Como é de conhecimento geral, cada vez mais o trânsito de São Paulo está caótico. Ontem mesmo, fui pra São Bernardo do Campo por volta do meio-dia e a parte urbana da Via Anchieta estava pior do que de manhã cedo. Todo mundo bota a culpa no excesso de veÃculos, mas à s vezes eu fico pensando: será que é só isto?
Sem dúvida é um dos fatores. Afinal de contas, no caso da Via Anchieta, das Marginais e da insuportável Av. dos Bandeirantes, o excesso de carros e caminhões pesados faz o trânsito fluir mais devagar. Mais absurdo é pensar que as Marginais, que não possuem faróis (e aqui eu falo “faróis” porque sou paulistano da clara), ficam paradas durante boa parte do dia. Mas outras coisas também contribuem para o trânsito não andar
Com certeza todos nós já pegamos aquele ser, que, há um tempo atrás, indefectivelmente, possuÃa as letras CEM (de cemitério) na placa do carro (observação inteligentÃssima do meu amigo, irmão e afilhado Rodrigão), e andava a 40 km na faixa da esquerda de qualquer avenida de São Paulo. Geralmente ou a pessoa tem uma DNA (data de nascimento antiga) ou possui aquelas jabiracas de dar dó. Nada contra idosos dirigirem ou jabiracas andarem na rua, afinal de contas ninguém fica velho porque quer ou dirige uma jabiraca tendo dinheiro para comprar um carro decente…mas custa andar na faixa da direita, ou evitar andar na faixa da esquerda? Eu mesmo, no caminho para meu serviço, pego todo santo dia umas figuras destas. Ah, tem também o pessoal que dirige pick-ups, do tipo Fiorino, que ainda têm o agravante de tirar a visão do carro da frente dele (coisa que me deixa indócil).
Outra coisa que me deixa possesso é essa história de limite de velocidade. Sempre o limite é abaixo do bom senso, afinal de contas, o importante é arrecadar. Aqui em São Paulo a coisa é até tranquila. Tenho pra mim que os radares pegam por amostragem (as lombadas eletrônicas não, estas passaram no meu “teste de qualidade”). Mas em outras cidades…em Mogi das Cruzes, por exemplo, já deve vender aqueles adesivos com os dizeres “I (coração) Mogi das Cruzes” personalizado com a foto do seu carro…na maioria das vezes que vou para o bom e velho Litoral Norte, passo por dentro da cidade e me sinto o velhinho do Fusca, tamanha é a pouca velocidade com que tenho que andar.
Outro lugar ridÃculo é no corredor ABD, no trecho do D (Diadema). Tem um radar de 60 km/h que o pessoal tem tanto medo que passa a 40…depois eu tenho que dar uma de alfaiate de alta costura no trânsito e eu estou errado “apenas” porque quero andar no limite da velocidade na faixa da esquerda.
E as ruas esburacadas então? A Marta, o Serra e o Kassab deram uma melhorada, mas ainda tem muita coisa que fazer. Tem um trecho da Ricardo Jafet que, sem brincadeira, parece aquelas avenidas de periferia sem asfalto…perde-se uma faixa de rolamento (e, mais para frente, tem a parte que desabou na época da Marta e ela e o resto fez que não eram com os respectivos) e perde-se tempo no trânsito. Agora é que o Kassab está dando um jeito e (finalmente) abriu as faixas novas da avenida em questão.
O transporte coletivo é uma lástima: ônibus barulhentos e velhos, necessidade de linhas de ônibus (pasmem, mas não existe linha que sirva, ao mesmo tempo, o Cambuci e a Aclimação!!! São bairros vizinhos!!!) e, nem precisa falar, metrô. É um absurdo a pouca quantidade de lugares servidos por este transporte tão eficiente, e que é uma das poucas coisas que funcionava em São Paulo, até a chegada do Sr. Mário Covas, que, com todo o respeito que ele não merece, já foi tarde…e a linha que não liga nada a porra nenhuma? Esta é a melhor…sem contar a linha que desabou porque algum gênio da geologia não percebeu o terreno não apropriado para obras subterrâneas na região de Pinheiros. Assim, a passos de tartaruga, anda o metrô de São Paulo (e a Marta falou que vai construir 47 km…nem com o botox de pirlimpimpim ela consegue isto…)
A melhora do trânsito depende de uma série de fatores: construção de vias alternativas para a passagem de caminhões (o Rodoanel é uma ótima pedida, mas a cobrança de pedágios é uma idéia bem lusitana…só vai aumentar o custo da viagem e os caminhões escaparão por dentro da cidade); educação no trânsito, da prova teórica até a última aula, com o rigor aplicado quando da aprendizagem, não quando da punição. Hoje qualquer um tira carta de motorista e sai dirigindo um carro; melhora das linhas de ônibus e, principalmente, dos veÃculos; construção de mais linhas de metrô em caráter emergencial; melhor conservação das avenidas e ruas, de preferência utilizando asfalto de boa qualidade, não o que usam hoje, que não dura 2 dias inteiro; em caráter emergencial, aumento do rodÃzio de 2 para 4 finais por dia, até estas obras estarem prontas (depois pode voltar a 2 finais); e fim da indústria de multas e sinalização de limite de velocidade coerente com o que a via comporta.
Tudo isto é sonho. Talvez eu, daqui a uns 40 anos, com meus netos, não veja tudo isto funcionando. Mas espero que, um dia, São Paulo volte a andar e eu não precise levar mais de uma hora do Cambuci até a Rodovia dos Bandeirantes. Ou que possa ir trabalhar de metrô, quem sabe? Como diz a Soninha, “quem disse que não tem jeito”? É só ter vontade, querer fazer e não pensar nos dividendos polÃticos
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