Educação bandida
Lamentável o artigo do empresário Antonio Ermírio de Moraes na Folha de S. Paulo de 25/05/2008. Ele culpa os alunos pelo baixo desempenho das escolas do ensino médio, dizendo que “Na maioria das escolas, os alunos se organizam em bandos para ofender funcionários, professores e diretores e também para depredar as instalações”.
Com escolas do ensino médio com notas médias de 1,4 em 10 pontos possíveis, o mais razoável seria concluir que são as próprias escolas (funcionários, professores e diretores) que se organizaram em “bandos” para gastar o dinheiro público sem cumprir sua obrigação constitucional de garantir uma educação pública de boa qualidade para nossas crianças.
O que falta na educação pública é uma efetiva avaliação do desempenho dos profissionais, exigindo-se a reciclagem ou a demissão dos que apresentarem baixo desempenho.
(P.S.: O Movimento COEP enviou esta carta à Folha em 26/07/2008. Ainda não foi publicada)
Painel do Leitor
No dia 26/05, a Folha publicou duas cartas “elogiando” o artigo do Antonio Ermírio:
- A primeira carta concorda com o artigo e vai mais além: chama os alunos de “algozes dos professores” e pede “aumento dos salários dos professores”;
- A segunda carta fala em “relato inteligente e coerente” e afirma que “sua coluna relatou o que muitos educadores gostariam de dizer, mas sem a mesma repercussão do grande empresário”.
Carta ao Ombusman da Folha
No dia 27/05/2008, o Movimento COEP enviou a seguinte mensagem ao Ombudsman do jornal Folha de São Paulo:
“Critica ao artigo “Lamentável”, do Antonio Ermírio
É perfeitamente compreensível que a Folha de São Paulo não queira publicar nossa carta (acima). O que não aceitamos é que fique sem resposta um artigo que chama de bandidos os alunos da escola pública.
Outro ponto falho da Folha: de onde foi que o sr. Antonio Ermírio tirou suas conclusões? Seria das páginas policiais da própria Folha? Duvidamos.
Será que todas as cartas recebidas pela Folha foram de apoio ao articulista? Destes “apoiadores”, quantos assinaram como “professores”?
Esperamos que o Ombudsman restabeleça o equilíbrio no jornal e que uma grave afirmação não fique sem resposta”.
(PS.: ainda não obtivemos nenhuma resposta do Ombudsman)
A Folha de São Paulo está de rabo preso com quem?
A Folha diz que pratica o “pluralismo”: “Numa sociedade complexa, todo fato se presta a interpretações múltiplas, quando não antagônicas. O leitor da Folha deve ter assegurado seu direito de acesso a todas elas”. (Manual de Redação da Folha de São Paulo).
No verbete “ouvir o outro lado”, o Manual de Redação diz que “Todo fato comporta mais de uma versão. Registre sempre todas as versões para que o leitor tire suas conclusões. Quando uma informação é ofensiva a uma pessoa ou entidade, ouça o outro lado e publique as duas versões com destaque proporcional”.
No caso específico, não vimos nem pluralismo e nem “ouvimos o outro lado”… Um colunista da Folha chamou de bandidos milhões de alunos das escolas públicas de SP… um “leitor” escreveu que “os alunos são algozes dos professores”… e o jornal Folha de São Paulo não publica “o outro lado” e nem esclarece quais são as pesquisas ou dados que “confirmam” as alegações feitas.
Parece que a Folha prefere ficar ao lado dos bilionários e dos milionários. Ela só registrou a versão do bilionário empresário e a versão dos associados do milionário sindicado dos professores de SP. Os alunos, os pais e as entidades que os defendem foram completamente ignoradas.
A Folha de São Paulo negou voz aos milhões de alunos que frequentam milhares de Escolas Nota Zero de SP.
Mauro A. Silva – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública