1. Não roube o brinquedo que levei para a sala de aula… nem mesmo coma desculpa de que estou atrapalhando a aula. Você pode estar formando “um político que rouba e deixa roubar” ou “um político que rouba, mas faz”.
2. Não humilhe minha mãe nas reuniões, falando de minhas falhas diante de outras mães. Ela pode até me bater para te agradar, criando um clima de mágoa entre nós três.
3. Não roube minhas notas… notas que muitas vezes consegui com muito esforço. Isso só vai me desestimular ainda mais. O elogio é infinitamente mais produtivo.
4. Não grite comigo e nem me ofenda. Sou emocionalmente frágil… e cresço na direção para a qual me empurrarem.
5. Quando você cometer um excesso – e minha mão for lhe cobrar, admita o erro prontamente. Eu vou aprender que o adulto também erra, mas também o quanto é bom admitir o erro. Vou aprender que um pedido de desculpas pode ser bom para ambas as partes.
6. Não me compare ao melhor aluno da classe. Respeite minha singularidade e minha fraqueza momentânea. O melhor aluno da classe nem sempre será o melhor na vida.
7. Não fale mal de minha mãe, em hipótese nenhuma. Mesmo que ela seja “cri-cri”, ela é minha heroína. Por medo de você, eu posso ate engolir suas críticas a minha mãe. Mas ela vai continuar sendo minha heroína; e passarei a odiar você, tornando nossa relação muito pior.
8. Não me persiga, mesmo quando você não for com a minha cara. Posso aprender isso com você e, talvez, tornar-me um patrão injusto e tirano até mesmo com um parente seu. A escola é lugar para aprendermos a respeitar todas as pessoas, até mesmo aquelas com as quais não simpatizamos.
9. Um líder geralmente é considerado um rebelde. Canalize o meu carisma e minha liderança para o bem, amparando e respeitando o meu direito de opinião e expressão. Se você me massacrar, nem por isso eu deixarei de ser u líder, mas poderei vir a liderar pessoas da pior espécie, em prejuízo a toda a sociedade.
10. Não me coloque para ficar “anotando” nomes dos colegas que conversam enquanto você está fora da classe. Será muito cruel para comigo, pois farei o papel de alcagüete (delator), papel indigno para com meus colegas. E eles não aprenderão a ter responsabilidades sem que os vigiem. Devo aprender que cidadania é o exercício de meus direitos e o cumprimento de meus deveres para com os outros e para com a sociedade.
(Cremilda Estella Teixeira – 1997)