estava quase perfeita. Quase porque o tempo começou a fechar e os refletores foram acesos. Começa o segundo tempo e, em 4 minutos, o Ceará tem um gol anulado e há uma falta para o Corinthians na intermediária. Cristian dá uma bicuda, o goleiro defende e Chicão faz o gol que daria números finais ao jogo, mas não à rodada. Porque o Paraná fazia 2×1 no Barueri e completaria a festa corintiana. Ao anúncio do final do jogo de Barueri, o sol, que andava escondido, aparecia, como que felicitando, ao som de O Portão, a volta do filho pródigo ao seu devido lugar: a Série A do Campeonato Brasileiro.
Eu, corintiano há 30 anos, 8 meses e 23 dias, derramei as mesmas lágrimas que derramei naquele fatídico 2 de dezembro. Mas agora não eram lágrimas de raiva por gente do naipe de Dualib, Nelsinho e Betão terem tomado conta do meu time. Mas eram lágrimas de alegria por gente que trabalha sério como Mano Menezes, Felipe, André Santos, Dentinho e outros, que honraram cada minuto em campo com a camisa do Corinthians, dando o sangue por este time e proporcionando a felicidade de muita gente cuja única fonte de alegria é justamente o jogo do seu time.
Hoje eu digo com todas as letras: tenho orgulho de ser corintiano!!!
E aos rivais que torceram para o nosso rebaixamento, eu aviso: a hora de cada um vai chegar. Se já não chegou.
E vamo pra A!!!













