Uma mentira repetida mil vezes…
A gente mal acaba de elogiar a imprensa e ela “pisa no tomate”!
Elogiamos a TV Globo e o telejornal SPTV pelas reportagens que denunciavam cobranças ilegais de taxas dos alunos das escolas públicas (19/06/2007)…
Por que não noticiaram “a festa da impunidade”?
Mas, no dia 29/06, a TV Globo não noticiou a “festa da impunidade” (a diretora afastada voltaria à escola nesta sexta-feira (29), quando seria recebida em festa)… e também não noticiou a manifestação da corporação em favor da diretora cuja atitude fora equiparada a “crime” e “chantagem” pelo governador José Serra.
Não se pode elogiar…
Foi só a gente elogiar a reportagem equilibrada do Jornal da Tarde (”Decepou dedo de professora“, Jornal da Tarde, 29/06/2007) que apareceu alguém para fazer uma matéria do interesse da corporação: “Professores pedem mais segurança” (Jornal da Tarde, 30/06/2007)…
A repórter Camilla Haddad “esqueceu-se” de dizer que o ato não foi marcado pelo fato das agressões sofridas por três professoras, mas sim para proteger a diretora que fora flagrada cobrando taxas de R$ 1 de cada aluno para fazer prova… o ato foi contra o “afastamento” e a eventual punição da diretora… o ato foi a favor da impunidade… a corporação já tinha fechado posição contra qualquer punição já em 21/06/2007: “O presidente do sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Carlos Ramiro de Castro, afirmou ontem que a entidade irá recorrer de qualquer punição administrativa que seja imposta a Iael depois da conclusão do inquérito“. (”Diretora afastada por cobrar R$1 de alunos diz que não é criminosa”, Diário de São Paulo, 22/06/2007, página A4).
Dados sobre violência na escola
O Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública (COEP) sabe que a violência na escola não se resume a três casos de professores agredidos por mês… nem tampouco a 20 caso de agressões contra professores de São Bernardo do Campo “somente no mês de março”…
Por isso mesmo, o Movimento COEP está apoiando a Ação Civil Pública que o NAPA está movendo contra a Secretaria Estadual de Educação e o Governo de SP: a ação exige a publicação dos dados sobre violência nas escolas.
Mentiras, grandes mentiras e estatísticas
Os presidentes de sindicatos (CPP, Apeoesp etc) e o presidente da Udemo (sindicato de diretores) deveriam esclarecer o real motivo pelo qual suas pesquisas não registram os casos em que a violência é praticada por professores, funcionários e direção escolar… Por que não divulgam a violência sofrida pelos alunos dentro da escola pública? Por que não cumprem a Resolução SE nº 80/2002 (Determina que a direção faça relatórios mensais sobre os casos de violência nas escolas)?
Será que o presidente da Udemo não considera crime a cobrança de taxas dos alunos das escolas públicas?
Será que o presidente da Udemo ignora a lei estadual 3913/1983 (proíbe a cobranças de taxas e a instituição do uniforme obrigatório)?
Será que o presidente da Udemo considera que o constrangimento ilegal e o abuso de autoridade praticado contra os mil alunos da EE Maria da Glória Costa é Silva são “justificáveis”? ["A cobrança não existiria se o Estado fornecesse os recursos", enfatizou o presidente do Sindicato dos Diretores de Escola do Estado de São Paulo, Luiz Gonzaga" (Jornal da Tarde, 30/06/2007)].
Desafiamos os sindicatos fazerem uma campanha em que todas as violências praticadas nas escolas sejam registradas, publicadas e avaliadas.
Enquanto tivermos apenas pesquisas com nítido viés corporativo, os números apenas retratarão pouco mais do que uma grande mentira.
“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”?
A corporação sindical das escolas públicas parece estar seguindo a cartilha de Joseph Goebels, Ministro da Propaganda de Hitler, cuja sua mais famosa filosofia pregava: “Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”.
A grande mídia está engolindo tudo o que é passado pelas corporações… raros são os casos em que se analisam criticamente o comportamento de professores, funcionários e direções das escolas públicas.
Não fossem as novas mídias (celular, e-mail, internet, blog etc), muitos ainda poderiam acreditar cegamente que os professores são “anjos abnegados” e que não têm nenhum vício e que seriam incapazes de promover humilhações, maus-tratos e até mesmo torturas contra os alunos das escolas públicas.
Hoje, ninguém mais pode alegar desconhecimento sobre o que acontece no cotidiano das escolas públicas.
Fechar os olhos, tapar os ouvidos, ou calar a verdade é fazer parte da Conspiração do Silêncio” que impera no atual sistema feudal das escolas pública brasileiras.
O professorado comporta-se como vítima, mas, em muitos casos, é algoz dos alunos. É o oprimido agindo como opressor dos alunos indefesos.
O professor José Pacheco foi contundente no seu artigo “Os “outros”” (Revista Educação, nº 117, janeiro de 2007): “Nos debates públicos, predomina a tendência “politicamente correcta” de ocultar a existência do que Lorraine Moureau designou pelo terço de professores que deve mudar de profissão. Pero que los hay, los hay… E serão, talvez, os maiores responsáveis pela degradação do estatuto da nobre profissão de professor e pela obsolescência da Escola“.
A sociedade brasileira deve tratar o professor como se trata a qualquer profissional. Deve-se avaliar o professorado constantemente. Os bons professores devem ser apoiados e premiados. Os maus professores devem ser reciclados ou demitidos.
Comportar-se como “avestruz” não transforma uma mentira em verdade, assim com não transforma um país de analfabetos em uma nação desenvolvida.
Postado por: Mauro A. Silva – Movimento Comunidade de Olho na Escola Pública