Patrícia Pillar – Numa novela de grandes atuações, ela foi minha favorita. Construiu uma Flora que dava até pena no começo da novela, para depois transformá-la numa das maiores vilãs da dramaturgia brasileira, sem um pingo de escrúpulos. E não era apenas nos crimes que ela se revelava uma vilã. Era na simples troca do olhar e das feições, às vezes mais de uma vez na mesma cena. Um personagem excelente, uma interpretação impecável. Nota 10!!!
Cláudia Raia – Se tivemos uma vilã incrível, a mocinha também não fica atrás. Justamente porque não era uma mocinha tonta e perfeitinha. Usava, às vezes, de métodos não muito ortodoxos para provar, num primeiro momento, quem era Flora e, num segundo momento, para provar sua inocência e fazer Flora confessar seus crimes. Se Flora trabalhava com olhares, Donatela trabalhava com emoções. Cláudia Raia foi perfeita em todas as cenas dramáticas da personagem. Na verdade, Cláudia e Patrícia valorizaram seus personagens e o da outra com suas belíssimas atuações. Um personagem excelente, uma interpretação impecável, como sua parceira de dupla sertaneja. Nota 10!!!
Mariana Ximenes – Esta garota vai longe!!! Quem duvidava que a Lara tinha apenas 21 anos, mesmo sendo uma atriz de quase 30 interpretando-a? E que já fez outros trabalhos cujos personagens tinham mais idade? Como disse meu amigo Cadu, João Emanuel pagou a dívida que tinha com Mariana, já que seu personagem em Cobras e Lagartos, apesar de protagonista, era fraquíssimo, e ela defendera com uma dignidade incrível. Lara era um personagem dificil, com uma estrutura psicológica abaladíssima pelo que aconteceu com seu “pai de criação”, por ser filha biológica de uma assassina e por todas as coisas que foi descobrindo, com o tempo, sobre sua origem. Mariana foi uma que chorou do início ao fim da novela e passou uma puta verdade nisto. Nota 10!!!
Carmo Dalla Vecchia -Apesar de não considerá-lo protagonista, muita gente o considerava, pois era par romântico da mocinha. Começou a novela bem, sendo um mocinho “com sal”, mas depois seu personagem e, consequentemente, sua atuação foi murchando, provando que ainda é um ator cru para papéis muito grandes. Mas como é “amigo” do autor…Nota 6.
Mauro Mendonça – É incrível, mas fazia 25 anos que este grande ator não fazia uma novela do horário nobre. Outra atuação irretocável, desta vez num personagem com importância na trama à altura do talento de Mauro. Nota 10!!!
Glória Menezes – Outra que pegava, ultimamente, personagens apenas “simpáticos”, no horário nobre ou não, mostrou, com sua Irene, que ainda tem muito chão pela frente. Pegou um personagem complexo, que despertava simpatia por ser correta, mas antipatia por não querer ver a verdade, por acreditar demais na opositora de sua desafeta. Quando caiu em si, foi capaz de se humilhar e se arrepender verdadeiramente pelos erros. Cenas difíceis que Glória colocou no bolso. Nota 10!!!
Tarcísio Meira – Se a esposa conseguiu um bom personagem, o maridão nem tanto. Seus esperados embates com Gonçalo não aconteceram e Copola, na verdade, só foi um mensageiro do bem na novela. Pouco para a importância de Tarcísio na dramaturgia brasileira, mas o personagem foi muito bem defendido. A única crítica é o figurino de escoteiro sênior que deram para ele, mas faz parte. Tarcisão fez Tarcisão, e sempre faz Tarcisão muito bem feito. Nota 8.
Cauã Reymond – A grande supresa da novela. Para mim, Cauã não passava de um monte de músculos. Provou com Halley que evoluiu muito como ator, dando conta de várias cenas difíceis, desde que seu personagem ficou, digamos, mais centrado. Que continue evoluindo, afinal, o grande beneficiado será ele, que será respeitado como ator, e não como um cara bonito. Nota 9.
Thiago Rodrigues – Quem “descobriu” este “talento” deveria ser linchado. Não convence como mocinho, não convence em cenas difíceis, tem sempre o mesmo tom de voz, e ainda usa aquela barba cheia de falhas e dura de crescer como se fosse o sex symbol da novela. Atuação lamentável. Já vinha assim desde Páginas da Vida, e não evoluiu um tiquinho. Nota 2.
Murilo Benício – Depois do antológico Arthur Fortuna, poderia ter voltado à sua lista de personagens sérios chatos com o Dodi. Mas ele o tornou um vilão pra lá de atrapalhado, metido a esperto e sarcástico, sendo responsável por boas cenas de humor da novela. Não foi um Arthur Fortuna, mas Dodi também foi impagável. Nota 10!!!
Juliana Paes – Outra provinda de Pé na Jaca, fez um personagem que passaria até despercebido na novela caso não fosse morta no meio da trama. Mas fez com bastante competência e carisma, tendo deixado a novela para ser a protagonista da sua substituta, Caminho das Índias. Nota 7.
José Mayer – É sempre muito legal quando lembram para a gente que José Mayer sabe fazer papéis mais complexos do que o do garanhão que passa a vara em todas. Augusto César era praticamente um autista, que acreditava que o amor de sua vida havia sido abduzida, e vivia num mundo onde praticamente se relacionava com seu filho. Um personagem que parecia bobo, mas tinha sua própria lógica, e Mayer o fez maravilhosamente bem. Nota 10!!!
Giulia Gam – Aparecia pouco no começo, depois teve importância vital na caminhada de Donatela para provar sua inocência, passeou pela trama de Romildo Rosa e encontrou a felicidade nos braços de seus dois maridos. A trajetória da personagem era até interessante, mas Giulia é boa mesmo nos papéis mais intensos, o que não foi o caso da sua Diva/Rosana/Miranda. Nota 6.
Leonardo Medeiros – Ator muito elogiado por seus trabalhos no cinema, teve uma atuação apenas correta, nada a se destacar. Nota 5.
Suzana Faini – Fazia (mais uma) mulher chata e mal amada, mas que tinha sua razão de ser assim. Teve um grande destaque na parte final da novela, onde sofreu com a separação do marido e tornou-se, em princípio, uma mulher amargurada, para depois sacudir a poeira. Suzana é insuperável em papel de mulheres malas, e, depois de vê-la em cena, não entendo porque deixaram esta estupenda atriz fora do ar por 13 anos. Nota 10!!!
Gisele Fróes – O personagem não tinha lá grandes conflitos, mas a presença da atriz em cena e a leveza que ela passa valorizam o trabalho desta atriz de teatro, que fez sua segunda novela. Nota 8.
Chico Diaz – Outro ator que passa muita verdade no que faz. Átila também não teve grandes conflitos, mas era um cara boa gente, e às vezes os caras boa gente são os mais difíceis de fazer. Chico fez com bastante competência. Nota 8.
Lília Cabral – Uma das melhores atrizes do Brasil, transforma muitos personagens que dariam em água na mão de uma atriz comum em vinho. Não foi o caso de Catarina, que era uma boa personagem, apesar de não pertencer ao núcleo principal. Mas deu uma aula de interpretação ao retratar uma mulher que carecia de auto-estima e que, muitas vezes, não iniciava uma mudança na vida apenas para dar satisfação à sociedade. Um show!!! Nota 10!!!
Jackson Antunes – Pegou um personagem asqueroso e até tomou pontapé na sua perna doente de um telespectador de tão convicente que foi sua atuação. Para os tiradores de sarro foi um prato cheio, já que o seu “Catarina!!!” tornou-se um bordão. Foi coroado no final como sendo o pai do próprio neto, a maior das violências que praticara na novela, seja contra sua mulher ou contra seus filhos. Lília Cabral teve um parceiro de cena à altura. Nota 10!!!
Paula Burlamaqui – Entrou no meio da trama para dar a Catarina o estímulo para que mudasse de vida, e teve cenas difíceis com Jackson Antunes e com a própria Lília. Mais um personagem que Paula defendeu muito bem, apesar da boca siliconada ter deixado-a esquisita. Nota 8.
Clarice Falcão – Entrou na novela porque é filha de diretor de cinema, só pode. A garota é muito fraca e fala de um jeito meio esquisitão. Não convenceu. Nota 4.
Eduardo Mello – Bom ator mirim, trabalhou muito bem com as expressões na fase mais muda de seu Domenico. Quando falou, não foi tão bem, mas tem potencial. Nota 7.
Malvino Salvador – Não pegou um personagem tão importante na trama, e às vezes parecia meio que preso em cena. Não “fez uma omelete” com os ovos que pegou (no bom sentido, é claro). Nota 5.
Elizângela – Fez um personagem fora do padrão “quarentona gostosona” que sempre destinam a ela e, apesar de alguns exageros de expressão, fez, no geral, um trabalho bem legal. Nota 7.
Giovanna Ewbank – Depois de uma atuação impagável em Malhação, não teve oportunidades em A Favorita. Sem nota.
Emanuelle Araújo – A multimídia também provou que é multitalentos. Canta bem e atua bem. Manu foi um personagem que transitou entre a comédia e as vilanias, e Manu (a atriz) deu conta em ambos. Outra vinda de Pé na Jaca. Nota 8.
Ary Fontoura – Seja novela boa ou ruim, ele brilha sempre. Depois do ótimo Romeu da péssima Sete Pecados, Silveirinha foi um outro presentão. Passou com perfeição a imagem de homem misterioso e ambíguo, e foi um ótimo parceiro de cena de Cláudia e Patrícia. Nota 10!!!
Deborah Secco – Pegou um personagem complexo, transitou por vários núcleos, até se fixar no de Orlandinho. Mas parece que não levou o trabalho a sério. A cada capítulo seu sotaque mudava, e acabou sendo relegada a um núcleo secundário da novela. O pior foi dar uma entrevista falando que fez o que pôde. Não fez não, e ainda perdeu ótima oportunidade de ficar calada. Costumo respeitar muito o trabalho de todos, mas, a partir do momento em que o próprio ator não dá importância ao seu trabalho, não sou eu quem vai dar. Nota zero!!!
Roberta Gualda – Teve menos destaque que Deborah Secco, foi parar no inócuo núcleo de Gurgel e acabou com Damião, que também não teve tanto destaque. Mas a dignidade com que a ex-Ana representou seu personagem a credencia para trabalhos melhores. Nota 9.
Nelson Xavier – Fez apenas o início da novela, e teve uma atuação impecável em mais um personagem difícil. Nota 9.
Raquel Galvão – Outra que mal apareceu na novela. Sem nota.
Thiare Maia – A única das meninas da Cilene, fora Manu, que teve algum destaque. Nada demais, mas também não comprometeu. Nota 6.
Taís Araújo – Outra que deu uma boa melhorada como atriz. Alícia teve bons momentos na trama, como suas performances artísticas impagáveis e suas cenas conflituosas com o pai, Romildo. Mas o personagem foi murchando e ela acabou vendendo cachorro-quente e com o mala do Cassiano. Ninguém merece. Mas, pela dignidade leva Nota 7.
Fabrício Boliveira – A fase manguaceira do Didu foi o melhor momento de Fabrício na novela. Quando foi exigido mais dele, não deu conta. E o visual dele, a partir de um certo momento, não passou verdade ao personagem. Nota 4.
Milton Gonçalves – Outro que não fazia um bom personagem há tempos. Belíssima interpretação do político corrupto Romildo Rosa, soube dosar muito bem as cenas onde se mostrava um escroto e onde se mostrava um homem capaz de amar. Nota 10!!!
Christine Fernandes – O personagem passou meio que despercebido pela trama, e Christine fez o que pôde. Nota 6.
Hanna Romanazzi – Convenceu como a nojentinha Camila. Um talento a ser lapidado. Nota 7.
Selma Egrei – Apesar de sua participação em Pé na Jaca, estava há décadas fora das novelas. Dulce foi um personagem pequeno, mas que rendeu algumas risadas, pela sua falta de escrúpulos em dizer que gostava de dinheiro. Esta fez uma omelete excelente com os poucos ovos que recebeu. Nota 10!!!
Bel Kutner – Coitada, essa não dá sorte. Amelinha era para ser engraçada, mas acabou ficando forçada, muito por conta da falta de destino que o autor deu a ela. Mas Bel também fez o que pôde. Nota 6.
Mário Gomes – Em mais um papel de Mário Gomes, teve algum destaque no começo da novela, mas depois o personagem sumiu. Nota 5.
Sofia Terra – Depois de uma atuação pra lá de destacada e graciosa em Pé na Jaca, simplesmente não apareceu em A Favorita. Uma pena, pois ela é uma gracinha. Sem nota
Renan Mayer – Mais um que não teve chance. Sem nota
Ângela Vieira – Praticamente não apareceu na novela a não ser para fazer ponte. Reclamou na imprensa mas, ao contrário do que houve em Kubanacan, não abandonou a trama. Nota 5.
Cláudia Ohana – A volta da atriz ao horário nobre, numa novela escrita por seu meio-irmão, poderia ter sido mais destacada. Mas foi uma participação simpática, ao estilo da atriz. Nota 6.
Aramis Trindade – Seu mordomo Clemente era a própria múmia paralítica. Sem nota.
Helena Ranaldi – Apesar do bom personagem, pareceu travada na maioria das cenas. Mas cresceu quando a personagem mais precisou, e salvou sua atuação do ridículo no final. Nota 6.
Cláudia Missura – Nunca havia visto o trabalho desta atriz, e achei bem interessante. Ela tem uma cara e um jeito engraçado e usa muito bem isto a seu favor. Nota 7.
Lúcio Mauro – Entrou no meio da novela, como pai do Dodi, e justificou toda a personalidade do nosso anti-vilão. Fora que fez um ótimo Lúcio Mauro, como sempre. Nota 10!!!
Bento Ribeiro – Também nunca havia visto o trabalho deste ator, e achei-o meio esquisito. É fanho e parece um nóia quando fala. Muito fraco. Nota 2.
Alexandre Schumacher - Às vezes tempo na novela não quer dizer qualidade do personagem. Em pouco mais de um mês em Pé na Jaca, deu um show. Em 7 meses de A Favorita, mal apareceu. Nota 5.
Iran Malfitano – A estada fora da Globo só lhe fez bem. De ator limitado, passou a um dos destaques de A Favorita por conta de seu afetado Orlandinho, que foi se descobrindo homem. A história é meio absurda, mas Iran passou por cima de tudo isto com muita competência. Nota 9.
Genézio de Barros – Perfeito como o parkinsoniano Pedro, teve que ter estômago de avestruz na novela por conta do mau caratismo e da psicopatia de sua filha Flora. O problema de tremedeira foi tão bem feito por ele na novela, que muita gente pensou que Genézio realmente fosse doente. Curiosidade: o ator tem uma filha chamada Flora. Atuação perfeita!!! Nota 10!!!
Jean Pierre Noher – O ator argentino teve uma atuação bastante correta como Pepe. Poucas cenas difíceis, no mais fez o bom e velho arroz-com-feijão. Nota 6.
Miguel Rômulo – Já me embasbacava com sua interpretação em Pé na Jaca. Embasbacou elenco e equipe técnica em A Favorita, a ponto de arrancar aplausos de Cláudia Raia depois de uma cena difícil. Tem gente que já nasce pronto, e Miguel nasceu ator pronto. O moleque é bom demais e tem a cabeça no lugar. Que continue assim, pois será um dos melhores atores do país. Nota 10!!!
Graziela Schimitt – Deu pro Dodi na primeira semana, e não apareceu mais. Sem nota.
Rosi Campos – Para quem já foi a mamãe Sardinha na primeira novela de João Emanuel Carneiro, sua Tuca deixou bastante a desejar. Merecia papel melhor pela atriz que é. Nota 5.
Alexandre Nero – Seu “vérdureiro” analfabeto era até que razoável. Passava bem a impressão de abobalhado. Nota 6.
Luiz Bacelli – O pai do Orlandinho até que era uma figura engraçada. Nota 6.
Suely Franco – Apesar do personagem pequeno, foi outra que me arrancou boas risadas. Até porque, vez ou outra, incorporava a inesquecível dona Mimosa, de O Cravo e a Rosa. Nota 10!!!
Esta foi a avaliação ator a ator de A Favorita, a terceira grande novela do século XXI. Que a quarta venha logo!!!